
Qual é o sentimento?
Trecho (excerto do romance). O excerto de Fuks chega à turma como literatura — ainda não como item de prova: o mesmo trecho que o ENEM usou, apresentado limpo, sem enunciado nem alternativas. Acesso por cópia impressa individual (ou projeção). Procedimento: leitura silenciosa e individual, de 5 a 8 minutos. O professor não contextualiza autor, obra ou tema, nem antecipa que existe uma polêmica.
Perguntas: que voz é essa que narra? Que relação o trecho descreve — e como você percebe isso no texto? Que palavra ou passagem ficou com você?
Objetivos: capturar a reação subjetiva como ponto de partida da análise, antes que a moldura da prova organize o olhar; não corrigir nem hierarquizar as respostas.
Registro: cada aluno escreve, no caderno, duas ou três frases da leitura inicial que considera importante para sua interpretação do trecho lido. Essas frases serão retomadas nas etapas seguintes.
Comentários do docente
Deixe o texto falar primeiro. Não apresente autor e obra antes da leitura inicial. A contextualização vai acontecendo ao longo da mediação — nunca como moldura de abertura.

A linguagem do texto
Como se dá: só agora entra o item do ENEM e suas alternativas. O professor entrega um recorte com a questão para ser colada no caderno do estudante junto às anotações relacionadas à primeira leitura. Cada aluno responde e escreve qual palavra ou trecho sustenta a escolha. Em seguida, voltam ao excerto e sublinham as palavras que sustentam a alternativa do gabarito e as que sustentam a alternativa escolhida pelo autor — mostrando que as duas leituras têm apoio no texto.
Perguntas: a expressão que o narrador usa ao falar do irmão — que efeito produz? Que leituras ela autoriza? Há parte do trecho que só sustenta uma alternativa, ou as mesmas palavras abrem as duas?
Objetivos: mostrar como as escolhas de linguagem produzem efeitos de sentido que permitem ou barram certas leituras.
Comentários do docente
Essas perguntas conduzem e induzem intencionalmente a escolha das expressões que nascem da divagação do narrador acerca do termo “filho adotivo”. Chamar a atenção para como o narrador percebe a reação dos outros ao fato de seu irmão ser uma criança adotada e a como, nele, a inquietude adentra um outro lugar de questionamento. “absolver mazelas”, “limpar sentidos indesejáveis”, “assentir com solenidade”, “baixar os olhos”. São expressões que utilizam verbos acompanhados de substantivos que indicam atitudes de condescendência e piedade diante do fato de seu irmão ser adotado. Do lado do narrador, não há uma ação, mas uma questão, uma interrogação que o coloca inquieto, em dúvida, quanto à origem do irmão.
Conceitos estruturantes: narrador e ponto de vista; escolha lexical e efeito de sentido; ambiguidade;
BNCC: (EM13LP49) Perceber as peculiaridades estruturais e estilísticas de diferentes gêneros literários (a apreensão pessoal do cotidiano nas crônicas, a manifestação livre e subjetiva do eu lírico diante do mundo nos poemas, a múltipla perspectiva da vida humana e social dos romances, a dimensão política e social de textos da literatura marginal e da periferia etc.) para experimentar os diferentes ângulos de apreensão do indivíduo e do mundo pela literatura.

A linguagem do texto
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Comentários do docente
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