Metodologia
O Escola na Praça parte de um princípio: o aluno encontra o texto primeiro, com as próprias mãos, antes de qualquer explicação sobre autor, obra ou tema. A contextualização vem depois da leitura, ao longo da mediação, pensado pelo professor. A partir desse primeiro encontro, o percurso de leitura conduz o aluno de volta ao texto mais de uma vez para observar como a linguagem foi construída, para preencher o que o texto deixa em aberto e para pôr a leitura dele em diálogo com outras vozes (a crítica, a tradição, as outras leituras etc). O objetivo não é a resposta certa nem qualquer opinião: é o aluno perceber de onde lê e quem mais disputa o sentido daquilo que lê. Essa é ideia de educação literária do site Praça Clóvis.
Portanto, nossos princípios orientadores são:
O estudante encontra o texto literário como linguagem, forma e experiência — não como tema, exemplar histórico ou pretexto para gramática. Parte-se do encontro em que o aluno pode, ele mesmo, dizer o que compreende do texto mediado por seu repertório.
A leitura literária exige condução, escuta, perguntas, retomadas e organização do tempo. O professor desacelera e aponta os elementos de linguagem e de estrutura que confluem para a construção dos sentidos, recusando leituras apressadas, sem retornar à defesa da imanência do texto.
Cânone, crítica, escola, avaliações institucionais e algoritmos entram como vozes explícitas no diálogo que constrói os sentidos.
As propostas nascem das condições concretas de acesso, tempo, repertório e currículo.
A interpretação do leitor retorna ao texto e às leituras com as quais precisa dialogar socialmente. É o lugar da produção escrita que cada proposta oferece após a leitura.
Toda proposta admite adaptação sem perder densidade.
O ofício docente ancora-se no ato de ler e de escrever, o que implica elaboração minuciosa das tarefas de leitura e de escrita a serem experienciadas no tempo e no espaço escolares.
Natureza dos percursos de leitura
Os percursos de leitura de oferecem direção sem engessamento, indicam procedimentos sem impor um único modo de execução, apoiam o professor sem o intuito de substituir seu julgamento, pois cada proposta combina o conhecimento do professor que elaborou a proposta e do professor que está diante da sua turma e que a conhece.
Para navegação no site, as propostas agrupam-se em quatro tipos.
Temas relevantes para a sociedade e a comunidade escolar: efemérides (Consciência Negra e outras), best-sellers de interesse de alunos jovens, diálogo transtemporal com o cânone e a historiografia literária.
Relações intertextuais e intermediáticas com cinema, séries, música, pintura e outras linguagens.
Discussões aprofundadas a partir de itens do Enem e de outras avaliações institucionais.
Trabalhos de estruturação ampla e maior duração, explorando aspectos criativos: exposições, coletâneas, montagens teatrais e cinematográficas. Indicados para disciplinas eletivas.
Alguns percursos podem, facilmente, transitar em mais de um tipo.
Cada percurso de leitura fundamenta-se na intencionalidade pedagógica de apresentar um caminho para explorar o que o texto literário tem a dizer, sem deixar de lado o que nasce da experiência de leitura do estudante e da comunidade de leitura específica.
Por isso, cada percurso nasce de um planejamento prévio de perguntas ou atividades elaboradas de modo a fazer o estudante voltar ao texto. Movendo-se do olhar do aluno ao texto e dele ao que se fala sobre ele, travando diálogos com discursos que ajudam o leitor a construir, nesse processo, os sentidos da leitura proposta. Além disso, a experiência se concretiza com a produção textual dos estudantes, ou seja, a criação autoral que entrará em circulação no espaço escolar. Essa produção é a culminância do percurso de leitura – que nasce do primeiro olhar do aluno-leitor – e termina com o resultado das etapas da mediação – que lhe ajudaram a ampliar a compreensão sobre o texto literário.
Leitura inicial
Por quê?
Toma a reação subjetiva do leitor como primeiro olhar lançado sobre o texto literário é o ponto de partida da análise, mas não fica só nela.
Que perguntas fazer?
“O que o texto lhe diz? O que a leitura se conecta a sua experiência pessoal?”
Texto e Linguagem
Por quê?
Sustenta a exposição do leitor à linguagem e à estrutura textual que constroem os sentidos, que se constroem nessa materialidade específica do literário
Que perguntas fazer?
“Que escolha de linguagem produz esse efeito? Onde, exatamente, no texto?”
Lacunas e Vazios
Por quê?
Localiza o ponto em que a linguagem literária busca um leitor ativo e implicado, que busca inferir, ir atrás daquilo que está implícito e pressuposto.
Que perguntas fazer?
“O que o texto não resolve? Por que essa lacuna nos incomoda e de onde vem o que usamos para preenchê-la?”
Diálogos
Por quê?
Põe a leitura em confronto explícito com outros discursos (crítica, tradição, outras leituras, discurso institucional), obrigando o aluno a posicionar-se na disputa pelo sentido.
Que perguntas fazer?
“Quem mais já disse o que este texto significa? De que posição você lê e com que evidência?”