G.R.: Apresente a sua família, o seu meio ambiente.
C.F.A.: Eu nasci numa cidade chamada Santiago, no interior do Rio Grande do Sul, quase na fronteira com a Argentina. A família de meu pai é de origem portuguesa e a da minha mãe espanhola/portuguesa, fazendeiros que tinham perdido tudo. Meu pai era militar e minha mãe professora de História. Meu pai, como militar, foi bastante prejudicado durante o golpe de 64 e teve de sair do Exército. Depois houve uma perseguição louca. Teve que sair porque era brizolista, era janguista. Deixou a vida militar e nunca mais fez nada. Minha avó era professora de Português. Nós somos cinco irmãos, eu sou o mais velho. Santiago era uma cidade muito pequena. Quando nasci, não tinha luz elétrica, nós morávamos numa casa muito grande e muito velha, próxima do campo. Nas férias, íamos para a casa da minha avó, que era nas margens do rio Uruguaia. Do outro lado era a Argentina, então eu me criei falando “portunhol”. Aprendi a ler em casa, com 5 anos, minha mãe e minha avó me ensinaram. Escrevi ficção com 6 anos de idade e desde então não parei. Eu lia muito. Meu pai tinha uma biblioteca grande. Comecei a ler Machado de Assis, Érico Veríssimo, tinha Lawrence na biblioteca, tinha Dostoiévski. Era proibido e eu lia escondido (era proibido pela família, eram leituras muito “fortes”). Eu era uma criança muito só. Gostava de desenhar, fazia história em quadrinhos, tinha um teatrinho de fantoche, fazia fantoches. Preferia desenhar e escrever a brincar com os outros. Era muito voltado para dentro, sempre. Com 13, 14 anos já tinha treze romances escritos. Tenho-os em Porto Alegre, guardados.
G.R.: Lembra de algum episódio da infância?
C.F.A.: Quando eu tinha 6 anos, entrei para a escola primária, lá havia uma colega, Tânia, com quem eu conversava muito, que era minha grande amiga, minha namorada. Eu era apaixonado por ela. Aos 15 anos ela morreu de leucemia. Eu escrevi um conto sobre isso: “Beatriz ou o destino que sobrou”. Foi o primeiro contato com a morte que eu tive. Até então eu achava que a vida era eterna, que as pessoas não morriam. Eu acho que esse contato com a morte foi uma coisa que mexeu muito com a minha cabeça e com a minha literatura.
G.R.: Fale alguma coisa a mais sobre a família, a relação com os pais, o tipo de educação.
C.F.A.: Eu tive uma educação muito severa. Meu avô paterno tinha sido prefeito da cidade, meu pai era maçom e chegou ao mais alto grau da Maçonaria, ele foi venerável. Minha mãe era muito católica. Eu fiz primeira-comunhão, eu tinha que pedir a benção para meu pai e minha mãe. Somos três irmãos e duas irmãs. Eu tenho 38 anos, meu outro irmão 36, o outro, Felipe, tem agora 28 e as meninas têm uma 24 e a outra 23, então há uma grande diferença entre as idades. A minha mãe queria muito que eu e meu irmão fôssemos exemplos de educação para os outros. Era uma moral muito rígida, muito forte. Nós praticamente não tivemos educação sexual nenhuma, era proibido falar em sexo, aprendemos na rua com os outros, como grande parte da minha geração. Esse tipo de educação me marcou muito negativamente. Eu tenho oito anos de análise e não parei ainda. A minha literatura e a minha pessoa talvez pudessem ser realistas. Eu fui educado para me formar, ser médico ou advogado, casar, ter filhos e ser feliz para sempre. A vida fluiria sem sobressaltos. Assim, foi muito duro começar a demostrar, a criticar tudo isso, a escolher outro destino com as minhas próprias mãos. Na minha literatura aparece muito uma ideia de desencanto, uma ideia de que o mundo não é perfeito e de que é preciso lutar e sofrer muito para conseguir moldar o próprio destino. Acho que isso é uma coisa que vem da formação e da educação que eu tive.
G.R.: Quais os livros desse período que poderiam formar uma espécie de biblioteca ideal?
C.F.A.: O livro que mais me impressionou na minha infância e em toda a vida – eu até preciso encontrar esse livro de novo – é um romance infantil chamado A pequena princesa (The little princess). Eu não sei se o autor é um homem ou uma mulher, chama-se Francis Burnett, é inglês. Quando eu morei em Londres, encontrei esse livro, mas não sei nada sobre o autor ou a autora. É a história de uma menina chamada Sara que é muito rica e vive num internato de meninas, aí o pai morre na miséria na Índia, procurando diamantes. A Sara fica muito pobre e se torna criada e vai morar num sótão, onde ela inventa histórias o tempo todo, até que se descobre que o pai tinha encontrado uma mina de diamantes e ela fica rica de novo. Esse livro eu sabia de cor. Fora esse, As mil e uma noites que li e reli muitas vezes.
G.R.: Como é que a sua literatura é amarga, se teve esses livros ideais que são fantasia e fábula?
C.F.A.: Mas A pequena princesa é muito amarga, muito escura. As mil e uma noites não, é puro escapismo. Mas, depois, eu ainda não tinha 10 anos de idade quando comecei a ler a obra de Érico Veríssimo, a obra dele para adultos, e eu lia muita fotonovela italiana. Eu tinha uma tia solteirona que ajudou a nos criar que lia muita fotonovela. Você deve conhecer, Rossana Galli, Franco Andrei, Sandro Moretti, eu lia pilhas de fotonovela.
G.R.: Repassando na memória o passado, você encontra um “mestre”, um modelo de vida que o tenha marcado?
C.F.A.: Sim, o Érico Veríssimo, que na época era o maior escritor do Rio Grande do Sul e talvez o mais importante do Brasil. Acho-o infinitamente mais importante que Jorge Amado, que não tem a menor expressão cultural perto de Érico Veríssimo. A vida, a origem dele é muito parecida com a minha. Ele também teve essa formação espanhola, portuguesa, de fronteira; ficou no interior até, eu acho, os 20 anos, depois foi para Porto Alegre. Eu gostava muito dos livros dele de viagens, os livros que ele escreveu sobre os Estados Unidos, sobre a Grécia. Eu tinha vontade era de ser escritor como o Érico Veríssimo. Pelo tipo de vida e um pouco também pela cara que ele tinha. Quando eu era adolescente escrevi algumas cartas para ele e ele me respondeu, me orientou muito, me ajudou a publicar um de meus livros, depois o conheci pessoalmente.
G.R.: Como foi seu currículo escolar?
C.F.A.: Fiz o curso primário e o ginásio no interior, em Santiago; nunca fui reprovado, embora tivesse muita dificuldade em Matemática, tenho até hoje; acho que não sei nem a tabuada. Como eu era muito bom em Português e em Redação, os professores de Matemática eram complacentes comigo. Eu era bom em Geografia, adorava História, Francês. Estudei muito Francês. Lia, traduzia, fazia versões em francês, fiz muita tradução de Anatole France, olhe que absurdo! Fui fazer o curso colegial em Porto Alegre, no internato protestante norte-americano. Aí fiz o colegial e vestibular para Direito, porque minha mãe queria que eu fizesse, mas, escondido, me inscrevi para Letras. Fui reprovado em Direito e aprovado no curso de Letras.
G.R.: Esse período de internato talvez tenha marcado muito, como formação.
C.F.A.: Muito. Eu achava os meninos da minha idade (era um internato masculino) muito estúpidos, eu não conseguia gostar do que eles gostavam, então devorei a biblioteca inteira do colégio. Nessa época eu lia muito Graciliano Ramos, de quem eu gosto demais. Graciliano é uma grande paixão minha. Tenho uma predileção especial por Angústia. A forma do Graciliano sempre me encantou: a frase, completamente despojada, seca, nua. Na época, descobri Clarice. Guimarães Rosa veio um pouco mais tarde. Descobri os russos. Nessa época, li muito Dostoiévski e Tolstói.
G.R.: E durante o período da universidade morou onde?
C.F.A.: Eu morava em pensões, em hotéis pequeninos. Comecei a estudar Teoria da Literatura, descobri Sartre, Simone de Beauvoir.
G.R.: Quando considera ter acabado seu período de mocidade, de aprendizagem?
C.F.A.: Aconteceram coisas malucas. Eu fiz um ano de universidade no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, com 18 anos. A revista Veja não existia na época, em 1968, então a editora Abril fez em todo o Brasil uma seleção de cem pessoas para dar início a essa revista. Eu me inscrevi nesse concurso. Eles exigiam curso universitário completo, eu não tinha; experiência jornalística, eu não tinha. Mas eu me inscrevi, fui fazendo todos os testes, fui sendo aprovado e fui selecionado para a equipe final. Com 19 anos, eu vim para São Paulo para trabalhar na revista. São Paulo, em 1968, estava explodindo, o país estava explodindo, foi o ano do AI-5, foi o ano do movimento tropicalista, foi o começo do movimento hippie. Então eu, muito ingênuo, tinha 19 anos, comecei a frequentar reuniões de grupos, achando tudo muito bonito, muito heroico, mas eu não sabia direito do que se tratava. Foi o período em que a censura baixou forte no país, vários espetáculos teatrais foram proibidos. Eu sempre fui muito ligado ao teatro, eu fui ator também, na época eu estudei um pouco de teatro. Então eu costumava ir a reuniões no Teatro Ruth Escobar, assinava manifestos, fazia passeatas junto com as pessoas de um espetáculo da época, chamado Roda Viva – os atores foram até sequestrados e eu assinei todos os manifestos. Ia a todas as reuniões, mas ideologicamente eu não sabia direito o que estava fazendo, era uma coisa mais juvenil, de paixão. Não cheguei a militar, não cheguei a pegar em armas, não cheguei a fazer guerrilha, nada, porque o DOPS bateu na Veja, onde eu trabalhava, à minha procura e eu fugi. Fui para a fazenda, em Campinas, da escritora Hilda Hilst e fiquei lá cerca de um ano. Minha vida enlouqueceu um pouco, eu tinha 20 anos. Depois fui para o Rio, aí comecei a tomar droga, muita maconha, muito ácido. Foi um período muito confuso, muito louco. Durante esse período, eu publiquei mais um livro, um romance chamado Limite branco que havia sido escrito antes do meu primeiro livro, ainda em Porto Alegre. E fiquei um tempo no Rio, voltei à fazenda da Hilda, voltei a Porto Alegre, me reuni com um grupo de teatro, fazíamos criações coletivas. Fiquei cerca de um ano lá, trabalhei um pouco em jornal, ganhei um concurso com o conto chamado “Visita” e com o dinheiro fui pra Europa, em 1972. Espanha, um pouco em Paris, uns quatro meses na Suécia, trabalhando como lavador de pratos, Alemanha, Amsterdã, Londres. Fiquei mais de um ano morando em Londres. Voltei para o Brasil no começo de 1975.
G.R.: Houve uma encruzilhada, um acontecimento que o tenha marcado de maneira definitiva?
C.F.A.: Foi exatamente uma coisa em Londres. Quando eu fui para lá, tinha deixado um livro pronto aqui no Brasil, um livro chamado O ovo apunhalado. Em Londres, estava trabalhando como modelo, tinha contratos, podia ficar muito tempo se eu quisesse. Minha ideia era ir pro Oriente, para Índia, para China. Eu tinha dinheiro e tudo, estava tudo mais ou menos organizado, mas esse livro, O ovo apunhalado, estava trancado, aqui, nas editoras. Havia problemas de censura, tinha que cortar coisas do texto. De repente fiquei com esse problema muito nítido: ou ia para Índia, ou voltava para o Brasil para publicar esse livro e encarava minha vida como escritor. Eu resolvi voltar para o Brasil. Voltei, o livro saiu e foi um grande sucesso. Isso foi em 1975.
G.R.: Como e quando começou a escrever?
C.F.A.: Eu comecei a escrever espontaneamente, em nenhum momento eu parei para decidir se ia ser escritor ou não, porque eu sempre escrevia. Quando eu tinha 16 anos, eu já tinha vários contos. Aprontei meu primeiro livro de contos e mandei um deles para uma revista de São Paulo, editada pelo Ignácio de Loyola, e eles publicaram.
G.R.: Como se chamava a revista?
C.F.A.: Cláudia. Foi em 66, eles publicaram o conto, me pagaram, e aí vi que existia a possibilidade de ser escritor, disso ser uma profissão.
G.R.: Qual foi seu primeiro livro publicado?
C.F.A.: Meu primeiro livro publicado chama-se O inventário do irremediado, é um livro de contos, foi publicado em 1970. Ganhou um prêmio num concurso nacional para inéditos. Foi publicado por uma editora muito pequena de Porto Alegre, a Movimento, que não distribuía para o resto do Brasil, era restrita ao Rio Grande do Sul. Então ele circulou muito pouco. Anos mais tarde, eu peguei esse livro, reescrevi algumas coisas, mas ficou guardado.
G.R.: Com o mesmo título?
C.F.A.: Sim, mas não foi publicado.
G.R.: Você agora vive escrevendo, mas trabalha também. Como são as duas carreiras?
C.F.A.: É difícil pra mim, é muito difícil, porque eu não gosto do trabalho jornalístico. É uma coisa que ocupa muito sua cabeça, não há tempo hábil para escrever e eu acho que a criação literária pede muito o lazer. Você tem que estar aparentemente desocupado, indo a passeio, indo ao cinema frequentemente para anotar uma frase, uma imagem. Morando em São Paulo, trabalhando em jornal todos os dias, minha vida é muito corrida e minha literatura está ficando lesada com isso, o que eu ganho de direitos autorais não me permitiria viver exclusivamente da literatura.
G.R.: Como é o processo criativo de seus livros?
C.F.A.: Eu escrevo diários há muitos anos, desde que eu tinha 8, 9 anos. Tenho sempre cadernos onde escrevo toda noite e nesses cadernos se misturam muitas coisas. Eu gosto muito de ocultismo, eu estudo astrologia há muitos anos, eu estudo I Ching.
G.R.: I Ching?
C.F.A.: I Ching. Eu te mostro, é o Livro das Mutações, é um oráculo. É um oráculo com uma base cabalística, com 64 possibilidades.
G.R.: Então, e esses diários?
C.F.A.: Nesses diários, nesses cadernos, se misturam desde estudos de I Ching até anotações de idéias para histórias, fragmentos, tenho pilhas desses cadernos. Os livros costumam sair daí, desses pequenos fragmentos. Eu tenho uma coisa que chamo de “frase imago”. Por alguma razão me vem uma frase obsessiva, minha cabeça não consegue se livrar dela durante dias, então eu anoto essa frase e a essa frase, nesses cadernos, vão se juntando outras coisas. Por exemplo, outro dia me veio uma frase assim: “Éramos tão pálidos e nos queríamos tanto”. Fiquei com essa frase na cabeça durante dias, anotei e comecei a destrinchá-la: quem era tão pálido? Quantas pessoas? Eram duas, três? De que sexo eram? Então as histórias vão se formando, mas num primeiro momento, vêm do inconsciente. Em geral uma frase, uma imagem ou um nome. Me vêm muito através de sonhos, que eu anoto. Eu gosto muito de Jung, a minha análise tem uma base junguiana. Num primeiro momento vêm do inconsciente e nisso eu não mexo, acho que é mistério puro. Num segundo momento, essas frases vão umas puxando outras até que chego num momento em que sinto que estou preparado para escrever e tenho medo, tenho muito medo – não exatamente da folha branca –, tenho medo do meu estado físico, tenho descargas de adrenalina absurdas, eu falo sozinho, não consigo comer, fumo demais, tomo café, tenho vertigens, taquicardia e vômito – quando estou escrevendo vomito muito. Eu fico muito à mercê. É um estado alterado de percepção, eu escuto vozes, tenho avisos mágicos, é uma fronteira com a loucura. Mas, passado esse primeiro momento, eu sento à máquina, escrevo muito alterado, depois deixo esse texto de lado e aí vem o trabalho com a razão, que é muito mais fácil. Aí eu trabalho muito, reescrevo, corto muito, trabalho muito com música, gosto muito de música, leio muito o meu texto em voz alta, trabalho a sonoridade dele. Ultimamente, tenho ouvido muita música minimalista, estou procurando trabalhar meus textos mais ou menos como a música minimalista trabalhava: com um mínimo de recursos e o máximo de repetições. Por exemplo: “Ele estava sentado numa cadeira branca e começava a amanhecer. Quando começou a amanhecer ele estava sentado. Ele olhou para um lado onde começava a amanhecer. Onde começava a amanhecer o céu estava vermelho. Da cadeira branca onde ele estava sentado, ele viu o céu vermelho”. Eu não me considero um intelectual, eu gosto muito de música, gosto muito de cinema, trabalho muito com o inconsciente, trabalho pouco com a razão. Meu último livro chama-se O triângulo das águas, são três novelas. Eu estudei dança durante muito tempo, fui bailarino. Na época, fazia dança moderna, foi na época em que parei com a análise e resolvi mexer com o corpo um pouco. Então, é curioso porque uma das novelas desse livro nasceu de uma coreografia. Nós tínhamos coreografado uma peça do Piazzolla. Cheguei em casa e sentei, mas não tinha nada na cabeça, comecei a descrever os movimentos, a escrever mesmo os movimentos dessa coreografia – são movimentos de alongamento, de contração e escrevi isso. Então, percebi que era uma personagem que estava fazendo esses movimentos e em seguida essa personagem ganhou nome, ganhou face: ela estava situada dentro de um espaço e estava esperando a visita de outra pessoa. Quando percebi, tinha-se formado uma história na minha cabeça e passei uns quatro meses, toda noite, escrevendo essa história, tanto que ela é um texto único, sem interrupção nenhuma. Aí eu criei uma disciplina: costumava sentar para escrever às nove da noite, escrevia até cinco, seis da manhã, depois dormia (na época eu não estava trabalhando), até chegar a uma primeira versão que depois escrevi e reescrevi muito, porque eu tenho a mania, o vício da limpeza. Eu escrevo de cinco a dez linhas, tiro o papel da máquina, leio em voz alta, corto, corrijo, passo a limpo, escrevo mais um período, trabalho de novo, corto aquele segundo, passo a limpo os dois. Avança, muito devagar, é muito penoso. Meu trabalho com a linguagem é basicamente sempre um trabalho sonoro: lendo em voz alta, aquilo que não me soa, aquilo que não flui no meu ouvido sinto que não é bom.
G.R.: Por que escreve?
C.F.A.: Não tenho a menor idéia. O que será que é escrever? As pessoas podem vir cuspir em mim, mas eu me lembro de um poema de Fernando Pessoa (eu gosto muito de Fernando) que diz: “Eu sou muito individual e tudo mais é estúpido como um Gorky ou um Dostoiévski”. Eu escrevo para ter uma ilusão, para reorganizar o universo, alguma coisa assim, mas é inteiramente pessoal.
G.R.: Esse passado de participação em passeatas e movimentos, o período hippie, o que tirou de tudo isso?
C.F.A.: Nos meus livros aparece muito isso, porque ao escrever eu tenho a preocupação racional de documentar o mundo contemporâneo. Agora, quero lidar com as coisas de hoje, quero que o que eu escreva tenha cheiro das ruas, das grandes cidades, tenha a adrenalina solta do cruzamento da avenida Paulista. Nesse sentido é meio reportagem urbana interior, e todos os meus livros são marcados por essa vivência de 1968, pela vivência da droga, pelo problema da loucura, da insanidade, o que é um militante, a psiquiatria. Uma coisa que sempre me preocupou muito foi a loucura pela loucura do amor, pelo medo da morte.
G.R.: Em seu trabalho de criação prevalece a interrupção ou a continuidade?
C.F.A.: Há uma continuidade, sempre através desses cadernos. Eu escrevo todos os dias. Mas, por exemplo, agora, eu estava muito duro, muito sem grana e estou trabalhando no jornal desde março, há nove meses, e desde então eu tenho uma interrupção provocada por razões objetivas, reais.
G.R.: Há momentos felizes ou ideais para escrever?
C.F.A.: Há sim. Eu gosto muito de escrever à noite: porque o telefone não toca, não vai chegar ninguém inesperadamente. É muito bom poder sentar à máquina, às vezes, às dez, onze horas da noite, saber que eu posso escrever até às seis horas da manhã e não ter nada para fazer no dia seguinte. Poder acordar ao meio-dia, duas horas da tarde, continuar escrevendo, se eu quiser. Essa é a minha utopia com relação à literatura.
G.R.: Quando escreve, é a vontade que puxa a escrita, é a neurose, o prazer da inteligência, da fantasia?
C.F.A.: Uma boa pergunta! Prazer e dor vem muito misturados, sempre. Às vezes tenho a sensação de que sou um escultor tentando dar forma a uma pedra, a golpes, na porrada mesmo. É muito difícil. À medida que a forma vai sendo conseguida, isso traz um grande prazer. Mas ficar muito tempo em cima da máquina, fisicamente é desgastante, fico sem energia.
G.R.: Onde encontra estímulos para escrever?
C.F.A.: No cinema e na música, principalmente. No meu livro O triângulo das águas, a novela que se chama Pela noite nasceu de um tema de Piazzolla, e uma outra novela do mesmo livro, Dodecaedro,nasceu de um tema de Keith Jarret, um pianista. Fassbinder já me inspirou muitas coisas, o Bergman também. E fora disso, o contato com a vida, com as pessoas mesmo.
G.R.: Qual é o papel que o imprevisto desempenha em seu trabalho criativo?
C.F.A.: Acho que é o mesmo papel que desempenha na minha vida enquanto ser humano. Eu evito ter uma vida programada, eu acho que existem basicamente dois tipos de escritores: aquele tipo mais Jorge Luis Borges, que fica no escritório dele tendo muito pouco contato direto com a vida, e aquele tipo Jack Kerouac, que está misturado nas ruas e cujo trabalho nasce da vida dele. Eu me sinto mais no segundo papel, mais próximo de Kerouac.
G.R.: Existe, analogamente ao prazer do texto, um prazer de escrever?
C.F.A.: Sim, existe. É um pouco, talvez, como o prazer aterrorizado que Deus deve ter tido no último dia da criação do mundo, ou como o Dr. Frankenstein teve quando o monstro fez o primeiro movimento.
G.R.: Qual é o livro dos outros que gostaria de ter escrito e por que?
C.F.A.: Eu gostaria de ter escrito A morte de Ivan Illic do Tolstói ou A metamorfose do Kafka. Gostaria muito. Agora, por quê? Eu trabalho muito com a solidão, com a sensação do ser humano de estar dissociado dos outros, de tudo, de não ter a menor idéia do que significa a vida dele. Eu acho que n’ A morte de Ivan Illic Tolstói pega muito bem isso, na medida em que Ivan Illic morre de câncer, todo ritual cotidiano, todo ritual da vida vai perdendo sentido. E quanto ao Kafka, a forma de A metamorfose é uma coisa espantosa, a clareza. Eu gostaria também de ter escrito qualquer página de Samuel Beckett, que é um minimalista.
G.R.: Como se sente dentro da literatura brasileira de hoje?
C.F.A.: Eu quase não tenho amigos escritores e não vou a noite de autógrafos. Eu acho que literatura é uma coisa esquisita, eu não gosto dos cartõezinhos, das apresentações, dos jantares, eu não gosto dos escritores. É uma coisa muito esquisita, não é? Muitas vezes, quando são feitos ensaios sobre literatura brasileira contemporânea, eu sou omitido, eu não faço parte ou eles não me incluem. O meu trabalho corre muito à margem disso. Eu acho que estou tentando dar forma e voz a um Brasil contemporâneo que corre à margem da literatura estabelecida. Eu me sinto próximo literalmente da Márcia Denser, de João Gilberto Noll, de Reinaldo Morais, e nenhum desses autores faz “boa literatura”. É uma literatura mal-comportada, esquisita, diferente, neurótica, drogada. Eu sinto que estou tentando dar forma e voz a esse Brasil mal-comportado e isso não é muito aceito e admitido.
G.R.: Como julga a literatura da geração dos anos 70?
C.F.A.: Muito comportada, acho muito comportada. A exceção desses autores que citei e de João Silvério Trevisan, que é um autor importante, a literatura é muito comportada. Está ainda preocupada com as tias, há muitas tias na ficção brasileira, tem muito casarão, tem muito amor impossível, tem muito pouca carne, pouca sexualidade, pouca rua. Eu sinto ela meio dissociada da vida real do brasileiro. Com exceções, é claro.
G.R.: Você falou em sexualidade. Acha importante esse tema?
C.F.A.: Acho, acho sim. Porque há uma grande confusão em torno da sexualidade. Muitos textos meus são tidos como pornográficos. Há uma grande hipocrisia. A sexualidade é realmente uma obsessão, uma fixação brasileira. O brasileiro é muito sensual. A fusão das raças – negro, índio, português – é terrivelmente sensual. Rio de Janeiro ou Salvador são cidades pornográficas. A sexualidade está solta nas ruas, as pessoas se olham, se cantam, se dizem coisas. Mas por trás dessa sensualidade espontânea existe uma estrutura moral muito rígida: sexo é pecado, as mulheres devem ser frígidas e isso está inculcado no inconsciente coletivo. Lembro-me do Nelson Rodrigues, o maior teatrólogo brasileiro (um autor que adoro), lembro-me do A dama do lotação – existe um filme com a Sônia Braga –, em que há uma moça que casa virgem com um homem bonito e com o qual não consegue trepar, não consegue ter relações. Ela está absolutamente frígida. Então ela começa, de uma forma compulsiva, a se vestir como uma prostitua, a se pintar muito, sai pela rua e trepa, loucamente, com negrões, com estivadores, com homens do povo e tem um prazer louco; com o marido, ela não consegue. Essa divisão da Dama do lotação é exatamente a divisão erótica na cabeça do povo brasileiro. Existe aquele amor não-sexuado, com o qual você mora, tem uma vida digna, pode ter uma família, uma casa, um lar, e existe a sexualidade solta, desbragada, pecaminosa. Isso é muito neurótico, porque o caminho saudável da sexualidade deveria reunir essas duas figuras num só objeto sexual, numa só pessoa. Eu acho que toda forma de expressão artística brasileira está muito contaminada por essa divisão. Isso aparece no cinema, na literatura: o amor ideal e o amor de lama. Eu acho que precisa filmar mais. Agora, quando se tenta fazer essa união não-esquizofrênica, uma coisa que a Márcia Denser faz muito bem, soa pornográfico, porque choca. Mas eu não sei se o que é pornográfico é o que mantém o esquizofrênico dessa situação, e o não-pornográfico é o que procura a união desses dois pólos e, portanto, procura a beleza, a saúde, a unidade.
G.R.: O que sente quando escreve?
C.F.A.: O cérebro humano é uma coisa muito maluca e muito desconhecida. Eu acho que, às vezes, quando você está no processo de criação, febril, alucinado, há certas zonas do cérebro, que normalmente estão adormecidas, que ficam excitadas. Criar apaixonadamente, alucinadamente pode trazer novas percepções, novas maneiras de sentir a realidade, pode alterar teus sentidos. Funciona muitas vezes fisicamente, eu tenho náuseas, vomito, tenho tonturas.
G.R.: Como e quanto a rotina cotidiana interfere em teu trabalho de escritor?
C.F.A.: Às vezes eu acho que todo escritor deveria ter, se não fosse casado, uma espécie de babá para resolver as coisas práticas. Às vezes, você está escrevendo e não tem nada na geladeira para comer, então você tem que parar de escrever, ir no supermercado ou ao restaurante, comer. Isso atrapalha muito. É por isso que eu gosto de trabalhar à noite, porque é um momento em que o cotidiano aparentemente deixa de existir, não interfere.
G.R.: Entre as palavras seguintes, eu gostaria que você escolhesse três e dissesse alguma coisa sobre elas: amor – cidade – poder – povo – solidão – solidariedade – prazer – violência – amizade – noite – silêncio.
C.F.A.: Amor: é tudo que move, eu acho. Pelo menos a mim ou a pessoas com temperamento semelhante ao meu. Amor é que move a vida, é o motor. Mas muitas vezes me pergunto se o amor, a procura do amor, não seja como a procura da cidade perdida, ou a procura de Atlântida, que é algo que você não vai encontrar nunca. A procura é o encontro. Eu tenho essa dúvida, gostaria de estar enganado, mas a palavra amor sempre me lembra do filme do Herzog, Aguirre, a cólera dos deuses, onde há aquela barca alucinada, ele louco, a barca invadida por macacos e ele procurando, procurando. Noite: o meu trabalho literário de que eu mais gosto é a novela Pela Noite. A noite é a face oculta da Lua, é o outro lado das coisas, é quando o cotidiano cessa de existir. É quando as emoções se liberam, os terrores se libertam, os monstros, mas também as fadas. É quando o prazer também é mais forte, porque não tem laços com essa realidade massacrante, essa camisa-de-força que é o nosso dia-a-dia capitalista contemporâneo; esses laços na noite se tornam mais frágeis, ou mais maleáveis. À noite tudo me parece mais ambíguo, mais denso e mais verdadeiro. Silêncio: silêncio é música. Amor precisa de silêncio. A noite também precisa de silêncio. O silêncio é mais forte à noite, é mais poderoso. O dia é muito ruidoso e o ruído não deixa você pensar nem sentir, e no amor também os momentos mais fortes são os momentos de silêncio. Acho que o silêncio é música, é poder, é prazer também.
G.R.: Como conseguiu publicar seu primeiro livro?
C.F.A.: Inventário do irremediado ganhou um concurso, com prêmio em dinheiro, sem publicação do livro. Aí uma pequena editora se interessou por ele e publicou sem que eu entrasse com dinheiro. Foi a editora que bancou o livro, mas eu não assinei contrato e não ganhei um tostão.
G.R.: Você mudou muitas vezes de editora. Por quê?
C.F.A.: Eu tenho seis livros, cada um em uma editora, porque as editoras não são honestas, principalmente no Brasil. Os editores, todos, são muito ricos e os escritores, todos, são muito pobres. Depois desse meu primeiro livro, que eu não assinei contrato e não ganhei nada, eu passei a ficar atento a isso. Eu quero viver do meu texto, eu queria viver de literatura, não queria trabalhar em jornal. Então, eu sempre acabo brigando. Eu quero meus direitos, conferir a tiragem do livro. Estou ainda à procura de uma editora ideal. Eu acho que os editores deviam manter os escritores, deviam até dar um salário mensal para seus escritores poderem criar melhor. A Brasiliense me ofereceu um salário durante quatro meses para eu terminar um livro. A partir do momento que eu comecei a receber esse salário eu não consegui mais escrever: eu me sentia meio corrompido, eu sou muito romântico. Se eu trabalhasse num jornal, escrevesse sobre cinema, teatro, música, que não envolvesse minha emoção, a minha individualidade, tudo bem receber um salário. Agora, jogar a minha sensibilidade num papel e ser pago por isso me pareceu meio obsceno, e não consegui.
G.R.: Pensa no editor, nos leitores ou nos críticos quando escreve?
C.F.A.: Nunca. Não penso. Penso talvez num leitor ideal, mas não dou corpo nem face. Eu brinco muito com o texto, certas sutilezas do texto eu acho que para aquele leitor ideal passariam, mas jamais penso no editor ou na crítica. Não consigo programar o que escrevo. Quando saiu Morangos mofados, foi um sucesso. Aí o editor me chamou e me disse: “Você não quer escrever um outro livro assim? ” Eu: “Olhe, não é que não queira, mas…”. Eu não consigo sentar, botar o papel na máquina, escrever sobre sexo, drogas e rock’n’roll. Não consigo.
G.R.: Acredita que a publicidade seja importante para o lançamento de um livro ou pensa que um livro bom não precisa dela?
C.F.A.: Acho que na sociedade capitalista contemporânea tudo é marketing, e um livro deve ser feito, ser escrito com o máximo de integridade, de verdade, de honestidade, mas a partir do momento que é lançado e está no mercado, ele é como um sabonete, como uma marca de uísque, precisa ter marketing, ser lançado.
G.R.: Participa de noite de autógrafos?
C.F.A.: Antigamente sim, eu ia muito, gostava muito. Agora, nos últimos tempos, não. Tenho me recusado, porque tenho a sensação desagradável de ser um camelô, de tentar vender um remédio contra calvície. Não gosto mais.
G.R.: Você pensa que em seu trabalho criativo há vínculos, laços, impedimentos de alguma espécie?
C.F.A.: Os meus impedimentos, as minhas pedras no meio do caminho, como diria Drummond, são materiais. Eu, como já contei, moro longe da minha família desde os 18, 19 anos, trabalho para me manter, sou eu que pago meu aluguel, que compro minha comida. Para isso preciso trabalhar muito, eu não tenho à minha disposição 24 horas diárias para criar, eu preciso me manter, preciso comer, preciso morar. Na medida em que estou envolvido há oito anos em um processo de autoconhecimento através da psicanálise, eu acho que minhas barreiras, meus bloqueios mentais caíram muito. Não creio que haja barreiras desse teor.
G.R.: O sucesso de uma obra depende de quê, de quem?
C.F.A.: Depende de várias coisas, e esse sucesso também não é um só, ele pode ser forjado, manipulado, inventado. Pode-se pegar um tema que está no ar, na preocupação, na cabeça de todo mundo e se forjar rapidamente um livro sobre isso, que vai se tornar um sucesso. Mas se ele for espontâneo, eu acho que é porque o livro – e principalmente sendo uma obra de ficção, que é o meu terreno – conseguiu, de alguma forma, servir de antena, de para-raios, de síntese de alguma emoção coletiva.
G.R.: Quem é Caio Fernando Abreu?
C.F.A.: Meu nome é Caio Fernando Abreu. Tenho 38 anos, moro atualmente, talvez na maior cidade do Terceiro Mundo, São Paulo. Tenho seis livros publicados, de ficção, contos, romances e novelas e, no que eu escrevo, a minha preocupação maior é com aquilo que eu chamo de “ecologia da alma”. Estou muito preocupado em recuperar os sentimentos, as emoções humanas, em procurar expressá-las no que eu escrevo, de uma forma que expresse a invasão desses sentimentos, dessas emoções pela neurose do mundo contemporâneo e a possibilidade que todo esse mundo interior teria de ser muito mais vasto e ser muito mais bonito do que na realidade ele é. Eu acho que o meu trabalho de ficção expressa isso: a procura do homem inteiro, a procura de Deus e a procura do amor. A procura, também, por extensão, de uma sociedade mais justa, de um planeta mais limpo, mais inteiro, mais digno. Acho que é isso.
Para saber mais
ALÓS, Anselmo Peres (2010). Narrativização e subversão sexual: considerações em torno de Puig, Abreu e Bayly. Gragoatá, Niterói, n. 28, p. 111-128, 1. sem. Disponível em: https://doi.org/10.22409/gragoata.v15i28.33096. Acessado em: 16 jan. 2026.
ALÓS, Anselmo Peres (2011). Transformações do literário: a politização do corpo e do desejo em Caio Fernando Abreu e Jaime Bayly. estudos de literatura brasileira contemporânea, Brasília, n.38, p. 73-96, jul./dez. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2316-4018385. Acessado em: 16 jan. 2026.
ALÓS, Anselmo Peres (2012). Gênero e ambivalência sexual na ficção de Caio Fernando Abreu: um olhar oblíquo sobre Onde andará Dulce Veiga?. estudos de literatura brasileira contemporânea, Brasília, n.40, p. 177-204, jul./dez. Disponível em: https://www.scielo.br/j/elbc/a/LtSYz9RvTHvQYc8JFRM4Mqp/?lang=pt. Acessado em: 16 jan. 2026.
ALVES, Wanderlan (2019). A montagem como procedimento construtivo em Boquitas Pintadas, de Manuel Puig, e em Onde andará Dulce Veiga?, de Caio Fernando Abreu. Itinerários, Araraquara, n. 49, p. 185-201, jul./dez. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/itinerarios/article/view/11523. Acessado em: 16 jan. 2026.
ANSELMI, André Luiz (2016). A (des)pretensa arte de escrever cartas: Caio Fernando Abreu e a escrita de si. Itinerários, Araraquara, n. 42, p.93-110, jan./jun. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/itinerarios/article/view/9697. Acessado em: 16 jan. 2026.
ATHAYDE, Manaíra Aires; ROCHA, Rejane Cristina (2020). A circulação da literatura no mundo on-line: os casos de Clarice Lispector e de Caio Fernando Abreu. estud. lit. bras. contemp., Brasília, n. 59, e5913. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2316-40185913. Acessado em: 16 jan. 2026.
AVELAR, Idelber (2014). Revisões da masculinidade sob ditadura: Gabeira, Caio e Noll. estudos de literatura brasileira contemporânea, Brasília, n. 43, p. 49-68, jan./jun. Disponível em: https://www.scielo.br/j/elbc/a/fypqJhTjQRF4nmvCWNfYF8Q/?lang=pt. Acessado em: 16 jan. 2026.
BARBOSA, Nelson (2015). “Garopaba mon amour”: tortura e consciência na autoficção de Caio Fernando Abreu. Itinerários, Araraquara, n. 40, p.167-183, jan./jun. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/itinerarios/article/view/8172. Acessado em: 16 jan. 2026.
BROWN, Jacob. A arte como refúgio: intertextualidade, espaço e (imagi)nação em “Aqueles dois”, de Caio Fernando Abreu (2020). estud. lit. bras. contemp., Brasília, n. 60, e6010. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2316-40186010. Acessado em: 16 jan. 2026.
CHIARA, Ana Cristina (2001). Afinidades eletivas. Ipotesi – revista de estudos literários, Juiz de Fora,v. 5, n. 1, p. 9 – 17. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/19244. Acessado em: 16 jan. 2026.
DIAS, Ellen Mariany da Silva (2008). Pentimento: a criação literária no romance Onde andará Dulce Veiga?, de Caio Fernando Abreu. Itinerários, Araraquara, n. 26, 207-233. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/itinerarios/article/view/1179. Acessado em: 16 jan. 2026.
GINZBURG, Jaime (2005). Exílio, memória e história: notas sobre “Lixo e purpurina” e “Os sobreviventes” de Caio Fernando Abreu. Literatura e Sociedade, São Paulo, Brasil, v. 10, n. 8, p. 36–45. Disponível em: https://revistas.usp.br/ls/article/view/19617. Acesso em: 16 jan. 2026.
GINZBURG, Jaime (2011). Estética da morte. Gragoatá, Niterói, n. 31, p. 51-61, 2. sem. Disponível em: https://doi.org/10.22409/gragoata.v16i31.33048. Acessado em 16 jan.2026.
GUENZBURGER, Gustavo (2016). A Maldição do Vale Negro e a inversão das fórmulas de fazer chorar. Gragoatá, Niterói, n. 41, p. 899-926, 2. sem. Disponível em: https://doi.org/10.22409/gragoata.v21i41.33434. Acessado em: 16 jan. 2026.
LEAL, Bruno Souza (2003). É um paradoxo falar em comunidade homossexual? Gragoatá, Niterói, n. 14, p. 121-132, 1. sem. Disponível em: https://periodicos.uff.br/gragoata/article/view/33450. Acessado em: 16 jan. 2026.
LEAL, Tacel Coutinho; CANAZAR, Daniel Bernardo; FALCÃO, Domitila de Alencar; RIBEIRO, Natália Luri Arimori (2015). Retrocesso político como morte social e física no Brasil da contemporaneidade. Ipotesi – revista de estudos literários, Juiz de Fora, v.19, n.2, p.90-102, jul./dez. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/19522. Acessado e 16 jan. 2026.
LOPES, Denilson (2001). O entre-lugar das homoafetividades. Ipotesi – revista de estudos literários, Juiz de Fora,v. 5, n. 1, p. 37 – 48. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/19247. Acessado em: 16 jan. 2026.
MAGRI, Milena Mulatti (2018). Esse vírus de science fiction: doença e alteridade em Caio Fernando Abreu. estudos de literatura brasileira contemporânea, Brasília, n. 54, p. 231-244, maio/ago. Disponível em: https://doi.org/10.1590/10.1590/2316-40185413. Acessado em: 16 jan. 2026.
MELLO, Amanda Bruno de (2024). Onde andará Dulce Veiga?. Praça Clóvis:mapeamento crítico da literatura brasileira contemporânea, Brasília. 5 jun. Disponível em: https://pracaclovis.com/?p=1324. Acessado em: 16 jan. 2026.
MENDES, Fernando Oliveira (1998). Caio Fernando Abreu e Silviano Santiago: a música no conto brasileiro contemporâneo. Itinerários, Araraquara, n.12, p.237-241. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/itinerarios/article/view/3094. Acessado em: 16 jan. 2026.
PASSOS, Marie-Hélène (2010). Caio Fernando Abreu – cartas redescobertas: da memória adormecida à leitura genética. Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 45, n. 4, p.37-42, out./dez. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/fale/article/view/8551 . Acessado em: 16 jan. 2026.
PASSOS, Marie-Hélène (2014). Entre vida real e criação: a correspondência como reservatório da ficção. Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 49, n. 2, p. 190–194. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/fale/article/view/17655. Acessado em: 16 jan. 2026.
PIVA, Mairim Linck (2001). Múltiplas vozes sobre uma voz múltipla: Caio Fernando Abreu. Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 37, n. 2, p. 225–233. Disponível: https://revistaseletronicas.pucrs.br/fale/article/view/14402. Acessado em: 16 jan. 2026.
PIVA, Mairim Linck; PAES, Raquel Barros (2024). Morte da individualidade: “Apeiron” de Caio Fernando Abreu na comtemporaneidade. Revista da Anpoll, v. 55, e1991. Disponível em: https://revistadaanpoll.emnuvens.com.br/revista/article/view/1991. Acessado em: 16 jan. 2026.
SOARES, Livia Maria Rosa; NOGUEIRA, Vilmaria Chaves (2019). Identidades em trânsito: uma análise da representação feminina nos contos “Os sapatinhos vermelhos” nas versões de Andersen e Caio Fernando Abreu. Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 54, n. 4, p. 466-474, out.-dez. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/fale/article/view/33117. Acessado em: 16 jan. 2026.
SOUZA, Thais Torres de (2011). “Lixo purpurina” e “Uma praiazinha de areia bem clara, ali, na beira da sanga”: narradores e narrativas em conflito. Itinerários, Araraquara, n. 32, p.83-98, jan./jun. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/itinerarios/article/view/4578. Acessado em: 16 jan. 2026.
* Apresentação do autor feito por Giovanni Ricciardi na obra O escritor corporal. Uma sociologia para a literatura, Foz do Iguaçu: EdUnila, 2021.
** Ela foi previamente publicada na obra Biografia e criação literária. Vol.VII: entrevistas escritores do sul do Brasil. Palhoça: Ed. Unisul, 2009.