Mapeamento Crítico da Literatura Brasileira Contemporânea

Harry Laus

Tijucas (SC), 1922 – Florianópolis (SC), 1992
Crítico de arte, Harry Laus publicou livros de contos, romance e memórias: Os papéis do coronel (1981), O santo mágico (1982), Ao juíz dos ausentes (1961) e De como ser (1978), entre outros*.
Ilustração: Francisco Dalcastagnè Miguel

G.R.: Como apresentaria, social e culturalmente, o seu núcleo familiar de origem e o meio em que vive?

H.L.: Sou nascido em Tijucas, Santa Catarina, em 11 de dezembro de 1922. A pequena cidade onde nasci tirou o nome do barro preto, tijuco, do fundo do rio Tijucas, que deu nome ao antigo povoado. Fica a 40 quilômetros ao norte de Florianópolis, capital de Santa Catarina. Rodolfo Laus, meu pai, era alfaiate. Minha mãe, Minervina, professora primária, eu mal conheci porque morreu quando eu tinha cinco anos. Fui o último de doze filhos, dos quais só conheci sete, porque os outros morreram crianças. Quem acabou de me criar foi minha irmã Celeste, na época ainda mocinha, que passou a dirigir a casa, pois as mais velhas estavam casadas e os homens haviam saído para tentar a vida em cidades maiores. Depois de tantas voltas que o mundo dá, Celeste hoje tem 79 anos e vive comigo em Florianópolis, num apartamento cheio de obras de arte e muitos livros, pois sou crítico de arte, além de escritor.

G.R.: Lembra algum episódio gostoso ou dramático desse primeiro período da sua vida?

H.L.: Vagamente, a morte da mãe, quando chamou todos os filhos para se despedir. Lembro também que, escolhido para recitar no Grupo Escolar Cruz e Sousa, um poema de Castro Alves, esqueci-me dos versos e saí chorando. Tive uma infância pobre. Lembro-me de que tomávamos café preto com pão sem manteiga, de manhã, antes de ir para o Grupo Escolar Cruz e Sousa, levando como lanche duas bolas de banana cozida e misturada com farinha de mandioca. Era muito gostoso comer aquilo meio escondido, para não ver as coisas boas que os meninos ricos levavam. Andei descalço até os 11 anos, quando fiz a primeira comunhão. Chorei pela imensidão de pecados que julgava ter e aprendi a temer a Deus sem nunca chegar a amá-lo.

G.R.: Como foi a relação com seus pais e irmãos? Qual o tipo de educação recebida?

H.L.: Da mãe, pouco me lembro. Meu pai era muito carinhoso. A educação em casa foi muito conservadora e católica. Celeste, minha irmã, que nunca chegaria a se casar, era — e é — extremamente católica, rezando rosários infinitos até hoje. Além dela, viviam com meu pai as irmãs Cora e Ruth. Mas, como ele bebia muito, fomos todos para as casas das irmãs casadas e, de vez em quando, íamos visitá-lo. O conto “A visita” foi baseado nessas lembranças, assim como “A procissão” nasceu da convivência com minha irmã casada Ester, com quem vivi algum tempo. Ruth, dois anos mais velha do que eu, foi minha companheira de infância. Pescávamos nos córregos que corriam para o rio Tijucas e procurávamos ninhos de passarinho para enfeitar a árvore de Natal com as casquinhas coloridas. Ruth, também escritora e crítica de arte, vive no Rio de Janeiro. Como Celeste e eu, nunca se casou. Vive num apartamento de cobertura em Copacabana, escrevendo seus livros. O último, chamado Presença de Thalia, é um romance com recordações de infância misturadas à ficção. Viúvo, meu pai se casou e trouxe uma mulher muito jovem e bonita para morar conosco. Maria lhe deu mais dois filhos, Estela e Ogê. Como meu pai tinha uma filha da primeira mulher que teve antes de minha mãe, e minha mãe, também viúva, teve uma filha, somando-se tudo, somos 16 que são (ou foram) o resultado de todos esses casamentos. Hoje, além de mim, existem apenas Celeste, Ruth, Estela e Ogê.

G.R.: Qual a biblioteca, as leituras de seus verdes anos?

H.L.: Nos tempos de criança houve poucas leituras, quase apenas livros infantis e histórias em quadrinhos, principalmente a coleção do Almanaque Tico-Tico. Não havia biblioteca em casa.

G.R.: Repassando na memória esse período de formação, encontra a figura de um “mestre” de vida, de um modelo que lhe marcou?

H.L.: Até os 11 anos, toda a influência foi de minha irmã Celeste. A partir daí, foi a do irmão Jaime, com quem fui viver e trabalhar em Passo Fundo, Rio Grande do Sul. A separação do pai e das irmãs Celeste, Cora e Ruth foi muito dolorosa.

G.R.: Como, quando e por que começou a escrever? Como nasceu a vocação de escritor?

H.L.: Aos onze anos, em 1933, houve uma grande transformação em minha vida: meu irmão Jayme, comerciante e caixeiro viajante no Rio Grande do Sul, arranca-me do carinho das irmãs e me leva para Passo Fundo. Fui caixeiro na loja de eletricidade do Jayme, entregava as compras e fazia a cobrança das prestações, com uma bicicleta que ganhei por ter tirado o primeiro lugar ao fim do curso primário no Ginásio Nossa Senhora da Conceição, dos Irmãos Maristas. Foi por essa época que escrevi um pequeno poema dedicado à lembrança de minha mãe. Eu estava com 11 anos. Perdeu-se e não tenho notícia dele.

A necessidade maior de escrever surgiu a partir de 1943, quando fui posto por Jayme na Escola Preparatória de Cadetes, em Porto Alegre. Era preciso ter uma profissão, e ele decidiu por mim. Acredito que ser escritor nasceu de meu conflito com a carreira militar, da necessidade de autocomunicação num meio tão adverso à minha sensibilidade. Isto continuou também na Escola Militar das Agulhas Negras, onde me formei, em 1946. Lia muito, me apaixonei por Dostoiévski e escrevi alguns contos, tendo publicado, pela primeira vez, o conto “A viagem”, na revista carioca Rio Magazine, uma viagem entre Florianópolis e Tijucas.

G.R.: Considera o seu primeiro livro publicado um sucesso, um insucesso, um marco determinante em sua vida?

H.L.: O primeiro livro, Os incoerentes (1958),foi um grande sucesso de crítica, merecendo o Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras. Marcou literariamente minha vida porque me deu mais confiança como escritor.

G.R.: Quando considera ter acabado seu período de formação? Quando e como tomou consciência de que um período da própria vida acabou?

H.L.: Não posso precisar quando acabou a mocidade. O período de aprendizagem ainda não acabou.

G.R.: Houve em sua vida uma encruzilhada, um acontecimento (social, histórico, político) que lhe marcou determinantemente?

H.L.: Em 1964, com o golpe militar no Brasil, fui forçado a pedir demissão do Exército, por ser homossexual e amigo de militantes comunistas. Antes disso, em 1961, comecei a escrever em jornal sobre artes plásticas. São acontecimentos que mudaram o rumo e as preocupações de minha vida.

G.R.: Hoje você é um escritor. Pode viver só do trabalho da escrita? Necessita de outra profissão? Qual é? Como concilia as duas profissões?

H.L.: No Brasil, pode-se contar nos dedos de uma só mão quem vive apenas de seus livros. Eu tenho uma aposentadoria do Exército, no posto de Tenente-Coronel, o salário de Diretor do Museu de Arte de Santa Catarina e de redator de arte no jornal O Estado, de Florianópolis. Rendimento literário, praticamente nenhum.

G.R.: Como nasce um texto? Pode dizer como surgiu um de seus contos?

H.L.: A fase de elaboração mental é bastante longa para meus contos e novelas. Vou-me deixando tomar pela ideia, converso com meus personagens, tomo nota de diálogos ou soluções de cenas que me aparecem de improviso. Sento-me para escrever quando tenho título, começo, meio e fim.

Então, escrevo rapidamente, à mão, para depois datilografar. Costumo esconder o trabalho de mim mesmo, depois de concluído, para revê-lo depois de um mês, quando descubro uma porção de erros que corrijo, até julgar que se pode assinar. Como um pintor e seu quadro. No caso da novela O santo mágico, a compulsão foi tão grande que deixei a direção do Museu de Arte de Joinville para escrevê-la.

G.R.: Qual é a sua relação com a escrita, a palavra?

H.L.: Escrevo com muita facilidade. Não luto com as palavras, mas fico à procura da melhor palavra para me expressar. O estilo foi se formando aos poucos.

G.R.: Por que escreve?

H.L.: Escrevo pela necessidade de me comunicar com os outros e de procurar pontos de convergência entre os leitores e minha própria obra, isto é, comigo mesmo.

G.R.: Em seu trabalho criador específico prevalece a interrupção ou a continuidade? Há crises? Com o que as identificaria?

H.L.: Há intermitência em minha criação literária pela interferência da crítica de arte, outra de minhas paixões. Há crises, interrupções, pelas dificuldades de publicações no Brasil e, algumas vezes, pela descrença em mim próprio, como escritor.

G.R.: Há momentos felizes ou ideais para escrever?

H.L.: Não creio em momentos felizes, mas em condições ideais para escrever: solidão e silêncio. Sou incapaz de escrever com alguém junto e mesmo com interferência musical.

G.R.: Quando escreve é a vontade que puxa a escrita, é a neurose, é o prazer da inteligência ou da fantasia?

H.L.: O prazer da inteligência e da fantasia.

G.R.: Houve em sua vida de escritor um acontecimento extremamente gratificante ou de grande frustração? Poderia contar?

H.L.: Extremamente gratificante foi o prêmio da Academia. Frustrante foi quando fui descobrir, depois de haver acreditado piamente nele, que meu romance, Tempo será, não era bom.

G.R.: Onde encontra estímulos e pretextos para escrever?

H.L.: A partir de 1988, todo o estímulo vem da tradutora francesa Claire Cayron. Meus últimos trabalhos, a partir daí, só foram escritos em função desse estímulo.

G.R.: Escreve regularmente ou é tomado por impulsos repentinos?

H.L.: Não escrevo literatura regularmente, mas estou sempre ocupado com a palavra escrita, através do jornal ou de apresentações de artistas.

G.R.: Qual é o papel que o imprevisto desempenha em seu trabalho criador?

H.L.: Não posso localizá-lo, mas percebo que o imprevisto encontra soluções não imaginadas a priori.

G.R.: Existe o prazer de escrever?

H.L.: O prazer de escrever é maior exatamente quando entra o imprevisto, no surgimento de imagens e soluções inesperadas.

G.R.: Qual é o livro dos outros que gostaria de ter escrito? Por quê?

H.L.: Não gostaria de escrever nenhum livro já escrito. Gostaria de escrever o livro ainda não escrito por mim.

G.R.: Como se sente dentro da literatura brasileira de hoje?

H.L.: Marginalizado.

G.R.: O que pensa dessa literatura e qual o futuro dela?

H.L.: Penso que há valores universais, como Machado de Assis, Graciliano Ramos e João Guimarães Rosa. Apesar desta barreira que se chama língua portuguesa, acho que ela chegará onde merece.

G.R.: O cotidiano (família, outra profissão) influencia seu trabalho de escritor? Quanto interfere? Causa tranquilidade ou neurose?

H.L.: Sou solteiro, vivo com uma irmã solteira (eu com 66, ela com 78), com quem me dou muito bem, sem interferências mútuas. Tenho poucos amigos. Não frequento a noite. Pouco me divirto. A interferência com o ofício de escritor, que são as artes plásticas, eu mesmo a procurei porque também me dá prazer e porque, pela repercussão de minha atividade crítica, satisfaz minha vaidade. Gosto de viajar. Fiz 10 viagens à Europa, três delas com passagem pelos Estados Unidos.

G.R.: Como conseguiu publicar seu primeiro livro?

H.L.: Por intermédio de uma amiga, Eneida, jornalista e escritora, já falecida.

G.R.: Mudou de editora? Por quê?

H.L.: Não tenho compromisso com nenhuma.

G.R.: Algum editor propôs-lhe escrever com exclusividade e com salário fixo? Aceitaria ou teria aceitado a ideia?

H.L.: Não. Não é o caso, nem aceitaria.

G.R.: Quando escreve pensa nos críticos, nos leitores, no editor?

H.L.: Penso nos leitores, em como prendê-los. Em críticos não penso (aliás quase não existem no Brasil). Em editores, quando decido publicar algum livro no Brasil. Na França, é minha tradutora que faz os contatos.

G.R.: Discute com o editor, aceita conselhos, cortes, sabendo que ele conhece o mercado?

H.L.: Não tenho intimidade com nenhum editor, nem costumo fazer concessões sobre o que escrevo. Minha literatura não é de grande público, nem me interessa que seja.

G.R.: Acredita que a publicidade seja importante para o lançamento de um livro, ou acha que um bom livro não precisa dela?

H.L.: A divulgação publicitária é muito necessária, bem como a distribuição. No Brasil, ambas são muito precárias. Ninguém poderá saber se um livro é um bom livro se ele não for divulgado.

G.R.: Acha importante se promover? Participa do lançamento de seus livros (noite de autógrafos, entrevistas, palestras)?

H.L.: Faço lançamentos festivos, dou entrevistas, faço palestras, tanto no Brasil como na França. Acho um dever do escritor colaborar com o editor na divulgação do livro. A autopromoção é a promoção da edição, em termos de venda. No meu caso, como crítico de arte, costumo fazer lançamentos em galerias de arte, com vistas ao meu público do jornal.

G.R.: Quando escreve percebe autocensura, temores em se revelar, laços, impedimentos?

H.L.: Percebo, ainda, autocensura quando trato da vida militar (fazendo críticas) e do meu homossexualismo. Por uma espécie de sentimento de culpa que prefiro não identificar.

G.R.: Faça de conta que nada tenha dito até agora. Poderia traçar o seu autorretrato?

H.L.: Hoje, aos 67 anos, fico imaginando como teria conseguido chegar aqui, aquele menino pobre de Tijucas. Não sou rico, mas tenho estabilidade financeira — não pelo que me tenham dado meus livros. Morreria de fome se dependesse da literatura. O que me vale é o dinheiro da aposentadoria do Exército, mais o salário que recebo como diretor do Museu de Arte de Santa Catarina, pois meu prestígio como crítico me conduziu a isto.

Depois de ter escrito nos principais jornais do Rio e de São Paulo, de ter dirigido o Museu de Arte de Joinville, aqui em Santa Catarina, de ter sido membro de júri de inúmeros salões e exposições, inclusive da Bienal de São Paulo, com isso se alimenta meu conflito entre escritor e crítico de arte. Não serei importante em nenhum dos dois campos porque eles se digladiam dentro de mim. Se a literatura me dá muito maior prazer e satisfação íntima, a crítica de arte satisfaz minha vaidade de estar atuando publicamente e, modestamente, estar sendo mais visivelmente útil e, sem modéstia, estar sempre na chamada “crista da onda”.

Essa luta escritor-crítico de arte teve um ponto bastante negativo, em favor da crítica. Depois de haver publicado Os incoerentes, 1958, e Ao juiz dos ausentes, 1961, me afastei da literatura de tal forma que só publiquei meu terceiro livro, De como ser — documentário autobiográfico, em 1980. Daí em diante renasceu o interesse pela literatura, inclusive porque descobri um lugar ideal para escrever: Porto Belo, um pequeno balneário a 55 quilômetros ao norte de Florianópolis. Além De como ser, escrevi lá duas novelas, Monólogo de uma cachorra sem preconceitos, 1981, e O santo mágico, 1982, e reeditei os dois livros de contos sob o título de Bis, 1982.

Ainda em Porto Belo, escrevi um livro de contos, inédito, com 25 histórias homossexuais, sem grande valor literário, chamado Coisas do amor banido. Já em Florianópolis, a partir de 1985, para dirigir o Museu, publiquei As horas de Zenão das Chagas, em 1987, seguida da tradução da mesma novela para o francês, por Claire Cayron. Os entendimentos para a tradução dessa novela, que consta de Os incoerentes, começaram em 1984 e disso resultou ainda a publicação francesa de La première balle, edição bilíngue para a Maison des écrivains, de Saint-Nazaire, e uma seleção de contos chamada Jandira, tudo feito por Claire Cayron, a quem devo também o interesse em trabalhar no romance Os papéis do coronel.

Muitas vezes penso em deixar de lado minha atividade como crítico e animador cultural, me recolher em Porto Belo, onde tenho uma casa de minha irmã Ruth para usá-la até minha morte, para fazer, afinal, minha obra literária. Talvez acabe fazendo isto. Mas confesso não ter a necessária confiança em mim, como escritor, para tal aventura. Mas nada se pode antecipar em relação a planos futuros.

Sou tímido, apesar das aparências, e tenho poucos amigos, levando hoje uma vida sedentária em meu apartamento de Florianópolis. Aqui, devo fazer um reparo nessa descrição de vida monástica. Em meus tempos de mocidade, não era assim. Não cheguei a ser um alcoólatra, mas bebi muito, a ponto de perder empregos e situações invejáveis, no Jornal do Brasil, do Rio, e na revista Veja, em São Paulo, por minha vida debochada e escandalosa. O mesmo se repetiu em Santa Catarina, até que a prudência da idade e a saúde em perigo me fizeram deixar a vida boêmia.

Esse estilo de vida, muito mais do que a crítica de arte, foi o grande impedimento para que eu me tornasse o grande escritor que sempre pretendi e com que sonhei — e sonho. Quantos planos de livro ficaram pelas mesas de bar. Vejo isto ao reler um diário que mantive entre 1947 e 1976. Aliás, Claire Cayron, quando esteve no Brasil em 1988, leu este diário e muito me incentivou a continuá-lo.

Não vejo mais condições. Por incrível que pareça, minha longa vida dissoluta levou essa possibilidade, porque eu troquei a introspecção pelos prazeres do álcool e do sexo. Agora, quando tudo voltou à calma, é preciso imaginar mais um livro, já que Caixa d’aço, o mais recente, é apenas uma reunião de contos esquecidos que Claire reencontrou nos meus arquivos. Resta a confiança em Os papéis do coronel, recém-concluído e inédito, e em outros livros que, por certo, não deixarei de escrever.

Para saber mais

BRAZ, Eliana Peter (2024). Os papéis do coronel. Resenha de: LAUS, Harry. Os papéis do coronel. Praça Clóvis: mapeamento crítico da literatura brasileira contemporânea, Brasília. Disponível em: https://pracaclovis.com/?p=2487. Acesso em: 17 jan. 2026.

* Apresentação do autor feito por Giovanni Ricciardi na obra Biografia e criação literária. Vol. VII: entrevistas com escritores do sul do Brasil. Palhoça: Ed. Unisul, 2009.

** Ela foi previamente publicada na obra Biografia e criação literária. Vol. VII: entrevistas com escritores do sul do Brasil. Palhoça: Ed. Unisul, 2009.

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Como citar:

SOBRENOME, Nome.
Entrevista concedida a Nome Sobrenome.

Praça Clóvis: 

mapeamento 

crítico 

da 

literatura 

brasileira 

contemporânea, 

Brasília. 

27 maio. 2026.

Disponível em:

8226.

Acessado em:

07 jun. 2026.