{"id":940,"date":"2024-05-16T18:40:19","date_gmt":"2024-05-16T18:40:19","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=940"},"modified":"2026-07-20T11:10:52","modified_gmt":"2026-07-20T14:10:52","slug":"o-segundo-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=940","title":{"rendered":"O segundo tempo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">LAUB, Michel. <em>O segundo tempo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Amanda Lacerda de Lacerda<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Esp\u00edrito Objeto<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHoje o futebol est\u00e1 morto, e duvido que algu\u00e9m ainda chore por ele, mas n\u00e3o era assim no dia 12 de fevereiro de 1989\u201d. Essa data precisa sinaliza um dia decisivo para torcedores do Gr\u00eamio e do Internacional, dois times rivais sulistas que disputavam uma vaga na final do Campeonato Brasileiro daquele ano. Conhecido como o \u201cGre-Nal do S\u00e9culo\u201d, a partida de futebol orienta uma importante decis\u00e3o a ser tomada pelo narrador do romance <em>O segundo tempo<\/em>, do escritor ga\u00facho Michel Laub (Porto Alegre, RS, 1973). O modo categ\u00f3rico com que a morte do esporte mais aclamado no Brasil \u00e9 proferida d\u00e1 o tom para o car\u00e1ter definitivo que o jogo exercer\u00e1 na vida do narrador e em suas rela\u00e7\u00f5es familiares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa se desenrola a partir das lembran\u00e7as de um homem que, quando tinha 15 anos, acompanhou o irm\u00e3o mais novo, Bruno, de 11 anos, a essa emblem\u00e1tica partida. Ao longo do jogo, o irm\u00e3o mais velho se v\u00ea obrigado a comunicar ao mais novo uma not\u00edcia grave envolvendo os pais. A d\u00favida sobre como faz\u00ea-lo \u00e9 afetada pelo desempenho da equipe em campo e vai mudando conforme muda a sorte de seu time. A atmosfera desse segredo atua como articulador do romance, unindo as pontas entre passado e presente. O leitor \u00e9 levado a fazer conjecturas sobre esse enigma e sobre a dimens\u00e3o que ele ocupa, enquanto o narrador personagem, como \u00e9 de seu feitio, deixa pistas, sil\u00eancios, lacunas, ditos e n\u00e3o ditos que capturam o p\u00fablico, criando uma suave e permanente tens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance se estrutura nesse espelhamento entre os detalhes do jogo de futebol decisivo e o futuro da rela\u00e7\u00e3o dos pais. Para isso, o narrador emparelha cenas dom\u00e9sticas e escala\u00e7\u00e3o de elenco, as frustra\u00e7\u00f5es de seu pai e o peso da aus\u00eancia de Lima \u2013 ex-centroavante do Gr\u00eamio \u2013, o comportamento depressivo da m\u00e3e e a movimenta\u00e7\u00e3o nas arquibancadas. A todo o tempo, a conforma\u00e7\u00e3o familiar e a futebol\u00edstica s\u00e3o entrela\u00e7adas. At\u00e9 mesmo os cap\u00edtulos est\u00e3o organizados como os tempos de uma partida de futebol: \u201cUm\u201d e \u201cDois\u201d, com um breve intervalo ao meio, intitulado \u201c\u2026\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Michel Laub \u00e9 gremista e vive em S\u00e3o Paulo h\u00e1 cerca de 20 anos. \u00c9 jornalista e autor de oito romances, sempre publicados pela Companhia das Letras. <em>Di\u00e1rio da queda<\/em>, de 2011, \u00e9 seu livro mais aclamado pelo p\u00fablico e pela cr\u00edtica. Em v\u00eddeo de divulga\u00e7\u00e3o da Companhia das Letras, o autor relata que a ideia para a escrita de <em>O segundo tempo<\/em> surgiu do fato de que, quando jovem, gostava muito de futebol e essa aproxima\u00e7\u00e3o afetiva com o tema o atra\u00eda. O escritor reconhece que, no Brasil, todos conhecem futebol, ou seja, n\u00e3o \u00e9 um \u201cmundo novo\u201d para as pessoas. Narrar a emo\u00e7\u00e3o de um gol, por exemplo, deve considerar que esse evento faz parte de uma s\u00e9rie de experi\u00eancias culturalmente partilhadas, de repert\u00f3rios socialmente constru\u00eddos, muitos deles permeados pelo jornalismo esportivo. Toda essa condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via representou para ele um desafio no uso da linguagem, criando paradoxalmente a necessidade de um afastamento, com o qual ele buscou evitar que o clich\u00ea invadisse a experi\u00eancia de leitura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O enredo do romance \u00e9 comum, quase banal, perpassado pelo ambiente familiar, as diverg\u00eancias conjugais, a conviv\u00eancia entre irm\u00e3os, as idas e vindas ao est\u00e1dio e a dedica\u00e7\u00e3o com que acompanham os jogos de seu time, mas a simplicidade do tema e da narrativa s\u00e3o apenas aparentes. A hist\u00f3ria narrada nesse romance \u00e9 carregada de ternura e exerce profunda impress\u00e3o no leitor, que acompanha um narrador encurralado pela posi\u00e7\u00e3o que ocupa nesta ordem familiar corriqueira. Esse lugar \u00e9 uma esp\u00e9cie de lacuna, j\u00e1 que, entre os pais e o irm\u00e3o mais novo, o narrador \u00e9 impelido a assumir a tarefa de comunicar-lhe um acontecimento fraturante dessa estrutura \u00edntima, que envolve uma trai\u00e7\u00e3o do pai e uma nova configura\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia. Essa lacuna \u00e9, de algum modo, a pr\u00f3pria adolesc\u00eancia \u2013 compreendida como a viv\u00eancia de um entre-lugar&nbsp; \u2013, narrada na vida adulta e carregada de uma consci\u00eancia sobre os conflitos internos que o levaram a agir de modo inesperado no desfecho, quando opta por n\u00e3o voltar para casa com o irm\u00e3o ap\u00f3s o jogo e, consequentemente, surpreender os pais com esta aus\u00eancia. A ordena\u00e7\u00e3o desse sistema em que se estrutura a narrativa remete aos romances de forma\u00e7\u00e3o, que, na contemporaneidade, t\u00eam ganhado formas pr\u00f3prias, carregadas de brevidade, hibridez e fragmenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O distanciamento temporal desse narrador que rememora atua como uma possibilidade de reavalia\u00e7\u00e3o do passado e promove uma investiga\u00e7\u00e3o serena sobre o comportamento de seus pais e suas raz\u00f5es e sobre como a experi\u00eancia da separa\u00e7\u00e3o, assim como o Gre-Nal do S\u00e9culo, redefinem os la\u00e7os familiares e marcam sua vida adulta. \u201cVoc\u00ea ainda n\u00e3o entendeu por que o futebol \u00e9 importante nesta hist\u00f3ria? S\u00f3 um jogo como o Gre-Nal do S\u00e9culo seria capaz de deixar Bruno assim. S\u00f3 um jogo desses me poria diante da rea\u00e7\u00e3o dele \u00e0 perda\u201d. Essa interlocu\u00e7\u00e3o entre narrador e leitor evidencia a import\u00e2ncia que a partida desempenha em sua decis\u00e3o e como se deu esse processo subjetivamente. O jogo transforma-se num momento significativo de observa\u00e7\u00e3o do comportamento do irm\u00e3o mais novo \u2013 um torcedor diligente \u2013, como se o narrador pudesse antever a sua capacidade diante do abalo que a not\u00edcia a ser dada vai provocar. Ao assistir o irm\u00e3o lidar com o fato de que o Gr\u00eamio perde a partida por 2 a 1, ap\u00f3s um gol de virada do Internacional, ambos seguem juntos pela cidade em festa \u2013 mas n\u00e3o para eles \u2013 e o narrador pode, finalmente, p\u00f4r em pr\u00e1tica o que lhe parece mais razo\u00e1vel para manter a lealdade fraternal e poupar o irm\u00e3o, dentro do poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Gre-Nal do S\u00e9culo \u00e9 um referencial hist\u00f3rico que dialoga com o que podemos chamar de referencial memorial\u00edstico, centrado na experi\u00eancia do narrador com o irm\u00e3o mais novo. Bruno pouco fala ao longo da narrativa, \u00e9 descrito como um gremista ass\u00edduo, que gosta de ouvir programas de r\u00e1dio e ouvir os comentaristas de futebol. Para o narrador, Bruno e o pai, o esporte exerce pap\u00e9is distintos. Na juventude, ele \u00e9 parte importante da vida entre irm\u00e3os, o que n\u00e3o se mant\u00e9m ao longo da vida adulta, conforme vemos na seguinte pondera\u00e7\u00e3o: \u201cNormalmente o futebol sai da vida de algu\u00e9m aos poucos, \u00e0 medida que os compromissos da vida adulta se tornam maiores e mais complexos, num processo lento e quase impercept\u00edvel semelhante ao que nos torna estranhos ao que foi vivo e cintilante no passado [\u2026]\u201d. Nesse trecho podemos perceber o desencanto do narrador ao descrever como a passagem do tempo retira o brilho do que antes era carregado de afetos. Na sequ\u00eancia do texto, enfatiza que, para ele, ao contr\u00e1rio, o futebol perde espa\u00e7o em sua vida de forma abrupta e definitiva ap\u00f3s o Gre-Nal do S\u00e9culo, como a refor\u00e7ar o papel determinante e mediador que a partida desempenhou em um momento traum\u00e1tico de sua trajet\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo tempo, que d\u00e1 t\u00edtulo ao livro, carrega uma ambiguidade: remete de modo concreto \u00e0 estrutura da partida, dividida em dois momentos, mas tamb\u00e9m \u2013 de modo metaf\u00f3rico \u2013 ao exerc\u00edcio rememorativo do narrador que, adulto, est\u00e1 situado em um segundo momento e, portanto, pode registrar sua experi\u00eancia a partir desta nova vis\u00e3o e, por meio dela, empreender uma revis\u00e3o de seu passado. O tempo presente e difuso da mem\u00f3ria e o tempo limitado dos noventa minutos de uma partida coexistem na conforma\u00e7\u00e3o do romance. A caracteriza\u00e7\u00e3o do tempo e do narrador por vezes se mescla, como no trecho a seguir: \u201cNenhuma rua de Porto Alegre \u00e9 t\u00e3o melanc\u00f3lica como essa. Caminhar por ali \u00e9 respirar a passagem do tempo, o desgaste e a in\u00e9rcia dos velhos e das crian\u00e7as, um esgotamento que estava diante de mim \u00e0 medida que eu tentava dizer para Bruno, tudo vai ser diferente amanh\u00e3\u201d. Aqui observamos uma impassibilidade quando o narrador descreve sua consci\u00eancia, no passado e no presente, sobre a passagem do tempo e sua inevitabilidade, revivendo a inquieta\u00e7\u00e3o que o afligia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alc\u00e2ntara Machado, Carlos Drummond de Andrade, Nelson Rodrigues, S\u00e9rgio Sant\u2019Anna, entre outros escritores brasileiros, j\u00e1 demonstraram que a rela\u00e7\u00e3o entre futebol e literatura \u00e9 prof\u00edcua na representa\u00e7\u00e3o de ideias, imagens, personagens, tempos e espa\u00e7os, reafirmando ou recriando perspectivas sobre um esporte que, inegavelmente, tem profunda marca no sentido de nacionalidade brasileira. O romance de Laub oferece ao leitor uma vis\u00e3o contempor\u00e2nea sobre essa quest\u00e3o, imbricando a experi\u00eancia, a mem\u00f3ria, a adolesc\u00eancia e as rela\u00e7\u00f5es familiares. Nesse sentido, ocupa um papel renovador na abordagem do tema, demonstrando que, diferentemente do tom categ\u00f3rico da frase que abre o livro, para a literatura o futebol segue vivo, inquietante e participativo na forma\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio nacional.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AUAD, Pedro Henrique Trindade Kalil (2017). Futebol, fam\u00edlia, na\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria: <em>O segundo tempo<\/em>, de Michel Laub. <em>Aletria: Revista de Estudos de Literatura<\/em>, Belo Horizonte, v. 26, n. 3, p. 15-31. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.ufmg.br\/index.php\/aletria\/article\/view\/18698\">https:\/\/periodicos.ufmg.br\/index.php\/aletria\/article\/view\/18698<\/a>. Acesso em: 29 jan. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VEJMELKA, Marcel (2021). As m\u00faltiplas temporalidades do jogo: \u201cO segundo tempo\u201d de Michel Laub. <em>FuLiA<\/em>, Belo Horizonte, v. 6, n. 3, p. 8-27, set.-dez. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.ufmg.br\/index.php\/fulia\/article\/view\/36826\">https:\/\/periodicos.ufmg.br\/index.php\/fulia\/article\/view\/36826<\/a>. Acesso em: 29 jan. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3107.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3107\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Cia-das-Letras-2006.png\" data-caption-title=\"Cia das Letras, 2006\" data-attachment-id=\"942\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Cia das Letras, 2006\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2024\/05\/Cia-das-Letras-2006\/1287066768.png\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Cia das Letras, 2006<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LAUB, Michel. O segundo tempo. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2006. Amanda Lacerda de LacerdaIlustra\u00e7\u00e3o: Esp\u00edrito Objeto \u201cHoje o futebol est\u00e1 morto, e duvido que algu\u00e9m ainda chore por ele, mas n\u00e3o era assim no dia 12 de fevereiro de 1989\u201d. 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