{"id":8901,"date":"2026-08-18T12:42:10","date_gmt":"2026-08-18T15:42:10","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8901"},"modified":"2026-08-18T12:42:10","modified_gmt":"2026-08-18T15:42:10","slug":"cronicas-da-vida-operaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8901","title":{"rendered":"Cr\u00f4nicas da vida oper\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">JATOB\u00c1, Roniwalter. <em>Cr\u00f4nicas da vida oper\u00e1ria<\/em>. S\u00e3o Paulo: Global; Versus, 1978.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Mariana Moura<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Julio Lapagesse<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dia a dia de jovens trabalhadores da ind\u00fastria em S\u00e3o Paulo na d\u00e9cada de 1970, a promessa de uma vida melhor na cidade grande, os sonhos acalentados pela esperan\u00e7a e estilha\u00e7ados pela aridez da labuta. Esse \u00e9 o universo prolet\u00e1rio que Roniwalter Jatob\u00e1 (Campan\u00e1rio, MG, 1949) descreve em <em>Cr\u00f4nicas da vida oper\u00e1ria <\/em>(1978). Finalista do pr\u00eamio Casa das Am\u00e9ricas, de Cuba, o volume de sete contos integra a Trilogia da Vida Oper\u00e1ria, junto com <em>Sabor de qu\u00edmica<\/em> (1976), primeira obra publicada do autor, e o mais recente <em>Paragens<\/em> (2004), finalista do pr\u00eamio Jabuti.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com linguagem simples, precisa e, ainda assim, po\u00e9tica, narrados em primeira pessoa, os contos de <em>Cr\u00f4nicas da vida oper\u00e1ria <\/em>s\u00e3o um testemunho de quem viveu o ch\u00e3o de f\u00e1brica na ind\u00fastria qu\u00edmica e automobil\u00edstica do ABC paulista no auge de sua expans\u00e3o, que ocorreu na esteira do chamado \u201cmilagre econ\u00f4mico\u201d, durante o qual o governo militar da Ditadura (1964-1985) priorizou o desenvolvimento industrial. Os empregos gerados nesse esfor\u00e7o ensejaram o surgimento de uma nova classe oper\u00e1ria na regi\u00e3o, composta, em boa parte, por migrantes nordestinos que viram a\u00ed a oportunidade de fugir da mis\u00e9ria e melhorar de vida. As condi\u00e7\u00f5es de trabalho, no entanto, refletindo o ambiente autorit\u00e1rio que o pa\u00eds vivia no campo pol\u00edtico, eram de intensa explora\u00e7\u00e3o, um terreno f\u00e9rtil para o novo sindicalismo que se desenvolveu e desempenhou papel fundamental na mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e na resist\u00eancia ao regime.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relato em primeira m\u00e3o de Jatob\u00e1 d\u00e1 uma dimens\u00e3o humana e amargamente po\u00e9tica a um importante momento da hist\u00f3ria recente brasileira. Isso porque o pr\u00f3prio escritor migrou de Minas Gerais e da Bahia para a metr\u00f3pole paulista e trabalhou na ind\u00fastria, como os personagens que cria, antes de se formar como jornalista e passar a dar voz aos oper\u00e1rios, instaurando a \u201cliteratura prolet\u00e1ria brasileira\u201d, como descreve Luiz Ruffato, citado pelo pr\u00f3prio Jatob\u00e1 em uma esp\u00e9cie de pref\u00e1cio da obra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os sete contos que comp\u00f5em o livro \u2013 \u201cA m\u00e3o esquerda\u201d, \u201cAlojamento\u201d, \u201cO pano vermelho\u201d, \u201cTrabalhadores\u201d, \u201cNos olhos, gases e batatas\u201d, \u201cDuas margens\u201d e \u201cO trem, a esta\u00e7\u00e3o\u2026 todos os dias\u201d \u2013 compartilham de uma mesma ambienta\u00e7\u00e3o que d\u00e1 unidade ao conjunto da obra. Os personagens transitam entre as f\u00e1bricas, pens\u00f5es na Rua Rangel Pestana e habita\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias em S\u00e3o Miguel Paulista, em deslocamentos feitos de trem, arrastando suas malas \u2013 s\u00edmbolo t\u00e3o emblem\u00e1tico tanto do desenraizamento migrat\u00f3rio quanto da esperan\u00e7a nost\u00e1lgica por dias melhores \u2013, nos \u00f4nibus e caminh\u00f5es das firmas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 no transporte, ali\u00e1s, que muitos desses personagens t\u00eam a oportunidade de observar seus pares e refletir sobre a vida dura que levam, na batalha por conquistar condi\u00e7\u00f5es de vida melhores do que aquelas das quais fugiram no campo, sobretudo no Nordeste: \u201cAs minhas m\u00e3os suavam em ver tanta gente com o mesmo jeito na fala, mas nenhum conhecido, todo mundo, eu sabia, tinha vindo do nordeste afora, de outros estados, na procura que arrasta todos nesse rumo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa procura, que une a todos, a princ\u00edpio sempre impregnada de intensa esperan\u00e7a, sentimento que tantas vezes aparece ao longo dos contos, nos olhos dos jovens que se lan\u00e7am ao mundo do trabalho, frequentemente esbarra nos desafios da vida fabril. Essa euforia n\u00e3o demora a ser estilha\u00e7ada pela realidade: \u201cnunca estive, como agora, t\u00e3o perto das verdades, t\u00e3o vazio de esperan\u00e7as, t\u00e3o oco de sonhos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em \u201cTrabalhadores\u201d, o narrador Jo\u00e3o conduz o leitor desde os deslocamentos da periferia para a cidade em busca de trabalho, passando pelas horas sem comer na fila de emprego at\u00e9 conseguir ter a carteira fichada. Mas isso n\u00e3o \u00e9 garantia de sossego: mesmo com a sorte de estar empregado, a rotina laboral torna-se tensa pela constante amea\u00e7a do fac\u00e3o. O perigo de ser demitido sem explica\u00e7\u00e3o pode se abater sobre qualquer um e pressiona quem permanece a aceitar condi\u00e7\u00f5es cada vez piores de trabalho, em jornadas que se estendem por horas crescentes e engolem at\u00e9 mesmo os domingos \u2013 tudo para n\u00e3o se tornar m\u00e3o de obra descartada: \u201cFiquei dois anos e meio, novecentos dias esperando, toda manh\u00e3, em ser posto pra fora, vendo o medo passeando em todos, assim esperando, assim trabalhando\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro desafio \u00e9 o risco de sofrer acidentes de trabalho. Um dos contos que se destacam no conjunto por apresentar aspectos formais mais sofisticados \u00e9 \u201cA m\u00e3o esquerda\u201d, no qual o narrador Natanael conta sua experi\u00eancia na cidade grande e na ind\u00fastria se referindo a um interlocutor \u201cvoc\u00ea\u201d, a quem observa na rua \u00e0 espera do \u00f4nibus como se visse a si mesmo no passado, indo para o primeiro dia de trabalho, cheio de expectativas com a vida nova na cidade, mas que logo seriam frustradas pela perda de sua m\u00e3o na prensa da f\u00e1brica. Antes dele, ocorreu o mesmo com seu predecessor, seu Ismael, o que leva o leitor a inferir que o jovem \u201cvoc\u00ea\u201d que o narrador observa pode ter o mesmo fim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aleijado, resta a Natanael abrir m\u00e3o do sonho da pujan\u00e7a urbana e voltar para a casa dos pais no interior a fim de trabalhar com o pai ferreiro, que levava semanas para realizar o servi\u00e7o que a m\u00e1quina fazia em poucas horas. Os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, nesse sentido, ao mesmo tempo que provocam assombro e maravilhamento, tamb\u00e9m desumanizam, massacram, n\u00e3o s\u00f3 porque mutilam, mas tamb\u00e9m porque diante da grandiosidade industrial, apequenam o trabalhador acidentado, que culpa a si mesmo pelo ocorrido: \u201cn\u00e3o me veio um tico de nada de \u00f3dio da prensa, da prensa que me deixou com tocos de dedos, [&#8230;] n\u00e3o senti raiva cega da m\u00e1quina, s\u00f3 da minha fraqueza, do meu medo, do descuido, do choro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As prec\u00e1rias habita\u00e7\u00f5es que restam aos trabalhadores ocuparem na nova vida s\u00e3o outro desafio. No conto \u201cNos olhos, gases e batatas&#8230;\u201d, elas est\u00e3o expostas na descri\u00e7\u00e3o do quarto de pens\u00e3o: \u201cO quarto: a janela mi\u00fada, [&#8230;] eu aqui olhando as pernas nuas das mulheres a cores, penduradas nas paredes descascadas e sujas de bosta de moscas que, com o calor da tarde e o cheiro fedorento da \u00e1gua de esgoto correndo rente \u00e0 cal\u00e7ada, l\u00e1 fora, voam desinquietas espantando o sono\u201d. J\u00e1 em \u201cDuas margens\u201d, \u00e9 a precariedade de infraestrutura urbana da periferia que \u00e9 descrita: \u201cAqui em S\u00e3o Miguel Paulista a casa \u00e9 pobre, sei. Foi dif\u00edcil acostumar os meninos que n\u00e3o deviam ficar na frente da casa por causa dos carros que passam na rua poeirenta bem apressados; se [as autoridades] cuidassem da valeta que corria perene dia e noite com cheiro de bosta [\u2026]\u201d. Ainda assim, no mesmo conto, o narrador se alegra ao ver os filhos arranjando emprego, na sala a televis\u00e3o comprada a presta\u00e7\u00f5es, a fam\u00edlia em melhores condi\u00e7\u00f5es: \u201c\u00c9 quando sempre digo: d\u00e1 uma vontade de pegar todo mundo de minha terra, l\u00e1, e trazer todos aqui pra avistarem a minha sorte\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma quase aus\u00eancia nos contos \u00e9 a de mulheres. O ambiente industrial se mostra eminentemente masculino. As poucas personagens femininas que aparecem, nunca como narradoras, s\u00e3o esposas ou filhas dos narradores. Mas elas tamb\u00e9m t\u00eam um papel eloquente a desempenhar, tamb\u00e9m t\u00eam uma experi\u00eancia de explora\u00e7\u00e3o a suportar: a da reprodu\u00e7\u00e3o social, gerando a m\u00e3o de obra que futuramente vai ocupar os postos fabris.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em \u201cO pano vermelho\u201d, o narrador relata os principais acontecimentos anuais em um intervalo de mais de vinte anos, desde a decis\u00e3o por migrar, o emprego arranjado na f\u00e1brica de qu\u00edmica, o casamento com Adelina, para preencher \u201co vazio de uma mulher\u201d, at\u00e9 a aposentadoria. Em diversos dos anos que se seguiram, o \u00fanico acontecimento relatado foi o nascimento de filhos, abortos, acidentes que Adelina sofreu, o desgosto de ver um filho morrer, \u201cmis\u00e9ria aqui, mis\u00e9ria l\u00e1, aqui \u00e9 cativeiro\u201d e, por fim, a tristeza que a acometeu at\u00e9 sua morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 no conto \u201cDuas margens\u201d, o narrador, ao ver a filha engravidar jovem, fora do casamento, decide levar a fam\u00edlia para tentar a vida em S\u00e3o Paulo. L\u00e1, torna-se av\u00f4 e logo a filha passa a deixar o beb\u00ea na creche porque arrumou um emprego. Aliviado, ele v\u00ea nos costumes urbanos menos conservadores uma oportunidade de vida mais digna para a filha: \u201cAqui, nunca ningu\u00e9m falou do erro de Dalva, que ela \u00e9 m\u00e3e de filho sem pai, num sei mais o qu\u00ea, nada disso. Logo ela arruma algum marido e vai viver a sua vida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalhador urbano e pobre a quem Jatob\u00e1 d\u00e1 vida em suas <em>Cr\u00f4nicas da vida oper\u00e1ria <\/em>continua a ser um protagonista poucas vezes encontrado em nossa literatura, como atestou Regina Dalcastagn\u00e8 (2005) em extensa pesquisa sobre a personagem do romance brasileiro contempor\u00e2neo. Mais recentemente, o esfor\u00e7o de dar voz ao proletariado que Jatob\u00e1 empreende encontrou eco na obra de Luiz Ruffato, em especial em <em>Eles eram muitos cavalos<\/em> (2001) e na pentalogia <em>Inferno Provis\u00f3rio<\/em> (2016).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, a obra de Roniwalter Jatob\u00e1 permanece relevante como um retrato hist\u00f3rico da classe trabalhadora num momento de uma pujan\u00e7a econ\u00f4mica e industrial que poucas vezes o pa\u00eds viu, \u00e0s custas, evidentemente, de um contingente oper\u00e1rio explorado e massacrado. As peri\u00f3dicas reedi\u00e7\u00f5es que <em>Cr\u00f4nicas da vida oper\u00e1ria<\/em> ganhou ao longo dos anos, desde sua publica\u00e7\u00e3o no fim da d\u00e9cada de 1970, atestam a longevidade e a pot\u00eancia desse retrato e dessa tem\u00e1tica na literatura brasileira contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DALCASTAGN\u00c8, Regina (2005). A personagem do romance brasileiro contempor\u00e2neo: 1990-2004. <em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, Bras\u00edlia, n. 26. p. 13-71.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FANINI, Angela Maria Rubel; SANTOS, Adriana Cabral dos (2013). Trabalho artesanal e trabalho industrial como elementos de sociabilidade, subjetividade e trag\u00e9dia em \u201cA m\u00e3o esquerda\u201d, de Roniwalter Jatob\u00e1. <em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea,<\/em> Bras\u00edlia, n. 42, p. 197-208.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MARQUES, Guiosepphe Sandri (2015). <em>Constru\u00e7\u00f5es discursivas do trabalho em <\/em>Cr\u00f4nicas da vida oper\u00e1ria<em>, de Roniwalter Jatob\u00e1<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Tecnologia) \u2013 Universidade Tecnol\u00f3gica Federal do Paran\u00e1, Curitiba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MEDINA, Ettore Dias (2014). Fam\u00edlia oper\u00e1ria, mem\u00f3ria e subjetividade em uma narrativa de Roniwalter Jatob\u00e1. <em>Cadernos de Campo<\/em>, Araraquara, n. 18, p. 131-145.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MONTEIRO, Ana L\u00facia Barbosa; FANINI, Angela Maria Rubel (2020). As vozes em torno da obra de Roniwalter Jatob\u00e1: um contexto contempor\u00e2neo de leitura.<em> Revista Trama<\/em>, Marechal C\u00e2ndido Rondon, v. 16, n. 38, p. 61-74.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-8903.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-8903\" data-foogallery=\"{&quot;panel&quot;:{&quot;buttons&quot;:{&quot;download&quot;:false}},&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false,&quot;download&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; 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Cr\u00f4nicas da vida oper\u00e1ria. S\u00e3o Paulo: Global; Versus, 1978. Mariana MouraIlustra\u00e7\u00e3o: Julio Lapagesse O dia a dia de jovens trabalhadores da ind\u00fastria em S\u00e3o Paulo na d\u00e9cada de 1970, a promessa de uma vida melhor na cidade grande, os sonhos acalentados pela esperan\u00e7a e estilha\u00e7ados pela aridez da labuta. 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