{"id":8891,"date":"2026-08-18T11:43:22","date_gmt":"2026-08-18T14:43:22","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8891"},"modified":"2026-08-18T11:43:22","modified_gmt":"2026-08-18T14:43:22","slug":"arquitetura-do-arco-iris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8891","title":{"rendered":"Arquitetura do arco-\u00edris"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">MOSCOVICH, C\u00edntia. <em>Arquitetura do arco-\u00edris<\/em>. Rio de Janeiro: Record, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Aline Teixeira da Silva<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Manuela Dib <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A colet\u00e2nea de contos <em>Arquitetura do arco-\u00edris<\/em> (2004), terceiro lugar no pr\u00eamio Jabuti e indicada ao pr\u00eamio Portugal Telecom, re\u00fane contos que articulam com sensibilidade temas como mem\u00f3ria, identidade, afetos familiares e heran\u00e7as culturais. Publicada ap\u00f3s a estreia de C\u00edntia Moscovich (Porto Alegre, RS, 1958) na narrativa curta com <em>O reino das cebolas<\/em> (1996) e ap\u00f3s a consolida\u00e7\u00e3o de sua escrita em obras como <em>Duas iguais<\/em> (1998) e <em>Anota\u00e7\u00f5es durante o inc\u00eandio<\/em> (2000), o livro insere-se em um momento de maturidade de sua trajet\u00f3ria liter\u00e1ria, na qual os temas mencionados anteriormente j\u00e1 se apresentam de modo recorrente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, a escrita de Moscovich emerge como uma experi\u00eancia de escuta e de elabora\u00e7\u00e3o do passado, em que o gesto narrativo se confunde com o ato de preservar a mem\u00f3ria. Em <em>Arquitetura do arco-\u00edris<\/em>, os contos revelam a marca do juda\u00edsmo como elemento de forma\u00e7\u00e3o e de pertencimento, n\u00e3o apenas no plano religioso, mas como estrutura simb\u00f3lica que atravessa a linguagem e os v\u00ednculos afetivos. Nesse livro, a autora faz da fic\u00e7\u00e3o um espa\u00e7o de reconhecimento das feridas e de resist\u00eancia contra o esquecimento, elaborando uma \u201carquitetura\u201d sustentada pela for\u00e7a das lembran\u00e7as e pela delicadeza da palavra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde o conto que abre a colet\u00e2nea, \u201cO telhado e a violinista\u201d, nota-se que a narrativa \u00e9 conduzida pela voz de personagens que tentam compreender o mundo a partir de experi\u00eancias \u00edntimas e traum\u00e1ticas. Nesse conto, a inf\u00e2ncia, por exemplo, surge como territ\u00f3rio de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 dor e \u00e0 consci\u00eancia das diferen\u00e7as na voz da protagonista-menina, que narra, em primeira pessoa, um epis\u00f3dio de ofensa antissemita. O momento em que \u00e9 chamada de \u201cjudia suja\u201d por uma vizinha representa a descoberta de um lugar social marcado pela exclus\u00e3o. Nesse vi\u00e9s, a rea\u00e7\u00e3o da personagem, sustentada pela figura protetora da av\u00f3, mostra que o aprendizado da identidade passa pela mem\u00f3ria coletiva de um povo. A cena dom\u00e9stica, aparentemente banal, transforma-se em met\u00e1fora da necessidade herdada de afirma\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia ao \u00f3dio. Desse modo, o conto mostra como a autora se vale da oralidade familiar, ou seja, de um discurso marcado pela mem\u00f3ria, pelos ensinamentos, pelas hist\u00f3rias e pelas rea\u00e7\u00f5es que circulam no espa\u00e7o dom\u00e9stico e que s\u00e3o passadas de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, para transformar a dor em mat\u00e9ria de linguagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na obra, a conviv\u00eancia entre as gera\u00e7\u00f5es femininas ocupa lugar central. A av\u00f3 da narrativa supracitada \u00e9 guardi\u00e3 das tradi\u00e7\u00f5es e dos rituais, deposit\u00e1ria de uma sabedoria que mant\u00e9m vivos os mortos. A rela\u00e7\u00e3o entre av\u00f3 e neta \u00e9 marcada pela presen\u00e7a constante da mem\u00f3ria dos antepassados. O passado, nesse sentido, n\u00e3o se distancia: ele reverbera no presente e modela as formas de narrar. A voz infantil da narradora \u00e9 simultaneamente ing\u00eanua e l\u00facida, capaz de perceber, mesmo sem compreender inteiramente, o peso simb\u00f3lico dos gestos cotidianos. Diante disso, Moscovich transforma o cotidiano em espa\u00e7o de revela\u00e7\u00e3o, no qual o afeto e o sofrimento se confundem. Ademais, a hist\u00f3ria, recontada no final do conto pela narradora adulta \u00e0 filha, mostra o ciclo de repeti\u00e7\u00e3o e de transmiss\u00e3o da mem\u00f3ria. Assim como o arco-\u00edris do t\u00edtulo sugere a coexist\u00eancia das cores, a obra prop\u00f5e que a vida humana se constr\u00f3i sobre camadas de dor e esperan\u00e7a. Logo, a \u201carquitetura\u201d \u00e9 tamb\u00e9m uma tentativa de reconciliar o fragmento com o todo, o trauma com a ternura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A linguagem de Moscovich \u00e9 marcada por forte musicalidade, ritmo entrecortado e imagens de grande precis\u00e3o. A autora trabalha com frases que reproduzem o fluxo do pensamento e da fala. J\u00e1 o humor, rotineiro em suas narrativas, n\u00e3o anula a gravidade dos temas; antes, serve como mecanismo de defesa diante da dor. Com efeito, a ironia e o riso funcionam como formas de resist\u00eancia, como se a palavra tivesse o poder de redimir a viol\u00eancia do passado. O resultado, em suma, \u00e9 uma escrita que combina lirismo e dureza, precis\u00e3o formal e pulsa\u00e7\u00e3o emocional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos demais contos, a autora amplia seu campo de observa\u00e7\u00e3o para abarcar outras dimens\u00f5es da experi\u00eancia feminina. Em \u201cCartografia\u201d, o foco desloca-se para a solid\u00e3o de uma mulher adulta que tenta reconstruir sua vida ap\u00f3s a morte do pai e o sufocamento provocado pela conviv\u00eancia com a m\u00e3e. Nesse enredo, Moscovich adota um tom introspectivo e anal\u00edtico, acompanhando a trajet\u00f3ria da narradora que busca independ\u00eancia emocional e intelectual. O espa\u00e7o do apartamento rec\u00e9m-alugado torna-se uma met\u00e1fora da tentativa de recome\u00e7o, uma \u201ccasa nova\u201d que representa a possibilidade de renascimento. Contudo, a presen\u00e7a de Beatriz, colega de curso com quem passa a dividir o espa\u00e7o, introduz o tema da alteridade e do desejo reprimido. A rela\u00e7\u00e3o entre as duas mulheres \u00e9 marcada por ambiguidade: amizade, fasc\u00ednio, rivalidade e uma intimidade que beira o amor. A partir dessa conviv\u00eancia, Moscovich explora as fronteiras entre o afeto e a solid\u00e3o, o desejo e o interdito, compondo um retrato denso da subjetividade feminina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa maneira, o cotidiano em <em>Arquitetura do arco-\u00edris<\/em> \u00e9 descrito em detalhes, com aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pequenas a\u00e7\u00f5es e aos sil\u00eancios que preenchem os dias. A linguagem \u00e9 contida, quase seca, mas caracterizada por uma tens\u00e3o constante entre o que se diz e o que se cala. A autora demonstra, assim, dom\u00ednio sobre a estrutura dos contos, equilibrando a economia narrativa e a densidade psicol\u00f3gica, o que confere coes\u00e3o formal \u00e0 colet\u00e2nea e sustenta a for\u00e7a expressiva das experi\u00eancias narradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo dos contos, observa-se que Moscovich constr\u00f3i uma unidade tem\u00e1tica e estil\u00edstica: as personagens femininas, em diferentes idades e circunst\u00e2ncias, enfrentam a tens\u00e3o entre o desejo de liberdade e o peso das heran\u00e7as familiares. Na colet\u00e2nea, o passado \u00e9 uma presen\u00e7a constante, e mesmo os gestos mais simples carregam a densidade da mem\u00f3ria. A morte, a solid\u00e3o e o amor aparecem como experi\u00eancias que se confundem, moldando o destino das narradoras. A prosa de Moscovich evita o sentimentalismo e o excesso, privilegiando a sutileza e o subentendido. A autora trabalha com varia\u00e7\u00f5es de voz e ritmo, alternando entre a narrativa memorial\u00edstica e o tom confessional, entre o discurso reflexivo e o lirismo contido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escolha do t\u00edtulo <em>Arquitetura do arco-\u00edris<\/em> revela a inten\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica que percorre toda a obra. Formado pela coexist\u00eancia de cores distintas, o arco-\u00edris representa a tentativa de conciliar opostos: dor e alegria, perda e renascimento, tradi\u00e7\u00e3o e modernidade. A palavra \u201carquitetura\u201d sugere o trabalho paciente e calculado de quem constr\u00f3i algo s\u00f3lido a partir do fragmento. A autora parece sugerir que a escrita \u00e9 esse gesto de constru\u00e7\u00e3o, uma maneira de organizar a experi\u00eancia e dar forma ao caos da mem\u00f3ria. As narrativas se estruturam como um mosaico, no qual cada conto contribui para o desenho de um mesmo tema central: a busca por sentido em meio \u00e0 fragilidade da exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A contribui\u00e7\u00e3o de Moscovich para a literatura brasileira contempor\u00e2nea reside justamente nessa capacidade de articular o \u00edntimo e o coletivo, o pessoal e o hist\u00f3rico. Ao narrar hist\u00f3rias de mulheres judias, de filhas e netas, de amantes e solit\u00e1rias, ela d\u00e1 visibilidade a vozes que resistem no interior da tradi\u00e7\u00e3o. Sua escrita alcan\u00e7a uma dimens\u00e3o universal ao tratar de temas como o preconceito, a culpa, o amor e a morte. A autora mostra que a identidade n\u00e3o \u00e9 um dado fixo, mas um processo cont\u00ednuo de reconstru\u00e7\u00e3o. Logo, o resultado \u00e9 uma literatura que explora a interioridade com rigor e delicadeza, sem abrir m\u00e3o da cr\u00edtica social e da ironia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ler <em>Arquitetura do arco-\u00edris<\/em> \u00e9 acompanhar a constru\u00e7\u00e3o de um olhar sobre o humano. Cada conto funciona como uma lente que amplia uma dimens\u00e3o da experi\u00eancia: a inf\u00e2ncia e o aprendizado da dor, a juventude e a descoberta do desejo, a maturidade e o confronto com a perda. Moscovich n\u00e3o prop\u00f5e solu\u00e7\u00f5es ou moralidades, mas oferece um retrato honesto e po\u00e9tico da vulnerabilidade. Sua prosa \u00e9 enxuta, musical e imag\u00e9tica, e o trabalho com a forma curta revela uma escritora que compreende o conto n\u00e3o como relato fragment\u00e1rio, mas como microcosmo de uma vis\u00e3o de mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao final da leitura, permanece a sensa\u00e7\u00e3o de que o arco-\u00edris do t\u00edtulo n\u00e3o se refere apenas \u00e0s cores ou \u00e0 beleza ef\u00eamera do fen\u00f4meno natural, mas ao esfor\u00e7o humano de recompor o que foi partido. Cada cor, cada lembran\u00e7a e cada dor comp\u00f5em a arquitetura simb\u00f3lica que sustenta as personagens e suas hist\u00f3rias. O livro de C\u00edntia Moscovich, ao entrela\u00e7ar o riso e o luto, refor\u00e7a que a literatura pode ser um modo de sobreviv\u00eancia e de transmiss\u00e3o da mem\u00f3ria. <em>Arquitetura do arco-\u00edris<\/em> \u00e9, por fim, uma obra que transcende o registro pessoal e alcan\u00e7a a dimens\u00e3o universal das grandes narrativas humanas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FILHO, Marco Antonio M\u00fcller (2018). <em>A po\u00e9tica do arco-\u00edris nos contos de <\/em><em>C\u00edntia Moscovich<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Hist\u00f3ria da Literatura) \u2013 Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LIMA, Eduarda Cristina (2021). <em>A mulher e os la\u00e7os de fam\u00edlia em <\/em>Arquitetura do arco-\u00edris<em>, de C\u00edntia Moscovich. <\/em>Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras) \u2013<em> <\/em>Universidade Federal de Goi\u00e1s, Goi\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SANTOS, Salete Rosa Pezzi dos (2013). <em>Arquitetura do arco-\u00edris<\/em>: uma leitura de vida. <em>In<\/em>: FAZENDO G\u00caNERO, 10, 16-20 set., Universidade Federal de Santa Catarina. <em>Anais Desafios Atuais do Feminismo<\/em>. Florian\u00f3polis: v. 10, p. 1-10.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PERP\u00c9TUA, Elzira Divina (2011). Literatura brasileira confessional: uma leitura de mem\u00f3rias marginais. <em>In<\/em>: SIMP\u00d3SIO NACIONAL DE LETRAS E LINGU\u00cdSTICA \u2013 SILEL, 14, 20-22 nov. 2011, Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia. <em>Anais<\/em>&#8230; Uberl\u00e2ndia: EDUFU. v. 2, n. 2, p. 1-10.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-8890.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-8890\" data-foogallery=\"{&quot;panel&quot;:{&quot;buttons&quot;:{&quot;download&quot;:false}},&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false,&quot;download&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Record-2004.avif\" data-caption-title=\"Record, 2004\" data-attachment-id=\"8893\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Record, 2004\" width=\"250\" height=\"392\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/08\/Record-2004\/265365207.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22392%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20392%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Record, 2004<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MOSCOVICH, C\u00edntia. 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