{"id":8885,"date":"2026-08-18T11:33:51","date_gmt":"2026-08-18T14:33:51","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8885"},"modified":"2026-08-18T11:44:22","modified_gmt":"2026-08-18T14:44:22","slug":"ruibarbo-do-deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8885","title":{"rendered":"Ruibarbo do deserto"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">TAVARES, L\u00e9o. <em>Ruibarbo do deserto<\/em>. S\u00e3o Paulo: Patu\u00e1, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Larissa Dantas<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Manuela Dib<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estabelecer la\u00e7os \u00e9 inerente \u00e0 vida humana e os humanos, portanto, est\u00e3o fadados ao encontro \u2013 e ao desencontro. L\u00e9o Tavares (S\u00e3o Gabriel, RS, 1984), em <em>Ruibarbo do deserto<\/em> (2019), ficcionaliza essas rela\u00e7\u00f5es. S\u00e3o personagens singulares e complexas que se apresentam ao leitor com sentimentos profundos de amor, amizade e compreens\u00e3o, mas tamb\u00e9m de dor, raiva e desamparo. Nos 17 contos que comp\u00f5em a colet\u00e2nea, acompanha-se a nem sempre f\u00e1cil trajet\u00f3ria da vida, mediante as lentes de narradores sens\u00edveis que se utilizam de linguagem aleg\u00f3rica e metaf\u00f3rica para recriar a experi\u00eancia de ser em contato com os outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fil\u00f3sofo Emmanuel L\u00e9vinas (2010; 2023) definiu a alteridade como o encontro do eu com o outro em sua diferen\u00e7a, em uma rela\u00e7\u00e3o que busca a totalidade, por\u00e9m que jamais consegue alcan\u00e7\u00e1-la em raz\u00e3o do mist\u00e9rio que o outro representa. Portanto, h\u00e1 no outro algo inapreens\u00edvel, que escapa, que foge a explica\u00e7\u00f5es ou categoriza\u00e7\u00f5es. Contudo, visto que o ser s\u00f3 encontra seu verdadeiro sentido nas rela\u00e7\u00f5es, e que estas passam pela linguagem, a fic\u00e7\u00e3o pode ser o lugar em que se encena o desejo de compreens\u00e3o, e \u00e9 justamente nesse lugar que a obra de Tavares se coloca. Os contos do livro, dessa maneira, aproximam o leitor de quest\u00f5es pessoais das personagens, criando um clima de tens\u00e3o que, contraditoriamente, pode despertar empatia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narra\u00e7\u00e3o em primeira pessoa \u00e9 predominante em <em>Ruibarbo do deserto<\/em>, e as hist\u00f3rias tratam de buscas interiores, escava\u00e7\u00f5es do eu com o intuito das personagens compreenderem quem de fato s\u00e3o. Entretanto, ainda que o olhar sobre si se revele central na obra, h\u00e1 contos em que a primeira pessoa desloca seu olhar para outra personagem, posicionando-se como observador, em uma elabora\u00e7\u00e3o est\u00e9tica da alteridade por meio da linguagem. \u00c9 o que ocorre em \u201cMas as coisas n\u00e3o deixam de existir no escuro\u201d e \u201c\u00c1guas de Mara\u201d, textos de abertura e de encerramento do livro, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neles, os \u00fanicos dois contos em que o narrador e as personagens se repetem, T\u00e9o conta a hist\u00f3ria de seu tio, Ol\u00edmpio Guerra. No encontro com Ol\u00edmpio, por\u00e9m \u2013 e, talvez, sem que o pr\u00f3prio narrador perceba \u2013 T\u00e9o acaba por narrar a si mesmo, pois \u00e9 o que conta do tio que d\u00e1 contornos \u00e0 sua exist\u00eancia. Este movimento \u00e9 levisiano porque demonstra que a subjetividade de T\u00e9o n\u00e3o precede a rela\u00e7\u00e3o com o outro, mas sim constitui-se nela. T\u00e9o n\u00e3o se funde com Ol\u00edmpio. Ol\u00edmpio \u00e9 o outro que se recusa a ser apreendido, enquanto T\u00e9o se descobre T\u00e9o porque se constitui no encontro com o tio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No texto de abertura do livro, \u00e9 apresentado ao leitor o relacionamento \u00edntimo entre tr\u00eas personagens, membros de uma mesma fam\u00edlia: os irm\u00e3os Ol\u00edmpio e L\u00edgia e o sobrinho deles, T\u00e9o. Ele \u00e9 o narrador dessa hist\u00f3ria familiar que tem como ponto central o envelhecimento e o apagar da mem\u00f3ria de Ol\u00edmpio. Logo no in\u00edcio da narrativa, o espa\u00e7o familiar \u00e9 apresentado aos leitores: a casa dos tios, dois irm\u00e3os j\u00e1 idosos, com L\u00edgia como respons\u00e1vel pelos cuidados de Ol\u00edmpio, um homem perdido na dem\u00eancia provocada pelo Alzheimer. T\u00e9o viveu nessa casa, foi criado pelos tios e, como autointitulado \u201csolteir\u00e3o\u201d, tem tempo para visit\u00e1-los com frequ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O narrador expressa seu desejo de conhecer verdadeiramente os parentes idosos, que j\u00e1 haviam \u201cadentrado aquele trecho final da vida\u201d. Dando-se conta de que \u201celes deixariam este mundo\u201d sem que ele os conhecesse, a vontade de montar o quebra-cabe\u00e7a da mem\u00f3ria \u00e9 pungente para T\u00e9o. Ele se prop\u00f5e a organizar narrativamente o que se apresenta para ele, o envelhecimento dos tios e quem eles foram e s\u00e3o. Especialmente tio Ol\u00edmpio, que parece estar sumindo aos poucos diante dos olhos de seus familiares. O narrador, portanto, decide trazer \u00e0 tona as mem\u00f3rias do tio, com a inten\u00e7\u00e3o de n\u00e3o deixar que elas sejam esquecidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em \u201c\u00c1guas de Mara\u201d, anos transcorridos da morte dos tios, T\u00e9o decide viajar ao Egito para conhecer os lugares por onde passou Arthur William Jansen, arque\u00f3logo e ex-companheiro de seu tio. Uma hist\u00f3ria completa a outra e simboliza o cerne da obra de Tavares: ningu\u00e9m passa pela vida sem se conectar a outras pessoas ou sem ser afetado pelas experi\u00eancias humanas ao seu redor. As palavras de T\u00e9o ressoam essa afirma\u00e7\u00e3o: \u201cPenso em tio Ol\u00edmpio [&#8230;]. Nunca saberei os detalhes, os movimentos exatos do curso da sua vida, mas \u00e9 para ele que estou vendo o que Arthur Jansen viu. E de repente sinto que todas as minhas andan\u00e7as s\u00e3o mais que um pretexto para que eu preencha com imagens inventadas a caderneta que comprei quando comecei esta viagem, e que permanece sem nenhuma inscri\u00e7\u00e3o, nenhum tra\u00e7o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos dois contos mencionados e no que d\u00e1 t\u00edtulo ao livro, as refer\u00eancias ao deserto s\u00e3o recorrentes, seja na men\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura do Antigo Egito, seja na alus\u00e3o \u00e0 sua natureza in\u00f3spita. H\u00e1 refer\u00eancias a um poema eg\u00edpcio de 3 mil anos, oriundo de escava\u00e7\u00f5es das ru\u00ednas de Deir el-Medina, ou Set Maat, o \u201clugar da verdade\u201d; \u00e0 \u201ccaravana para a terra de Punt\u201d, da fara\u00f3 Hatshepsut, em busca de incensos; ao caminho para Cana\u00e3 percorrido pelos israelitas libertados do Egito que chegam ao o\u00e1sis de Mara, de \u00e1guas amargas; a Kemet, terra negra e f\u00e9rtil trazida pelo Nilo ap\u00f3s as inunda\u00e7\u00f5es; \u00e0 neve no deserto em Ain Sefra e ao ruibarbo do deserto, planta resiliente capaz de captar e guardar \u00e1gua para sobreviver.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas refer\u00eancias simbolizam a solid\u00e3o e os conflitos que surgem dos relacionamentos humanos, a eterna busca por compreens\u00e3o e as travessias que todos precisam percorrer para construir la\u00e7os outrora destru\u00eddos (ou construir novos em lugares desconhecidos). Ainda com as in\u00fameras dificuldades, s\u00e3o essas mesmas rela\u00e7\u00f5es que podem, inesperadamente, ser terreno f\u00e9rtil para o conhecimento de si e do outro. Essas alegorias e met\u00e1foras presentes nos contos de <em>Ruibarbo do deserto<\/em> n\u00e3o s\u00e3o apenas recursos ornamentais, pois estruturam a pr\u00f3pria experi\u00eancia de leitura por meio dos recursos de linguagem po\u00e9tica empregados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1, por\u00e9m, em outros contos, a constata\u00e7\u00e3o de que ser compreendido, aceito e amado n\u00e3o faz parte de muitas trajet\u00f3rias de vida, contrastando com a ideia sublime do encontro como algo transformador, tal como se deu com T\u00e9o e seu tio, visto que a transforma\u00e7\u00e3o pode ser pela destrui\u00e7\u00e3o e subjuga\u00e7\u00e3o de outrem. Em muitos contos, personagens homossexuais, outras enlouquecidas, mulheres violentadas, por exemplo, apresentam-se marcadas pela dor do abandono, da discrimina\u00e7\u00e3o e da viol\u00eancia. Tais narrativas revelam que a exclus\u00e3o do outro diferente, visto como abjeto, ou daquele a quem n\u00e3o se deve acolher, pode dilacerar vidas e perpetuar ciclos de sofrimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na orelha do livro, a escritora Natalia Borges Polesso afirma que as personagens carregam \u201cconflitos que atravessam o tempo e p\u00f5em em xeque suas exist\u00eancias plenas, como se dependessem um pouco desse ex\u00edlio \u00edntimo, de algum esconderijo subterr\u00e2neo, como ra\u00edzes\u201d. A partir das imagens de Polesso, pode-se vislumbrar como as dores, os sofrimentos e a solid\u00e3o profunda s\u00e3o elaborados intimamente, como um movimento em que o narrador procura dentro de si, exilado em si, sua origem e busca, na elabora\u00e7\u00e3o da subjetividade, perceber a pot\u00eancia de se ser quem se \u00e9. Essa \u00e9 uma qualidade de destaque de <em>Ruibarbo do deserto<\/em>: o mergulho em quest\u00f5es subjetivas que nascem, estando escondidas ou soterradas \u201ccomo ra\u00edzes\u201d, e que emergem em pot\u00eancia, como acontece com Liliana, personagem do conto que d\u00e1 t\u00edtulo ao livro, a qual, sabendo das dificuldades vindouras, bebe \u00e1gua e afirma: \u201cEstou me preparando\u201d, feito a planta des\u00e9rtica, \u00fanica no mundo \u201cque irriga a si mesma\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">L\u00e9o Tavares foi premiado como contista estreante pela FestiPoa Liter\u00e1ria, de Porto Alegre, com <em>Os doentes em torno da caixa de Mesmer <\/em>(2014) e, al\u00e9m de escritor, \u00e9 artista visual, seara em que investe na rela\u00e7\u00e3o entre palavra e imagem. Sua atua\u00e7\u00e3o diversa singulariza sua express\u00e3o liter\u00e1ria com refer\u00eancias plurais, apelo imag\u00e9tico e linguagem po\u00e9tica e de profunda sensibilidade. <em>Ruibarbo do deserto<\/em> \u00e9 uma obra que permite adentrar a intimidade das vidas de outros e fazer ver suas vicissitudes e pot\u00eancias, suas dores e temores, de modo que, nesses encontros e desencontros, em mais uma cita\u00e7\u00e3o a L\u00e9vinas, mesmo que esse outro esteja em situa\u00e7\u00e3o de fragilidade ou depend\u00eancia, nunca se pode conhecer completamente quem ele \u00e9 ou reduzir-se sua vida a uma \u00fanica explica\u00e7\u00e3o. Talvez seja poss\u00edvel apenas aproximar-se por uma fresta, como prop\u00f5e o autor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FLORES, Guilherme Gontijo (2018). Antes do original: a poesia amorosa do Egito Antigo. <em>Remate de Males<\/em>, v. 38, n. 2, p. 502-533. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/periodicos.sbu.unicamp.br\/ojs\/index.php\/remate\/article\/view\/8652460\/18885\"> https:\/\/periodicos.sbu.unicamp.br\/ojs\/index.php\/remate\/article\/view\/8652460\/18885<\/a>. Acesso em: 3 set. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">L\u00c9VINAS, Emmanuel (2010). <em>Entre n\u00f3s<\/em>: ensaios sobre a alteridade. Petr\u00f3polis: Vozes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">L\u00c9VINAS, Emmanuel (2023). <em>Outro modo que ser ou Al\u00e9m da ess\u00eancia<\/em>. Lisboa: Chiado Editorial (edi\u00e7\u00e3o digital).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REFER\u00caNCIA GALERIA DE ARTE. L\u00e9o Tavares. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.referenciagaleria.com.br\/artista\/leo-tavares\/\">https:\/\/www.referenciagaleria.com.br\/artista\/leo-tavares\/<\/a>. Acesso em: 12 set. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WALKER, Cameron (2004). What ancient Egyptian love poems reveal about the practice of love. <em>National Geographic<\/em>, 14 fev. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/culture\/article\/ancient-egyptian-love-poems\"> https:\/\/www.nationalgeographic.com\/culture\/article\/ancient-egyptian-love-poems<\/a>. Acesso em: 4 set. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-8887.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-8887\" data-foogallery=\"{&quot;panel&quot;:{&quot;buttons&quot;:{&quot;download&quot;:false}},&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false,&quot;download&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Patua-2019.avif\" data-caption-title=\"Patu\u00e1, 2019\" data-attachment-id=\"8888\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Patu\u00e1, 2019\" width=\"250\" height=\"361\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/08\/Patua-2019\/2262061331.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22361%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20361%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Patu\u00e1, 2019<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TAVARES, L\u00e9o. 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