{"id":8874,"date":"2026-08-13T10:53:51","date_gmt":"2026-08-13T13:53:51","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8874"},"modified":"2026-08-13T10:53:52","modified_gmt":"2026-08-13T13:53:52","slug":"o-homem-vermelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8874","title":{"rendered":"O homem vermelho"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">PELLEGRINI, Domingos. <em>O homem vermelho<\/em>. S\u00e3o Paulo: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1977.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Carlos Wender Sousa Silva<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Julio Lapagesse<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A produ\u00e7\u00e3o de Domingos Pellegrini (Londrina, PR, 1949) abrange diferentes g\u00eaneros liter\u00e1rios como contos, romance e literatura infanto-juvenil. <em>O homem vermelho<\/em>, publicado em 1977, re\u00fane oito contos marcadamente realistas da literatura brasileira contempor\u00e2nea. A obra foi o primeiro livro lan\u00e7ado pelo autor, tendo sido contemplada com o Pr\u00eamio Jabuti no mesmo ano. Trata-se de um livro que articula cr\u00edtica social com elementos imag\u00e9ticos e sensoriais a uma linguagem concisa e direta, privilegiando personagens comuns cujas trajet\u00f3rias refletem tens\u00f5es hist\u00f3ricas mais amplas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O vermelho que marca o t\u00edtulo, por exemplo, remete, para o autor, \u00e0s cores da terra e do sangue que se incorporam \u00e0 constru\u00e7\u00e3o das personagens dos contos e suas posi\u00e7\u00f5es no mundo. Essa tonalidade surge como cor viva que pulsa por entre veias, palavras, sil\u00eancios, rupturas e dores, ao mesmo tempo que evoca vitalidade e viol\u00eancia, pertencimento e conflito. Tal s\u00edmbolo marca a identidade coletiva de um pa\u00eds, n\u00e3o como bandeira pol\u00edtica, mas como reflexo de rostos diversos banhados por \u00e1guas profundas de uma na\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria, cheia de inconsist\u00eancias e incertezas, um pa\u00eds marcado pela poeira avermelhada que sobe com o pisar no solo daqueles que nele depositam suas esperan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo dos contos, o pa\u00eds \u00e9 apresentado n\u00e3o como uma unidade coesa, mas como um territ\u00f3rio fragmentado, composto por arquiteturas s\u00f3cio-hist\u00f3ricas descont\u00ednuas e por contradi\u00e7\u00f5es entre promessa e abandono, progresso e exclus\u00e3o. A obra de Pellegrini constr\u00f3i uma cartografia de um Brasil que se moderniza sem romper com suas bases estruturais desiguais e hierarquizadas. A narrativa privilegia personagens comuns \u2013 trabalhadores, posseiros, barrageiros, sujeitos perif\u00e9ricos \u2013 submetidos a for\u00e7as hist\u00f3ricas, econ\u00f4micas e pol\u00edticas maiores que suas posi\u00e7\u00f5es individuais. Estradas sem infraestrutura e obras abandonadas, propriedades rurais amea\u00e7adas e centros urbanos que ecoam projetos antag\u00f4nicos e conflitantes comp\u00f5em o mosaico de espa\u00e7os e recortes socioculturais presentes na trama. O discurso oficial de desenvolvimento e progresso contradiz a experi\u00eancia concreta de precariedade.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O car\u00e1ter inacabado das infraestruturas, as estradas intransit\u00e1veis, a degrada\u00e7\u00e3o do valor do trabalho humano, o conflito pela terra, pequenas cidades em expans\u00e3o, tudo isso funciona como met\u00e1fora de um projeto nacional interrompido. A narrativa apresenta imagens de estagna\u00e7\u00e3o diante da provisoriedade estrutural do n\u00edvel institucional \u00e0 a\u00e7\u00e3o mais cotidiana das personagens. Precariedade que denuncia a preval\u00eancia de certos interesses em detrimento de outros que s\u00e3o deixados \u00e0 margem. O autoritarismo e a viol\u00eancia institucional tamb\u00e9m permeiam a obra. Os mecanismos de controle invadem o espa\u00e7o privado, tornando-o um territ\u00f3rio de suspeita e de vigil\u00e2ncia. Nesse cen\u00e1rio de exce\u00e7\u00e3o, o medo e o sil\u00eancio se revelam dispositivos de sobreviv\u00eancia. H\u00e1 tamb\u00e9m a presen\u00e7a de um Estado que gerencia a institucionalidade e a esfera p\u00fablica de forma seletiva e desproporcional, coagindo, excluindo e oprimindo acentuadamente os atores sociais em posi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cidade, por sua vez, \u00e9 representada como espa\u00e7o de circula\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m de invisibilidades que n\u00e3o s\u00e3o consideradas pelo discurso desenvolvimentista, subsidiado por um projeto centrado na ideia de progresso que, todavia, convive dissimuladamente com estruturas generalizadas de informalidade, trabalho prec\u00e1rio e fragilidade das redes de prote\u00e7\u00e3o social. O projeto de moderniza\u00e7\u00e3o se expande sobre o corpo ferido dos trabalhadores, que permanecem an\u00f4nimos e invis\u00edveis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No conto \u201cA maior ponte do mundo\u201d, s\u00e3o evidentes as condi\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o do trabalho no campo. O barrageiro percorre barragens em busca de emprego. Jornadas exaustivas, aus\u00eancia de pausas, contratos assinados sem conhecimento do conte\u00fado. Visitantes de terno e gravata surgem esporadicamente, com \u201ccapacete novinho na cabe\u00e7a, trope\u00e7ando em tudo e fazendo perguntas\u201d. A entrega da obra \u00e9 mais importante que a vida dos trabalhadores. A ponte, s\u00edmbolo m\u00e1ximo do progresso, ergue-se sobre uma cidadania incompleta e fragmentada, formando um quadro que aponta para uma percep\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica das rela\u00e7\u00f5es sociais, jur\u00eddicas \u2013 trabalhistas \u2013 e culturais do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o do acesso \u00e0 terra tamb\u00e9m ocupa papel central nesse contexto historiogr\u00e1fico em \u201cNo estralar da pipoca\u201d, por exemplo. A posse e o cultivo da terra criam tens\u00f5es que evidenciam a amea\u00e7a de desapropria\u00e7\u00e3o imposta por uma estrutura fundi\u00e1ria historicamente baseada na concentra\u00e7\u00e3o da propriedade e na experi\u00eancia escravagista do pa\u00eds. Posseiros que j\u00e1 ocupam o espa\u00e7o h\u00e1 anos se veem diante da amea\u00e7a de perd\u00ea-lo. Eles v\u00e3o lembrando o que aquelas terras significam para eles e suas fam\u00edlias: \u201cPosse; a palavra faz bem, tem cheiro de porco, milho, menta, arroz, feij\u00e3o\u201d. O conto revela um conflito fundi\u00e1rio que permanece como uma das feridas abertas no pa\u00eds: afinal, os direitos fundamentais \u00e0 moradia e \u00e0 terra nunca foram garantidos. De um lado, o desejo de acordar no dia seguinte para trabalhar \u201cpra amanh\u00e3 pegar cedo na enxada, d\u00e1 vontade de virar as leis no avesso, que nem milho estralando vira pipoca\u201d. Do outro, a concentra\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de terras nas m\u00e3os de poucas fam\u00edlias que se beneficiam da experi\u00eancia colonial e dos processos de exterm\u00ednio e exclus\u00e3o. O estralar da pipoca, imagem sonora e visual, traduz o impulso contido de ruptura diante de uma estrutura jur\u00eddico-pol\u00edtica que n\u00e3o recepciona igualmente a todos, assim como o desejo de transforma\u00e7\u00e3o que encontra limita\u00e7\u00f5es diante dessas estruturas existentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As transforma\u00e7\u00f5es do territ\u00f3rio \u2013 a mata que se converte em munic\u00edpio, as perobas transformadas em t\u00e1buas, a chegada da televis\u00e3o \u2013 indicam que a moderniza\u00e7\u00e3o implica ainda em substitui\u00e7\u00f5es e apagamentos. O progresso, contudo, n\u00e3o reduz as desigualdades, mas t\u00e3o-somente as reorganiza. N\u00e3o h\u00e1, por exemplo, inclus\u00e3o substantiva nesses novos centros urbanos. O desfecho das personagens nos indica, na verdade, que a moderniza\u00e7\u00e3o brasileira ocorre de modo seletivo, beneficiando alguns grupos hegem\u00f4nicos em detrimento do conjunto expressivo da popula\u00e7\u00e3o. Essa modernidade traz consigo um desejo incessante de rentabilizar as rela\u00e7\u00f5es sociais nas diferentes dimens\u00f5es da vida humana. O tempo, as artes, as rela\u00e7\u00f5es, tudo precisa ser financeiramente justificado. O reconhecimento da cidadania passa a ser ent\u00e3o dimensionado com base na capacidade que cada indiv\u00edduo tem de consumir ou n\u00e3o. O personagem que, por exemplo, migra do campo para a cidade, levando consigo a lacuna educacional e a experi\u00eancia do trabalho precoce, ao se deparar com espa\u00e7os abundantes de consumo \u2013 prateleiras de supermercado repletas de produtos variados \u2013, evidencia ao leitor o contraste entre a promessa de acesso universal ao ideal de inclus\u00e3o da modernidade e a realidade concreta de exclus\u00e3o socioecon\u00f4mica e pol\u00edtica. O que se tem ali \u00e9 apenas a reformula\u00e7\u00e3o das bases da desigualdade pelas atuais formas de domina\u00e7\u00e3o e de exclus\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conjunto de contos revela, portanto, todo um projeto hist\u00f3rico nacional contradit\u00f3rio, que promete o desenvolvimento, mas que n\u00e3o traz mudan\u00e7as substanciais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s desigualdades presentes no tecido social. A terra, a estrada, a f\u00e1brica, a ponte, o apartamento \u00e0 venda, todos esses elementos funcionam como cen\u00e1rios de um pa\u00eds que se move, mas n\u00e3o necessariamente se transforma num projeto coletivo e democr\u00e1tico. O vermelho, que atravessa essas paisagens por meio do sangue, da terra, do trabalho, permanece como signo de um processo inacabado, direcionado aos mesmos grupos detentores do poder econ\u00f4mico, pol\u00edtico e cultural. Do progresso anunciado pela siderurgia \u00e0 precariedade do trabalhador informal, do direito formal \u00e0 terra e \u00e0 moradia \u00e0 n\u00e3o coincid\u00eancia com os fundamentos da justi\u00e7a social, do crescimento da cidade como espa\u00e7o de circula\u00e7\u00e3o intensa \u00e0 invisibilidade social tamb\u00e9m crescente, todos esses antagonismos presentes em <em>O homem vermelho<\/em> revelam o descompasso entre o projeto de sociedade institucional e a experi\u00eancia vivida, entre o discurso oficial e a viola\u00e7\u00e3o \u00e0 dignidade no cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista estil\u00edstico, a escrita de Pellegrini se caracteriza por uma certa objetividade narrativa, mas tamb\u00e9m pelas amplas dimens\u00f5es imag\u00e9ticas que esse texto liter\u00e1rio permite ao leitor adentrar. Marcado por frases curtas e imagens concretas \u2013 como os desfechos das diferentes personagens \u2013, o livro ganha densidades liter\u00e1ria e estil\u00edstica significativas. A posi\u00e7\u00e3o das personagens nas hist\u00f3rias possibilita um efeito de proximidade em rela\u00e7\u00e3o aos eventos que se sucedem, tornando o conjunto de contos esse mosaico representativo de uma realidade em que se pretende questionar e enfatizar omiss\u00f5es, sil\u00eancios e sobreposi\u00e7\u00f5es. A cr\u00edtica social emerge de forma espont\u00e2nea das diversas situa\u00e7\u00f5es narradas, do contraste entre discurso oficial e experi\u00eancia concreta. Isso n\u00e3o quer dizer que os contos ofere\u00e7am encerramentos conciliat\u00f3rios ou respostas definitivas e fechadas. Ao contr\u00e1rio, deixam o leitor diante de conflitos que permanecem abertos. Essa \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o formal \u2013 estrutural do texto \u2013 que refor\u00e7a o car\u00e1ter cr\u00edtico da obra liter\u00e1ria. Tais escolhas refor\u00e7am, ainda, o papel fundamental da literatura como espa\u00e7o discursivo-cultural de apresenta\u00e7\u00e3o e exposi\u00e7\u00e3o dos projetos sociais distintos em disputa, revelando suas limita\u00e7\u00f5es, contradi\u00e7\u00f5es e inconsist\u00eancias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As personagens n\u00e3o s\u00e3o al\u00e7adas a um patamar heroico ou idealizado, tampouco s\u00e3o v\u00edtimas passivas desse sistema que opera a vida coletiva e institucional. Elas tamb\u00e9m oscilam entre acomoda\u00e7\u00f5es e desejos, entre projetos e frustra\u00e7\u00f5es, entre ascens\u00f5es e recuos. Em s\u00edntese, <em>O homem vermelho<\/em> incorpora uma diversidade de aspectos pr\u00f3prios da realidade brasileira: contradi\u00e7\u00f5es, desigualdades, injusti\u00e7as, lutas cotidianas de pessoas exclu\u00eddas e marginalizadas, dualidade entre cidad\u00e3os e subcidad\u00e3os, entre campo e cidade. Mais do que narrar epis\u00f3dios isolados, o livro constr\u00f3i um arranjo cr\u00edtico em que cada conto dialoga com os demais, compondo uma vis\u00e3o integrada e panor\u00e2mica do Brasil. Em um pa\u00eds com tanta terra e tanta gente sem moradia, sem direitos fundamentais garantidos, permanece, ainda assim, um desejo de futuro nos p\u00e9s cobertos pela poeira avermelhada de quem pisa cotidianamente essas terras t\u00e3o ricas e t\u00e3o desiguais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DALCASTAGN\u00c8, Regina (2023). O conto brasileiro durante a ditadura.&nbsp;<em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, Bras\u00edlia, n. 66, p. 1-15. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/46949\">https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/46949<\/a>. Acesso em: 16 set. 2025.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NASCIMENTO, Naiara. (2009). Uma leitura da terra e do mar em Domingos Pellegrini e Miguel Sanches Neto.&nbsp;<em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, Bras\u00edlia, n. 33, p. 141-155. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/9589\">https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/9589<\/a>. Acesso em: 16 set. 2025.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-8876.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-8876\" data-foogallery=\"{&quot;panel&quot;:{&quot;buttons&quot;:{&quot;download&quot;:false}},&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false,&quot;download&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; 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O homem vermelho. S\u00e3o Paulo: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1977. Carlos Wender Sousa SilvaIlustra\u00e7\u00e3o: Julio Lapagesse A produ\u00e7\u00e3o de Domingos Pellegrini (Londrina, PR, 1949) abrange diferentes g\u00eaneros liter\u00e1rios como contos, romance e literatura infanto-juvenil. O homem vermelho, publicado em 1977, re\u00fane oito contos marcadamente realistas da literatura brasileira contempor\u00e2nea. 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