{"id":8867,"date":"2026-08-12T17:34:58","date_gmt":"2026-08-12T20:34:58","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8867"},"modified":"2026-08-12T17:36:20","modified_gmt":"2026-08-12T20:36:20","slug":"contos-negreiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8867","title":{"rendered":"Contos negreiros"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">FREIRE, Marcelino. <em>Contos negreiros<\/em>. Rio de Janeiro: Record, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Marcus Rodolfo Bringel de Oliveira<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Julio Lapagesse <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Composta por dezesseis contos (cantos, na nomenclatura escolhida pelo autor), a obra <em>Contos negreiros<\/em> (2005), lan\u00e7ada no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, estabelece, desde seu t\u00edtulo, a liga\u00e7\u00e3o entre o tr\u00e1fico de pessoas negras escravizadas durante s\u00e9culos no per\u00edodo de coloniza\u00e7\u00e3o e Imp\u00e9rio no Brasil e os efeitos e as met\u00e1foras que tal processo produz na atualidade nacional. A partir de um panorama de personagens majoritariamente perif\u00e9ricas, distribu\u00eddas por portarias de pr\u00e9dio, esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4 e viagens de \u00f4nibus, Marcelino Freire (Sert\u00e2nia, PE, 1967) d\u00e1 voz \u00e0s mais diferentes figuras, numa associa\u00e7\u00e3o dos desdobramentos da experi\u00eancia contempor\u00e2nea urbana com o passado hist\u00f3rico, sem recorrer a didatismos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escolha do termo \u201ccanto\u201d para denominar os textos que comp\u00f5em a obra evoca diretamente a epopeia, estilo liter\u00e1rio cl\u00e1ssico, que encaminha o leitor, novamente, para o passado hist\u00f3rico, indicando que o livro, desde a capa at\u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o das se\u00e7\u00f5es, perpassando a ep\u00edgrafe, tem sua origem num referencial ancestral. A capa e a quarta capa \u2013 que se mantiveram durante todas as edi\u00e7\u00f5es subsequentes \u2013 trazem o retrato de um homem negro nu, de frente e de costas, com as tarjas do t\u00edtulo e do c\u00f3digo de barras na altura da genit\u00e1lia e das n\u00e1degas, fazendo uma rela\u00e7\u00e3o direta, mas tamb\u00e9m metaf\u00f3rica, com a escravid\u00e3o: a imagem, como capa do livro, simboliza uma dupla vendagem: a da obra em si, como chamariz para o leitor sobre seu conte\u00fado, e a dos corpos negros em contextos de servid\u00e3o, hist\u00f3ricos e contempor\u00e2neos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, as ep\u00edgrafes inicial e final s\u00e3o parte da composi\u00e7\u00e3o desse panorama colonial: a primeira \u2013 \u201cBrasil, do meu amor \/ Terra de nosso sinh\u00f4\u201d \u2013 foi retirada do samba-exalta\u00e7\u00e3o \u201cAquarela do Brasil\u201d, do compositor Ary Barroso, enquanto a segunda \u2013 \u201cE se hoje ele \u00e9 branco na poesia \/ Ele \u00e9 negro demais no cora\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 \u00e9 do \u201cSamba da B\u00ean\u00e7\u00e3o\u201d, de Vinicius de Moraes e Baden Powell. Ambas adicionam certa tens\u00e3o racial, incontorn\u00e1vel na hist\u00f3ria do Brasil, \u00e0 obra, por meio da figura colonial do \u201csinh\u00f4\u201d das fazendas escravistas ou da hegemonia brancoc\u00eantrica da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, sublinhando de que maneira o livro aborda a no\u00e7\u00e3o de \u201cnegreiro\u201d sob m\u00faltiplas perspectivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No gancho das express\u00f5es po\u00e9ticas, como nas duas ep\u00edgrafes do livro, a linguagem de Freire em <em>Contos negreiros<\/em>, apesar de ser uma obra em prosa, tem sua poesia pr\u00f3pria como forma de resist\u00eancia e cr\u00edtica \u2013 retomando novamente a rela\u00e7\u00e3o com a ideia de cantos \u2013, desenvolvida principalmente a partir da oralidade. H\u00e1 um predom\u00ednio do discurso direto em quase todos os textos que comp\u00f5em a colet\u00e2nea, com pouca participa\u00e7\u00e3o de um narrador externo, deixando aos personagens o ritmo e a pros\u00f3dia da narrativa, marcada por sotaques e estruturas variadas. \u00c9 o caso, por exemplo, do primeiro conto, \u201cTrabalhadores do Brasil\u201d, constitu\u00eddo por longos per\u00edodos sem o uso de v\u00edrgulas, finalizados pela frase \u201ct\u00e1 me ouvindo bem?\u201d, opondo-se \u00e0 gram\u00e1tica normativa. A aus\u00eancia de pontua\u00e7\u00e3o e o uso repetido dessa frase final traz uma cad\u00eancia pr\u00f3pria, pr\u00f3xima do registro oral, que \u00e9 marca comum a v\u00e1rios dos textos que comp\u00f5em o livro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda na seara da linguagem oral, em \u201cTotonha\u201d, uma senhora idosa inverte o valor do ensino acad\u00eamico em seu forte discurso, destacando seu poder de falar e se comunicar oralmente como recurso humano superior \u00e0 escrita, como um saber n\u00e3o hegem\u00f4nico. A escrita, linguagem do outro, representaria as institui\u00e7\u00f5es, como a escola e o governo, distantes da realidade e da experi\u00eancia da personagem, ligada aos signos da natureza, como o fogo, o cachorro e a \u00e1gua, alheios \u00e0 escrita. A protagonista, com efeito, afirma que n\u00e3o vai baixar \u201ca cabe\u00e7a para escrever\u201d, sinal de sua postura de oposi\u00e7\u00e3o aos modelos opressores ocidentalizados e euroc\u00eantricos de conhecimento, ressaltando, assim como toda a obra, a oralidade como parte dos valores subalternizados pela l\u00f3gica colonial. \u00c9 tamb\u00e9m o espa\u00e7o escolar o tema do conto \u201cCurso superior\u201d, que tensiona a universidade como institui\u00e7\u00e3o potencialmente opressora no contexto das cotas, em um di\u00e1logo do narrador com a m\u00e3e sobre os medos daquela nova realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho lingu\u00edstico tamb\u00e9m serve como modo de se opor ao colonizador, como no texto \u201cAlem\u00e3es v\u00e3o \u00e0 guerra\u201d, que narra uma liga\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica entre Brasil e Alemanha, na qual dois conterr\u00e2neos teut\u00f4nicos conversam sobre as mulheres brasileiras, num di\u00e1logo em que o forte sotaque estrangeiro \u00e9 marcado pelo uso dobrado da letra R. Esse recurso escrito-f\u00f4nico amplia o absurdo e o rid\u00edculo do di\u00e1logo, em que um dos interlocutores convida o outro a vir ao Brasil realizar turismo sexual, justificando tal ideia como se o relacionamento com europeus fosse uma salva\u00e7\u00e3o para as \u201cnegrinhas\u201d, retomando o ide\u00e1rio colonial da branquitude como desejo dos povos racializados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A invers\u00e3o dos valores coloniais \u00e9 tema de outros contos, como \u201cSolar dos pr\u00edncipes\u201d, em que jovens negros interpelam um assustado porteiro, tamb\u00e9m negro, num pr\u00e9dio de classe m\u00e9dia, sobre a possibilidade de gravarem um document\u00e1rio a respeito da vida daqueles moradores, ironizando a atitude contr\u00e1ria, mas normalizada, quando cineastas invadem casas da favela para exotizar o modo de vida dos moradores de periferias. A simples presen\u00e7a desse grupo, ainda que do lado de fora do condom\u00ednio, \u00e9 respons\u00e1vel por tensionar o ambiente, como se representasse uma amea\u00e7a \u00e0 integridade dos espa\u00e7os que n\u00e3o deveria ocupar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse contexto de viol\u00eancia tamb\u00e9m se apresenta como cen\u00e1rio de outros textos, como \u201cEsquece\u201d, que narra um roubo pela perspectiva do assaltante, denunciando a desigualdade social e a trucul\u00eancia policial como problem\u00e1ticas que conversam diretamente com a potente ep\u00edgrafe desse conto: \u201cTodo cambur\u00e3o tem um pouco de navio negreiro\u201d, da can\u00e7\u00e3o hom\u00f4nima do grupo O Rappa. Mais uma vez, o hist\u00f3rico escravocrata se sobrep\u00f5e na narrativa, articulando presente e legado escravista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A jun\u00e7\u00e3o da invers\u00e3o da l\u00f3gica colonial ao contexto de viol\u00eancia \u00e9 ressaltada pelas po\u00e9ticas do empobrecimento, que unem a oralidade, o discurso de resist\u00eancia e o conte\u00fado inesperado de alguns dos contos. \u00c9 o caso de \u201cVanicl\u00e9lia\u201d, esp\u00e9cie de avesso de \u201cAlem\u00e3es v\u00e3o \u00e0 guerra\u201d, em que uma ex-prostituta gr\u00e1vida rememora os tempos de explora\u00e7\u00e3o sexual que viveu junto a homens estrangeiros, \u00e0s margens do aeroporto, na esperan\u00e7a de mudar de vida junto \u00e0queles que a levavam \u201cpara ser escrava\u201d. H\u00e1 tamb\u00e9m uma l\u00f3gica que beira o absurdo, mas que desafia ferozmente o discurso do senso comum, em \u201cNa\u00e7\u00e3o Zumbi\u201d, ao denunciar o descaso estatal da sa\u00fade p\u00fablica em paralelo \u00e0 viol\u00eancia policial na hist\u00f3ria de um homem que desejava vender seu rim num pa\u00eds africano. O absurdo tamb\u00e9m \u00e9 a marca do conto \u201cLinha do tiro\u201d, estruturado como di\u00e1logo circular, e de \u201cPol\u00edcia e ladr\u00e3o\u201d, em que dois amigos de inf\u00e2ncia, ap\u00f3s um assalto, veem-se baleados, rememorando suas trajet\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 espa\u00e7o ainda para o afeto em tempos negreiros a partir da perspectiva homoafetiva em tr\u00eas dos contos do livro. Em \u201cCora\u00e7\u00e3o\u201d, \u00e9 o desafeto, a impossibilidade amorosa mediada pelo sexo casual que d\u00e1 o tom da narrativa, nos encontros fortuitos em esta\u00e7\u00f5es de trem e banheiros, diante do que o protagonista vaticina: \u201cBicha devia nascer sem cora\u00e7\u00e3o\u201d. Em \u201cMeus amigos coloridos\u201d, h\u00e1 uma jornada pelos relacionamentos entre homens desde a inf\u00e2ncia, em um percurso urbano, e em \u201cMeu negro de estima\u00e7\u00e3o\u201d, o narrador apresenta o depoimento desconcertante sobre o marido negro, explorando estere\u00f3tipos sobre cultura, sexualidade e ascens\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lidando com as mais diferentes facetas da viv\u00eancia negra na realidade urbana da contemporaneidade, Freire, embora n\u00e3o fa\u00e7a refer\u00eancias diretas ao contexto escravista e aos tumbeiros, traz de modo evidente os desdobramentos da explora\u00e7\u00e3o e da desigualdade sofridas pelas pessoas negras, apresentando o racismo estrutural como dado elementar dessas viv\u00eancias. A partir de quest\u00f5es como viol\u00eancia, explora\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, o autor problematiza, em contos curtos, mas potentes, diferentes perspectivas entrecortadas pelo quesito racial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exiguidade dos textos serve, em contraponto, \u00e0 for\u00e7a expressa pelo conte\u00fado dos contos, reiterando a t\u00e9cnica do g\u00eanero discutida por J\u00falio Cort\u00e1zar em \u201cAlguns aspectos do conto\u201d (2006): no boxe dieg\u00e9tico, o romance ganha por pontos, enquanto o conto ganha por nocaute. \u00c9 a pot\u00eancia do soco final, levando \u00e0 lona em pouqu\u00edssimas linhas, que orienta as narrativas do livro. Na luta com o leitor, n\u00e3o se sabe se o golpe vem da linguagem, do conte\u00fado ou do subtexto racial. Junto ao projeto gr\u00e1fico e \u00e0s ep\u00edgrafes, os cantos negreiros constroem uma unidade que evidencia a l\u00f3gica necropol\u00edtica e um colonialismo persistente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicado em 2005, este foi o quarto livro de Marcelino Freire, escritor pernambucano radicado em S\u00e3o Paulo, autor de diversas obras, entre as quais se destacam <em>Angu de Sangue<\/em> (2000), <em>Bal\u00e9Ral\u00e9<\/em> (2003), <em>Amar \u00e9 crime<\/em> (2010) e <em>Nossos ossos<\/em> (2013). Nome expressivo da literatura contempor\u00e2nea brasileira, sua produ\u00e7\u00e3o \u00e9 reconhecida pelas tem\u00e1ticas sociais contundentes, linguagem \u00e1gil e ambienta\u00e7\u00e3o urbana, com personagens atravessados por tens\u00f5es raciais e viol\u00eancia, compondo uma marca liter\u00e1ria que evidencia as opress\u00f5es do cotidiano perif\u00e9rico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ANDRADE, Diego Souza de (2023). <em>Vozes da periferia na literatura brasileira contempor\u00e2nea:<\/em> uma an\u00e1lise da obra <em>Contos negreiros<\/em> (2005) \u00e0 luz dos Estudos Subalternos e da Teoria Queer. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras) \u2013 Universidade Federal de Pernambuco, Recife.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ARAG\u00c3O, Liana (2011). Marcelino Freire: <em>Contos negreiros<\/em>. <em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, n. 26, p. 159-162. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/9086\">https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/9086<\/a>. Acesso em: 26 set. 25.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CORT\u00c1ZAR, Julio (2006). Alguns aspectos do conto. <em>In:<\/em> CORT\u00c1ZAR, Julio. <em>Valise de cron\u00f3pio<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Davi Arrigucci Jr. e Jo\u00e3o Alexandre Barbosa. S\u00e3o Paulo: Perspectiva. p. 147-163.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">JESUS, Marcos; CAMARGO, Fl\u00e1vio (2019). Representa\u00e7\u00f5es do homem negro em <em>Contos negreiros<\/em> de Marcelino Freire. <em>Via Litterae<\/em>, An\u00e1polis, GO, n. 11, v. 2, p. 237-252. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.revista.ueg.br\/index.php\/vialitterae\/article\/view\/10645\">https:\/\/www.revista.ueg.br\/index.php\/vialitterae\/article\/view\/10645<\/a>. Acesso em 26: set. 25.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VASCONCELOS, Liana Arag\u00e3o Lira (2007). <em>Estrat\u00e9gias de atua\u00e7\u00e3o no mercado editorial:<\/em> Marcelino Freire e a Gera\u00e7\u00e3o 90. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Literatura) \u2013 Universidade de Bras\u00edlia, Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-8869.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-8869\" data-foogallery=\"{&quot;panel&quot;:{&quot;buttons&quot;:{&quot;download&quot;:false}},&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false,&quot;download&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Record-2005.avif\" data-caption-title=\"Record, 2005\" data-attachment-id=\"8870\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Record, 2005\" width=\"250\" height=\"371\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/08\/Record-2005\/1958068056.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22371%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20371%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Record, 2005<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FREIRE, Marcelino. 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