{"id":8861,"date":"2026-08-12T17:29:59","date_gmt":"2026-08-12T20:29:59","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8861"},"modified":"2026-08-12T17:29:59","modified_gmt":"2026-08-12T20:29:59","slug":"o-carro-do-exito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8861","title":{"rendered":"O carro do \u00eaxito"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">CAMARGO, Oswaldo de. <em>O carro do \u00eaxito<\/em>. S\u00e3o Paulo, Martins Fontes, 1972.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Maria Eduarda Miranda Paniago<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Julio Lapagesse<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O carro do \u00eaxito<\/em>, publicado em 1972, \u00e9 o primeiro livro de contos do escritor, cr\u00edtico e ativista Oswaldo de Camargo (Bragan\u00e7a Paulista, SP, 1936). Embora tenha sido inicialmente reconhecido por sua poesia com <em>Um homem tenta ser anjo<\/em> (1959) e <em>Quinze poemas negros<\/em> (1961), o autor causou grande impacto na literatura brasileira com sua estreia na prosa, obra que ganhou nova edi\u00e7\u00e3o em 2021, pela Companhia das Letras \u2013 com altera\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 edi\u00e7\u00e3o original. Militante do Movimento Negro desde os anos 1950, Camargo mostra em sua obra liter\u00e1ria como o enfrentamento pol\u00edtico tamb\u00e9m se trava no territ\u00f3rio liter\u00e1rio, n\u00e3o apenas por palavras de ordem, mas por um mergulho genu\u00edno e cuidadoso na interioridade de sujeitos por tanto tempo reduzidos a estere\u00f3tipos e destitu\u00eddos de subjetividade. A centraliza\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia negra \u00e9 uma das marcas de seu trabalho liter\u00e1rio e se destaca particularmente neste livro de contos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os catorze contos do livro, narrados em primeira pessoa, concentram-se sobretudo na experi\u00eancia da negritude vivida por diferentes personagens no Brasil p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o e, mais especificamente, nos c\u00edrculos de uma pequena burguesia negra ascendente na S\u00e3o Paulo dos anos 1970. O espa\u00e7o urbano \u00e9 preponderante nas narrativas, ainda que haja contos ambientados em um universo mais rural, como \u201cMaralinga\u201d, \u201cPor que fui ao Benedito Corvo\u201d e \u201cTia Genoveva\u201d. Este \u00faltimo, em sua simplicidade, contrasta com a efervesc\u00eancia cultural e intelectual da negritude brasileira presente nos enredos paulistanos da obra, concentrando-se sobretudo em tramas familiares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A consolida\u00e7\u00e3o de um pensamento afro-brasileiro \u00e9 tema fundamental nos contos, o que se pode observar a partir de elementos que reaparecem em diferentes hist\u00f3rias, como a Associa\u00e7\u00e3o Negros Contempor\u00e2neos e a revista <em>Pixaim<\/em>. Nesses n\u00facleos de conviv\u00eancia, geralmente associados a reda\u00e7\u00f5es de revistas e jornais encabe\u00e7ados pelos personagens, o leitor \u00e9 apresentado aos prazeres e \u00e0s tens\u00f5es vividos por essa popula\u00e7\u00e3o negra paulistana intelectualizada, consciente de sua condi\u00e7\u00e3o racial na sociedade brasileira. O conto \u201cFam\u00edlia\u201d, por exemplo, oferece o vislumbre de uma comunidade fortalecida de negros interessados em comunicar suas ideias e experi\u00eancias por meio de publica\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, tamb\u00e9m s\u00e3o tematizadas as diverg\u00eancias e os atritos entre os personagens negros, decorrentes de suas distintas experi\u00eancias de vida. O personagem Dami\u00e3o, protagonista do conto hom\u00f4nimo, \u00e9 um caso expressivo nesse sentido: o jovem \u00e9 tido pela sociedade como um \u201cpreto violento\u201d e tem uma atitude diante da discrimina\u00e7\u00e3o racial considerada mais reativa e intempestiva por outros colegas, dos quais se afasta, acusando-os de serem \u201cpretos burgueses\u201d. Em contraponto a Dami\u00e3o, o narrador argumenta: \u201cmas n\u00f3s quer\u00edamos encontrar a escada do \u00eaxito, nos vest\u00edamos de gravata e camisa social, \u00e9 preciso, e Dami\u00e3o n\u00e3o entendia\u201d. Nesse embate, revelam-se as diferentes estrat\u00e9gias de que disp\u00f5e a popula\u00e7\u00e3o negra para confrontar o racismo, em um jogo tenso entre o enfrentamento mais combativo e a assimila\u00e7\u00e3o mais passiva de certos contratos sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ansiando pelo \u201ccarro do \u00eaxito\u201d, os personagens tentam, cada um a seu modo, escrever com nova tinta o futuro da popula\u00e7\u00e3o negra brasileira, antes relegada ao \u201ccarro da mis\u00e9ria\u201d, como j\u00e1 escrevera M\u00e1rio de Andrade. Muitas dessas tentativas se transfiguram, no entanto, em experi\u00eancias igualmente violentas, como a separa\u00e7\u00e3o entre um menino e seu pai, narrada no conto \u201cMaralinga\u201d. Ap\u00f3s a morte da m\u00e3e, o pai, trabalhador do campo, decide entregar o garoto ao doutor Ricardo, que det\u00e9m condi\u00e7\u00e3o social abastada e afirma receb\u00ea-lo \u201ccomo filho\u201d. Em poucas p\u00e1ginas, Camargo retrata a heran\u00e7a escravocrata na ordem do dia, mascarada pela rela\u00e7\u00e3o aparentemente cordial de quem, do alto de seu poder, diz ainda hoje: \u201c\u00e9 como se fosse da fam\u00edlia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A figura do \u201cnegro excepcional\u201d tamb\u00e9m aparece em alguns contos, figura por meio da qual os personagens podem \u201cpegar carona\u201d nesse \u201ccarro do \u00eaxito\u201d. O primeiro conto, \u201cObo\u00e9\u201d, conta a hist\u00f3ria de um menino negro que, por meio de seu talento musical desenvolvido no col\u00e9gio, conquista certo prest\u00edgio tocando em eventos de fam\u00edlias ricas. Conhecedor das obras cl\u00e1ssicas da m\u00fasica ocidental, o menino \u00e9 como que apadrinhado pelo Dr. Ot\u00e1vio, membro da Associa\u00e7\u00e3o Negros Contempor\u00e2neos. O doutor v\u00ea nele uma contribui\u00e7\u00e3o para o \u201cperfazimento da Aboli\u00e7\u00e3o\u201d, numa tentativa de provar aos brancos o valor do negro por meio da pr\u00f3pria cultura branca. J\u00e1 a fam\u00edlia e os colegas do obo\u00edsta, embora compare\u00e7am sempre a suas apresenta\u00e7\u00f5es, zombam dele e de seu instrumento esdr\u00faxulo: \u201cmas isso j\u00e1 \u00e9 frescura\u201d, dizem. Grande \u00e9 a tristeza do menino ao decidir deixar para tr\u00e1s o seu querido obo\u00e9 depois que a vereadora Madalena, representante do professorado negro na c\u00e2mara, lhe explica que seu talento atrapalha a causa negra, por deixar a todos maravilhados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As contradi\u00e7\u00f5es internas n\u00e3o cessam de aparecer nas tramas do livro, evidenciando os dilemas inescapavelmente dolorosos e injustos enfrentados pelos personagens: ou precisam se esfor\u00e7ar por uma integra\u00e7\u00e3o \u00e0 branquitude, torcendo para nela serem aceitos, ou precisam se desfazer de partes constituintes de suas personalidades para corresponder \u00e0 ideia do que se espera de um negro. Saltando de caixinha em caixinha, vivem o drama de n\u00e3o poder sequer ser senhores de sua pr\u00f3pria subjetividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00fasica \u00e9, ali\u00e1s, um elemento essencial na obra, conferindo disson\u00e2ncia aos enredos, na medida em que marca o contraste entre os universos branco e negro no Brasil. O autor explora o g\u00eanero musical como manifesta\u00e7\u00e3o cultural capaz de materializar as diferen\u00e7as sociorraciais enraizadas no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O interesse de Camargo pela m\u00fasica precede, na verdade, sua carreira liter\u00e1ria: na juventude, estudou harmonia e \u00f3rg\u00e3o no semin\u00e1rio que frequentou, onde tamb\u00e9m come\u00e7ou a ler e escrever poesia. Outras marcas biogr\u00e1ficas s\u00e3o percept\u00edveis no livro, como as refer\u00eancias a col\u00e9gios crist\u00e3os \u2013 presentes, por exemplo, no conto \u201cMedo\u201d \u2013 e \u00e0 cidade de Bragan\u00e7a, que chamam aten\u00e7\u00e3o em \u201cDeodato\u201d, o que leva parte da fortuna cr\u00edtica do autor a classificar sua obra como exemplo de escrita autoficcional. Segundo \u00c9rica Luciana de Souza Silva (2021), os narradores do livro \u201ctra\u00e7am o perfil de Camargo, indo do menino filho de catadores de caf\u00e9 no interior paulista, passando por orfanatos e conventos, at\u00e9 chegar no ponto em que se encontra hoje: um intelectual e escritor negro reconhecido pela cr\u00edtica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Funcionem ou n\u00e3o os narradores como alteregos do autor, certo \u00e9 que, por meio de suas hist\u00f3rias, Camargo encena os grandes dilemas de uma parcela da popula\u00e7\u00e3o negra brasileira, j\u00e1 h\u00e1 muito alforriada, mas que come\u00e7a com mais afinco a liberar-se mentalmente dos grilh\u00f5es que lhe foram impostos. Tudo isso potencializado pelo autoritarismo que se impunha ao Brasil \u00e0 \u00e9poca, com a Ditadura Militar. No conv\u00edvio entre os seus, os personagens encontram diverg\u00eancias e acolhimento. Circulando na sociedade, encontram a persist\u00eancia do racismo nas m\u00ednimas sutilezas, assim como nas mais escancaradas situa\u00e7\u00f5es. Entre as v\u00e1rias linhas de for\u00e7a que motivavam a literatura brasileira dos anos 1970, a obra de Camargo evidencia \u2013 de forma depurada e sem escorregar para o panflet\u00e1rio \u2013 algumas de suas principais caracter\u00edsticas: o engajamento pol\u00edtico e a resist\u00eancia. Vale sublinhar, ali\u00e1s, a sua participa\u00e7\u00e3o na primeira edi\u00e7\u00e3o dos <em>Cadernos Negros<\/em>, em 1978, publica\u00e7\u00e3o que reuniu colabora\u00e7\u00f5es de diversos intelectuais negros em enfrentamento ao regime militar. Assim, <em>O carro do \u00eaxito<\/em> reflete o compromisso \u00e9tico e c\u00edvico assumido pelo autor em toda a sua atividade liter\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com uma linguagem simples e objetiva, o autor desenvolve um estilo pr\u00f3prio capaz de dar conta das subjetividades complexas de cada personagem sem reduzi-los a tipos esquem\u00e1ticos. Nesse sentido, a obra herda algo da concep\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Machado de Assis, explicada por ele mesmo no c\u00e9lebre ensaio \u201cInstinto de Nacionalidade\u201d, na medida em que p\u00f5e em cena quest\u00f5es fundamentais da sociedade brasileira por meio da rela\u00e7\u00e3o entre caracteres e acontecimentos do enredo, mais do que pela aposta na cria\u00e7\u00e3o de uma cor local artificial e difusa. Assim, a obra de Oswaldo de Camargo continua a ter muito a oferecer \u00e0 atual literatura brasileira e a seus leitores, uma vez que maneja com precis\u00e3o a tematiza\u00e7\u00e3o dos problemas nacionais sem deixar de lado o cuidado formal e estil\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, \u00c9rica Luciana de Souza (2021). A escrita (auto)ficcional de Oswaldo de Camargo em <em>O carro do \u00eaxito<\/em>. <em>Literafro<\/em>: O portal da literatura afro-brasileira. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.letras.ufmg.br\/literafro\/resenhas\/ficcao\/1632-oswaldo-de-camargo-o-carro-do-exito\">http:\/\/www.letras.ufmg.br\/literafro\/resenhas\/ficcao\/1632-oswaldo-de-camargo-o-carro-do-exito<\/a>. Acesso em: 10 set. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Mario Augusto Medeiros da (2021). Busca na vida rota. <em>In<\/em>: CAMARGO, Oswaldo de. <em>O carro do \u00eaxito<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras. p. 9-16.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SOUZA FILHO, Vinebaldo Aleixo de (2012). O carro do \u00eaxito<em> e Oswaldo de Camargo<\/em>: a literatura de um negro em transi\u00e7\u00e3o. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Sociologia) \u2013 Universidade Estadual de Campinas, Campinas. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/repositorio.unicamp.br\/acervo\/detalhe\/856035\">https:\/\/repositorio.unicamp.br\/acervo\/detalhe\/856035<\/a>. Acesso em: 10 set. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-8863.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-8863\" data-foogallery=\"{&quot;panel&quot;:{&quot;buttons&quot;:{&quot;download&quot;:false}},&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false,&quot;download&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Martins-Fontes-1972.avif\" data-caption-title=\"Martins Fontes, 1972\" data-attachment-id=\"8865\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Martins Fontes, 1972\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Martins-Fontes-1972.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Martins Fontes, 1972<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Companhia-das-Letras-2021.avif\" data-caption-title=\"Companhia das Letras, 2021\" data-attachment-id=\"8864\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Companhia das Letras, 2021\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/08\/Companhia-das-Letras-2021\/656101754.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Companhia das Letras, 2021<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CAMARGO, Oswaldo de. 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