{"id":8855,"date":"2026-08-12T17:23:12","date_gmt":"2026-08-12T20:23:12","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8855"},"modified":"2026-08-12T17:23:12","modified_gmt":"2026-08-12T20:23:12","slug":"dupla-exposicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8855","title":{"rendered":"Dupla exposi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">VIDAL, Paloma. <em>Dupla exposi\u00e7\u00e3o<\/em>. Rio de Janeiro: Anfiteatro, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Edmon Neto<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Carolina Vigna<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicado em 2016 pelo selo Anfiteatro, da editora Rocco, <em>Dupla exposi\u00e7\u00e3o<\/em> \u00e9 um livro de contos assinado por Paloma Vidal (Buenos Aires, Argentina, 1975) em colabora\u00e7\u00e3o com a fot\u00f3grafa Elisa Pessoa. Composta por narrativas nas quais a palavra escrita e a imagem desempenham pap\u00e9is de igual relev\u00e2ncia no processo criativo, a obra produz significados desde a sua organiza\u00e7\u00e3o interna at\u00e9 a sua materialidade editorial, conduzindo o leitor a uma experi\u00eancia est\u00e9tica e liter\u00e1ria singular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dupla exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma t\u00e9cnica fotogr\u00e1fica cl\u00e1ssica que sobrep\u00f5e duas imagens capturadas em instantes distintos, fundindo-as para formar uma terceira, in\u00e9dita e h\u00edbrida. O que no passado era frequentemente visto como uma falha nos fotogramas das c\u00e2meras anal\u00f3gicas, hoje constitui um recurso est\u00e9tico amplamente explorado por meios digitais. Em <em>Dupla exposi\u00e7\u00e3o<\/em>, as fotografias de Elisa Pessoa \u2013 que flertam com o aspecto fantasmag\u00f3rico de t\u00e9cnicas como o holograma \u2013 n\u00e3o funcionam como meras ilustra\u00e7\u00f5es ou tradu\u00e7\u00f5es visuais do texto de Vidal. Como aponta Maria Esther Maciel (2016) no pref\u00e1cio, elas estabelecem uma \u201crela\u00e7\u00e3o inst\u00e1vel\u201d que intensifica a carga gr\u00e1fica e visual do livro. Participando ativamente das narrativas, as imagens criam zonas de afinidade e disson\u00e2ncia: ora afirmam e negam o que est\u00e1 sendo contado, ora se intercalam entre os cap\u00edtulos para acrescentar camadas de sentido, antecipando ou retomando os enredos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o por acaso, a prosa de Vidal apropria-se dessa l\u00f3gica fotogr\u00e1fica para construir hist\u00f3rias experimentais baseadas no entrecruzamento de linguagens, mem\u00f3rias e suportes art\u00edsticos. Coment\u00e1rios narrativos s\u00e3o interpolados a cita\u00e7\u00f5es, di\u00e1logos, descri\u00e7\u00f5es de exposi\u00e7\u00f5es, \u00e1lbuns de fam\u00edlia e exerc\u00edcios imaginativos de toda ordem. Nesse processo, a mem\u00f3ria \u2013 imposs\u00edvel de ser capturada em sua totalidade \u2013 \u00e9 justaposta a um presente ficcional, controlado por uma voz narrativa que costura os nove textos do volume. A t\u00e9cnica liter\u00e1ria da escritora prioriza o informe, a incompletude, o fragmento e a fus\u00e3o entre o real e o imagin\u00e1rio, resultando em uma performance textual que exige do leitor confian\u00e7a e certa per\u00edcia. Soma-se a isso o projeto gr\u00e1fico da edi\u00e7\u00e3o: o formato quadrado remete imediatamente \u00e0s antigas c\u00e2meras populares de meados do s\u00e9culo XX, como a Kodak Instamatic e a Polaroid. O livro, portanto, informa a partir de sua pr\u00f3pria estrutura f\u00edsica, reivindicando para si o status de livro-objeto ou de livro de artista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo de sa\u00edda, em \u201c<em>Please come flying<\/em>\u201d (Por favor venha voando), a narradora nos convida a ler fragmentos de <em>Esfor\u00e7os do afeto <\/em>(1996), na tradu\u00e7\u00e3o de Paulo Henriques Britto para a obra de Elizabeth Bishop. Trata-se de um relato em que a escritora estadunidense aborda sua rela\u00e7\u00e3o com a poeta Marianne Moore. A narradora-leitora de Vidal debru\u00e7a-se sobre a incerteza e a ambiguidade que permeiam o texto de Bishop, situado na fronteira entre a \u201cdelicadeza\u201d e o \u201cmelindre\u201d. Evitando o tom categ\u00f3rico, a narradora utiliza a marca discursiva \u201cleio\u201d ao longo das cita\u00e7\u00f5es, chamando a aten\u00e7\u00e3o para detalhes que passariam despercebidos em uma leitura desatenta. Ela aponta n\u00e3o apenas o que escapa pela voz do inconsciente, mas tamb\u00e9m o que se formula explicitamente: \u201cManeiras e moral; maneiras em forma de moral? Ou ser\u00e1 moral em forma de maneiras?, murmura Bishop\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Procedimento narrativo semelhante ocorre em \u201cSempre a partida\u201d, conto inspirado no trabalho do fot\u00f3grafo Rog\u00e9rio Reis. Entrecruzado aos coment\u00e1rios da narradora, surge um di\u00e1logo, digno de uma cena cinematogr\u00e1fica, motivado por uma discuss\u00e3o de ordem aparentemente gramatical entre as express\u00f5es \u201cque a gente pudesse\u201d e \u201cse a gente pudesse\u201d. Trata-se da rela\u00e7\u00e3o tensionada de um homem e uma mulher, \u201cuma intimidade pegajosa entre os dois. Quase um incesto\u201d, mas que \u00e9 marcada, sobretudo, pela imin\u00eancia da perda. O que se passa entre os dois \u00e9 constru\u00eddo por meio de sil\u00eancios, pausas e interdi\u00e7\u00f5es comunicativas, forjando uma atmosfera sugestiva, on\u00edrica e incerta em torno da frase misteriosa que intitula a hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Destacam-se tamb\u00e9m os textos que nos deslocam para outras paisagens, carregando a mesma sensa\u00e7\u00e3o de \u201csobreposi\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 neste caso, gerando um imediato estranhamento geogr\u00e1fico e lingu\u00edstico. Em \u201cTavistock Square\u201d, nome de um quarteir\u00e3o no centro de Londres, acompanhamos o desamparo de uma brasileira casada com um ingl\u00eas, \u00e0s voltas com a dupla nacionalidade do filho (\u201ccomo um esquilo, mas mais assustado\u201d) gerado por essa uni\u00e3o. J\u00e1 em \u201cEFA\u201d, inspirado em uma carta de Daniela Andersson para o projeto <em>Utopia.doc<\/em>, da diretora Christiane Jatahy, a rela\u00e7\u00e3o de uma imigrante brasiliense com sua namorada alem\u00e3 em Frankfurt aborda n\u00e3o apenas a homoafetividade e as tens\u00f5es sociais decorrentes dela, mas o cl\u00e1ssico conflito entre o nativo (estabelecido) e o estrangeiro (<em>outsider<\/em>). A protagonista, sentindo-se vigiada em um clube de nata\u00e7\u00e3o, prop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre a nossa permeabilidade. Embora as respostas da namorada soem \u00e1speras (\u201c<em>Wie im Krieg<\/em>\u201d \u2013 como na guerra), o conto sugere a busca por uma utopia: a possibilidade de mudar de l\u00edngua e recome\u00e7ar \u201ccomo algu\u00e9m que d\u00e1 a primeira bra\u00e7ada numa piscina\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caminho distinto segue \u201c<em>Un petit noir comme celui-l\u00e0<\/em>\u201d (Um negrinho como esse a\u00ed). Desde o princ\u00edpio, a esperan\u00e7a do menino Fabiano Santos de receber cartas do pai, preso no Brasil, \u00e9 frustrada pelas negativas do carteiro em Paris, onde o garoto vive e estuda. \u201cVoc\u00ea sabe que seu pai n\u00e3o pode te escrever, n\u00e3o \u00e9?\u201d, sentencia a m\u00e3e em certa altura. A frase, alinhada ao t\u00edtulo do conto, induz o leitor a projetar um cen\u00e1rio de racismo em solo europeu. No entanto, o texto subverte essa expectativa, surpreendendo o leitor quanto \u00e0 verdadeira v\u00edtima da inj\u00faria. A manobra narrativa mobiliza o imagin\u00e1rio sobre as popula\u00e7\u00f5es negras e exp\u00f5e as armadilhas de seus preconceitos internalizados. Na imagem de Elisa Pessoa que acompanha o conto, h\u00e1 uma placa desfocada da <em>Rue de Tolbiac<\/em> \u2013 local onde Fabiano mora \u2013 justaposta \u00e0 figura de uma crian\u00e7a branca com trajes de inverno, refor\u00e7ando visualmente a quebra de paradigma do texto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"245\" height=\"209\" sizes=\"(max-width: 245px) 100vw, 245px\" src=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Dupla-exposicao.avif\" alt=\"\" class=\"wp-image-8857\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No conto \u201c10 exerc\u00edcios para\u201d, tudo converge para as particularidades \u2013 e, por vezes, para a impossibilidade de representa\u00e7\u00e3o \u2013 de uma gesta\u00e7\u00e3o em que se espera uma menina. \u201cSe tivesse uma menina compraria para ela uma fantasia de princesa?\u201d. A partir de fragmentos, a narradora investiga o que se pode fazer, pensar e sentir antes e depois da chegada da filha. Debate-se o significado de ser mulher e as ra\u00edzes da avers\u00e3o ao feminino na sociedade, ilustrada pela men\u00e7\u00e3o ao caso ver\u00eddico de Romeo Clarke, o menino brit\u00e2nico proibido de frequentar a escola de vestido por \u201cconfundir as outras crian\u00e7as\u201d. Antes mesmo do nascimento, a narradora conclui, com precis\u00e3o cortante, que o que ela realmente n\u00e3o precisava era de um homem em sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maternidade tamb\u00e9m atravessa \u201c<em>Sun in an empty room<\/em>\u201d (Sol numa sala vazia), conto cujo lirismo adv\u00e9m de um not\u00e1vel esfor\u00e7o imaginativo. A narradora joga com a possibilidade de ter visitado uma exposi\u00e7\u00e3o do pintor Edward Hopper no Grand Palais, em Paris, entre 2012 e 2013. A visita real n\u00e3o ocorreu porque o filho de sete anos n\u00e3o poderia acompanh\u00e1-la devido ao frio e ao hor\u00e1rio avan\u00e7ado. O texto, ent\u00e3o, projeta essa ida \u00e0 galeria com o menino e conjectura um encontro ocasional com Josephine, a esposa do artista (aqui poeticamente recriada). \u00c9 essa figura que guia a visita imagin\u00e1ria, fornecendo os detalhes mais preciosos sobre a vida e a obra de Hopper, culminando na constata\u00e7\u00e3o de que \u201cas crian\u00e7as sabem mais do que n\u00f3s sobre a alegria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Dupla exposi\u00e7\u00e3o<\/em> n\u00e3o apenas reflete a fus\u00e3o entre a arte e a vida, mas desafia diretamente as conven\u00e7\u00f5es da leitura por meio de seu formato f\u00edsico, de suas imagens fantasmag\u00f3ricas e da prosa fragmentada de Paloma Vidal. O efeito de sobreposi\u00e7\u00e3o, inerente \u00e0 t\u00e9cnica fotogr\u00e1fica, \u00e9 amplificado pelas rela\u00e7\u00f5es inst\u00e1veis entre texto e imagem, convocando o leitor a participar ativamente da montagem narrativa. Se a literatura contempor\u00e2nea tem exigido uma aten\u00e7\u00e3o redobrada diante do hibridismo de suportes, obras como esta ensinam, na pr\u00e1tica, o axioma formulado por Marshall McLuhan (1969) nos anos 1960: o meio \u00e9, indubitavelmente, a mensagem. Um olhar atento aos gestos est\u00e9ticos de Vidal e Pessoa \u00e9 um exerc\u00edcio indispens\u00e1vel para os amantes da intersec\u00e7\u00e3o entre arte, materialidade e literatura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BISHOP, Elizabeth (1996). <em>Esfor\u00e7os do afeto<\/em>: e outras hist\u00f3rias. Tradu\u00e7\u00e3o: Paulo Henriques Britto. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">JATAHY, Christiane. <em>Utopia.doc<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/christianejatahy.com\/en\/creation\/utopia-en\/\">https:\/\/christianejatahy.com\/en\/creation\/utopia-en\/<\/a>. Acesso em: 18 set. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MACIEL, Maria Esther (2016). Pref\u00e1cio. <em>In<\/em>: VIDAL, Paloma. <em>Dupla exposi\u00e7\u00e3o<\/em>. Rio de Janeiro: Anfiteatro. p. 6-7.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MCLUHAN, Marshall (1969). O meio \u00e9 a Mensagem. <em>In<\/em>: MCLUHAN, Marshall: <em>Os Meios de Comunica\u00e7\u00e3o como extens\u00f5es do homem<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultrix.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-8858.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-8858\" data-foogallery=\"{&quot;panel&quot;:{&quot;buttons&quot;:{&quot;download&quot;:false}},&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false,&quot;download&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Anfiteatro-2016.avif\" data-caption-title=\"Anfiteatro, 2016\" data-attachment-id=\"8859\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Anfiteatro, 2016\" width=\"250\" height=\"247.66355140187\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Anfiteatro-2016.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22247.66355140187%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20247.66355140187%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Anfiteatro, 2016<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VIDAL, Paloma. 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