{"id":8425,"date":"2026-06-12T22:05:06","date_gmt":"2026-06-13T01:05:06","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8425"},"modified":"2026-07-06T11:56:43","modified_gmt":"2026-07-06T14:56:43","slug":"blue-jeans","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8425","title":{"rendered":"Blue Jeans"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">WILDE, Zeno; BRAGAN\u00c7A, Wanderley Aguiar. <em>Blue Jeans<\/em>: uma pe\u00e7a s\u00f3rdida. Rio de Janeiro: Luna, 1980. (Nova Dramaturgia Brasileira, volume IV.) <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Daiane Nara de Oliveira<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Manuela Dib<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Blue Jeans<\/em>: uma pe\u00e7a s\u00f3rdida, escrita por Zeno Wilde (Aquidauana, MS, 1947 \u2013 S\u00e3o Paulo, SP, 1998) em parceria com Wanderley Aguiar Bragan\u00e7a (s.d.)*, irrompe no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980 como retrato contundente da prostitui\u00e7\u00e3o masculina nas grandes cidades brasileiras. Resultado de mais de sessenta horas de pesquisa em pontos de prostitui\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo, o texto teatral retrata o cotidiano de jovens travestis e garotos de programa que encontram, nas madrugadas das metr\u00f3poles, uma forma de sobreviv\u00eancia e de pertencimento social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhecido como \u201cdramaturgo dos desvalidos\u201d, Zeno Wilde firma, com <em>Blue Jeans<\/em>, a sua entrada no circuito da dramaturgia brasileira contempor\u00e2nea depois de passar pela Escola de Arte Dram\u00e1tica (EAD), em S\u00e3o Paulo. A pe\u00e7a se tornou rapidamente o texto mais divulgado do autor, circulando por montagens em diferentes capitais e ganhando, em 1991, uma vers\u00e3o musical dirigida pelo autor e diretor Wolf Maya , que refor\u00e7a o di\u00e1logo entre teatro popular, cultura de massa e den\u00fancia social. Ao lado de dramaturgos como Pl\u00ednio Marcos em seus textos teatrais como <em>Navalha na Carne<\/em> (1967) e <em>Abajur Lil\u00e1s<\/em> (1969), Wilde adota como premissa um estilo liter\u00e1rio que desloca para o centro do palco personagens tradicionalmente empurrados para as bordas da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrutura de <em>Blue Jeans<\/em> radicaliza esse gesto de deslocamento. Em vez de dialogarem entre si, os personagens se apresentam, um a um, a um terceiro, o Dono do Apartamento, uma figura silenciosa, sem fala, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 a de exclusivamente escutar, coletar depoimentos e registrar em fita cassete para tornar p\u00fablicas as confiss\u00f5es daqueles jovens. Esse recurso faz da cena um misto de consult\u00f3rio, confession\u00e1rio, delegacia e programa de audit\u00f3rio, no enredo que se constr\u00f3i a partir da sequ\u00eancia de mon\u00f3logos como um mosaico fragmentado de hist\u00f3rias em que o fio de continuidade \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 narrativo, mas sobretudo afetivo: s\u00e3o corpos, sotaques, culturas, cren\u00e7as, medos e desejos que se reconhecem uns nos outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Serginho, Francisco, Marcos e Renguitem s\u00e3o, na verdade, r\u00f3tulos para indicar de forma did\u00e1tica a percep\u00e7\u00e3o do leitor\/espectador sobre as hist\u00f3rias que se intercruzam, mas a decis\u00e3o de dar o mesmo nome civil (Luiz Carlos Soares) a todos os personagens \u00e9 certamente um dos elementos formais de maior destaque na pe\u00e7a. Esse elemento apresenta as identidades que se desdobram entre o interior e a capital, entre a fam\u00edlia e a rua, entre a masculinidade prescritiva e a travestilidade performada. O efeito \u00e9 o de uma biografia coletiva, uma vez que, ao narrar a pr\u00f3pria trajet\u00f3ria e as suas limita\u00e7\u00f5es, afli\u00e7\u00f5es e dificuldades, cada personagem comenta tamb\u00e9m a hist\u00f3ria dos demais, como se <em>Blue Jeans<\/em> perguntasse o tempo todo quantos Luiz Carlos Soares cabem em um pa\u00eds que insiste em fingir n\u00e3o os conhecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O espa\u00e7o c\u00eanico tamb\u00e9m acompanha essa l\u00f3gica: um apartamento com decora\u00e7\u00e3o de \u201cbom gosto\u201d, representando um territ\u00f3rio de conforto e poder econ\u00f4mico e ao mesmo tempo um espa\u00e7o \u00fanico que se desdobra entre planos como rua, mem\u00f3ria e unidade da Febem (hoje, Funda\u00e7\u00e3o Casa). Essa divis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas geogr\u00e1fica, mas tamb\u00e9m social porque traduz, no pr\u00f3prio desenho do cen\u00e1rio, a dist\u00e2ncia entre a promessa de ascens\u00e3o econ\u00f4mica ligada ao consumo (roupas e t\u00eanis de marca, dinheiro etc.) e a realidade de exclus\u00e3o de jovens que migram de cidades do interior em busca do chamado \u201csonho urbano\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como caleidosc\u00f3pio social a partir de diferentes perspectivas sobre a vida das personagens marginalizadas, em <em>Blue Jeans<\/em> Wilde n\u00e3o trata esses jovens apenas como \u201cv\u00edtimas do sistema\u201d, mas como sujeitos que elaboram, com a linguagem que t\u00eam, um pensamento sobre o pa\u00eds e sobre si mesmos. Nas falas, a prostitui\u00e7\u00e3o aparece menos como destino tr\u00e1gico e mais como escolha condicionada, uma alternativa de sobreviv\u00eancia a empregos mal pagos, \u00e0 falta de escolariza\u00e7\u00e3o, \u00e0 aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas e \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica. Quando Marcos afirma ao dono do apartamento que lhe parece mais humilhante trabalhar oito horas por um sal\u00e1rio m\u00ednimo do que vender o pr\u00f3prio corpo por algumas horas, o texto provoca no leitor uma reflex\u00e3o sobre par\u00e2metros morais e sobre a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho como uma forma igualmente brutal de explora\u00e7\u00e3o: \u201cE n\u00e3o vamos falar em dignidade, t\u00e1? Trabalhando algumas horas por dia, eu tiro quinhentos, \u00e0s vezes at\u00e9 uma milha, na maior tranquilidade. Fa\u00e7a as contas por semana. Agora fa\u00e7a por m\u00eas. Voc\u00ea me arruma um emprego decente onde eu possa ganhar um ordenado parecido? Quer saber de uma coisa? Falta de dignidade \u00e9 trabalhar oito horas por dia em troca de sal\u00e1rio m\u00ednimo. Falta de dignidade \u00e9 comer marmita fria. \u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pe\u00e7a trabalha, de maneira contundente, quest\u00f5es ligadas \u00e0 sexualidade, \u00e0 travestilidade e \u00e0s identidades dissidentes, mas sem recorrer a um exotismo folclorizante ou depreciativo. As travestis e os garotos de programa de <em>Blue Jeans<\/em> n\u00e3o s\u00e3o caricaturas engra\u00e7adas, nem vil\u00f5es perigosos: s\u00e3o adolescentes e\/ou jovens adultos que pensam, se apaixonam, temem a morte e os perigos urbanos, negociam com a pol\u00edcia, disputam territ\u00f3rio e constroem redes de apoio em nome da pr\u00f3pria solidariedade. Ao lhes conceder protagonismo em tempo de cena, densidade psicol\u00f3gica e capacidade de argumentar, os autores confrontam uma tradi\u00e7\u00e3o teatral que, quando acolhia personagens homossexuais ou travestis, frequentemente os confinava ao lugar da piada ou da san\u00e7\u00e3o moral. Nesse sentido, <em>Blue Jeans<\/em> \u00e9 vision\u00e1ria ao antecipar debates que, d\u00e9cadas depois, se afirmariam nas discuss\u00f5es sobre direitos LGBTQIA+ e representatividade no teatro brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 importante ressaltar que <em>Blue Jeans<\/em> \u00e9 um reflexo de um momento de transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre o endurecimento final da ditadura militar e a abertura que levaria \u00e0 redemocratiza\u00e7\u00e3o do Brasil nos anos 1980. Diante disso, a chamada \u201cd\u00e9cada perdida\u201d, marcada pela crise econ\u00f4mica, pela infla\u00e7\u00e3o e pelos altos \u00edndices de desemprego, \u00e9 tamb\u00e9m um per\u00edodo de pluraliza\u00e7\u00e3o de tend\u00eancias art\u00edsticas e de reconfigura\u00e7\u00e3o do campo cultural brasileiro. Em <em>Blue Jeans<\/em>, essa complexidade se traduz na tens\u00e3o entre a promessa de um \u201cnovo Brasil\u201d e a persist\u00eancia de estruturas de exclus\u00e3o que mant\u00eam determinados corpos entre o anonimato da periferia e a visibilidade espetacularizada dos esc\u00e2ndalos policiais. O gravador em cena (que registra as confiss\u00f5es dos rapazes e pode, a qualquer momento, ser levado \u201cpara os jornais, para o r\u00e1dio, para a televis\u00e3o\u201d) condensa essa ambiguidade: a mesma m\u00eddia que d\u00e1 voz \u00e9 aquela que captura, recorta e consome essas vidas como mercadoria sensacionalista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista est\u00e9tico, <em>Blue Jeans<\/em> articula um naturalismo de fei\u00e7\u00e3o documental que \u00e9 refor\u00e7ado pela pesquisa de campo feita pelos autores, entremeando momentos de lirismo, humor e crueldade. A linguagem \u00e9 violenta, marcada por g\u00edrias e palavr\u00f5es, mas, por outro lado, tamb\u00e9m contempla imagens po\u00e9ticas que revelam as aspira\u00e7\u00f5es desses jovens para al\u00e9m da frieza do cotidiano. A pe\u00e7a se aproxima, assim, de um \u201cteatro-reportagem\u201d que combina depoimentos, colagem de cenas em um ritmo sincr\u00f4nico, tanto que a sua adapta\u00e7\u00e3o em musical, produzida nos anos 1990, n\u00e3o limita, mas enfatiza, a voca\u00e7\u00e3o de <em>Blue Jeans<\/em> para intertextualidades entre entre dramaturgia, can\u00e7\u00e3o popular e cultura urbana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No panorama da dramaturgia brasileira dos anos 1980, cr\u00edticos como S\u00e1bato Magaldi e Alberto Guzik destacaram a relev\u00e2ncia de autores que escolheram olhar para as \u201cchagas sociais\u201d (viol\u00eancia policial, abandono de menores, desigualdade social) como mat\u00e9ria teatral leg\u00edtima. Portanto, \u00e9 nesse contexto que <em>Blue Jeans<\/em> pode ser lida: como texto teatral que abre caminho para uma trilogia do marginal que \u00e9 retomada, em Wilde, nos textos <em>Uma li\u00e7\u00e3o longe demais<\/em> (1985) e <em>Anjos de Guarda<\/em> (1987) e que dialoga com um teatro interessado em questionar a moderniza\u00e7\u00e3o excludente do pa\u00eds a partir dos seus sujeitos mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao revisitar <em>Blue Jeans<\/em> hoje, mais de quatro d\u00e9cadas ap\u00f3s a sua publica\u00e7\u00e3o, percebe-se que a pe\u00e7a ultrapassa a condi\u00e7\u00e3o de registro hist\u00f3rico da marginalidade urbana para assumir o papel de ferramenta de leitura do Brasil contempor\u00e2neo. O texto de Wilde e Bragan\u00e7a se sustenta n\u00e3o apenas pela for\u00e7a dos depoimentos que organiza, mas pela forma como transforma essas vozes em dispositivo de an\u00e1lise das rela\u00e7\u00f5es entre cidade, desejo, viol\u00eancia e desigualdade. Nesse sentido, a dramaturgia ecoa para al\u00e9m de seu tempo: convida o leitor\/espectador a reconhecer que as fissuras sociais expostas no palco n\u00e3o pertencem apenas ao passado, mas continuam estruturando imagin\u00e1rios, pol\u00edticas e modos de circula\u00e7\u00e3o de corpos no espa\u00e7o p\u00fablico. <em>Blue Jeans<\/em> reafirma, assim, o potencial do teatro de interrogar as zonas cinzentas da vida brasileira e de iluminar territ\u00f3rios que permanecem \u00e0 margem da narrativa oficial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">OLIVEIRA, Daiane Nara de (2013). <em>O universo teatral de Zeno Wilde<\/em>: uma biografia marginal. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Ci\u00eancias da Linguagem) \u2013 Universidade do Sul de Santa Catarina, Palho\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WILDE, Zeno (2024). Biografia. <em>Enciclop\u00e9dia Ita\u00fa Cultural<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/enciclopedia.itaucultural.org.br\/pessoas\/22429-zeno-wilde\">https:\/\/enciclopedia.itaucultural.org.br\/pessoas\/22429-zeno-wilde<\/a>. Acesso em: 14 nov. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GUZIK, Alberto (1992). Um exerc\u00edcio de mem\u00f3ria: dramaturgia brasileira anos 80. <em>Revista USP<\/em>, n. 14, p. 10-15, jun.\/ago.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FUNDA\u00c7\u00c3O NACIONAL DE ARTES (FUNARTE).<em> Arquivo Luiz Carlos Ripper<\/em>. Rio de Janeiro: Centro de Documenta\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o da Funarte (CEDOC). Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/atom.funarte.gov.br\/index.php\/arquivo-luiz-carlos-ripper-1\">https:\/\/atom.funarte.gov.br\/index.php\/arquivo-luiz-carlos-ripper-1<\/a>. Acesso em: 12 jun. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">*Sobre Wanderley Aguiar Bragan\u00e7a (s.d.), coautor de <em>Blue Jeans<\/em>, s\u00e3o escassas as informa\u00e7\u00f5es biogr\u00e1ficas dispon\u00edveis em acervos e bases especializadas. Sua atua\u00e7\u00e3o como dramaturgo, contudo, \u00e9 documentada pela autoria compartilhada de <em>Blue Jeans,<\/em> com Zeno Wilde (1947-1998) e pela pe\u00e7a <em>A bela e a fera ou A ferida grande demais<\/em>, escrita em parceria com Raul Orofino (1961-) e registrada no Arquivo Luiz Carlos Ripper, sob guarda da Funda\u00e7\u00e3o Nacional das Artes (Funarte).&nbsp;A limitada documenta\u00e7\u00e3o sobre sua trajet\u00f3ria evidencia um caso de rarefa\u00e7\u00e3o documental que contrasta com a relev\u00e2ncia hist\u00f3rica da obra da qual participou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-8424.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-8424\" data-foogallery=\"{&quot;panel&quot;:{&quot;buttons&quot;:{&quot;download&quot;:false}},&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false,&quot;download&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Luna-1980.avif\" data-caption-title=\"Luna, 1980\" data-attachment-id=\"8427\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Luna, 1980\" width=\"250\" height=\"369\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/06\/Luna-1980\/3892921349.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22369%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20369%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Luna, 1980<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>WILDE, Zeno; BRAGAN\u00c7A, Wanderley Aguiar. 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