{"id":8419,"date":"2026-07-06T12:12:43","date_gmt":"2026-07-06T15:12:43","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8419"},"modified":"2026-07-06T12:14:05","modified_gmt":"2026-07-06T15:14:05","slug":"apareceu-a-margarida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8419","title":{"rendered":"Apareceu a Margarida"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">ATHAYDE, Roberto. <em>Apareceu a Margarida<\/em>. Rio de Janeiro: Bras\u00edlia, 1973.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Fabiana Prudente e Emerson Maia Jr.<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Esp\u00edrito Objeto<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerada a pe\u00e7a precursora do teatro do absurdo no Brasil, <em>Apareceu a Margarida<\/em> (1973) \u00e9 um mon\u00f3logo tragic\u00f4mico de grande sucesso do dramaturgo, escritor e tradutor carioca Roberto Athayde (Rio de Janeiro, RJ, 1949), escrito em 1971 e estreado em solo brasileiro em 5 de setembro de 1973, no Teatro Ipanema do Rio de Janeiro, com Mar\u00edlia P\u00eara no papel da professora Dona Margarida e sob dire\u00e7\u00e3o de Aderbal Freire Filho. A publica\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a em livro, realizada no fim de 1973, celebrava a cent\u00e9sima encena\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo que rendeu \u00e0 atriz o Pr\u00eamio Atriz Revela\u00e7\u00e3o e o Pr\u00eamio Moli\u00e8re, de grande prest\u00edgio no teatro da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O enredo de <em>Apareceu a Margarida<\/em> se desenvolve em torno da professora esquizofr\u00eanica Margarida, que se prop\u00f5e a dar uma aula sobre \u201cos fatos da vida\u201d, ao mesmo tempo em que distorce, de forma ir\u00f4nica e pol\u00eamica, conte\u00fados did\u00e1ticos que transitam entre o cient\u00edfico, o moral e o pol\u00edtico. Essa estrutura dramat\u00fargica \u00e9 tensionada pela quebra da quarta parede: a plateia \u00e9 convocada a ocupar a posi\u00e7\u00e3o de alunado, submetida a uma condi\u00e7\u00e3o de espectador passivo e silencioso diante da autoridade da personagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em entrevista, Athayde (2007) comenta como sua rela\u00e7\u00e3o conturbada com o sistema de ensino brasileiro o levou a pensar na trama. Filho do cronista imortal Austreg\u00e9silo Athayde, ent\u00e3o presidente da Academia Brasileira de Letras e representante do Brasil na Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos, Athayde nutria ambi\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias desde a inf\u00e2ncia, quando preferia decorar os versos de <em>Os Lus\u00edadas<\/em>, ao inv\u00e9s da tabuada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s ser expulso de tr\u00eas col\u00e9gios, o jovem Athayde passou a ser educado em casa e, com 17 anos, foi estudar no exterior, em interc\u00e2mbio pelas universidades de Sorbonne, na Fran\u00e7a, onde estudou m\u00fasica, e em Michigan, nos Estados Unidos, onde escreveu seu primeiro conto, em l\u00edngua inglesa: \u201cJohnathan\u2019s Friend\u201d. Foi quando retornou ao Brasil, em 1971, que, ao se deparar com a pol\u00edtica repressora imposta pela Ditadura Militar, decidiu escrever teatro e, com 21 anos, j\u00e1 contava com cinco textos (<em>O reacion\u00e1rio, Um visitante do Alto<\/em>, <em>Manual de sobreviv\u00eancia na selva<\/em>, <em>Apareceu a Margarida<\/em> e <em>No fundo do s\u00edtio<\/em>), que hoje integram a colet\u00e2nea <em>As pe\u00e7as precoces \u2013 Apareceu a Margarida e outras<\/em>, publicada pela editora Nova Fronteira em 2003.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando redigiu <em>Apareceu a Margarida<\/em>, Athayde decidiu que n\u00e3o escreveria mais nada enquanto n\u00e3o conseguisse colocar um trabalho seu em cartaz. E foi justamente este texto que se tornou, em 1973, a pe\u00e7a de estreia do autor \u2013 e tamb\u00e9m a mais famosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira vers\u00e3o do texto trazia outro t\u00edtulo: <em>A esquizofasia did\u00e1tica ou Do que aterra, Margarida<\/em>, fazendo refer\u00eancia ao Hino Nacional Brasileiro e ao sintoma de esquizofrenia apresentado no falar confuso, fragmentado e incoerente da personagem do mon\u00f3logo, que tratava de conceitos comuns do ensino em um contexto desfigurado, ao dizer, por exemplo, na aula de hist\u00f3ria, que \u201crevolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nada\u201d e nunca existiu; ou, na aula de biologia, quando afirmava que \u201cmicr\u00f3bio \u00e9 algo que mata e ningu\u00e9m v\u00ea\u201d; e, na aula de matem\u00e1tica, ao ensinar que divis\u00e3o \u00e9 o que ocorre quando \u201cum fica com tudo e outros com nada\u201d. Tais conte\u00fados fazem men\u00e7\u00f5es ostensivas \u00e0 \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d de 64 (como a chamavam os militares), \u00e0s mortes silenciosas e aos desaparecimentos de perseguidos pol\u00edticos, bem como aos privil\u00e9gios militares que acentuavam a desigualdade no Brasil, fazendo de <em>Apareceu a Margarida<\/em> uma met\u00e1fora para a ditadura (Correia, 2013).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De fato, Athayde deixou claro que buscou, em <em>Apareceu a Margarida<\/em>, aproximar a figura da professora de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e0 imagem do ditador: \u201ca fus\u00e3o dessa ditadura militar e a minha hist\u00f3ria de aluno expulso da escola pela terceira vez, a opress\u00e3o que eu senti nos col\u00e9gios, a mesma opress\u00e3o que causou o meu total desajuste escolar, isso tudo deu origem a <em>Apareceu a Margarida<\/em>\u201d, como disse em entrevista a Kaufmann (2007). Assim, Athayde criou um texto visceral com uma personagem forte e contradit\u00f3ria, que oscila entre o moralismo maternal e a opress\u00e3o violenta, com rompantes de autoritarismo e que s\u00f3 se limita perante Deus. \u00c9 o que se verifica em v\u00e1rias cenas em que Dona Margarida vocifera contra os alunos (a plateia) e interrompe a pr\u00f3pria fala em assombro, questionando se havia algu\u00e9m chamado Jesus, Messias ou Esp\u00edrito Santo, as \u00fanicas autoridades acima dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que o Brasil se encontrava sob a opress\u00e3o da Ditadura Militar instaurada pelo Golpe de 1964, agravada pelo decreto do Ato Institucional n\u00ba 5 (AI-5), em per\u00edodo que ficou conhecido como \u201canos de chumbo\u201d, a par\u00f3dia do Hino Nacional Brasileiro, que aparecia no t\u00edtulo daquela vers\u00e3o e em diversas cenas do espet\u00e1culo, foi vetada pela censura em um processo controverso que, em primeira avalia\u00e7\u00e3o, liberou o texto com cortes para estreia e o retirou de cartaz logo ap\u00f3s a primeira semana. Levou um m\u00eas de negocia\u00e7\u00f5es entre o produtor Nelson Motta e a Divis\u00e3o de Censura de Divers\u00f5es P\u00fablicas do Departamento da Pol\u00edcia Federal \u2013 DCDP\/DPF para que a pe\u00e7a voltasse a ser encenada, em 18 de outubro de 1973, com versos da cantiga de Guarabyra \u201capareceu a Margarida ol\u00ea ol\u00ea ol\u00e1\u201d no lugar do Hino (Maia Jr., 2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A euforia em torno da encena\u00e7\u00e3o \u2013 sua retirada de cartaz e seu posterior retorno ao teatro \u2013, somada \u00e0 presen\u00e7a ilustre de diversos imortais da Academia Brasileira de Letras nas cadeiras de convidados do espet\u00e1culo e ao trabalho exemplar de Aderbal Freire Filho e de Mar\u00edlia P\u00eara contribu\u00edram para o sucesso de bilheteria e de cr\u00edtica que levaram <em>Apareceu a Margarida<\/em> a ficar em cartaz por dez anos. A pe\u00e7a \u00e9 encenada at\u00e9 os dias atuais e j\u00e1 foi traduzida para mais de cinco l\u00ednguas, sendo considerada um dos textos teatrais brasileiros mais encenados no mundo, consagrado por atrizes como Annie Girardot, na Fran\u00e7a, sob dire\u00e7\u00e3o de Jorge Lavelli, em 1974; Anna Proclemer, na It\u00e1lia, dirigida por Giorgio Albertazzi, em 1975; e Estelle Parsons, nos Estados Unidos, dirigida pelo pr\u00f3prio Athayde, em 1977.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, o primeiro ator interessado em encenar <em>Apareceu a Margarida<\/em> foi Lu\u00eds de Lima, em 1971, conforme noticiado em <em>O Jornal<\/em>, que destacou a pe\u00e7a como uma aproxima\u00e7\u00e3o ao chamado \u201cTeatro do Absurdo\u201d \u2013 g\u00eanero ent\u00e3o associado a nomes como Ionesco e Beckett, do qual Lima j\u00e1 havia sido divulgador no pa\u00eds (Correia, 2013). Prestes a estrear o espet\u00e1culo, Lima sofreu um grave acidente durante as grava\u00e7\u00f5es de <em>Miss\u00e3o: Matar<\/em> e, impossibilitado de atuar, chegou a propor que ficasse com a dire\u00e7\u00e3o da montagem, com Leila Diniz no papel da professora; por\u00e9m, a morte prematura da atriz em um acidente a\u00e9reo fez com que o projeto n\u00e3o se concretizasse (Athayde, 1973). A cren\u00e7a de que a pe\u00e7a estava \u201camaldi\u00e7oada\u201d levou Athayde a se afastar do Brasil por um per\u00edodo, estreando a obra pela primeira vez na Argentina, sob o t\u00edtulo <em>Se\u00f1orita Gloria<\/em>, com tradu\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio autor e interpreta\u00e7\u00e3o de Marilu Marini (Correia, 2013).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal percurso inicial, marcado por percal\u00e7os, evidencia a tens\u00e3o da obra com o contexto de sua recep\u00e7\u00e3o e refor\u00e7a sua vincula\u00e7\u00e3o ao \u201cabsurdismo\u201d: a figura da professora que imp\u00f5e normas arbitr\u00e1rias, o jogo de linguagem que desestabiliza a comunica\u00e7\u00e3o e a circularidade das situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o recursos que, \u00e0 \u00e9poca, foram lidos como caracter\u00edsticos desse teatro. N\u00e3o por acaso, Athayde classificou a pe\u00e7a como uma \u201ctragicom\u00e9dia\u201d, posto que a viol\u00eancia simb\u00f3lica exercida pela professora se alterna com momentos de comicidade, em um registro que faz rir e inquieta ao mesmo tempo. Esse efeito se intensifica com o desfecho tr\u00e1gico da narrativa \u2013 quando a aparente comicidade se converte em amea\u00e7a expl\u00edcita \u00e0 vida da turma \u2013, consolidando a s\u00edntese entre riso e desconforto e contribuindo para compreender a singularidade de <em>Apareceu a Margarida<\/em> em sua estreia e na hist\u00f3ria do teatro brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com um cen\u00e1rio relativamente simples (uma mesa de professor, uma cadeira e um quadro negro), um roteiro linear e monotem\u00e1tico (uma aula do in\u00edcio ao fim, intercalada por um intervalo para recreio, oferecida a uma turma do \u00faltimo ano do prim\u00e1rio) e uma \u00fanica atriz,<em> Apareceu a Margarida<\/em> conseguiu conquistar diversos pr\u00eamios e p\u00fablicos. O espet\u00e1culo lan\u00e7ou o estreante autor Roberto Athayde como dramaturgo com um texto pol\u00eamico e inovador, fruto de um teatro de resist\u00eancia que rapidamente ganhou notoriedade da cr\u00edtica, como disse Yan Michalski no <em>Jornal do Brasil<\/em>, em 1973: \u201cem nenhum outro palco do Rio o teatro, no momento, est\u00e1 cumprindo t\u00e3o bem a sua miss\u00e3o de nos sacudir, nos desafiar a pensar, nos divertir violentamente, e enriquecer a nossa vis\u00e3o das coisas da vida\u201d (Athayde, 1973).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ATHAYDE, Roberto (2003). <em>As pe\u00e7as precoces:<\/em> \u201cApareceu a Margarida\u201d e outras. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ATHAYDE, Roberto (2007). <em>Nem s\u00f3 de \u201cApareceu a Margarida\u201d vive um grande intelectual<\/em>. [Entrevista concedida a] Arlete Kaufmann. Not\u00edcias su\u00ed\u00e7as para os meios internacionais. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.sncweb.ch\/portugues\/entrevistas-p\/roberto-athayde_2007.htm\">http:\/\/www.sncweb.ch\/portugues\/entrevistas-p\/roberto-athayde_2007.htm<\/a>. Acesso em: 17 fev. 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CORREIA, Fabiana Prudente (2013). O <em>desabrochar de uma flor em tempos de repress\u00e3o: <\/em>edi\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica filol\u00f3gica de <em>Apareceu a Margarida<\/em>, de Roberto Athayde. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Literatura e Cultura) \u2013 Universidade Federal da Bahia, Salvador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MAIA JUNIOR, Emerson (2025). <em>Teatro em tempos de ditadura militar<\/em>: acervo e cr\u00edtica filol\u00f3gica dos documentos de censura da pe\u00e7a <em>Apareceu a Margarida<\/em>, de Roberto Athayde. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Literatura e Cultura) \u2013 Universidade Federal da Bahia, Salvador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MICHALSKI, Yan (1973).&nbsp;<em>Jornal do Brasil<\/em>, 27-29&nbsp;set. 1973. Caderno B.&nbsp;<em>In<\/em>:&nbsp;ATHAYDE, Roberto.&nbsp;<em>Apareceu a Margarida<\/em>. Rio de Janeiro: Bras\u00edlia, 1973. p. 14-15.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-8420.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-8420\" data-foogallery=\"{&quot;panel&quot;:{&quot;buttons&quot;:{&quot;download&quot;:false}},&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false,&quot;download&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Brasilia-1973.avif\" data-caption-title=\"Bras\u00edlia, 1973\" data-attachment-id=\"8422\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Bras\u00edlia, 1973\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/06\/Brasilia-1973\/3610265940.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Bras\u00edlia, 1973<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Nova-Fronteira-2003.avif\" data-caption-title=\"Nova Fronteira, 2003\" data-attachment-id=\"8421\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Nova Fronteira, 2003\" width=\"250\" height=\"435\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/06\/Nova-Fronteira-2003\/2871406497.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22435%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20435%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Nova Fronteira, 2003<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ATHAYDE, Roberto. 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