{"id":8378,"date":"2026-06-15T22:32:07","date_gmt":"2026-06-16T01:32:07","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8378"},"modified":"2026-07-06T11:24:57","modified_gmt":"2026-07-06T14:24:57","slug":"perola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8378","title":{"rendered":"P\u00e9rola"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">RASI, Mauro. <em>P\u00e9rola<\/em>. Rio de Janeiro: Record, 1995.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Lu\u00eds Francisco Wasilewski<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Rafael Trinco<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Texto de Mauro Perroca Rasi (Bauru, SP, 1949 \u2013 Rio de Janeiro, RJ, 2003), <em>P\u00e9rola<\/em> foi publicado no mesmo ano da estreia do espet\u00e1culo, que aconteceu no dia 24 de mar\u00e7o de 1995, no Teatro Leblon, Rio de Janeiro. A dire\u00e7\u00e3o dessa montagem foi do pr\u00f3prio autor, que desde <em>A estrela do lar<\/em>, encenada em 1994, passou a dirigir suas cria\u00e7\u00f5es. <em>P\u00e9rola<\/em> foi um dos espet\u00e1culos de maior sucesso de p\u00fablico e cr\u00edtica do teatro brasileiro na d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro texto dram\u00e1tico de Rasi a ter repercuss\u00e3o foi <em>O duelo do caos morto<\/em>, escrito e encenado por ele em Bauru, quando tinha treze anos. O diretor de teatro e depois apresentador de TV Ant\u00f4nio Abujamra se entusiasmou de tal maneira com o espet\u00e1culo que levou nomes como Alcides Nogueira, Consuelo de Castro e S\u00e9rgio Mamberti para assistir \u00e0 montagem no interior de S\u00e3o Paulo. A partir da\u00ed, na d\u00e9cada seguinte foram encenadas em S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro outras pe\u00e7as suas, como <em>A massagem <\/em>(1972); <em>Ladies na madrugada <\/em>(1974) e <em>Se minha empregada falasse <\/em>(1978).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, \u00e9 em 1980, quando come\u00e7ou uma parceria afetiva e criativa com Vicente Pereira na com\u00e9dia musical <em>As mil e uma encarna\u00e7\u00f5es de Pompeu Loredo<\/em>, dirigida por Jorge Fernando, que o trabalho de Rasi como autor teatral passou a ganhar notoriedade. Foi na cr\u00edtica para esta pe\u00e7a que Macksen Luiz criou o r\u00f3tulo \u201cbesteirol\u201d para definir um espet\u00e1culo teatral (Marinho, 2004). O termo ent\u00e3o passou a se referir a um conjunto de esquetes, cenas e pe\u00e7as do per\u00edodo marcadas pelas piadas, pelos jogos de palavras e situa\u00e7\u00f5es nonsense, em que abundavam situa\u00e7\u00f5es que convocam o deleite com a ambiguidade sexual e o coment\u00e1rio \u00e1cido-jocoso a comportamentos cotidianos. Depois de outras contribui\u00e7\u00f5es para o g\u00eanero, come\u00e7ou Rasi a escrever com\u00e9dias dram\u00e1ticas sobre seu universo familiar. A primeira foi <em>A cerim\u00f4nia do adeus <\/em>(1987). Na sequ\u00eancia vieram <em>A estrela do lar <\/em>(1989) e <em>Viagem a Forli <\/em>(1993). Nessa trilogia, as personagens que representavam o <em>alter<\/em> <em>e<\/em><em>go<\/em> do dramaturgo receberam o nome de Juliano como personagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em entrevista, o dramaturgo afirma que o projeto inicial de <em>P\u00e9rola<\/em> era falar da constru\u00e7\u00e3o da piscina de sua casa, mas mudou seu foco ap\u00f3s a morte de sua m\u00e3e, que tamb\u00e9m se chamava P\u00e9rola. N\u00e3o \u00e0 toa, a primeira fala do texto \u00e9 da personagem que representa o <em>alter ego<\/em> de Rasi, dessa vez nomeado como Em\u00edlio, comunicando ao leitor\/espectador o falecimento de sua m\u00e3e. A partir disso, as mem\u00f3rias familiares de Em\u00edlio come\u00e7am a ser representadas em cena de forma n\u00e3o linear. Seguem o fluxo das lembran\u00e7as do protagonista: ora como mem\u00f3rias da adolesc\u00eancia; ora como fatos que antecederam os \u00faltimos dias da vida da personagem-t\u00edtulo. Como a pe\u00e7a n\u00e3o \u00e9 realista, o escritor tamb\u00e9m colocou di\u00e1logos do seu <em>alter<\/em> ego falando com a m\u00e3e sobre quem esteve presente no seu enterro, recheando a situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica de estranheza e lirismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 passagens da pe\u00e7a que apresentam tra\u00e7os do que depois se mostraria ser um verdadeiro estilo rasiano. Os di\u00e1logos de P\u00e9rola com a personagem Norma assumem certo virtuosismo, sobretudo quando come\u00e7am a enumerar, de forma ao mesmo tempo dram\u00e1tica e c\u00f4mica, seus problemas de sa\u00fade. Em <em>P\u00e9rola<\/em>, o escritor levou ao paroxismo essa caracter\u00edstica, ao colocar tamb\u00e9m a presen\u00e7a, atrav\u00e9s de uma voz <em>off<\/em>, da m\u00e3e da personagem-t\u00edtulo que, no decorrer da pe\u00e7a, come\u00e7a a gritar que vai morrer. Tal interven\u00e7\u00e3o provoca um alvoro\u00e7o no n\u00facleo familiar, que chama sempre o Doutor Henrique em socorro, o qual nunca aparece fisicamente em cena, mas \u00e9 recorrentemente lembrado e invocado pelas personagens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro tra\u00e7o rasiano s\u00e3o as discuss\u00f5es aparentemente banais, que ocorrem em momentos como a prepara\u00e7\u00e3o de um churrasco, e servem para que o escritor fa\u00e7a uma radiografia familiar e aborde temas densos como o alcoolismo da m\u00e3e ou o fanatismo evang\u00e9lico da irm\u00e3 e do cunhado. Tamb\u00e9m aparece transl\u00facido o conflito do <em>alter ego<\/em> de Rasi com a repress\u00e3o sexual imposta por P\u00e9rola, o que, segundo ele, teria dificultado sua rela\u00e7\u00e3o afetiva com as mulheres. Nesse ponto, o autor retoma uma caracter\u00edstica de sua dramaturgia que j\u00e1 estava presente em seu texto <em>A cerim\u00f4nia do adeus <\/em>(1987), no qual, a m\u00e3e, Asp\u00e1zia, queima os livros de Simone de Beauvoir lidos pelo filho e chama a escritora de \u201cvagabunda francesa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, uma caracter\u00edstica marcante s\u00e3o as frequentes cita\u00e7\u00f5es f\u00edlmicas nos di\u00e1logos das personagens ao longo da pe\u00e7a. Elas constroem um permanente intertexto na dramaturgia ao coloc\u00e1-la em di\u00e1logo direto com enredos, tipos e modas que permeavam a cultura popular da \u00e9poca. H\u00e1 alus\u00f5es, por exemplo, a pel\u00edculas como <em>Apertem os cintos&#8230; O piloto sumiu!<\/em> (1980). Al\u00e9m disso, como a a\u00e7\u00e3o do texto ocorre em torno da piscina e a personagem P\u00e9rola ambicionava ser uma <em>pin-up<\/em>, tamb\u00e9m s\u00e3o lembrados os filmes aqu\u00e1ticos de Esther Williams. P\u00e9rola diz em uma fala que \u201cminha vida parecia que ia ser um longa metragem da Metro\u201d. Pode-se dizer, inclusive, que o cinema seria uma das principais fontes de inspira\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica e de constru\u00e7\u00e3o de personagens para a \u201cSant\u00edssima Z\u00e9 Trindade do Teatro Besteirol\u201d, express\u00e3o criada por Miguel Falabella para se referir a ele, Rasi e Vicente Pereira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ali\u00e1s, a l\u00f3gica de espelhamento e a intimidade com que os dramaturgos se referiam a si pr\u00f3prios d\u00e3o um sentimento de coer\u00eancia \u00e0s produ\u00e7\u00f5es do g\u00eanero. N\u00e3o \u00e0 toa, h\u00e1 um di\u00e1logo no texto de Rasi que era recorrente na obra dos escritores besteirolistas: \u201cP\u00e9rola: Acabar com esta casa em formato de funil, s\u00f3 sobra este quintal pra gente poder respirar. T\u00f4 pensando em trazer aquela parede pra c\u00e1, empurrar a outra pra l\u00e1&#8230; Em\u00edlio: Mam\u00e3e, voc\u00ea pensa que parede tem roda?\u201d. Esta express\u00e3o, \u201cparede n\u00e3o tem roda\u201d, j\u00e1 aparecia no esquete de Vicente Pereira, <em>Eu viverei amanh\u00e3<\/em>, que integrava o espet\u00e1culo <em>Miguel Falabella e Guilherme Karam<\/em>, <em>finalmente juntos e finalmente ao vivo <\/em>(1984).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dessas constantes tiradas c\u00f4micas, como a citada anteriormente, que contribuem para dar o tom da pe\u00e7a, h\u00e1 passagens de forte carga melodram\u00e1tica, como quando a personagem P\u00e9rola faz sua irm\u00e3 contar a raz\u00e3o pela qual ficou cadeirante. A cena, que promove verdadeiro corte no fluxo acelerado dos di\u00e1logos c\u00f4micos, ganha aqui um ritmo outro, recorrendo a imagens de forte apelo sentimental. Isso mostra, mais uma vez, o di\u00e1logo \u00edntimo do besteirol com as tradi\u00e7\u00f5es folhetinistas \u2013 o pr\u00f3prio Rasi foi cronista do <em>Jornal do Brasil<\/em> e <em>O Globo<\/em> e era comum em seus textos coment\u00e1rios sat\u00edricos sobre telenovelas como as mexicanas <em>A usurpadora <\/em>(1998) e <em>A alma n\u00e3o tem cor <\/em>(1997), que eram exibidas pelo Sistema Brasileiro de Televis\u00e3o (SBT).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A encena\u00e7\u00e3o de <em>P\u00e9rola<\/em>, sob dire\u00e7\u00e3o do autor, ficou cinco anos em cartaz no Brasil. Durante quatro anos foi a maior bilheteria do teatro brasileiro (Wasilewski, 2009). Tornou-se um divisor de \u00e1guas na trajet\u00f3ria art\u00edstica de Vera Holtz, que interpretou a personagem-t\u00edtulo. Em 1997, estreou uma montagem argentina da pe\u00e7a, intitulada <em>Perla<\/em> e protagonizada por Soledad Silveyra. No mesmo ano, a atriz espanhola Carmen Maura viajou com a equipe da turn\u00ea do espet\u00e1culo brasileiro, pois estava interessada em encenar o texto na Espanha, fato que acabou n\u00e3o se concretizando. Em sua biografia, o ator S\u00e9rgio Mamberti, int\u00e9rprete de Vado, lembrou o sucesso da encena\u00e7\u00e3o brasileira: \u201cP\u00e9rola foi um acontecimento, era a fam\u00edlia brasileira retratada de forma sublime. Vera teve o grande papel de sua carreira e ganhou os principais pr\u00eamios do ano. Mod\u00e9stia \u00e0 parte, tamb\u00e9m trabalhei muito bem e recebi os pr\u00eamios Mambembe e Sharp. Fui tomado inteiramente pelo Vado, algo que aconteceu poucas vezes durante a minha trajet\u00f3ria\u201d (2021).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2022, <em>P\u00e9rola<\/em> chegou aos cinemas em uma adapta\u00e7\u00e3o dirigida por Murilo Ben\u00edcio, com Drica Moraes interpretando a personagem-t\u00edtulo. No filme, a personagem Em\u00edlio ganhou o nome de Mauro e a homossexualidade foi explicitada: Mauro vai ao vel\u00f3rio da m\u00e3e acompanhado de seu namorado. A concep\u00e7\u00e3o est\u00e9tica da pel\u00edcula remete ao cinema de Pedro Almod\u00f3var, cineasta espanhol que teve em muitas de suas obras Carmen Maura como protagonista. Mesmo com situa\u00e7\u00f5es, di\u00e1logos e refer\u00eancias que com frequ\u00eancia parecem vincular <em>P\u00e9rola<\/em> a um universo espec\u00edfico dos anos 1980 e 1990, toda essa trajet\u00f3ria dramat\u00fargica mostra como a intensidade das personagens, a comicidade dos di\u00e1logos e a for\u00e7a das situa\u00e7\u00f5es melodram\u00e1ticas ali constru\u00eddas ainda possuem vigor e atualidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MAMBERTI, S\u00e9rgio; ALVES J\u00daNIOR, Dirceu (2021). <em>Senhor do meu tempo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es SESC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MARINHO, Fl\u00e1vio (2004). <em>Quem tem medo de besteirol?<\/em> Rio de Janeiro: Relume Dumar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RASI, Mauro (1994). Novela, jamais! [Entrevista concedida a] Elda Priami. <em>Interview<\/em>, S\u00e3o Paulo, n. 178, p. 78.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WASILEWSKI, Lu\u00eds Francisco (2009). <em>Isto \u00e9 Besteirol: <\/em>a obra dramat\u00fargica de Vicente Pereira no \u00e2mbito do Teatro Besteirol. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Literatura Brasileira) \u2013 Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WASILEWSKI, Lu\u00eds Francisco (2015). <em>A receita do sucesso do dramaturgo no Teatro Besteirol: <\/em>o estudo da comicidade na obra dramat\u00fargica de Mauro Rasi entre os anos 1978 e 1985. Tese (Doutorado em Literatura Brasileira) \u2013 Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-8379.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-8379\" data-foogallery=\"{&quot;panel&quot;:{&quot;buttons&quot;:{&quot;download&quot;:false}},&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false,&quot;download&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Captura-de-tela-2026-06-01-152747.avif\" data-caption-title=\"Record, 1995\" data-attachment-id=\"8380\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Record, 1995\" width=\"250\" height=\"382\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/06\/Captura-de-tela-2026-06-01-152747\/74125448.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22382%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20382%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Record, 1995<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RASI, Mauro. 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