{"id":8329,"date":"2026-06-24T12:35:13","date_gmt":"2026-06-24T15:35:13","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8329"},"modified":"2026-07-06T11:23:17","modified_gmt":"2026-07-06T14:23:17","slug":"agreste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8329","title":{"rendered":"Agreste"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">MORENO, Newton. Agreste. <em>In<\/em>: MORENO, Newton. <em>Agreste. Body Art. A refei\u00e7\u00e3o.<\/em> S\u00e3o Paulo: Cole\u00e7\u00e3o Palco Sur Sc\u00e8ne, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Rafael Masotti<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o:<\/em> <em>L\u00e9o Tavares<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na altura em que <em>Agreste<\/em> estreou nos palcos com a Cia. Raz\u00f5es Inversas, em 2004, sob a dire\u00e7\u00e3o de Marco Aur\u00e9lio, houve, n\u00e3o sem raz\u00e3o, um <em>frisson<\/em> prolongado em torno de uma esp\u00e9cie dramat\u00fargica rara que acabava de nascer, epis\u00f3dio que garantiu ao dramaturgo pernambucano Newton Moreno (Recife, PE, 1968) lugar cativo nas primeiras p\u00e1ginas do teatro brasileiro. No decorrer dos anos seguintes, <em>Agreste<\/em>, uma das mais impactantes f\u00e1bulas representadas \u00e0 \u00e9poca, foi sendo legitimada tanto pela Academia quanto pela cena teatral do pa\u00eds, com in\u00fameras encena\u00e7\u00f5es que ainda hoje fazem o Nordeste renascer em outros cantos. Em 2009, a obra foi publicada em edi\u00e7\u00e3o bil\u00edngue, portugu\u00eas-franc\u00eas, ao lado de <em>Body Art<\/em> e <em>A refei\u00e7\u00e3o<\/em>, projetos do mesmo autor que tamb\u00e9m investigam temas e tabus relativos aos limites do corpo e da identidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao dar um passo atr\u00e1s na trajet\u00f3ria do autor, \u00e9 poss\u00edvel encontrar produ\u00e7\u00f5es consideradas por leitores mais conservadores como lascivas e obscenas, como \u00e9 o caso de <em>Deus sabia de tudo e n\u00e3o fez nada<\/em> (2001) e <em>Dentro<\/em> (2002). Ainda envolto nos labirintos da sexualidade, <em>Agreste <\/em>iniciava uma segunda fase, agora com as marcas de um retorno ao Nordeste. Entretanto, nem s\u00f3 de lux\u00farias e nostalgias vive um dramaturgo, e Moreno bem parece n\u00e3o caber nesses limites. Mestre e doutor em Artes C\u00eanicas pela Universidade de S\u00e3o Paulo, na biografia p\u00f3s-<em>Agreste<\/em> ele trabalhou em pe\u00e7as inspiradas em Nelson Rodrigues, Clarice Lispector, Chico Buarque e Edu Lobo; fez miniss\u00e9rie para a televis\u00e3o, escreveu mais textos autorais, desenvolveu parcerias com artistas afamados e discutiu, em di\u00e1logo com Shakespeare, desde ditadura e liberdade na Am\u00e9rica Latina em <em>Sue\u00f1o <\/em>(2021) at\u00e9 poder e territ\u00f3rio em <em>ORioLEAR<\/em> (2025), sempre atento \u00e0 pulsa\u00e7\u00e3o social do Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seu t\u00edtulo, <em>Agreste (Malva-Rosa)<\/em> n\u00e3o d\u00e1 pistas do enredo que ir\u00e1 apresentar, mas condensa uma met\u00e1fora dos movimentos de oposi\u00e7\u00e3o e ambiguidade que perpassam toda a pe\u00e7a. De um lado, <em>Agreste<\/em> remete, ainda que de forma caricatural, a uma geografia in\u00f3spita e ao masculino de aspecto mais r\u00fastico; de outro, <em>Malva-Rosa<\/em>, a uma fina flor e ao feminino de contornos delicados, pueris. Contudo, \u00e9 evidente que h\u00e1 delicadeza e vida agreste no agreste; h\u00e1 flores brutas, espinhosas \u2013 a malva-rosa, por exemplo, \u00e9 uma planta\/flor resistente ao sol. Alus\u00f5es dessa ordem n\u00e3o passam despercebidas quando no\u00e7\u00f5es bin\u00e1rias de g\u00eanero (masculino versus<em> <\/em>feminino) est\u00e3o essencialmente em xeque. Dos enigmas do t\u00edtulo, vale anotar aqui mais um: os par\u00eanteses e o nome da flor t\u00eam sido suprimidos na maioria das encena\u00e7\u00f5es desde a publica\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a. Mas <em>Agreste <\/em>\u00e9 mais agreste sem malvas-rosas?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas rubricas iniciais da obra, indica-se que o texto deve servir como uma pr\u00e1tica c\u00eanica, \u201cum exerc\u00edcio de narrativa para um ator-contador (uma atriz-contadora)\u201d. Descreve-se tamb\u00e9m que o ator\/atriz \u201cpode assumir todas as outras personagens, a vi\u00fava, o padre, o delegado e as vozes dos moradores\u201d. Essa indica\u00e7\u00e3o objetiva garante de sa\u00edda as aberturas e o car\u00e1ter ficcional do texto teatral; trata-se de um jogo de assumido simulacro, mesmo que o registro das personagens no papel tenha partido de hist\u00f3rias de pessoas de carne e osso da regi\u00e3o Nordeste. Cabe notar que os embates entre fic\u00e7\u00e3o e realidade tamb\u00e9m aparecem nas demandas de representatividade no teatro, caracter\u00edstica recorrente das artes na atualidade, que acompanham nesse ponto o debate p\u00fablico. Nesse cen\u00e1rio, quem pode, de fato, representar as personagens de <em>Agreste<\/em>? Eis uma quest\u00e3o que a encena\u00e7\u00e3o certamente precisar\u00e1 enfrentar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa \u00e9 conduzida por um(a) velho(a) contador(a) de hist\u00f3rias, ao redor de uma fogueira, que rememora a vida de dois sertanejos envolvidos em um jogo er\u00f3tico-amoroso: \u201cEle andava muito para encontr\u00e1-la. Mas quando se viam, ficavam, no m\u00ednimo, a cinco metros de dist\u00e2ncia\u201d. Inicialmente, as personagens n\u00e3o t\u00eam nomes definidos \u2013 eram chamadas de Seu Z\u00e9 e de Dona Maria; posteriormente, descobrimos que o nome dele \u00e9 Etevaldo. Na exposi\u00e7\u00e3o do enredo, sem di\u00e1logos, a aproxima\u00e7\u00e3o entre eles acontece por olhares, gestos e movimentos introvertidos. Essas<strong> <\/strong>figuras inocentes (\u201cuma crian\u00e7a brincando onde n\u00e3o devia\u201d), at\u00e9 animalizadas (\u201ceram t\u00edmidas como caramujo\u201d), viviam separadas por uma cerca em uma regi\u00e3o de seca des\u00e9rtica, um \u201creino de areia e de sede\u201d. Aos poucos, elas v\u00e3o se achegando sob a severidade de um sol escaldante, mas tamb\u00e9m guia desses nossos protagonistas. Por muito tempo, seguiram assim, tanto hesitantes quanto resistentes com o cortejo: \u201cEla deixava um peda\u00e7o de chita do vestido, ele amarrava na enxada\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o sabendo o que o destino lhes reservava, atravessaram a cerca, o deserto e fugiram para viver juntos como marido e mulher, em um pequeno povoado distante. Como um press\u00e1gio da trag\u00e9dia iminente, o(a) contador(a) adianta que \u201ctinha alguma coisa no amor deles que n\u00e3o devia acontecer. Mas aconteceu\u201d. Cabe lembrar que, quando a primeira montagem foi apresentada na Alemanha, a cerca fez o p\u00fablico recordar-se do muro de Berlim; antes da queda, em meio \u00e0 Guerra Fria, quem cruzasse o muro poderia receber como recompensa a morte. A condi\u00e7\u00e3o funesta de amor proibido, na cria\u00e7\u00e3o de Moreno, ecoa a incapacidade de comunica\u00e7\u00e3o entre as pessoas e os muros que continuam dividindo os povos, comprovando, a cada dia, que nem todos t\u00eam permiss\u00e3o para viver em qualquer lugar ou de acordo com quem s\u00e3o. Portanto, <em>Agreste <\/em>est\u00e1 tamb\u00e9m em toda a parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trajet\u00f3ria da pe\u00e7a \u00e9 feita de saltos temporais, de modo que a trama po\u00e9tica nos conduz logo para a cena da morte de Etevaldo, que teria ocorrido vinte e dois anos depois. Enquanto as vizinhas cantam as t\u00edpicas incel\u00eancias das carpideiras e vestem com<em> <\/em>\u201cindisfar\u00e7\u00e1vel contentamento\u201d o marido, descobre-se algo que altera bruscamente os rumos da hist\u00f3ria \u2013 a identidade do homem vivo entra em conflito com o corpo do homem morto. Etevaldo carregava em segredo na carne uma condi\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica natural; diante do fato exposto, o de que n\u00e3o tem o \u00f3rg\u00e3o sexual masculino (\u201cMenina, cad\u00ea a bilola?\u201d), vem o decreto incisivo da comunidade inflamada: \u201cO marido dela \u00e9 f\u00eamea!!\u201d. Na ocasi\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 qualquer espa\u00e7o para discuss\u00f5es a respeito de sexualidades e identidades&#8230; Com efeito, a nova certeza desperta o \u00f3dio e a repulsa da popula\u00e7\u00e3o, com quem o casal havia vivido sempre em aparente harmonia. Essa reviravolta traz novos movimentos que culminam em um desfecho inesperado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narra\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria \u00e9 feita, dessa forma, por meio de uma gram\u00e1tica reconhec\u00edvel, colocando em evid\u00eancia personagens que vacilam em uma estrada de sol e fogo, de vida e morte. Em meio a um pastiche de recursos liter\u00e1rios, amalgamam-se a conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, o poema dram\u00e1tico, a f\u00e1bula, o drama e o \u00e9pico, o c\u00f4mico e o tr\u00e1gico, na composi\u00e7\u00e3o de uma dramaturgia amb\u00edgua, lacunar, emblem\u00e1tica das obras contempor\u00e2neas. Na esteira de Toscano (2004), interessa notar ainda que <em>Agreste<\/em> \u00e9 em tudo desejante do outro, de outras interpreta\u00e7\u00f5es e de outras encena\u00e7\u00f5es, de um leitor e de um espectador \u00e1vidos por um jogo er\u00f3tico, dispostos a caminhar sobre um campo minado (cuidado!) em busca de encontrar o que est\u00e1 al\u00e9m, escondido. Dessa maneira, a hist\u00f3ria da pe\u00e7a n\u00e3o \u00e9 apenas a de Etevaldo e Maria, mas a de cada um que se permita reconhecer-se em seus movimentos de idas e vindas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ficamos, assim, diante de palavras escritas em linguagem de poeta, que se expandem na imensid\u00e3o para desvelar, ao fim, uma geografia humana localizada em \u201clavouras, varais e gera\u00e7\u00f5es\u201d arcaicamente atuais. Valendo-se, \u00e0 primeira vista, de s\u00edmbolos locais, <em>Agreste (Malva-Rosa)<\/em> vislumbra tamb\u00e9m desejos de mundo, tra\u00e7os da condi\u00e7\u00e3o humana em qualquer lugar; ali, o Nordeste faz a vez de uma fra\u00e7\u00e3o da sociedade, uma meton\u00edmia de um necrociclo vigilante e punidor dos rejeitados e inclassific\u00e1veis \u2013 \u00e9 o reflexo de um mundo de ontem, mofado, que todos j\u00e1 est\u00e3o exaustos de ver e rever. A obra-prima de Newton Moreno, no entanto, desejante de singulares veredas, nos conduz a um local e a um tempo expandidos, ou seja, ao regional, ao brasileiro e ao universal, de ontem e de hoje, expostos como um horrendo espelho da nossa incrustada hipocrisia e dos nossos mais fundos preconceitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MASOTTI, Rafael Jos\u00e9 (2016). <em>Teatro e sexualidade: <\/em>uma an\u00e1lise de <em>Agreste (Malva-Rosa)<\/em>.<em> <\/em>Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Estudos Liter\u00e1rios) \u2013 Universidade Estadual Paulista, Araraquara.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MORENO, Newton <em>et al <\/em>(2004). Dossi\u00ea Agreste. <em>Sala Preta<\/em> (Revista do Departamento de Artes C\u00eanicas da USP), S\u00e3o Paulo, v. 4, p. 93-124. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/revistas.usp.br\/salapreta\/issue\/view\/4686\">https:\/\/revistas.usp.br\/salapreta\/issue\/view\/4686<\/a>. Acesso em: 30 nov. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TOSCANO, Ant\u00f4nio Rog\u00e9rio (2004). Agreste: uma dramaturgia desejante. Dossi\u00ea Agreste<em>, Sala Preta<\/em>, S\u00e3o Paulo, v. 4, p. 105-113. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/revistas.usp.br\/salapreta\/pt_BR\/article\/view\/57141\/60129\">https:\/\/revistas.usp.br\/salapreta\/pt_BR\/article\/view\/57141\/60129<\/a>. Acesso em: 29 mai. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-8342.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-8342\" data-foogallery=\"{&quot;panel&quot;:{&quot;buttons&quot;:{&quot;download&quot;:false}},&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false,&quot;download&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Captura-de-tela-2026-06-01-133811.avif\" data-caption-title=\"Imesp, 2009\" data-attachment-id=\"8343\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Imesp, 2009\" width=\"250\" height=\"425\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/06\/Captura-de-tela-2026-06-01-133811\/443241298.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22425%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20425%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Imesp, 2009<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MORENO, Newton. 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