{"id":8307,"date":"2026-06-12T18:11:51","date_gmt":"2026-06-12T21:11:51","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8307"},"modified":"2026-07-06T10:59:51","modified_gmt":"2026-07-06T13:59:51","slug":"trovar-claro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=8307","title":{"rendered":"Trovar claro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">BRITTO, Paulo Henriques. <em>Trovar claro<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1997.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Edmon Neto<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Victor Flecki<\/em>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Trovar claro<\/em>, obra do professor e tradutor Paulo Henriques Britto (Rio de Janeiro, RJ, 1951), remete \u00e0s primeiras flora\u00e7\u00f5es da poesia rom\u00e2nica produzida ao longo da Baixa Idade M\u00e9dia. Ainda que as teses sobre a origem da palavra \u201ctrovar\u201d possam ser controversas, o t\u00edtulo encontra respaldo na express\u00e3o proven\u00e7al e occit\u00e2nica <em>trobar clar<\/em> (ou <em>trobar leu<\/em>). Trata-se de uma tend\u00eancia po\u00e9tica identificada nessa regi\u00e3o ao sul da Fran\u00e7a medieval, que defendia uma l\u00edrica desprovida de artificialismos e, portanto, mais simples, direta e cristalina. Essa vertente parte de uma tradi\u00e7\u00e3o ret\u00f3rica cl\u00e1ssica baseada no bem falar e escrever, opondo-se a um modo mais obscuro e enigm\u00e1tico de \u201cfazer trovas\u201d (express\u00e3o do galego-portugu\u00eas) e ao ambiente aristocr\u00e1tico e afetado da elite feudal, empenhada em descobrir o sentido oculto das coisas. J\u00e1 na contemporaneidade \u2013 guardadas as dist\u00e2ncias temporais e as muitas mudan\u00e7as no que hoje entendemos por literatura \u2013 a poesia de Britto empreende uma \u00e9tica composicional pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicado em 1997 pela Companhia das Letras, <em>Trovar claro<\/em>, para sustentar seu argumento fundamental, n\u00e3o pode deixar de evocar, em alguma medida, a inseparabilidade origin\u00e1ria entre poesia e m\u00fasica \u2013 condi\u00e7\u00e3o que, em certo momento hist\u00f3rico, teria se desfeito. A diferen\u00e7a, contudo, \u00e9 que o autor n\u00e3o comp\u00f5e tamb\u00e9m as partituras, como faziam os antigos trovadores, embora explore com habilidade a musicalidade oriunda das formas regulares e, por vezes, pare\u00e7a fundar as leis de um ritmo particular. Trata-se, portanto, de uma obra escrita ap\u00f3s s\u00e9culos de desenvolvimento e consolida\u00e7\u00e3o de mecanismos pr\u00f3prios da poesia escrita, o que permite refletir n\u00e3o apenas sobre a produtividade das conven\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m sobre seus limites ou sua renova\u00e7\u00e3o na atualidade. O resultado \u00e9 uma escrita sem arroubos pirot\u00e9cnicos, ancorada num modo prosaico de express\u00e3o (da\u00ed seu aspecto vocal), sem, contudo, abandonar um desejo reincidente e muitas vezes corrosivo da poesia: o de controlar, por meio de des\u00edgnios racionalistas, a mat\u00e9ria de sua produ\u00e7\u00e3o, as palavras. Em todo caso, a engenhosidade artesanal do autor, baseada em t\u00e9cnica e na supera\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos formais, faz dessa obra uma refer\u00eancia incontest\u00e1vel da poesia brasileira contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de tudo, \u00e9 poss\u00edvel entrever, nas se\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em o livro, uma verdadeira aula de metalinguagem. O movimento em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00f3gica do poema torna praticamente imposs\u00edvel a tarefa de eleger um \u00fanico texto como a \u201cprofiss\u00e3o de f\u00e9\u201d do poeta \u2013 para lembrar o poema de Olavo Bilac que serve de ep\u00edteto para outros textos de efeito decisivo. A preponder\u00e2ncia dessa reflex\u00e3o sobre a pr\u00f3pria elabora\u00e7\u00e3o po\u00e9tica fica evidente logo na primeira se\u00e7\u00e3o, intitulada \u201cTr\u00eas pe\u00e7as circenses\u201d. Nela, as figuras do prestidigitador, do encantador de serpentes e do fun\u00e2mbulo comp\u00f5em a abertura de um espet\u00e1culo que recebe tratamento aleg\u00f3rico, \u00e0 medida que remetem ao trabalho po\u00e9tico, aos erros e acertos de sua produ\u00e7\u00e3o, bem como \u00e0s obsess\u00f5es criativas. Isso inclui, por exemplo, o \u201cfriozinho bom no est\u00f4mago\u201d, t\u00edpico das descobertas, seguido do apagamento do \u201cpoema que n\u00e3o deu certo\u201d. A metagesticula\u00e7\u00e3o sobrep\u00f5e o of\u00edcio dessas figuras circenses ao dos poetas, ao mesmo tempo em que p\u00f5e \u00e0 prova os gestos sobrepostos: a t\u00e9cnica pode encantar, mas a ideia n\u00e3o prospera; ou, ainda, a tentativa de decifrar as muitas inst\u00e2ncias de significa\u00e7\u00e3o (as \u201ccamadas de cebola\u201d) pode configurar um \u201csalto sobre o nada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Escondido nas coisas de que fala e c\u00e9tico de seu papel no horizonte da poesia, o sujeito po\u00e9tico aborda projetos fadados ao fracasso na se\u00e7\u00e3o \u201cSete estudos para a m\u00e3o esquerda\u201d. Composta por sonetos que variam em m\u00e9trica e esquema r\u00edmico, al\u00e9m de apresentarem disposi\u00e7\u00e3o incomum das estrofes (tr\u00eas tercetos e dois quartetos, e n\u00e3o o contr\u00e1rio), essa se\u00e7\u00e3o revela um funcionamento distinto. N\u00e3o h\u00e1 aqui um instrumento para acompanhar o trovador. Os menestr\u00e9is foram dispensados, por ora. Fala-se da \u201cm\u00fasica das coisas\u201d ou do \u201ccanto irrecus\u00e1vel do real\u201d como for\u00e7as que comandariam o rumo das palavras \u2013 quando, na verdade, o que se busca \u00e9 exprimir a \u201ccerteza visceral\u201d, a \u201cverdade \u00faltima\u201d. O desajuste entre o desejo e a consci\u00eancia imp\u00f5e li\u00e7\u00f5es de negatividade: <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mundo segue opaco, <br>imune \u00e0 consci\u00eancia e seus lampejos <br>de l\u00f3gica, sua falta de tato,<br>sua avidez, seus deuses e desejos<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E as palavras, vistas como advers\u00e1rias, seguem indom\u00e1veis na \u201cgrafitagem inconsequente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na orelha da edi\u00e7\u00e3o, Augusto Massi (1997) observa que \u201cO racionalista em desassossego quer enterrar seus defuntos mais familiares e desmascarar o impostor no espelho da identidade\u201d. Essa postura leva a posi\u00e7\u00f5es antil\u00edricas em \u201cDez exerc\u00edcios para os cinco dedos\u201d. Aqui, as manh\u00e3s n\u00e3o t\u00eam sol, s\u00e3o vazias de inten\u00e7\u00f5es; os p\u00e1ssaros existem apenas com seu \u201carrazoado irrelevante\u201d. Ao mesmo tempo, a imita\u00e7\u00e3o dos homens \u00e9 mais real que o pr\u00f3prio homem, pois sobrevive na capacidade de cria\u00e7\u00e3o artificial, embora essa mesma cria\u00e7\u00e3o possa levar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de imagens inquietantes: \u201cepopeia \u00ednfima\u201d, \u201clagostas cegas do \u00f3dio\u201d, \u201cala\u00fade monstruoso\u201d. A m\u00fasica \u00e9 colocada em xeque enquanto via de encantamento, pois o aspecto mel\u00f3dico, como fim em si mesmo na poesia, pode n\u00e3o representar nada. Essa especula\u00e7\u00e3o ser\u00e1 refor\u00e7ada adiante: \u201cN\u00e3o fa\u00e7a poesias melodiosas \/ e fr\u00e1geis como essas caixinhas de m\u00fasica \/ que tocam a \u2018Valsa do Imperador\u2019\u201d (\u201cUm pouco de Strauss\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Junto a isso, h\u00e1 outra diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos signos do trovadorismo medieval: em <em>Trovar claro<\/em>, o amor n\u00e3o derrama seu sofrimento (<em>coita<\/em>) como na conven\u00e7\u00e3o da cortesia amorosa, da suserania e vassalagem dos cantares profanos. A paix\u00e3o \u201cn\u00e3o recua ante o supremo horror \/ de serem as coisas tudo e s\u00f3 o que s\u00e3o\u201d, e por isso n\u00e3o h\u00e1 tempo, c\u00e1lculo, l\u00e2mina ou corpo que possa aplac\u00e1-la. O que era apenas sinal de erotismo contido e conflituoso entre os trovadores, em \u201cVilegiatura\u201d conquista a cidade mesopot\u00e2mica de N\u00ednive, ou ainda o sonho de um novo mundo, como se conclui no remate (<em>fiinda<\/em>) do poema: \u201cOs f\u00f3sforos primeiros da manh\u00e3 \/ riscam o sono e o sonho do Eldorado. \/ Dessa esta\u00e7\u00e3o s\u00f3 v\u00e3o restar as c\u00f3pulas\u201d. Mais adiante no livro, l\u00ea-se ainda: \u201cDo amor, \u00e9 claro, s\u00f3 resta \/ o que ficou entre os dentes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, o cotejo poss\u00edvel entre utopia e seu avesso est\u00e1 associado a outro campo sem\u00e2ntico da palavra \u201cId\u00edlio\u201d. Em di\u00e1logo com a po\u00e9tica de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, o poema reitera o desejo por \u201cnitidezes simples, minerais\u201d, que se configuram em formas claras e puras, e que, ao mesmo tempo, pacificam e estrangulam o mundo. Al\u00e9m disso, independentemente de as palavras serem capazes ou n\u00e3o de erigir um outro lugar ideal, importa convocar os poetas para ratificar a necessidade de certa dessacraliza\u00e7\u00e3o de seus of\u00edcios: saber quem se \u00e9 a partir do que se sente, como em \u201cPessoana\u201d; lidar com os \u201c\u00eaxtases bestas da asma\u201d e do romantismo em \u201cCasimiriana\u201d \u2013 sem esquecer, em ambos os casos, que a m\u00e1scara \u00e9 sempre de quem a usa, mesmo que com ela se crie um \u201ceu\u201d an\u00e1logo a um urso \u201cpanda desgracioso\u201d, pass\u00edvel ao riso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se \u00e9 poss\u00edvel observar certa \u201csondagem do banal\u201d em \u201cBonbonni\u00e8re\u201d, isso tamb\u00e9m se manifesta, em alguma medida, na se\u00e7\u00e3o \u201cAt\u00e9 segunda ordem\u201d. No primeiro caso, sonetos abordam a seletividade da mem\u00f3ria (\u201cm\u00e3e amorosa de todas as mortes\u201d) enquanto falsa perfei\u00e7\u00e3o; o car\u00e1ter enganoso da escrita, que \u201cembroma \/ mas n\u00e3o abole o acaso consumado\u201d; ou ainda os tralal\u00e1s, deuses e b\u00e1lsamos a que recorremos em momentos de dor aguda. No segundo caso \u2013 ainda no in\u00edcio do livro \u2013 os t\u00edtulos dos sonetos aparecem como datas, dando voz a personagens cujos discursos s\u00e3o reconhec\u00edveis, embora nem sempre saibamos de quem se trata, como no caso do deputado ou do doutor. A regularidade m\u00e9trica de \u201cAt\u00e9 segunda ordem\u201d \u00e9 particularmente interessante: talvez ali esteja um dos momentos mais radicais de experimenta\u00e7\u00e3o po\u00e9tica do livro. Isto \u00e9, atrelar a musicalidade pr\u00f3pria da voz e da pros\u00f3dia cotidianas ao verso decass\u00edlabo (dez s\u00edlabas po\u00e9ticas), explorado em suas v\u00e1rias tonalidades poss\u00edveis, e criar argumentos po\u00e9ticos e narrativos completos, fechados na circularidade pr\u00f3pria do soneto. A m\u00fasica, naturalmente, uma hora encontra seu fim. Resta ao poeta \u2013 e ao leitor que n\u00e3o apenas l\u00ea, mas tamb\u00e9m ouve \u2013 o rumor obsessivo que \u201ca m\u00e3o batuca sobre a mesa\u201d como uma aranha tentaculosa (\u201cAranha\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, a associa\u00e7\u00e3o entre a cria\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica poss\u00edvel por meio da linguagem po\u00e9tica e a constru\u00e7\u00e3o eficaz do discurso mant\u00e9m-se como for\u00e7a viva nas tend\u00eancias da poesia brasileira do fim do s\u00e9culo XX e in\u00edcio do XXI. Com <em>Trovar claro<\/em>, Paulo Henriques Britto recebeu o Pr\u00eamio Alphonsus de Guimaraens em 1997 e segue sendo um dos poetas mais lidos e estudados do pa\u00eds. Ao discutir os limites das formas ditas fixas \u2013 sabendo, entretanto, que \u201ctodas as coisas extravasam as bordas\u201d \u2013 o livro \u00e9 (ou deveria ser) bibliografia b\u00e1sica nos cursos de po\u00e9tica e presen\u00e7a obrigat\u00f3ria nas estantes de quem se interessa por poesia. O professor tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras em 2025, ocupando a cadeira de n\u00famero 30.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MASSI, Augusto (1997). [Texto de orelha]. <em>In:<\/em> BRITTO, Paulo Henriques. <em>Trovar claro<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1997.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOIS\u00c9S, Massaud (2010). <em>Dicion\u00e1rio de termos liter\u00e1rios<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultrix.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PESS\u00d4A, Andr\u00e9 Vin\u00edcius (2009). Uma \u00e9tica da composi\u00e7\u00e3o em <em>Trovar claro<\/em>, de Paulo Henriques Britto. <em>F\u00f3rum de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, Niter\u00f3i, v. 1, n. 2, p. 13-21. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/revistas.ufrj.br\/index.php\/flbc\/article\/view\/17163\">https:\/\/revistas.ufrj.br\/index.php\/flbc\/article\/view\/17163<\/a>. Acesso em: 15 jan. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SPINA, Segismundo (2003). <em>Manual de versifica\u00e7\u00e3o rom\u00e2nica e medieval<\/em>. S\u00e3o Paulo: Ateli\u00ea Editorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-8309.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-8309\" data-foogallery=\"{&quot;panel&quot;:{&quot;buttons&quot;:{&quot;download&quot;:false}},&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false,&quot;download&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Companhia-das-Letras-1997.avif\" data-caption-title=\"Companhia das Letras, 1997\" data-attachment-id=\"8310\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Companhia das Letras, 1997\" width=\"250\" height=\"505\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/05\/Companhia-das-Letras-1997\/44186256.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22505%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20505%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Companhia das Letras, 1997<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BRITTO, Paulo Henriques. 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