{"id":7973,"date":"2026-04-22T17:07:24","date_gmt":"2026-04-22T20:07:24","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7973"},"modified":"2026-04-22T17:07:24","modified_gmt":"2026-04-22T20:07:24","slug":"diorama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7973","title":{"rendered":"Diorama"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">BENSIMON, Carol. <em>Diorama<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Sheila Jacob<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Esp\u00edrito Objeto<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que \u00e9 um <em>diorama<\/em>? Segundo o dicion\u00e1rio <em>Houaiss<\/em>, citado na ep\u00edgrafe do livro de Carol Bensimon (Porto Alegre, RS, 1982) que traz esse voc\u00e1bulo como t\u00edtulo, trata-se da \u201crepresenta\u00e7\u00e3o de uma cena, onde objetos, esculturas, animais empalhados etc. inserem-se em um fundo pintado realisticamente\u201d. \u00c9 poss\u00edvel fazer a mesma reflex\u00e3o sobre o romance em quest\u00e3o, que, apesar de ter como mote um caso real do passado, aborda, por meio da inscri\u00e7\u00e3o de elementos ficcionais, a sociedade brasileira atual, especialmente p\u00f3s-ascens\u00e3o da extrema direita com o fen\u00f4meno Bolsonaro, momento presente da narrativa. O caso que serve de inspira\u00e7\u00e3o para a trama \u00e9 um assassinato real ocorrido em Porto Alegre no final da d\u00e9cada de 1980, e \u00e9 com base nele que a autora trata da perman\u00eancia dessa cultura de \u00f3dio, hipocrisia, neglig\u00eancia ambiental e de diversos preconceitos que, quarenta anos depois, continuam a vigorar no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro come\u00e7a com a narradora em primeira pessoa, Cec\u00edlia Matzenbacher, lembrando-se de uma cena familiar ocorrida em 1987, quando ela tinha nove anos e estava \u201crodeada pelo campo vazio e mordendo a poeira da BR-473\u201d, em viagem pelo sul do Brasil com a fam\u00edlia para um dia de ca\u00e7a na est\u00e2ncia de um amigo do pai. Essa inscri\u00e7\u00e3o do deslocamento logo no in\u00edcio dar\u00e1 o tom do enredo, constru\u00eddo em idas e vindas no tempo e no espa\u00e7o para apresentar as lembran\u00e7as e os traumas da protagonista. Em 2002, aos 24 anos, Cec\u00edlia decide sair do Brasil e ir morar nos Estados Unidos em uma esp\u00e9cie de \u201cfuga\u201d da pr\u00f3pria vida. Dezesseis anos se passam sem que ela volte ao pa\u00eds natal, at\u00e9 ser convocada pelo irm\u00e3o mais velho a retornar em raz\u00e3o da deteriora\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade do pai. Prestes a romper com esse ex\u00edlio volunt\u00e1rio, ela passa, ent\u00e3o, a revirar as caixas \u2013 literais e metaf\u00f3ricas \u2013 em que guardou o passado, precisando lidar com os acontecimentos traum\u00e1ticos que mancharam sua inf\u00e2ncia, esgar\u00e7aram suas rela\u00e7\u00f5es familiares, impactaram sua personalidade e acabaram definindo os caminhos que, anos depois, ela escolheria trilhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No presente da narrativa \u2013 ano de 2018 \u2013, a personagem principal est\u00e1 perto de completar quarenta anos, vive em Los Angeles, passa por uma crise no casamento e exerce uma profiss\u00e3o curiosa: trabalha como taxidermista, ou seja, seu of\u00edcio \u00e9 empalhar animais com fins cient\u00edficos e pedag\u00f3gicos, principalmente para serem expostos em museus. Em suas palavras, trata-se de um \u201ctrabalho meticuloso, a ideia de que \u00e9 preciso ser uma mistura de cientista, pintora, escultora e artes\u00e3 para recriar o que a natureza gerou ao longo de milh\u00f5es de anos de aleatoriedade e evolu\u00e7\u00e3o\u201d. Em certo momento, a narradora pondera que \u201cum diorama de habitat traz sempre um duplo deslocamento, espacial e temporal\u201d, tal qual a pr\u00f3pria literatura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aos poucos os leitores passam a conhecer o sofrimento que reside nas lembran\u00e7as da narradora: seu pai, Raul Matzenbacher, m\u00e9dico e deputado estadual pelo PMDB no final dos anos 1980, foi o principal suspeito de ter assassinado, em 1988, Jo\u00e3o Carlos Satti, companheiro de partido. Ao que tudo indicava, o crime foi motivado por uma quest\u00e3o de honra, que a princ\u00edpio se sugere que sejam ci\u00fames da esposa, mas com o avan\u00e7o da narrativa outras poss\u00edveis causas se v\u00e3o anunciando. O caso n\u00e3o chega a ser solucionado, mas a acusa\u00e7\u00e3o, as evid\u00eancias e as distintas reverbera\u00e7\u00f5es na opini\u00e3o p\u00fablica marcam a vida dos envolvidos para sempre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O enredo \u00e9 baseado em um caso ver\u00eddico, que mobilizou a sociedade ga\u00facha no final dos anos 1980. Como seu duplo na literatura, a v\u00edtima era, al\u00e9m de deputado estadual, um reconhecido radialista, que fazia muito sucesso com suas cr\u00f4nicas inflamadas transmitidas pela R\u00e1dio Ga\u00facha. Na noite de 4 de junho de 1988, em Porto Alegre, Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Daudt foi assassinado com dois tiros de espingarda quando chegava em casa. O crime real, assim como o ficcional, tamb\u00e9m nunca chegou a ser solucionado e acabou prescrevendo em 2008. O principal suspeito era o deputado estadual Ant\u00f4nio Carlos Dexheimer, do PMDB, colega de partido da v\u00edtima tal qual o personagem acusado, que foi absolvido dois anos depois naquele que viria a ser o primeiro julgamento televisionado do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Daudt, assim como o ficcional Satti, ganhou notoriedade ao defender uma pauta ambiental, novidade no Brasil de quarenta anos atr\u00e1s. Ele foi autor de um projeto que proibia a comercializa\u00e7\u00e3o de produtos que cont\u00eam clorofluorcarbonetos (CFCs), em tempo de descoberta e incipiente conhecimento p\u00fablico dos malef\u00edcios causados por tais subst\u00e2ncias \u00e0 camada de oz\u00f4nio. Como recupera a narrativa na voz da amiga Gl\u00f3ria Andrade: \u201cimagina esse neg\u00f3cio, um homem muito \u00e0 frente do seu tempo, querendo discutir meio ambiente nos anos oitenta!\u201d, o que inclusive deu, no texto liter\u00e1rio, a alcunha de \u201cDeputado Oz\u00f4nio\u201d ao personagem nele inspirado. Ap\u00f3s seu assassinato, informa\u00e7\u00f5es da sua vida privada come\u00e7aram a ser divulgadas, at\u00e9 questionamentos acerca de sua orienta\u00e7\u00e3o sexual, um choque em um pa\u00eds que teve eleito o primeiro parlamentar assumidamente gay, Clodovil Hernandes, apenas em 2006, como a pr\u00f3pria escritora faz quest\u00e3o de sinalizar no texto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance conduz os leitores, por meio da efabula\u00e7\u00e3o, para essa teia de tramas pessoais e coletivas, convocadas para mostrar \u201ctudo igual e tudo t\u00e3o diferente\u201d nesse percurso hist\u00f3rico. A ambienta\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia da personagem contradiz v\u00e1rias ideias, como a da exemplar \u201cfam\u00edlia tradicional brasileira\u201d e a de que o povo brasileiro \u00e9 pac\u00edfico e harmonioso. Sucedem-se em sua mem\u00f3ria cenas regadas a espingardas, clubes de tiro, ca\u00e7a por lazer, exposi\u00e7\u00e3o orgulhosa de animais abatidos, ou seja, lembran\u00e7as marcadas pelo signo da viol\u00eancia que historicamente constitui o pa\u00eds, cuja heran\u00e7a, nas palavras de Darcy Ribeiro (2015), \u201c\u00e9 esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista\u201d, acrescida, como o livro sugere, de outras formas de discrimina\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jogo de espelhamento entre passado e presente tamb\u00e9m levanta reflex\u00f5es sobre a rela\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria estabelecida entre seres humanos e natureza e as consequ\u00eancias nefastas ao pr\u00f3prio planeta Terra. Esse aspecto possibilita incluir a obra em um conjunto de textos liter\u00e1rios que se dedicam a discutir o Antropoceno, ou seja, os impactos das a\u00e7\u00f5es humanas sobre o meio ambiente. Isso \u00e9 refor\u00e7ado em diversos momentos pelas reflex\u00f5es acerca da escolha da profiss\u00e3o da protagonista, que se especializou em eternizar e tornar vis\u00edveis as vidas que os homens aniquilaram e, ao trabalhar, costuma sentir que deve \u201cpedir desculpas pelos atos contradit\u00f3rios da minha esp\u00e9cie\u201d. Em dado momento, em di\u00e1logo com o companheiro, Cec\u00edlia chama a aten\u00e7\u00e3o para o fen\u00f4meno da sinantropia, que consiste na \u201ccapacidade adaptativa de certas esp\u00e9cies para conviver conosco\u201d depois de os seres humanos destru\u00edrem ou, no m\u00ednimo, modificarem severamente tr\u00eas quartos das terras e dois ter\u00e7os das \u00e1guas. O homem faz, a natureza responde.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim como a narradora do livro, Carol Bensimon vive nos Estados Unidos e de l\u00e1 tem lan\u00e7ado um olhar cr\u00edtico e reflexivo sobre o Brasil, algo que esse distanciamento geogr\u00e1fico muitas vezes possibilita e incentiva. Ela estreou na literatura em 2009 com o romance <em>Sinuca embaixo d\u2019\u00e1gua<\/em> (Companhia das Letras), finalista dos pr\u00eamios Jabuti e S\u00e3o Paulo de Literatura. No ano seguinte, reuniu alguns de seus contos no livro <em>P\u00f3 de parede<\/em>, que saiu pela independente N\u00e3o Editora e ganhou uma reedi\u00e7\u00e3o em 2023 pela Dublinense. Depois vieram, pela Companhia das Letras, os romances <em>Todos n\u00f3s ador\u00e1vamos caub\u00f3is<\/em> (2013), <em>O clube dos jardineiros de fuma\u00e7a<\/em> (2017), com o qual venceu o Jabuti na categoria de Melhor Romance, e <em>Diorama<\/em> (2022). Com sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, j\u00e1 traduzida nos Estados Unidos, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Espanha e Argentina, ela tem lan\u00e7ado pistas para que se possa investigar perman\u00eancias e rupturas da sociedade brasileira, porque, segundo sua pr\u00f3pria protagonista, \u201centender esse pa\u00eds \u00e9 entender a toler\u00e2ncia ao horror. [&#8230;] Entender esse pa\u00eds \u00e9 entender minha m\u00e3e crian\u00e7a aplaudindo Get\u00falio, depois dan\u00e7ando para o general Castelo Branco, depois exultante com a redemocratiza\u00e7\u00e3o que elegeu meu pai, depois sacudindo a bandeira verde e amarela em apoio a um capit\u00e3ozinho sa\u00eddo dos esgotos do Brasil\u201d. No final das contas, \u00e9 atentar para o fato de que \u201co Brasil sempre mudava para, no fundo, continuar exatamente igual\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ANGELINI, Paulo Ricardo Kralik (2025). O gosto pelas coisas mortas: Uma leitura de <em>Diorama<\/em>, de Carol Bensimon. <em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, Bras\u00edlia, n. 74, p. 1-14. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/56814\">https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/56814<\/a>. Acesso em: 18 mar. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BENSIMON, Carol (2022). Carol Bensimon: animais empalhados nos Estados Unidos e um crime real no Brasil inspiram romance com clima de \u201c<em>road movie<\/em>\u201d da escritora ga\u00facha. [Entrevista concedida a] Iara Biderman. <em>Quatro cinco um<\/em>, S\u00e3o Paulo, ed. 63. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/quatrocincoum.com.br\/entrevistas\/fichamento\/carol-bensimon\">https:\/\/quatrocincoum.com.br\/entrevistas\/fichamento\/carol-bensimon<\/a>. Acesso em: 17 mar. 2025<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CASARIN, Rodrigo (Produtor) (2023). #162 \u2013 Carol Bensimon e a tal fam\u00edlia tradicional brasileira. <em>P\u00e1gina Cinco<\/em> [Podcast]. Spotify. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/3MWepHG0hGybCAIzhcRX0m\">https:\/\/open.spotify.com\/episode\/3MWepHG0hGybCAIzhcRX0m<\/a>. Acesso em: 15 mar. 2025.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DUSSE, Fernanda (2023). <em>Diorama<\/em>, de Carol Bensimon. Resenha. <em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, Bras\u00edlia, n. 70, p. 1-3. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/54382\">https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/54382<\/a>. Acesso em: 18 mar. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RIBEIRO, Darcy (2015). <em>O povo brasileiro. <\/em>A forma\u00e7\u00e3o e o sentido do Brasil. S\u00e3o Paulo: Global.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-7974.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-7974\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Cia-das-Letras-2022.avif\" data-caption-title=\"Companhia das Letras, 2022\" data-attachment-id=\"7975\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Companhia das Letras, 2022\" width=\"250\" height=\"378\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/04\/Cia-das-Letras-2022\/1219723238.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22378%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20378%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Companhia das Letras, 2022<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BENSIMON, Carol. 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