{"id":7920,"date":"2026-04-23T13:11:53","date_gmt":"2026-04-23T16:11:53","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7920"},"modified":"2026-04-23T13:11:54","modified_gmt":"2026-04-23T16:11:54","slug":"solucao-de-dois-estados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7920","title":{"rendered":"Solu\u00e7\u00e3o de dois Estados"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">LAUB, Michel. <em>Solu\u00e7\u00e3o de dois Estados<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2020.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-content-justification-right is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-2910ada7 wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Carlos Wender Sousa Silva<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o<\/em>: Rafael Trinco<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Solu\u00e7\u00e3o de dois Estados<\/em>, romance de Michel Laub (Porto Alegre, RS, 1973) publicado em 2020, surge num momento de significativas transforma\u00e7\u00f5es sociopol\u00edticas mundo afora, especialmente em raz\u00e3o do crescimento e fortalecimento da extrema direita que, em pa\u00edses como o Brasil, tem corro\u00eddo o ideal de Estado de direito e a fr\u00e1gil, mas importante, democracia que o pa\u00eds conseguiu construir ap\u00f3s a redemocratiza\u00e7\u00e3o. A obra circula por esse cen\u00e1rio em que determinados atores pol\u00edticos promovem agendas baseadas em a\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es de \u00f3dio, de racismo, de xenofobia, de homofobia, entre outras viol\u00eancias, e assumem abertamente um projeto de sociedade baseado em valores antidemocr\u00e1ticos, fundamentalistas e reacion\u00e1rios. Esse movimento hist\u00f3rico contempor\u00e2neo n\u00e3o funciona apenas como pano de fundo tem\u00e1tico, mas como dispositivo formal: a fragmenta\u00e7\u00e3o estrutural do romance mimetiza a pr\u00f3pria fragmenta\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico brasileiro, marcado pela impossibilidade de escuta e pela radicaliza\u00e7\u00e3o discursiva. Esses sintomas sociais atravessam o romance e refletem inquieta\u00e7\u00f5es presentes em diferentes momentos hist\u00f3ricos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cabe destacar que a trajet\u00f3ria liter\u00e1ria de Laub \u00e9 marcada por romances como <em>Di\u00e1rio da queda<\/em> (2011) e <em>A ma\u00e7\u00e3 envenenada<\/em> (2013), em que mem\u00f3ria, culpa e conflitos geracionais s\u00e3o articulados por meio de estruturas igualmente fragment\u00e1rias. <em>Solu\u00e7\u00e3o de dois Estados<\/em> aprofunda o interesse do autor por narrativas em tens\u00e3o e por personagens transpassados por contradi\u00e7\u00f5es \u00e9ticas e morais. Se antes o trauma hist\u00f3rico e \u00edntimo organizava o enredo, aqui o trauma \u00e9 social e contempor\u00e2neo: a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica brasileira torna-se o eixo estruturador do conflito. A obra constr\u00f3i fragmentos estruturais que funcionam como aberturas interpretativas, permitindo m\u00faltiplas chaves de leitura. Al\u00e9m disso, a experi\u00eancia jornal\u00edstica-redacional de Laub lhe permite a constru\u00e7\u00e3o de textos marcadamente concisos, como \u00e9 o caso de <em>Solu\u00e7\u00e3o de dois Estados<\/em>, sem, contudo, limitar as quest\u00f5es que envolvem a obra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O autor se vale de discursos e sentimentos de \u00f3dio para criar personagens que mobilizam reflex\u00f5es a respeito dos impactos, consequ\u00eancias e alcance dessas manifesta\u00e7\u00f5es. O romance tem dois protagonistas irm\u00e3os no centro da trama: Alexandre e Raquel. Raquel \u00e9 uma artista, espancada por um homem num palco diante de uma plateia, quando participava de um simp\u00f3sio. Alexandre \u00e9 empres\u00e1rio e v\u00ea a irm\u00e3 como uma oportunista que se vale de um discurso vazio para promover uma vida que ignora a realidade concreta da sociedade \u2013 de viol\u00eancia, de \u201ctrabalho duro\u201d, segundo ele. Raquel enxerga o irm\u00e3o como algu\u00e9m essencialmente ambicioso, ego\u00edsta e que s\u00f3 pensa em lucro e n\u00fameros. Alexandre n\u00e3o acredita no pa\u00eds nem nas institui\u00e7\u00f5es. Ele demoniza a pol\u00edtica como mediadora das rela\u00e7\u00f5es humanas, apoiando-se em suas contradi\u00e7\u00f5es e limites. O personagem despreza pol\u00edticas p\u00fablicas, mobiliza seus seguidores para se manifestarem contra uma exposi\u00e7\u00e3o num museu, contra um professor que indicou um livro. Ele enxerga a irm\u00e3 e a m\u00e3e como uma planilha de custos. Raquel, por sua vez, afirma, em tom ir\u00f4nico, viver dos impostos da popula\u00e7\u00e3o. Ela ressalta o alto grau de desprest\u00edgio e de irrelev\u00e2ncia que as artes t\u00eam para pessoas como seu irm\u00e3o e acusa a plateia que presenciou a agress\u00e3o de reagir com indiferen\u00e7a, quando n\u00e3o com um silencioso consentimento. Ela pretende desenvolver um trabalho art\u00edstico que retrate a obviedade da realidade pol\u00edtica contempor\u00e2nea, marcada pela express\u00e3o deliberada de \u00f3dio, de intoler\u00e2ncia e de polariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance est\u00e1 estruturado de maneira a remeter a um projeto cinematogr\u00e1fico em constru\u00e7\u00e3o, essencialmente em tr\u00eas partes que aparecem em diferentes momentos da narrativa: Material pr\u00e9-editado, Extras\/Material a inserir e Material bruto. Os trechos de \u201cMaterial bruto\u201d exp\u00f5em a todo instante esses questionamentos e ju\u00edzos de valor que tensionam tanto a cineasta quanto o pr\u00f3prio projeto do document\u00e1rio. \u00c9 esse material que tamb\u00e9m vai revelando o conflito entre os irm\u00e3os e sua fam\u00edlia, os grupos sociais nos quais ambos se inserem, a tens\u00e3o na sociedade e no Brasil em geral, que vai se desenhando em torno desses dois polos irreconcili\u00e1veis, num contexto em que a ruptura se sobrep\u00f5e, marca a impossibilidade de di\u00e1logo e inviabiliza qualquer abertura ao outro e \u00e0 diferen\u00e7a. O que torna, portanto, inalcan\u00e7\u00e1vel uma solu\u00e7\u00e3o entre dois Estados \u2013 dois projetos de sociedade distintos que se disputam.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na estrutura narrativa, os fragmentos de \u201cExtras\/Material a inserir\u201d falam de diversos elementos contextuais e hist\u00f3ricos: a atua\u00e7\u00e3o do presidente do Banco Central; a programa\u00e7\u00e3o de um evento acad\u00eamico; o discurso de um pastor num programa; uma reportagem de um site sobre moda, corpo e cultura; depoimentos de sujeitos que supostamente tiveram \u00eaxito na cura gay e no tratamento alternativo para depress\u00e3o. Esses elementos fazem com que se transite entre a fic\u00e7\u00e3o e a realidade concreta noticiada nos jornais e vivida no cotidiano. Assim, o leitor sai das personagens e de suas contradi\u00e7\u00f5es e \u00e9 exposto aos tensionamentos que marcam o Brasil contempor\u00e2neo: os discursos de \u00f3dio e de intoler\u00e2ncia; o pol\u00edtico antidemocr\u00e1tico que menospreza a pluralidade e a diferen\u00e7a; o pastor fundamentalista que tenta impor goela abaixo sua ideologia e faz tendenciosas confus\u00f5es entre Estado e Igreja; o \u201ccidad\u00e3o de bem\u201d que sobrep\u00f5e p\u00fablico e privado; a figura que, paradoxalmente, associa sua pr\u00e1tica religiosa a discursos contra minorias sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa \u00e9 constru\u00edda a partir de fatos apresentados pelos protagonistas em depoimentos para um document\u00e1rio, cujas entrevistas e grava\u00e7\u00f5es se passam em 2018. Os dois retomam hist\u00f3rias da fam\u00edlia e do pa\u00eds: confisco da poupan\u00e7a por Collor em 1990, que levou \u00e0 fal\u00eancia a metal\u00fargica do pai; bullying; as disputas entre os irm\u00e3os em torno dos usos e significados do invent\u00e1rio deixado pelo pai; Plano Real; as articula\u00e7\u00f5es question\u00e1veis de Fernando Henrique para viabilizar a reelei\u00e7\u00e3o para presidente no pa\u00eds; a nova classe C no governo Lula; a aus\u00eancia do Estado na periferia e a consequente promo\u00e7\u00e3o do discurso religioso como forma de suprir necessidades econ\u00f4micas, sociais e psicol\u00f3gicas; a sobreposi\u00e7\u00e3o entre p\u00fablico e privado; as indaga\u00e7\u00f5es de Raquel a respeito do corpo, da sexualidade e do preconceito. Todas essas quest\u00f5es permeiam a constru\u00e7\u00e3o dos dois protagonistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 ainda entre ambos uma personagem mediadora, a documentarista Brenda Richter, que recolhe separadamente os testemunhos dos irm\u00e3os e protagonistas para um filme sobre \u00f3dio, polariza\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia, afinal, sobre o Brasil. Essa mediadora procura fazer poucas interven\u00e7\u00f5es ao longo dos depoimentos de Alexandre e Raquel. Por vezes, ela tem o seu papel de cineasta e o seu projeto profissional questionados: \u201cImagine, Brenda, voc\u00ea aparecer na frente da c\u00e2mera sem hipocrisia. Sem fingir que precisa ser tolerante com a complexidade das quest\u00f5es hist\u00f3ricas que dividem as pessoas neste mundo t\u00e3o polarizado\u201d. Brenda funciona, assim, como inst\u00e2ncia metanarrativa: ao ser questionada pelos pr\u00f3prios entrevistados, o romance desloca a discuss\u00e3o do campo ideol\u00f3gico para o campo da representa\u00e7\u00e3o \u2013 quem fala? Quem edita? Quem seleciona? Esse enfrentamento, consequentemente, revela que toda narrativa, inclusive a liter\u00e1ria, opera por enquadramentos e cortes. O leitor percebe que se trata de escolhas narrativas interessadas e parciais. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <em>Solu\u00e7\u00e3o de dois Estados<\/em>, o \u00f3bvio n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de simplifica\u00e7\u00e3o, mas de explicita\u00e7\u00e3o daquilo que j\u00e1 se naturalizou no cotidiano brasileiro: a viol\u00eancia discursiva, o desprezo pelo outro e a normaliza\u00e7\u00e3o do autoritarismo. Ao deslocar essas obviedades para o centro da representa\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, Laub as desautomatiza e as submete ao exame cr\u00edtico do leitor. Essa \u00e9 uma marca importante da obra: ao trazer o evidente para o centro da narrativa, o romance ainda mobiliza elementos intertextuais e estil\u00edsticos que ultrapassam as marcas hist\u00f3ricas do presente. O \u00f3bvio, portanto, n\u00e3o impossibilita que o livro seja constru\u00eddo por um conjunto de elementos liter\u00e1rios centrais como o paradoxo, a ironia, o eufemismo, entre outros: \u201cSabe qual \u00e9 o problema da ironia? \u00c9 que ela serve para ganhar dinheiro, prest\u00edgio, o que voc\u00ea quiser, mas nunca vai servir para falar de \u00f3dio. O \u00f3dio \u00e9 sempre literal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance se vale, portanto, dessa literalidade do \u00f3dio, da raiva, do menosprezo e se revela, afinal, uma met\u00e1fora da sociedade brasileira contempor\u00e2nea. E \u00e9 por dentro dessa dualidade entre met\u00e1fora e literal, \u00f3bvio e original, trivial e excepcional que o livro de Laub emerge como um mecanismo art\u00edstico importante de reflex\u00e3o sobre todas essas deturpa\u00e7\u00f5es morais e \u00e9ticas que atravessam o s\u00e9culo XXI, chegando a um desfecho em que se desembarca nessa realidade de ascens\u00e3o de for\u00e7as autorit\u00e1rias e violentas, de promo\u00e7\u00e3o de intoler\u00e2ncia e de agress\u00e3o nas redes sociais. <em>Solu\u00e7\u00e3o de dois Estados<\/em> \u00e9, dessa forma, uma proposta liter\u00e1ria que adentra em tempos sombrios, de incertezas sociais e de banaliza\u00e7\u00e3o do menosprezo ao outro. \u00c9 um romance que aborda a impossibilidade de di\u00e1logo em contextos contempor\u00e2neos e as tentativas de silenciamento, de sobreposi\u00e7\u00e3o, de apagamentos, promovendo uma abertura para a reflex\u00e3o a respeito do crescimento de projetos discursivos e pol\u00edticos que se legitimam por meio do \u00f3dio. Nesse texto, Michel Laub mobiliza recursos como a fragmenta\u00e7\u00e3o, a sobreposi\u00e7\u00e3o de registros documentais e ficcionais e a instabilidade do ponto de vista para expor \u2013 sem resolver \u2013 as fragilidades \u00e9ticas que atravessam o Brasil contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FONSECA, Mauro Gabriel Morais da (2024). <em>Testemunhas presentes <\/em>\u2013 Solu\u00e7\u00e3o de dois Estados<em>, de Michel Laub<\/em>: fic\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria na literatura contempor\u00e2nea brasileira. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras) \u2013 Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NALERIO, Nathaly Silva; SPAREMBERGER, Alfeu (2025). O efeito de realidade em <em>Solu\u00e7\u00e3o de dois Estados<\/em>, de Michel Laub. <em>Anu\u00e1rio de Literatura<\/em>, Florian\u00f3polis, v. 30, p. 1-23. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.ufsc.br\/index.php\/literatura\/article\/view\/101012\">https:\/\/periodicos.ufsc.br\/index.php\/literatura\/article\/view\/101012<\/a>. Acesso em: 4 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Carlos Wender Sousa (2021). <em>A literatura como ferramenta est\u00e9tica e \u00e9tica <\/em><em>diante<\/em><em> de realidades antidemocr\u00e1ticas e dist\u00f3picas<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras) \u2013 Universidade de Bras\u00edlia, Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-7921.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-7921\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Cia-das-Letras-2020.avif\" data-caption-title=\"Cia das Letras, 2020\" data-attachment-id=\"7922\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Cia das Letras, 2020\" width=\"250\" height=\"374\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/04\/Cia-das-Letras-2020\/4089845403.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22374%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20374%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Cia das Letras, 2020<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LAUB, Michel. 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