{"id":7915,"date":"2026-04-22T23:25:49","date_gmt":"2026-04-23T02:25:49","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7915"},"modified":"2026-04-22T23:25:49","modified_gmt":"2026-04-23T02:25:49","slug":"parabelum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7915","title":{"rendered":"Parab\u00e9lum"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">CARVALHO, Gilmar de. <em>Parab\u00e9lum<\/em>. [<em>S. l.<\/em>]: ed. do autor, 1977.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Carolina Vigna<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Julio Lapagesse<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance <em>Parab\u00e9lum<\/em>, do advogado, escritor, jornalista e professor Gilmar de Carvalho (Sobral, Cear\u00e1, 1949 \u2013 Fortaleza, Cear\u00e1, 2021), inscreve-se no panorama liter\u00e1rio brasileiro como um texto singular, pela maneira como articula oralidade, mem\u00f3ria coletiva e cr\u00edtica social em torno da viol\u00eancia como linguagem. A obra, publicada originalmente em 1977, retorna a um momento em que a fic\u00e7\u00e3o nordestina buscava novas formas de express\u00e3o, afastando-se do regionalismo tradicional e incorporando procedimentos de fragmenta\u00e7\u00e3o, par\u00f3dia e montagem. Ao mesmo tempo, reafirma a liga\u00e7\u00e3o do autor com a cultura popular cearense, campo que constituiu o eixo de sua trajet\u00f3ria intelectual e criativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O t\u00edtulo escolhido, <em>Parab\u00e9lum<\/em>, j\u00e1 anuncia a tens\u00e3o fundamental que atravessa o romance. A express\u00e3o latina <em>si vis pacem<\/em>, <em>para bellum<\/em> \u2013 \u201cse queres a paz, prepara-te para a guerra\u201d \u2013 \u00e9 deslocada para um cen\u00e1rio sertanejo, onde a arma de fogo aparece como signo onipresente, tanto material quanto simb\u00f3lico. <em>Parab\u00e9lum<\/em> \u00e9 tamb\u00e9m o nome de uma pistola autom\u00e1tica de grande calibre, de fabrica\u00e7\u00e3o alem\u00e3. A arma n\u00e3o \u00e9 apenas um instrumento t\u00e9cnico, mas tamb\u00e9m uma met\u00e1fora do destino, da honra e da justi\u00e7a feita pelas pr\u00f3prias m\u00e3os. \u00c9 um objeto que narra, que carrega hist\u00f3rias, que inscreve na vida cotidiana marcas de poder e de medo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrutura do romance caracteriza-se pela fragmenta\u00e7\u00e3o. Em vez de uma narrativa linear, o leitor encontra blocos curtos, composi\u00e7\u00f5es descont\u00ednuas, altern\u00e2ncia de registros e vozes. H\u00e1 trechos que soam como relatos orais, outros como serm\u00f5es, outros ainda como an\u00fancios de r\u00e1dio ou televis\u00e3o. Essa montagem cria um efeito de colagem, quase um palimpsesto, que obriga o leitor a recompor o sentido a partir da justaposi\u00e7\u00e3o de discursos. O sert\u00e3o, nesse procedimento, deixa de ser retratado como cen\u00e1rio fixo e torna-se espa\u00e7o de disputa de narrativas. \u00c9 um campo de batalha n\u00e3o apenas material, mas tamb\u00e9m simb\u00f3lico, onde mitos, mem\u00f3rias e rezas competem por autoridade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa op\u00e7\u00e3o formal dialoga com as pesquisas que Gilmar de Carvalho desenvolveu ao longo da vida. Professor universit\u00e1rio, ele se dedicou a estudar as manifesta\u00e7\u00f5es da cultura popular do Cear\u00e1, em especial a literatura de cordel, a xilogravura e os folguedos. Ao escrever <em>Parab\u00e9lum<\/em>, transporta para a fic\u00e7\u00e3o recursos que aprendeu com esses universos: a cad\u00eancia repetitiva, o uso de paralelismos, a constru\u00e7\u00e3o de imagens r\u00e1pidas e intensas. O livro, assim, n\u00e3o apenas fala sobre a cultura popular, mas a incorpora como modo de narrar. A oralidade \u00e9 elemento estruturante e forma de pensamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O protagonista do romance \u00e9 uma figura aleg\u00f3rica. N\u00e3o se trata de um personagem psicol\u00f3gico, constru\u00eddo pela introspec\u00e7\u00e3o, mas de uma condensa\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos. Com uma certa licen\u00e7a po\u00e9tica, pode-se dizer que \u00e9 uma s\u00edntese semi\u00f3tica. Ele carrega em si tra\u00e7os de Cristo, de l\u00edderes revolucion\u00e1rios e de cangaceiros. \u00c9, ao mesmo tempo, messias e bandido, santo e criminoso, profeta e justiceiro. Essa escolha desloca a narrativa de uma biografia individual para um campo mais amplo: o da mitologia social. Ao fundir essas refer\u00eancias, Carvalho sugere que a cultura brasileira elabora suas figuras de lideran\u00e7a e de contesta\u00e7\u00e3o em torno da viol\u00eancia e da promessa de reden\u00e7\u00e3o. O her\u00f3i \u00e9, portanto, um espelho das tens\u00f5es hist\u00f3ricas do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Parab\u00e9lum<\/em> aborda o entrela\u00e7amento entre viol\u00eancia e f\u00e9. O sert\u00e3o aparece como lugar em que a promessa de paz s\u00f3 se cumpre por meio da guerra, em que a justi\u00e7a se faz pelo disparo, em que a devo\u00e7\u00e3o convive com a amea\u00e7a. N\u00e3o se trata de glorifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, mas da exposi\u00e7\u00e3o de sua naturaliza\u00e7\u00e3o no cotidiano. O romance mostra como a arma se integra \u00e0 vida comunit\u00e1ria, como ela marca rituais, regula conflitos e at\u00e9 organiza as mem\u00f3rias transmitidas de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro aspecto central \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre arcaico e moderno. O romance mescla serm\u00f5es b\u00edblicos, ladainhas religiosas e relatos tradicionais com <em>slogans<\/em> pol\u00edticos e resson\u00e2ncias da cultura de massa. O efeito \u00e9 de simultaneidade. O sert\u00e3o n\u00e3o aparece como espa\u00e7o congelado no passado, mas como lugar onde temporalidades diversas se cruzam. Essa conviv\u00eancia de discursos evidencia o modo como o Brasil reelabora constantemente seus mitos, sem eliminar contradi\u00e7\u00f5es. A viol\u00eancia do passado atualiza-se nas formas contempor\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao inserir essas dimens\u00f5es em uma narrativa liter\u00e1ria, Gilmar de Carvalho desloca a produ\u00e7\u00e3o nordestina da vis\u00e3o folcl\u00f3rica que pode, \u00e0s vezes, ser compreendida de forma caricata. O sert\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apresentado como curiosidade ex\u00f3tica, mas como territ\u00f3rio de reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre a sociedade brasileira. O romance mostra como as pr\u00e1ticas simb\u00f3licas do interior dialogam com quest\u00f5es nacionais: a banaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, a disputa por narrativas pol\u00edticas e religiosas e a perman\u00eancia do mito como forma de organiza\u00e7\u00e3o social. Ao mesmo tempo, reafirma a import\u00e2ncia da mem\u00f3ria coletiva, da oralidade e da cultura popular como reservas de imagina\u00e7\u00e3o e de resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A linguagem de <em>Parab\u00e9lum<\/em> refor\u00e7a esse gesto cr\u00edtico. N\u00e3o h\u00e1 descri\u00e7\u00f5es longas ou detalhistas, mas cortes secos, imagens r\u00e1pidas, constru\u00e7\u00f5es que lembram a fala oral. De uma certa maneira, \u00e9 poss\u00edvel compreender o corte seco como uma men\u00e7\u00e3o ou homenagem aos repentistas nordestinos. O efeito \u00e9 de ritmo pulsante, que aproxima o texto da cad\u00eancia de uma cantoria. Essa escolha estil\u00edstica abre espa\u00e7o para se perceber a l\u00f3gica da oralidade como modo de conhecimento. A leitura, assim, torna-se experi\u00eancia de contato com outro regime de linguagem, em que o essencial se transmite pela repeti\u00e7\u00e3o, pelo ritmo e pela condensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No conjunto da obra de Gilmar de Carvalho, <em>Parab\u00e9lum<\/em> representa um ponto alto. O autor transitou entre a cr\u00edtica cultural, a pesquisa acad\u00eamica e a cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Sua contribui\u00e7\u00e3o consistiu em dar visibilidade \u00e0 riqueza da cultura popular nordestina e em mostrar como ela se relaciona com problemas centrais do Brasil contempor\u00e2neo. Em <em>Parab\u00e9lum<\/em>, essa voca\u00e7\u00e3o se realiza de modo liter\u00e1rio, propondo ao mesmo tempo uma leitura da viol\u00eancia e uma reflex\u00e3o sobre os modos de narrar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atualidade da obra \u00e9 evidente. Em um pa\u00eds marcado por debates sobre armamento, viol\u00eancia urbana e rural e narrativas de salva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e religiosa, o romance ressoa com for\u00e7a. Sua cr\u00edtica \u00e0 naturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, sua exposi\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es entre paz e guerra e sua valoriza\u00e7\u00e3o da palavra popular como instrumento de reflex\u00e3o mant\u00eam-se pertinentes. O livro convida a pensar sobre como a sociedade brasileira segue estruturada por l\u00f3gicas de confronto, estrat\u00e9gias polarizantes e viol\u00eancias sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua forma fragment\u00e1ria, sua figura aleg\u00f3rica de her\u00f3i e sua reflex\u00e3o sobre viol\u00eancia e mito o mant\u00eam como obra necess\u00e1ria para a compreens\u00e3o do Brasil. N\u00e3o se trata apenas de romance regional, mas de interven\u00e7\u00e3o cr\u00edtica em debates nacionais. Ao inscrever a oralidade sertaneja na literatura, Gilmar de Carvalho mostrou que o sert\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m espa\u00e7o de vanguarda est\u00e9tica e de elabora\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica complexa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CARVALHO, Gilmar de (1993). Gilmar une o erudito ao popular. <em>Revista Entrevista<\/em>, Fortaleza, n. 2, p. 3-9. Entrevista concedida a Clariane Rebou\u00e7as, Cl\u00e1udio Ribeiro, Demitri T\u00falio, Eduardo Freire, Francisco Roberto, Jos\u00e9 Rocha, J\u00falio C\u00e9sar, Liliana Couto, M\u00e1rcio R\u00e9gis, Oceli Lopes e S\u00edlvia Carla. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/repositorio.ufc.br\/handle\/riufc\/34269\">https:\/\/repositorio.ufc.br\/handle\/riufc\/34269<\/a>. Acesso em: 3 out. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CASTRO, L\u00eddia Barroso Gomes (2019). <em>Literatura e jornalismo<\/em>: entrevista e not\u00edcia em <em>Parab\u00e9lum<\/em>, de Gilmar de Carvalho. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras) \u2013 Universidade Federal do Cear\u00e1, Fortaleza (CE). Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/repositorio.ufc.br\/handle\/riufc\/49122\">https:\/\/repositorio.ufc.br\/handle\/riufc\/49122<\/a>. Acesso em: 3 out. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PORTELLA, Cl\u00e1udio (2011). <em>Parab\u00e9lum<\/em> transforma narrativa em jorro de frases. <em>Folha de S. Paulo<\/em>, 6 ago. 2011. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq0608201118.htm\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq0608201118.htm<\/a>. Acesso em: 20 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-7916.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-7916\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Ed.-do-autor-1977.avif\" data-caption-title=\"Ed. do autor, 1977\" data-attachment-id=\"7917\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Ed. do autor, 1977\" width=\"250\" height=\"365\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/04\/Ed_-do-autor-1977\/3677042792.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22365%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20365%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Ed. do autor, 1977<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Armazem-da-Cultura-2011.avif\" data-caption-title=\"Armaz\u00e9m da Cultura, 2011\" data-attachment-id=\"7918\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Armaz\u00e9m da Cultura, 2011\" width=\"250\" height=\"359\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/04\/Armazem-da-Cultura-2011\/1381187549.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22359%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20359%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Armaz\u00e9m da Cultura, 2011<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CARVALHO, Gilmar de. 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