{"id":7911,"date":"2026-05-21T19:30:58","date_gmt":"2026-05-21T22:30:58","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7911"},"modified":"2026-05-21T19:30:58","modified_gmt":"2026-05-21T22:30:58","slug":"pao-cozido-debaixo-de-brasa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7911","title":{"rendered":"P\u00e3o cozido debaixo de brasa"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">JORGE, Miguel. <em>P\u00e3o cozido debaixo de brasa<\/em>. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1997.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Eduardo Marinho da Silva<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Moreno Lago<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance <em>P\u00e3o cozido debaixo de brasa<\/em>, publicado em 1997 pelo escritor Miguel Jorge (Campo Grande, MS, 1934), tematiza e transfigura, numa prosa com alta carga m\u00edtica e m\u00edstica, uma das grandes trag\u00e9dias brasileiras contempor\u00e2neas: o acidente radiol\u00f3gico com o C\u00e9sio-137, ocorrido na cidade de Goi\u00e2nia em 1987. Trata-se de uma obra espelhada e marcada pelo signo da duplicidade, com duas narrativas tematicamente aut\u00f4nomas, mas cuja unidade pode ser encontrada em sua constru\u00e7\u00e3o formal, que mobiliza uma linguagem iridescente, transformando-se conforme a incid\u00eancia da luz, e convidando os leitores ao exerc\u00edcio da decifra\u00e7\u00e3o, a come\u00e7ar pelo sugestivo t\u00edtulo da obra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria do adolescente Adam\/Ad\u00e3o \u00e9 solar e a a\u00e7\u00e3o transcorre majoritariamente durante o dia; j\u00e1 a hist\u00f3ria dos tr\u00eas catadores, Felipa, Jo\u00e3o Bertolino e Nec-Nec, \u00e9 noturna. Na primeira, tematiza-se a ang\u00fastia da adolesc\u00eancia e os conflitos \u00e9tico-morais formativos; na segunda, a precariedade e a perambula\u00e7\u00e3o dos catadores ganha contornos m\u00edsticos. Ponto de contato, o amanhecer e o crep\u00fasculo s\u00e3o momentos de transfigura\u00e7\u00e3o, quando as dimens\u00f5es sociais e subjetivas se fundem e caminham para o desfecho tr\u00e1gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>P\u00e3o cozido debaixo de brasa<\/em> divide-se em 38 cap\u00edtulos, a maior parte deles (25) concentrados ao redor de Adam. \u00d3rf\u00e3o de pai, o menino v\u00ea o elo com sua m\u00e3e, Ziza, ser amea\u00e7ado ap\u00f3s ela se casar com um imigrante liban\u00eas chamado Yussef Bocca. Adam assiste Yussef ocupar sua casa e o corpo de sua m\u00e3e, num movimento expansivo e voraz, como sugerido pelo sobrenome do comerciante, que desperta sentimentos de voluptuosidade e repugn\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adam se v\u00ea seduzido por sua professora, Leona, que, a pretexto de lhe oferecer aulas particulares, convida-o \u00e0 sua casa, onde h\u00e1 um chal\u00e9 rodeado por jardins, espa\u00e7o ed\u00eanico que servir\u00e1 de cen\u00e1rio para a inicia\u00e7\u00e3o sexual do garoto. A professora instiga Adam a assassinar seu marido, o banqueiro Offir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria de Adam \u00e9 formalmente constru\u00edda a partir de uma profus\u00e3o de t\u00e9cnicas narrativas e m\u00faltiplos pontos de vista. Miguel Jorge vale-se da narra\u00e7\u00e3o onisciente, da narra\u00e7\u00e3o em primeira pessoa e do discurso indireto livre, ora mergulhando, ora se afastando das perspectivas de suas personagens. H\u00e1 trechos em que as fronteiras da prosa e da poesia se confundem, quando a linguagem referencial cede espa\u00e7o para imagens obsedantes, que refor\u00e7am a atmosfera densa da narrativa. O adolescente possui, ainda, cinco cap\u00edtulos inteiramente dedicados \u00e0 sua perspectiva, intitulados \u201cEsbo\u00e7o para um di\u00e1rio\u201d, onde d\u00e1 vaz\u00e3o ao pavor e fasc\u00ednio exercido pela figura m\u00e1scula de Yussef, ao desejo despertado pela feminilidade enclausurante de Leona, \u00e0 tristeza pelo esgar\u00e7amento do la\u00e7o filial e ao apagamento da mem\u00f3ria de seu pai, que pouco a pouco vai assumindo os contornos de Yussef.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 no romance uma intertextualidade com o texto b\u00edblico e com mitologias judaico-crist\u00e3s, que se fazem presentes tanto nos epis\u00f3dios como na profus\u00e3o de imagens e de alus\u00f5es mobilizadas pelo autor. A professora Leona, que pede para ser chamada de Lili, \u00e9 inscrita sob o signo da cobra e evoca a figura de Lilith, que em algumas mitologias \u00e9 apontada como a primeira esposa de Ad\u00e3o. Contrariamente a Eva, criada da costela do primeiro homem, portanto, devendo-lhe obedi\u00eancia, Lilith teria sido criada ao mesmo tempo e do mesmo barro que Ad\u00e3o, recusando-se a ser-lhe submissa, o que acarretou sua expuls\u00e3o do Jardim do \u00c9den e posterior aproxima\u00e7\u00e3o a L\u00facifer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No romance, esse intertexto b\u00edblico n\u00e3o \u00e9 mera alus\u00e3o. Os passos de Adam entre a casa, a escola e o jardim de Leona\/Lili s\u00e3o acompanhados por duas figuras angelicais, o Anjo Velho e o Anjo Novo, que irrompem na narrativa numa disputa incans\u00e1vel pela alma do adolescente. O Anjo Velho \u00e9 zeloso e protetor, enquanto o Anjo Novo, voluptuoso e belo, incita Adam a seguir seus impulsos mais primitivos. Nos momentos de maior tens\u00e3o, a figura do Anjo Novo vai se fundir \u00e0 de Lili, como se duas entidades habitassem um mesmo corpo, cujo prop\u00f3sito \u00e9 subjugar Adam\/Ad\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desse modo, o palco onde se movem as personagens da narrativa de Adam assume fei\u00e7\u00f5es m\u00edsticas, m\u00edticas e religiosas, numa profus\u00e3o de met\u00e1foras: o jardim ed\u00eanico de Leona; o mito da cria\u00e7\u00e3o e da queda de Ad\u00e3o e Eva reencenado na rela\u00e7\u00e3o entre o adolescente e a professora; a batalha f\u00e1ustica entre os anjos pela alma do jovem. Adam se v\u00ea imerso em duas tr\u00edades: a nova fam\u00edlia conjugal, composta por Adam-Ziza-Yussef, marcada por uma tens\u00e3o de matriz edipiana, e a fam\u00edlia extraconjugal, formada por Adam-Leona-Offir, em que a perda da inoc\u00eancia do menino \u00e9 motivada pela tenta\u00e7\u00e3o do assassinato de Offir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo enredo de <em>P\u00e3o cozido debaixo de brasa<\/em> tem como protagonistas tr\u00eas catadores de materiais recicl\u00e1veis: Felipa, Jo\u00e3o Bertolino e Nec-Nec. Como \u201caves da noite\u201d, eles caminham pela cidade em busca de sucatas e das sobras dispensadas pela urbe. Felipa \u2013 m\u00e3e de cinco filhos, dois deles j\u00e1 mortos \u2013 caminha pela noite \u00e0 procura n\u00e3o apenas do p\u00e3o-alimento, mas tamb\u00e9m de uma misteriosa luz azul, que lhe ajudar\u00e1 a atravessar o mil\u00eanio. Sua jornada terrena tem contornos m\u00edsticos, pois Felipa experimenta momentos de transe, onde se v\u00ea acompanhada por duas bolas de fogo e por figuras espectrais, vis\u00edveis apenas a ela. Felipa atravessa a noite em companhia de Jo\u00e3o Bertolino, seu marido, e de Nec-Nec, figura diminuta e muda, descrita como \u201cmeio homem, meio tatu, meio bicho-do-mato\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa noite, Felipa vislumbra a luz azul vazando de um espa\u00e7o em ru\u00edna, pressentindo o an\u00fancio de uma nova terra santa, que os alimentar\u00e1 do p\u00e3o-simb\u00f3lico. As err\u00e2ncias conduzem os tr\u00eas at\u00e9 um pr\u00e9dio abandonado, uma antiga institui\u00e7\u00e3o hospitalar. L\u00e1, Jo\u00e3o Bertolino encontra uma caixa de metal protegendo um cilindro que Felipa acredita conter a luz azul. Depois de quebrar o revestimento met\u00e1lico com golpes de marreta, surge uma c\u00e1psula, descrita como \u201cum cora\u00e7\u00e3o pulsando, feito uma bomba, para todos os lados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Felipa leva a c\u00e1psula para sua casa, situada no Bairro Popular \u2013 nome sugestivo que tamb\u00e9m corresponde a uma parte do que hoje \u00e9 nomeado como Setor Central, na cidade de Goi\u00e2nia. A abertura da c\u00e1psula \u00e9 feita num momento de celebra\u00e7\u00e3o, com a fam\u00edlia rodeada pelos vizinhos, que contemplam a irradia\u00e7\u00e3o brilhante de um p\u00f3 azul. A certo momento, uma das filhas do casal \u201ccomia do p\u00e3o e comia da luz que parecia crepitar em sua boca, cobria de azul os seus l\u00e1bios e atravessava em linha reta todo o seu corpo\u201d. Os epis\u00f3dios seguintes do enredo transcorrem de modo vertiginoso, numa sucess\u00e3o de fragmentos: Nec-Nec foge da festa; uma cruz brilhante aparece no peito da menina; soldados e jornalistas cercam o Bairro Popular; Jo\u00e3o Bertolino tem seus bra\u00e7os enfaixados devido a queimaduras; os animais da fam\u00edlia s\u00e3o sacrificados; a menina \u00e9 isolada e depois colocada em um caix\u00e3o de metal; todo o quarteir\u00e3o \u00e9 sitiado; a menina come\u00e7a a ser vista como uma santa. Felipa e Nec-Nec parecem ter sido severamente contaminados, enquanto Jo\u00e3o Bertolino torna-se \u201co homem da luz azul, de 13 de setembro de 1987\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta segunda narrativa de <em>P\u00e3o cozido debaixo de brasa<\/em> o texto ficcional se aproxima dos eventos ocorridos na cidade de Goi\u00e2nia em setembro de 1987, quando catadores encontraram um equipamento de radioterapia numa unidade hospitalar abandonada e o levaram para casa. Ap\u00f3s desmontar o recipiente met\u00e1lico, encontraram um material azul, que brilhava no escuro. Trata-se do C\u00e9sio-137, um is\u00f3topo radioativo capaz de deixar sequelas graves ou ser letal se ingerido ou se permanecer em exposi\u00e7\u00e3o prolongada ao corpo humano. No acidente radiol\u00f3gico de Goi\u00e2nia, estima-se que mais de 110 mil pessoas foram expostas ao C\u00e9sio-137. Desse n\u00famero, 249 apresentaram contamina\u00e7\u00e3o mais significativa e quatro morreram nas semanas seguintes ao acidente, dentre elas a menina Leide das Neves Ferreira, de seis anos, que se converteu em s\u00edmbolo da trag\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de a hist\u00f3ria de Felipa, Jo\u00e3o Bertolino e Nec-Nec conter um elemento referencial facilmente identific\u00e1vel transposto para a narrativa, Miguel Jorge investe na transfigura\u00e7\u00e3o ficcional e na recria\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica da trag\u00e9dia. Para isso, o escritor restringe a descri\u00e7\u00e3o realista, preferindo as constru\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas e aleg\u00f3ricas, revestindo um problema local com formas universalizantes, um refletindo o outro, ainda que de modo distorcido ou em polos opositivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O enredo do romance \u00e9 deslocado dos anos 1980 para a virada do mil\u00eanio e se aproveita das supersti\u00e7\u00f5es e expectativas catastr\u00f3ficas que acompanham a data. Assim, as personagens da narrativa s\u00e3o atravessadas por quest\u00f5es do contempor\u00e2neo, como a migra\u00e7\u00e3o, o exerc\u00edcio do poder, as vidas prec\u00e1rias, a identidade e a f\u00e9. Romance de forma\u00e7\u00e3o e deforma\u00e7\u00e3o, social e introspectivo, entre o sagrado e o profano, entre a queda e a reden\u00e7\u00e3o, as duas narrativas que comp\u00f5em <em>P\u00e3o cozido debaixo de brasa<\/em> exp\u00f5em fraturas sociais e subjetivas, bem como os anseios de um pa\u00eds \u00e0s v\u00e9speras do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O escritor Miguel Jorge, de ascend\u00eancia libanesa, nasceu no Mato Grosso do Sul e \u00e9 radicado em Goi\u00e1s. O autor situa <em>P\u00e3o cozido debaixo de brasa<\/em>, romance vencedor do Pr\u00eamio Machado de Assis da Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional em 1997, dentro de uma trilogia com tem\u00e1tica regional, mas que possui \u201creflexos de universalidade\u201d. A obra foi antecedida por <em>Veias e vinhos<\/em> (1981) e <em>Nos ombros do c\u00e3o<\/em> (1991), tamb\u00e9m ambientadas em Goi\u00e1s. O escritor possui uma vasta produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, que perpassa o romance, o teatro, a poesia, o conto e a produ\u00e7\u00e3o audiovisual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NOGUEIRA, Soraya Calheiros (2002). <em>O grotesco em Miguel Jorge e Julio Cort\u00e1zar<\/em>. Goi\u00e2nia: C\u00e2none Editorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BORGES FILHO, Oz\u00edris; OLIVEIRA, Carla Reis de. Os espa\u00e7os dial\u00e9ticos em <em>P\u00e3o cozido debaixo de brasa<\/em>, de Miguel Jorge (2014). <em>Todas as Musas<\/em>, ano 5, n. 2, jan.\/jun., p. 178-191. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/todasasmusas.com.br\/10Oziris_Carla.pdf\">https:\/\/todasasmusas.com.br\/10Oziris_Carla.pdf<\/a>. Acesso em: 13 abr. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SOUZA, Isa\u00edas Martins de (2016). <em>A brasa que n\u00e3o dorme<\/em>: di\u00e1logos entre literatura e hist\u00f3ria em <em>P\u00e3o cozido debaixo de brasa<\/em>, de Miguel Jorge. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Educa\u00e7\u00e3o, Linguagem e Tecnologias) \u2013 Universidade Estadual de Goi\u00e1s, An\u00e1polis. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.bdtd.ueg.br\/handle\/tede\/863\">http:\/\/www.bdtd.ueg.br\/handle\/tede\/863<\/a>. Acesso em: 13 abr. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-7912.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-7912\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Mercado-Aberto-1997.avif\" data-caption-title=\"Mercado Aberto, 1997\" data-attachment-id=\"7913\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Mercado Aberto, 1997\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/04\/Mercado-Aberto-1997\/3754174883.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Mercado Aberto, 1997<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JORGE, Miguel. P\u00e3o cozido debaixo de brasa. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1997. 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