{"id":7886,"date":"2026-04-20T19:27:48","date_gmt":"2026-04-20T22:27:48","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7886"},"modified":"2026-04-20T19:38:36","modified_gmt":"2026-04-20T22:38:36","slug":"o-crime-do-cais-do-valongo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7886","title":{"rendered":"O crime do Cais do Valongo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">CRUZ, Eliana Alves. <em>O crime do Cais do Valongo<\/em>. Rio de Janeiro: Mal\u00ea, 2018.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"letter-spacing:1.15px\">Nath\u00e1lia Melo de Oliveira<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"letter-spacing:1.15px\"><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Rafael Trinco<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eliana Alves Cruz (Rio de Janeiro, RJ, 1966) \u00e9 jornalista, escritora e apresentadora de TV. Suas produ\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias incluem os romances <em>\u00c1gua de barrela<\/em> (2016), <em>O crime do Cais do Valongo<\/em> (2018), <em>Nada digo de ti, que em ti n\u00e3o veja<\/em> (2020) e <em>Solit\u00e1ria<\/em> (2022). Como apresentadora, Cruz interpela autores, cr\u00edticos e editores em debates sobre literatura no programa <em>Trilha de Letras<\/em>, exibido pela TV Brasil. Em&nbsp;<em>O crime do Cais do Valongo<\/em>, a autora entrela\u00e7a a criatividade ficcional aos registros hist\u00f3ricos,&nbsp;frutos de suas pesquisas, para construir uma narrativa em primeira pessoa&nbsp;de uma mulher e um homem negros \u2013 sendo este caracterizado como \u201cmesti\u00e7o\u201d ao longo da narrativa&nbsp;\u2013 atravessados pelos horrores da escravid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro \u00e9 organizado em onze cap\u00edtulos que s\u00e3o introduzidos por fragmentos de not\u00edcias dos jornais <em>Gazeta do Rio de Janeiro<\/em> e <em>Jornal do Commercio<\/em>. H\u00e1 duas vozes narrativas: a de Nuno Alc\u00e2ntara Moutinho, com presen\u00e7a limitada, e a de Muana L\u00f3mu\u00e8, que ocupa a maior parte da trama. Elas s\u00e3o demarcadas por subdivis\u00f5es que t\u00eam subt\u00edtulos pr\u00f3prios para cada narrador. Assim, as hist\u00f3rias de cada um deles se cruzam entre si e com o que \u00e9 exposto pelos notici\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trama concentra-se tamb\u00e9m em descrever a regi\u00e3o do Valongo, no Rio de Janeiro do s\u00e9culo XIX. Em alguns trechos, \u00e9 poss\u00edvel identificar lugares que existiram e ainda existem na antiga capital do Brasil, como os mercados negreiros da regi\u00e3o, o Cais <em>Pharoux<\/em> e a Pedra do Sal. O romance se passa durante o reinado de D. Jo\u00e3o VI, fato que pode ser identificado por passagens do livro e pelas not\u00edcias no in\u00edcio dos cap\u00edtulos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pano de fundo da narrativa \u00e9 a tentativa de descobrir o assassino do senhor Bernardo Louren\u00e7o Viana, comerciante do Valongo que foi encontrado morto em condi\u00e7\u00f5es estranhas em uma das ruas da cidade. Nuno, um homem mesti\u00e7o que sonha em ser livreiro, inicia a hist\u00f3ria contando sobre como o corpo do homem foi encontrado. Nuno, que n\u00e3o \u00e9 policial, percorre os cap\u00edtulos acompanhando o Intendente-Geral da Pol\u00edcia, Paulo Fernandes Viana, nas investiga\u00e7\u00f5es do crime. Paulo \u00e9 primo do homem assassinado e conduz toda a investiga\u00e7\u00e3o interrogando suspeitos e buscando pistas. Nuno \u00e9 tamb\u00e9m um suspeito do assassinato, por ter uma d\u00edvida com o morto. Contudo, o aspirante a livreiro se desvencilha da suspei\u00e7\u00e3o com a ajuda de Muana L\u00f3mu\u00e8.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O assassinato de Bernardo envolveu outros suspeitos: Muana, Marianno e Roza, porque eram os escravizados que trabalhavam na hospedaria de Bernardo, e Alceu Coimbra, amante de Emerenciana Campelo D\u2019\u00c1vila, noiva de Bernardo. Para o inspetor geral, os tr\u00eas escravizados de Bernardo eram os principais suspeitos. A \u00fanica quest\u00e3o que intrigava Paulo era o fato de eles n\u00e3o terem fugido ap\u00f3s a morte do comerciante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os subcap\u00edtulos narrados por Muana s\u00e3o mais longos do que os de Nuno. A narradora descreve boa parte de sua vida em Mo\u00e7ambique, seu sequestro, a travessia em um navio tumbeiro que a trouxe ao Brasil, sua chegada e a vida atual na hospedaria Vale Longo. As hist\u00f3rias de Muana s\u00e3o contadas para um ouvinte atento, o senhor Jo\u00e3o Toole, um professor de l\u00edngua inglesa que visita a mo\u00e7ambicana no final do dia para ouvir seus relatos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O senhor Toole apresentou-se a Bernardo como professor. Ele disse ao comerciante que lhe ensinaria a l\u00edngua inglesa, desde que Bernardo o deixasse conversar ao final do dia com Muana. Para a escravizada, Toole se apresentou como abolicionista e disse que tinha a inten\u00e7\u00e3o de levar os relatos de escravizados no Brasil a p\u00fablico, a fim de encerrar o tr\u00e1fico negreiro e, posteriormente, o sistema escravagista no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muana conta ao professor sobre aspectos geogr\u00e1ficos de seu pa\u00eds natal, quest\u00f5es culturais e religiosas de seus ancestrais, a morte dos pais, os amigos, as paix\u00f5es que teve e as doen\u00e7as que assolavam as pessoas na travessia do Atl\u00e2ntico. Muana relembra sua aldeia, pr\u00f3xima \u00e0s montanhas do Namuli, e uma habitante de l\u00e1: Nipele, a Grande-M\u00e3e. Ela tamb\u00e9m fala sobre sua ida para Quelimane e sobre o com\u00e9rcio negreiro da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por conta do per\u00edodo em que viveu em Quelimane, cidade em Mo\u00e7ambique com influ\u00eancia isl\u00e2mica, Muana relata o cotidiano da regi\u00e3o e os rituais da religi\u00e3o, como a circuncis\u00e3o de meninas ap\u00f3s a primeira menstrua\u00e7\u00e3o. A personagem conta que seu pai converteu-se ao islamismo, mas sua m\u00e3e n\u00e3o aceitava tranquilamente a ritual\u00edstica proposta pelos mu\u00e7ulmanos. Por isso, quando Muana menstrua pela primeira vez, sua m\u00e3e prefere ensinar os rituais do povo Namuli para a menina, escolha que acaba gerando um ataque \u00e0 fam\u00edlia. A m\u00e3e de Muana \u00e9 acusada de feiti\u00e7aria, e a fam\u00edlia \u00e9 separada por comerciantes de escravos. Assim, a protagonista perde o contato com seus familiares e apega-se a Umpulla, amigo e namorado, para sobreviver nos dias posteriores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s o ataque, Muana e Umpulla fogem para um mosteiro onde s\u00e3o escravizados. \u00c0 noite, os dois se encontram nas \u00e1reas externas do lugar para se amarem. \u00c9 em um desses encontros que Frei Lucas os descobre e os a\u00e7oita. Ferida, Muana decide contar aos outros habitantes do mosteiro sobre as aventuras com homens que Frei Lucas vivia \u00e0s escondidas e em como o cl\u00e9rigo se automutilava depois. Apesar de ser uma pr\u00e1tica comum aos habitantes do mosteiro, a hist\u00f3ria gerou indigna\u00e7\u00e3o no Frei, que os enviou para a Casa Rio de Janeiro, dep\u00f3sito em Mo\u00e7ambique que mantinha pessoas que seriam enviadas ao Brasil como escravizadas. O lugar tinha condi\u00e7\u00f5es muito prec\u00e1rias, o que favorecia o alastramento de doen\u00e7as. Foi a\u00ed ent\u00e3o que Muana reencontrou seu pai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de serem enviados ao Brasil, Muana e Umpulla s\u00e3o marcados na pele com as iniciais dos comerciantes brasileiros envolvidos na comercializa\u00e7\u00e3o de seus corpos. Ao chegarem ao Brasil, os dois enamorados acabam se separando, e Muana guarda apenas as mem\u00f3rias e um brinco de meia-lua de Umpulla.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo em que conta sua hist\u00f3ria, Muana a registra em pap\u00e9is que recebe de Toole. Este \u00e9 um dos trunfos que ela tem e prefere esconder de Bernardo: saber ler, escrever e conhecer alguns idiomas. A personagem utiliza-se desta habilidade para se manter informada pelos jornais que recolhe para Bernardo, para resistir e se posicionar diante das situa\u00e7\u00f5es que vivencia. Al\u00e9m disso, ela tamb\u00e9m tem a habilidade de ver e conversar com mortos, o que gera uma grande reviravolta no decorrer da trama.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao final da hist\u00f3ria, Muana enterra, nos fundos da hospedaria que era de Bernardo, um ba\u00fa com sua hist\u00f3ria escrita nos pap\u00e9is que Toole lhe dera. Al\u00e9m de sua hist\u00f3ria, no ba\u00fa havia alguns pertences dos mortos com quem Muana conversava ao cair da noite. A mulher encarrega Nuno de cuidar do ba\u00fa e de contar sua hist\u00f3ria aos descendentes dele. Embora Nuno n\u00e3o fosse muito religioso, ele lhe prometeu que cumpriria sua promessa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, quando Nuno se torna pai, ele desenterra o ba\u00fa para contar a hist\u00f3ria de Muana a seu filho. Ao mesmo tempo, o livreiro impressiona-se com a hist\u00f3ria da escravizada e chega \u00e0 conclus\u00e3o de que o grande crime do Cais do Valongo nada tem a ver com Bernardo Louren\u00e7o, mas sim com a morte de milhares de africanos que ali aportaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance <em>O crime do Cais do Valongo<\/em> mostra-se relevante para os debates atuais no que tange \u00e0s poucas narrativas de escravizados no Brasil. O ba\u00fa de Muana pode ser lido como artefato hist\u00f3rico e pessoal. Ele n\u00e3o conta somente a hist\u00f3ria da personagem, mas atravessa um oceano inteiro e uma ancestralidade imensa para afirmar que a escravid\u00e3o existiu no Brasil, foi e \u00e9 cruel com a popula\u00e7\u00e3o negra at\u00e9 os dias atuais. Essa obra \u00e9 uma ficcionaliza\u00e7\u00e3o de viv\u00eancias que aconteceram e foram queimadas, enterradas ou sumiram do arcabou\u00e7o hist\u00f3rico do pa\u00eds, por motivos diversos, mas que permanecem vivas nas pr\u00e1ticas cotidianas do racismo estrutural, da misoginia e da tentativa de apagamento dos horrores da escravid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CARREIRA, Nara Lasevicius (2020). <em>O crime do Cais do Valongo<\/em>, de Eliana Alves Cruz: a fic\u00e7\u00e3o como (re)escrita da Hist\u00f3ria. <em>REVELL \u2013 Revista de Estudos Liter\u00e1rios da UEMS<\/em>, Campo Grande, v. 1, n. 24, p. 105-123. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicosonline.uems.br\/index.php\/REV\/article\/view\/5014\">https:\/\/periodicosonline.uems.br\/index.php\/REV\/article\/view\/5014<\/a>. Acesso em: 16 mar. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MATIAS, Jos\u00e9 Luiz (2019). <em>O crime do Cais do Valongo<\/em>: quando a saga da diversidade negra se projeta para a contemporaneidade. <em>F\u00f3rum de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, Rio de Janeiro, v. 11, n. 22, p. 33-51. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/revistas.ufrj.br\/index.php\/flbc\/article\/view\/31043\/18997\">https:\/\/revistas.ufrj.br\/index.php\/flbc\/article\/view\/31043\/18997<\/a>. Acesso em: 12 mar. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O CRIME do Cais do Valongo, com Eliana Alves Cruz (2023). Roteiro: Carlos Alberto Jr. <em>Youtube<\/em>. 1 v\u00eddeo (68 minutos). Dispon\u00edvel em: <a href=\" https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=hUqJAAjkJZI&amp;t=5s&amp;ab_channel=CarlosAlbertoJr\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=hUqJAAjkJZI&amp;t=5s&amp;ab_channel=CarlosAlbertoJr<\/a>. Acesso em: 16 mar. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SANTOS, Eliana Silva dos (2022). <em>Morte e ancestralidade em <\/em>O crime do Cais do Valongo<em>.<\/em> Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Literatura e Cultura) \u2013 Universidade Federal da Bahia, Salvador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-7887.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-7887\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Male-2018.avif\" data-caption-title=\"Mal\u00ea, 2018\" data-attachment-id=\"7888\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Mal\u00ea, 2018\" width=\"250\" height=\"395\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/Male-2018\/2833369583.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22395%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20395%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Mal\u00ea, 2018<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CRUZ, Eliana Alves. O crime do Cais do Valongo. Rio de Janeiro: Mal\u00ea, 2018. Nath\u00e1lia Melo de Oliveira Ilustra\u00e7\u00e3o: Rafael Trinco Eliana Alves Cruz (Rio de Janeiro, RJ, 1966) \u00e9 jornalista, escritora e apresentadora de TV. 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