{"id":7880,"date":"2026-04-22T23:01:19","date_gmt":"2026-04-23T02:01:19","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7880"},"modified":"2026-04-22T23:01:20","modified_gmt":"2026-04-23T02:01:20","slug":"o-azul-do-filho-morto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7880","title":{"rendered":"O azul do filho morto"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">MIRISOLA, Marcelo. <em>O azul do filho morto. <\/em>S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Renata Augusto de Carvalho<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: L\u00e9o Tavares<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O azul do filho morto<\/em> \u00e9 o primeiro romance de Marcelo Mirisola (S\u00e3o Paulo, SP, 1966), autor j\u00e1 reconhecido por sua vertente contista. A obra traz tudo ou quase tudo de desagrad\u00e1vel: Mirisola emprega uma linguagem crua, escatol\u00f3gica, muitas vezes chula e deliberadamente transgressora, num estilo que se inscreve em uma tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria que mistura autobiografia, autofic\u00e7\u00e3o e exagero absurdo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra consolidou sua reputa\u00e7\u00e3o como um escritor que desafia conven\u00e7\u00f5es, provoca o leitor e recusa qualquer pacto de boa conduta liter\u00e1ria, surgindo como um manifesto de linguagem e de postura, mais do que como uma narrativa convencional. Mirisola, conhecido desde os anos 1990 por seus contos \u00e1cidos, parte aqui para uma autofic\u00e7\u00e3o feroz, em que vida, literatura e devaneio se confundem, dando origem a um narrador que n\u00e3o poupa ningu\u00e9m, nem a si mesmo. A linguagem \u00e9 crua, escatol\u00f3gica, por vezes violenta, mas tamb\u00e9m l\u00edrica e sofisticada em sua cad\u00eancia. O resultado \u00e9 um romance que causa estranhamento, fasc\u00ednio e repulsa, sempre em doses simult\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro se insere na chamada Gera\u00e7\u00e3o 90, um conjunto de autores que estrearam nos anos 1990 e buscaram distanciar-se do realismo engajado das d\u00e9cadas anteriores e tamb\u00e9m da literatura acad\u00eamica excessivamente formal. Essa gera\u00e7\u00e3o preferia a linguagem urbana, fragmentada, coloquial, marcada pela cultura pop e pelo olhar desencantado diante da sociedade brasileira p\u00f3s-ditadura. Autores como Mar\u00e7al Aquino, Fernando Bonassi, Luiz Ruffato e Jo\u00e3o Anzanello Carrascoza exploraram em suas obras a viol\u00eancia das cidades, a precariedade das rela\u00e7\u00f5es humanas e a dissolu\u00e7\u00e3o da intimidade. Mirisola, por\u00e9m, vai al\u00e9m: se seus contempor\u00e2neos se limitavam ao retrato cr\u00edtico, ele aposta no grotesco e no escatol\u00f3gico como m\u00e9todo, numa linguagem que beira a obscenidade para expor o rid\u00edculo e a hipocrisia da vida urbana. <em>O azul do filho morto<\/em> \u00e9, nesse sentido, uma obra-limite: mais radical do que a maioria de sua gera\u00e7\u00e3o, um livro que n\u00e3o busca ades\u00e3o f\u00e1cil e se orgulha de desagradar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora Mirisola afirme que \u201cenredo \u00e9 coisa de crian\u00e7a\u201d, o romance traz um fio narrativo, ainda que fr\u00e1gil. O narrador-personagem, um duplo do pr\u00f3prio autor, atravessa mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia, experi\u00eancias sexuais patol\u00f3gicas, lembran\u00e7as familiares e reflex\u00f5es sobre a pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Logo no in\u00edcio, surge a frase desconcertante: \u201ccoelho \u00e9 um bicho que fode. Um bicho que fode\u201d. Essa abertura j\u00e1 anuncia o tom da obra: repeti\u00e7\u00e3o obsessiva, sexualidade distorcida, humor doentio. O \u201cfilho morto\u201d que d\u00e1 t\u00edtulo ao livro funciona como uma met\u00e1fora para a impossibilidade de cria\u00e7\u00e3o, seja biol\u00f3gica, seja liter\u00e1ria. Trata-se de um filho natimorto, que se dissolve em imagens grotescas \u2013 \u201cnum vidro de maionese\u201d \u2013 e que remete \u00e0 esterilidade de um narrador que n\u00e3o pode produzir nada al\u00e9m de palavras. Esse deslocamento, entre a impossibilidade de deixar descend\u00eancia biol\u00f3gica e a tentativa desesperada de deixar livros, ecoa a tradi\u00e7\u00e3o machadiana de <em>Mem\u00f3rias p\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas <\/em>(1881), em que o protagonista se vangloria de n\u00e3o ter deixado filhos, mas sim uma obra. Mirisola dialoga com essa heran\u00e7a, mas em chave mais violenta, invertida e grotesca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tom de todo o romance \u00e9 o do humor c\u00e1ustico. Mirisola \u00e9 um debochado que prefere o esc\u00e1rnio \u00e0 descri\u00e7\u00e3o linear. Frases ofensivas, racistas, sexistas ou mis\u00f3ginas surgem em jorro, n\u00e3o para serem tomadas como confiss\u00f5es literais, mas como parte de uma persona que escancara o que a sociedade prefere esconder. Assim, o narrador pode dizer que esfaqueou a empregada dom\u00e9stica ou que se excitava em humilhar figuras de autoridade, tudo num registro em que o riso e o choque se confundem. Em Mirisola, contudo, n\u00e3o h\u00e1 terapia nem tentativa de cura: h\u00e1 apenas um narrador que se deleita em seus desvios e na sua crueldade. Por isso, a leitura \u00e9 perturbadora, mas tamb\u00e9m fascinante, pois o autor se recusa a suavizar qualquer aspecto da experi\u00eancia humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo em que ofende, Mirisola constr\u00f3i uma prosa estilisticamente refinada, muito embora recheada de palavr\u00f5es. A narrativa \u00e9 simples, l\u00edmpida e, salvo a linguagem chula, elegante. Essa tens\u00e3o entre vulgaridade e sofistica\u00e7\u00e3o \u00e9 parte do projeto liter\u00e1rio do autor. A linguagem \u00e9 ao mesmo tempo suja e limpa, escatol\u00f3gica e po\u00e9tica. \u00c9 nesse contraste que reside a for\u00e7a do livro: Mirisola n\u00e3o \u00e9 apenas um provocador, mas um verdadeiro estilista da palavra, capaz de transformar a obscenidade em literatura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance tamb\u00e9m se insere em seu tempo hist\u00f3rico de modo peculiar. Lan\u00e7ado em 2002, ele reflete o desencanto de uma gera\u00e7\u00e3o urbana que viveu a d\u00e9cada neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. O Brasil dos anos 1990 foi marcado pela estabiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m pelo vazio ideol\u00f3gico, pela despolitiza\u00e7\u00e3o e pela hegemonia da cultura de massa. O narrador de Mirisola encarna esse desencanto: um sujeito sem f\u00e9 em projetos coletivos, que n\u00e3o acredita na fam\u00edlia, na p\u00e1tria ou em ideais pol\u00edticos. Seu ref\u00fagio \u00e9 apenas a literatura, ainda que em forma de grito niilista. O livro \u00e9 tamb\u00e9m uma resposta \u00e0 satura\u00e7\u00e3o da cultura midi\u00e1tica: ao citar programas de audit\u00f3rio ou \u00eddolos como Ayrton Senna, o narrador n\u00e3o reverencia, mas ridiculariza. Trata-se de uma cr\u00edtica \u00e0 idolatria nacional, mas tamb\u00e9m de um mergulho no universo banal e grotesco que a m\u00eddia produz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, o romance pode ser lido como uma cr\u00f4nica amarga da virada do mil\u00eanio. Enquanto o pa\u00eds transitava para o governo Lula e experimentava esperan\u00e7as de mudan\u00e7a, o narrador de Mirisola representava a voz de quem n\u00e3o acreditava em nada, de quem via a cultura brasileira como uma sucess\u00e3o de farsas e de s\u00edmbolos ocos. Sua recusa em produzir uma narrativa edificante ou um her\u00f3i liter\u00e1rio se alinha a esse esp\u00edrito de ironia radical. Se a literatura, at\u00e9 ent\u00e3o, muitas vezes buscava fun\u00e7\u00e3o social ou est\u00e9tica elevada, Mirisola reivindica para ela o direito de ser baixa e torpe \u2013 e, ao mesmo tempo, artisticamente potente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro aspecto essencial \u00e9 a forma como o romance trabalha a autofic\u00e7\u00e3o. O narrador se apresenta como o pr\u00f3prio Marcelo Mirisola, mas se sabe que se trata de uma persona liter\u00e1ria, um duplo fabulado. Essa ambiguidade faz parte do jogo: o leitor se pergunta at\u00e9 onde aquilo \u00e9 autobiografia, at\u00e9 onde \u00e9 inven\u00e7\u00e3o, at\u00e9 onde \u00e9 pura performance verbal. Esse embaralhamento dos limites entre vida e obra caracteriza parte da literatura contempor\u00e2nea e em Mirisola se torna radical, pois seu narrador \u00e9 deliberadamente antip\u00e1tico e grotesco. Ao criar um \u201ceu\u201d t\u00e3o desajustado, o autor desestabiliza o pacto autobiogr\u00e1fico e transforma sua vida em espet\u00e1culo ficcional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A recep\u00e7\u00e3o cr\u00edtica ao livro foi marcada por divis\u00e3o. Alguns o celebraram como uma obra-prima da gera\u00e7\u00e3o, destacando sua coragem estil\u00edstica e seu humor devastador. Outros o acusaram de gratuito, obsceno, mis\u00f3gino, racista. A verdade \u00e9 que a for\u00e7a do livro est\u00e1 justamente nesse excesso, nesse gesto de empurrar o leitor contra a parede. N\u00e3o \u00e9 uma obra que busca consenso, mas uma que reivindica a literatura como espa\u00e7o de risco. Comparado a outros t\u00edtulos da Gera\u00e7\u00e3o 90, <em>O azul do filho morto<\/em> parece mais extremo, mais visceral, mas tamb\u00e9m mais duradouro, pois n\u00e3o se encaixa em f\u00f3rmulas f\u00e1ceis. At\u00e9 hoje, muitos leitores o consideram o melhor livro de Mirisola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os temas que atravessam o romance \u2013 a esterilidade da cria\u00e7\u00e3o, o grotesco do cotidiano, a cr\u00edtica \u00e0 classe m\u00e9dia, a recusa de qualquer moralidade \u2013 revelam um projeto de literatura que n\u00e3o \u00e9 apenas narcisista, mas profundamente consciente de seu tempo. O filho morto simboliza o fracasso de uma gera\u00e7\u00e3o em produzir futuro, mas tamb\u00e9m a aposta desesperada de que os livros possam ser filhos mais duradouros, ainda que natimortos, ainda que imposs\u00edveis. A literatura, para Mirisola, \u00e9 um substituto grotesco da descend\u00eancia, um esp\u00f3lio para o mundo que, como em Machado, existe mais pela contradi\u00e7\u00e3o do que pela continuidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao final, o que fica de <em>O azul do filho morto<\/em> \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de ter atravessado um territ\u00f3rio arriscado, inc\u00f4modo e fascinante. A leitura n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, tampouco agrad\u00e1vel, mas \u00e9 inesquec\u00edvel. Mirisola obriga o leitor a rir do que n\u00e3o se deve rir, a encarar o que preferiria ignorar, a lidar com uma voz que n\u00e3o se curva \u00e0s conven\u00e7\u00f5es do bom gosto. Em um cen\u00e1rio liter\u00e1rio que muitas vezes privilegia a seguran\u00e7a, o equil\u00edbrio e a polidez, o livro se ergue como uma afronta, um soco no est\u00f4mago. Pode-se detest\u00e1-lo ou ador\u00e1-lo, mas ignor\u00e1-lo \u00e9 imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, <em>O azul do filho morto<\/em> deve ser lido n\u00e3o apenas como um romance isolado, mas como um documento de \u00e9poca: a express\u00e3o liter\u00e1ria de um Brasil desencantado, midi\u00e1tico, c\u00ednico, que atravessava o fim dos anos 1990 e o in\u00edcio dos 2000. \u00c9 tamb\u00e9m um gesto de radicaliza\u00e7\u00e3o est\u00e9tica dentro da Gera\u00e7\u00e3o 90, um marco de autofic\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica e uma aposta numa literatura que prefere arriscar com o grotesco a se perder na neutralidade. Com ele, Mirisola se firmou como uma das vozes mais originais, pol\u00eamicas e necess\u00e1rias da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria brasileira contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ALMEIDA, Adriano de (2011). \u201cO azul do filho morto\u201d (2002), de Marcelo Mirisola.<em>Pref\u00e1cio Cultural. <\/em>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/prefaciocultural.wordpress.com\/2011\/02\/25\/o-azul-do-filho-morto-marcelo-mirisola\/\">https:\/\/prefaciocultural.wordpress.com\/2011\/02\/25\/o-azul-do-filho-morto-marcelo-mirisola\/<\/a>. Acesso em: 23 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">L\u00cdSIAS, Ricardo (2006). Capitula\u00e7\u00e3o e melancolia: o narrador de Marcelo Mirisola. <em>Novos Estudos Cebrap<\/em>, n. 76, p. 289-293. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0101-33002006000300018\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0101-33002006000300018<\/a>. Acesso em: 23 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MARCELINO, Jo\u00e3o Gabriel Kalili (2020). <em>Romance em deforma\u00e7\u00e3o<\/em>: a solid\u00e3o debochada na literatura de Marcelo Mirisola. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (Gradua\u00e7\u00e3o em Letras) \u2013 Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-7882.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-7882\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Editora-34-2002.avif\" data-caption-title=\"Editora 34, 2002\" data-attachment-id=\"7883\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Editora 34, 2002\" width=\"250\" height=\"438\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/Editora-34-2002\/1977486205.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22438%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20438%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Editora 34, 2002<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Cotovia-2016.avif\" data-caption-title=\"Cotovia, 2016\" data-attachment-id=\"7884\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Cotovia, 2016\" width=\"250\" height=\"405\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/Cotovia-2016\/756137588.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22405%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20405%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Cotovia, 2016<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MIRISOLA, Marcelo. 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