{"id":7873,"date":"2026-04-22T12:45:13","date_gmt":"2026-04-22T15:45:13","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7873"},"modified":"2026-04-22T12:45:13","modified_gmt":"2026-04-22T15:45:13","slug":"o-amante-das-amazonas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7873","title":{"rendered":"O amante das Amazonas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">SAMUEL, Rogel. <em>O amante das Amazonas.<\/em> Belo Horizonte: Ai\u00f3, 1992.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Lu\u00eds Gustavo Bandeira de Sousa<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Julio Lapagesse<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil \u00e9 marcado por um passado explorat\u00f3rio, escravocrata e opressor, o qual deixou marcas que podem ser sentidas at\u00e9 os dias atuais. Em <em>O amante das Amazonas <\/em>(1992), Rogel Samuel (Manaus, AM, 1943 \u2013 Rio de Janeiro, RJ, 2023), cr\u00edtico liter\u00e1rio e professor, desenvolve um romance que mescla elementos ficcionais com fatos hist\u00f3ricos, narrando o Ciclo da Borracha no estado do Amazonas, ocorrido entre os anos de 1879 e 1912. Resultado de uma vasta pesquisa realizada ao longo de mais de dez anos e tamb\u00e9m inspirada em relatos de seu pr\u00f3prio pai (que navegou pelo rio Amazonas por um per\u00edodo de quarenta anos), o autor retrata o apogeu e a decad\u00eancia do vasto imp\u00e9rio que marcou a hist\u00f3ria da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicada em 1992, a obra \u00e9 considerada o segundo volume da cole\u00e7\u00e3o <em>Sagas do pa\u00eds chamado Brasil<\/em>. Apesar de um pouco densa e complexa, dada a vasta quantidade de tem\u00e1ticas e cr\u00edticas s\u00f3cio-hist\u00f3ricas que aborda, ela apresenta uma linguagem simples, narrada majoritariamente em primeira pessoa por meio da fala de Ribamar de Souza, um jovem pernambucano que parte para o interior da floresta amaz\u00f4nica na madrugada de natal do ano de 1897, na esperan\u00e7a de encontrar seu tio e seu irm\u00e3o. Marcado pelos sentimentos de abandono e solid\u00e3o, o narrador-personagem define a narrativa como uma \u201cpar\u00f3dia de romance hist\u00f3rico\u201d que registra com boa precis\u00e3o a tardia confiss\u00e3o da sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar do tom biogr\u00e1fico, o foco principal do romance est\u00e1 centrado na pr\u00f3pria hist\u00f3ria do Amazonas, apresentando personagens e tramas diversas, contadas em formato de <em>flashbacks<\/em>, os quais v\u00e3o costurando a narrativa de uma forma \u00fanica que, apesar de parecer confusa, torna-se surpreendente. Dessa maneira, a trama ocorre, em um primeiro momento, em torno do m\u00edtico seringal do Maxixi, o qual apresenta um majestoso pal\u00e1cio <em>art-nouveau<\/em>, de propriedade do franc\u00eas Pierre Bataillon, localizado \u00e0s margens do chamado \u201cIgarap\u00e9 do Inferno\u201d, em uma regi\u00e3o habitada por povos Numas e Caxinau\u00e1s. Os primeiros representam a resist\u00eancia ind\u00edgena, sendo fortes guerreiros que n\u00e3o se deixam ser intimidados pelos brancos colonizadores, os amea\u00e7ando; enquanto os outros representam os povos escravizados e dizimados em meio ao processo de coloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No desenrolar da trama, o leitor \u00e9 apresentado a Jos\u00e9 Bataillon, filho de Pierre, o qual tem como servos os ind\u00edgenas Pauxinau\u00e1 (um sanguin\u00e1rio e forte guerreiro) e Maria (sua amante e considerada como uma \u201csegunda m\u00e3e\u201d para o personagem), ambos Caxinau\u00e1s. O rapaz vai estudar na Europa, retornando ao seringal em 1908. Quatro anos depois, justamente no per\u00edodo de decl\u00ednio do Ciclo da Borracha, ele acaba desaparecendo, de modo que a narrativa passa a girar em torno da busca e do mist\u00e9rio que envolvem o sumi\u00e7o do rapaz e de uma caixa de libras esterlinas, a qual havia sido roubada de Pierre anos antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo da leitura, nota-se que o pr\u00f3prio narrador tenta se colocar como um personagem secund\u00e1rio na trama, tendo poucas participa\u00e7\u00f5es ou se referindo a si mesmo em terceira pessoa. Esta escolha narrativa feita pelo autor torna-se muito significativa para a constru\u00e7\u00e3o final do enredo, pois, a partir da decad\u00eancia do Ciclo da Borracha, Ribamar ressurge como protagonista, mostrando sua ascens\u00e3o na sociedade manauara, algo diferente do que ocorreu com os demais seringueiros, muitos mortos por doen\u00e7as, conflitos ocorridos no seringal ou largados em meio \u00e0 mis\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todavia, cabe ressaltar que, em v\u00e1rios momentos do romance, o narrador busca fazer um contato direto com seu leitor. Esta caracter\u00edstica d\u00e1 \u00e0 obra um tom humor\u00edstico em determinada altura, sendo um frescor em meio a uma trama complexa e constru\u00edda por fortes epis\u00f3dios de viol\u00eancia, estupros e caos. H\u00e1 um trecho em que o narrador afirma que, apesar do livro se constituir como uma obra confessional, as hist\u00f3rias narradas ocorreram apenas em sua imagina\u00e7\u00e3o e, portanto, \u00e9 completamente fict\u00edcio e deve ser tratado como mentiroso. Contudo, esta \u00e9 uma narrativa que possui um grande potencial de surpreender aqueles que a leem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode-se afirmar que <em>O amante das Amazonas <\/em>seja dividido em duas partes: a primeira com foco no apogeu e decl\u00ednio do imp\u00e9rio da borracha, tendo o interior da floresta amaz\u00f4nica como seu plano de fundo; j\u00e1 a segunda, dando destaque \u00e0 decad\u00eancia da cidade de Manaus, envolta por ru\u00ednas f\u00edsicas e morais, e \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o da vida de Ribamar. Desse modo, a obra perpassa por diversos momentos importantes n\u00e3o somente da hist\u00f3ria do Amazonas, mas de parte do per\u00edodo colonial e p\u00f3s-colonial brasileiro. H\u00e1 ainda, ao longo de seu desenvolvimento, refer\u00eancias a intelectuais da literatura, como Euclides da Cunha, figuras religiosas e acontecimentos pol\u00edticos, deixando sua trama mais rica e dial\u00f3gica, dado o seu contexto hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo este car\u00e1ter em vista, o narrador consegue situar o leitor temporalmente (indicando o ano em que cada acontecimento ocorre) de uma maneira muito bem constru\u00edda, descrevendo suas ambienta\u00e7\u00f5es e personagens de um modo detalhado. Dessa forma, ele contribui para a imers\u00e3o do leitor na narrativa, fazendo-o visualizar nitidamente a situa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o na \u00e9poca em que as hist\u00f3rias s\u00e3o contadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O modo como a obra \u00e9 constru\u00edda, apoiada em sua tem\u00e1tica ver\u00eddica, colabora para que se possa realizar uma compara\u00e7\u00e3o com o romance <em>O cora\u00e7\u00e3o das trevas <\/em>(1899), de Joseph Conrad, que retrata a barb\u00e1rie gerada pela coloniza\u00e7\u00e3o inglesa \u00e0 beira do rio do Congo, no interior da selva africana. Assim como o livro de Conrad, <em>O amante das Amazonas<\/em> tamb\u00e9m evidencia a situa\u00e7\u00e3o desumana e ca\u00f3tica a que ind\u00edgenas e nordestinos eram submetidos em prol do capitalismo imperialista. Estes \u00faltimos, vale destacar, migraram para o norte em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida devido \u00e0 crise econ\u00f4mica e \u00e0 intensa seca que assolava a sua regi\u00e3o de origem entre o final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do XX.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel estabelecer um di\u00e1logo entre o teor aventureiro, epis\u00f3dico e ficcional do texto e as narrativas de viagem, como as famosas e ver\u00eddicas aventuras de Hans Staden presentes no livro <em>Duas viagens ao Brasil <\/em>(1557), onde o mercen\u00e1rio alem\u00e3o narra suas experi\u00eancias, enquanto esteve aprisionado em uma aldeia Tupinamb\u00e1. Assim como a obra de Samuel, a trama \u00e9 constitu\u00edda por um relato que retrata a vida dos povos origin\u00e1rios no per\u00edodo colonial, mostrando como eram suas tradi\u00e7\u00f5es e rituais. Ambas as narrativas destacam o modo em que se deu o contato entre ind\u00edgenas e colonizadores, bem como os interesses capitalistas e explorat\u00f3rios destes \u00faltimos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os personagens que surgem ao longo do enredo apresentam simbologias diversas, as quais constroem um dialogismo entre fic\u00e7\u00e3o e realidade, de maneira que a obra possui um forte car\u00e1ter polif\u00f4nico em seu desenvolvimento. O \u201cIgarap\u00e9 do Inferno\u201d, como dito pelo pr\u00f3prio narrador, reflete o \u201climite do fim do mundo\u201d, sendo uma met\u00e1fora para o \u201cmarco extremo\u201d do pr\u00f3prio humano. As figuras femininas apresentadas na trama, apesar de coadjuvantes, surgem com uma certa relev\u00e2ncia, representando a sociedade patriarcal da \u00e9poca, possuindo corpos que exalam sedu\u00e7\u00e3o e sensualidade, remetendo-as \u00e0s caracter\u00edsticas rom\u00e2nticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os povos ind\u00edgenas, como mencionado, s\u00e3o retratados com uma proeminente import\u00e2ncia no texto, sendo vistos como fortes e guerreiros, mas, tamb\u00e9m, como seres submissos e despossu\u00eddos de suas tradi\u00e7\u00f5es pela coloniza\u00e7\u00e3o europeia. Maria Caxinau\u00e1 \u00e9 o s\u00edmbolo vivo desse fato, representando a mem\u00f3ria e as trag\u00e9dias hist\u00f3ricas envolvendo milhares de indiv\u00edduos, os quais tiveram suas riquezas, culturas e cren\u00e7as arrancadas de si em favor dos desejos da elite capitalista, representada, ao longo do livro, pelo personagem Pierre Bataillon, dono do seringal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em suma, a obra de Rogel Samuel configura-se n\u00e3o somente como um testemunho da decad\u00eancia, das barb\u00e1ries e dos fatos ocorridos no per\u00edodo do Ciclo da Borracha, mas, tamb\u00e9m, como uma trama hist\u00f3rico-ficcional desenvolvida a partir de um rico aparato est\u00e9tico-liter\u00e1rio. Por meio de suas alegorias e da uni\u00e3o entre o sublime e o grotesco, o autor ressignifica o romance e constr\u00f3i o retrato de um pa\u00eds marcado por uma cultura explorat\u00f3ria e escravocrata. Assim, sua escrita serve como um registro e como um mecanismo de alerta para que os fatos descritos jamais voltem a se repetir. Seus cap\u00edtulos, envoltos por quest\u00f5es filos\u00f3ficas e duras cr\u00edticas ao passado brasileiro, s\u00e3o reflexos de uma intensa pesquisa realizada pelo autor ao longo dos anos, a qual contribui para a constru\u00e7\u00e3o do seu car\u00e1ter polif\u00f4nico, historiogr\u00e1fico, documental e dial\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A G\u00caNESE da cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de <em>O amante das Amazonas<\/em> (2012). Produ\u00e7\u00e3o: Portal Entretextos. YouTube. 1 v\u00eddeo (15 min). Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=p2TNT-7NLAg\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=p2TNT-7NLAg<\/a>. Acesso em: 13 ago. 2025. Entrevista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FRAN\u00c7A, Elvira Eliza (2023). Morre Rogel Samuel, autor de <em>O amante das Amazonas<\/em>. <em>Amaz\u00f4nia Real<\/em>, 2 jul 2023. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/morre-rogel-samuel-autor-de-o-amante-das-amazonas\/\">https:\/\/amazoniareal.com.br\/morre-rogel-samuel-autor-de-o-amante-das-amazonas\/<\/a>. Acesso em: 14 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GON\u00c7ALVES, Maiara Malta (2022). <em>An\u00e1lise p\u00f3s-colonial sobre a obra <\/em>O amante das Amazonas<em>, de Rogel Samuel.<\/em> Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras Vern\u00e1culas) \u2013 Funda\u00e7\u00e3o Universidade Federal de Rond\u00f4nia, Porto Velho. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ri.unir.br\/jspui\/bitstream\/123456789\/4192\/1\/Dissertacao.pdf\">https:\/\/ri.unir.br\/jspui\/bitstream\/123456789\/4192\/1\/Dissertacao.pdf<\/a>. Acesso em: 14 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LEITURAS Compartilhadas de <em>O amante das Amazonas<\/em> de Rogel Samuel (com estudo de Zemaria Pinto) (2021). Produ\u00e7\u00e3o: C\u00edrculo Liter\u00e1rio Entretextos. YouTube. 1 v\u00eddeo (98 minutos). Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9OJzHVyUl7o\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9OJzHVyUl7o<\/a>. Acesso em: 16 ago. 2025. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SANTOS, Fernando Simpl\u00edcio dos (2024). Fronteira, mem\u00f3ria e imagin\u00e1rio em <em>O amante das Amazonas<\/em>, de Rogel Samuel. <em>Revista Discente de Hist\u00f3ria da UFAC<\/em>, Rio Branco, v. 7, n. 2, p. 138-152. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.ufac.br\/index.php\/amazonicas\/article\/view\/7495\/4864\">https:\/\/periodicos.ufac.br\/index.php\/amazonicas\/article\/view\/7495\/4864<\/a>. Acesso em: 14 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-7875.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-7875\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Aio-1992.avif\" data-caption-title=\"Ai\u00f3, 1992\" data-attachment-id=\"7876\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Ai\u00f3, 1992\" width=\"250\" height=\"373\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/Aio-1992\/2238446536.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22373%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20373%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Ai\u00f3, 1992<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Itataia-2005.avif\" data-caption-title=\"Itataia, 2005\" data-attachment-id=\"7877\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Itataia, 2005\" width=\"250\" height=\"373\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/Itataia-2005\/3604324115.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22373%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20373%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Itataia, 2005<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SAMUEL, Rogel. 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