{"id":7846,"date":"2026-05-21T19:31:55","date_gmt":"2026-05-21T22:31:55","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7846"},"modified":"2026-05-21T19:31:56","modified_gmt":"2026-05-21T22:31:56","slug":"ibiamore-o-trem-fantasma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7846","title":{"rendered":"Ibiamor\u00e9, o trem fantasma"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">MARTINS, Roberto Bittencourt. <em>Ibiamor\u00e9, o trem fantasma<\/em>. S\u00e3o Paulo: L&amp;PM, 1981.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Carolina Vigna<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Julio Lapagesse<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance <em>Ibiamor\u00e9, o trem fantasma <\/em>(1981), do escritor e psicanalista Roberto Bittencourt Martins (Bag\u00e9, RS, 1937), \u00e9 um experimento ousado. Embora pouco conhecido no c\u00e2none liter\u00e1rio nacional, o livro articula o fant\u00e1stico, a cr\u00edtica social e a pesquisa sobre tradi\u00e7\u00f5es culturais do interior, propondo uma narrativa que transita entre alegoria, realismo m\u00e1gico e coment\u00e1rio hist\u00f3rico. O \u201ctrem fantasma\u201d do t\u00edtulo, que corta a paisagem e provoca medos coletivos, \u00e9 mais do que uma inven\u00e7\u00e3o sobrenatural: \u00e9 um dispositivo liter\u00e1rio para pensar o choque entre moderniza\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria, t\u00e9cnica e oralidade, desejo e opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escolha do t\u00edtulo aponta para a duplicidade fundamental da obra. O trem, s\u00edmbolo da modernidade do s\u00e9culo XIX e do avan\u00e7o do progresso pelo interior do Brasil, aparece aqui como fantasma: imagem de promessa e, ao mesmo tempo, de assombro. A m\u00e1quina de ferro que deveria trazer desenvolvimento chega investida de mist\u00e9rio, associada a lendas, pesadelos e maldi\u00e7\u00f5es. O romance, assim, n\u00e3o apenas narra uma hist\u00f3ria de assombra\u00e7\u00e3o, mas indaga como a t\u00e9cnica pode se converter em mito, como o progresso pode se travestir de amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Ibiamor\u00e9, o trem fantasma<\/em> \u00e9 organizado em onze paradas-cap\u00edtulos curtos, como o andar de um trem com pressa. Cada esta\u00e7\u00e3o-cap\u00edtulo \u00e9 uma parada. As hist\u00f3rias se entrecruzam mesmo sem a ci\u00eancia dos personagens, quase um efeito borboleta no campo expandido. As paradas s\u00e3o nomeadas, conhecidas, e h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o importante com o local. Entretanto, esse local \u00e9 fict\u00edcio. Pensando a partir da geocr\u00edtica, que explora como os espa\u00e7os configuram subjetividades, compreende-se o que e onde seria Ibiamor\u00e9. \u00c9, portanto, um local imagin\u00e1rio, em uma tr\u00edplice fronteira entre Brasil, Argentina e Uruguai. Esse espa\u00e7o \u00e9 uma \u00e1rea rural e pouco conurbada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada esta\u00e7\u00e3o segue rigorosamente a mesma estrutura. S\u00e3o quatro partes: uma hist\u00f3ria sobre o trem fantasma; uma parada, que nomeia o cap\u00edtulo; e duas hist\u00f3rias sobre o protagonista daquela esta\u00e7\u00e3o ou o local onde est\u00e1. O protagonista \u00e9 o narrador da lenda do trem fantasma. A repeti\u00e7\u00e3o da estrutura \u00e9 uma forma de emular o ritmo do trem e, ao mesmo tempo, dar uma vis\u00e3o em camadas \u2013 trilhos e caminhos entrecruzados \u2013 de como compreender nossas hist\u00f3rias, sejam elas lendas ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa inicia em Campos Claros, e o Capit\u00e3o Menino Afonso In\u00e1cio e sua hist\u00f3ria s\u00e3o apresentados. Rapidamente se percebe que a narrativa trata de muitas narrativas poss\u00edveis. Cortoxines surge, ent\u00e3o, como um narrador dentro do narrador, questionando tudo o que foi dito. A mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 confi\u00e1vel. Esse jogo semiol\u00f3gico continua at\u00e9 o final, quando se chega em Porto Saibro, na \u00faltima parada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O autor situa a trama em uma localidade imagin\u00e1ria, Ibiamor\u00e9, nome que remete \u00e0 sonoridade tupi e ao lirismo sertanejo. Esse espa\u00e7o funciona como condensa\u00e7\u00e3o de muitas cidades pequenas do sul do pa\u00eds, produzindo um cen\u00e1rio ao mesmo tempo real e simb\u00f3lico. Ibiamor\u00e9 \u00e9 menos um ponto no mapa do que um territ\u00f3rio aleg\u00f3rico: lugar onde a modernidade chega de forma espectral, onde o trem n\u00e3o se materializa plenamente, mas imp\u00f5e a sua presen\u00e7a fantasmag\u00f3rica, m\u00edtica e folcl\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trem fantasma \u00e9, portanto, met\u00e1fora de processos hist\u00f3ricos e pol\u00edticos mais amplos. Representa, de um lado, a promessa do progresso, anunciada pelas elites urbanas como a solu\u00e7\u00e3o para os problemas do interior. De outro, o medo da dissolu\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es, o risco de destrui\u00e7\u00e3o das formas de vida locais. Ao mesmo tempo, evoca a viol\u00eancia do avan\u00e7o capitalista, que instala a m\u00e1quina sem perguntar pelo destino dos que vivem na terra. O fantasma, nesse sentido, \u00e9 a imagem do progresso que n\u00e3o se cumpre, promessa que se realiza apenas como ru\u00eddo e aus\u00eancia. O trem, em sua forma espectral, continua a atravessar a paisagem simb\u00f3lica do pa\u00eds. Simboliza tanto as promessas quanto os fracassos, tanto a esperan\u00e7a quanto o medo. O romance de Martins mostra que a literatura \u00e9 capaz de transformar experi\u00eancias em mito sem perder a densidade cr\u00edtica. Ao apresentar o progresso como fantasma, o livro sugere que a modernidade brasileira, mais do que conclu\u00edda, permanece inacabada, sempre retornando como assombra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trem fantasma se torna ent\u00e3o met\u00e1fora de processos psicol\u00f3gicos. Representa, de um lado, a morte e o esquecimento; de outro, a vida e a exist\u00eancia. O trem \u00e9 uma met\u00e1fora da biografia da qual n\u00e3o se pode escapar. O fantasma, nesse sentido, \u00e9 a dualidade freudiana entre Eros (puls\u00e3o de vida, que segue o caminho e explora novas paradas) e T\u00e2natos (puls\u00e3o de morte, que n\u00e3o retorna ou escapa do trem).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A principal quest\u00e3o de um trem em movimento, seja ele fantasma ou n\u00e3o, \u00e9 a viv\u00eancia da viagem que, necessariamente, atravessa o lugar. Viv\u00eancia, aqui, tem um sentido amplo, que pode englobar as experi\u00eancias do sujeito autoral, do sujeito narrativo ficcionalizado, do sujeito leitor e das rela\u00e7\u00f5es que surgem entre eles. O romance insere-se no contexto da produ\u00e7\u00e3o do autor, que atua tamb\u00e9m como psicanalista. As quest\u00f5es metaf\u00f3ricas e imag\u00e9ticas do trem fantasma dialogam necessariamente com essa interpreta\u00e7\u00e3o. <em>Ibiamor\u00e9, o trem fantasma<\/em> prop\u00f5e que o sobrenatural n\u00e3o \u00e9 fuga, mas modo de revelar tens\u00f5es hist\u00f3ricas invis\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os espa\u00e7os liter\u00e1rios extrapolam fronteiras f\u00edsicas e tornam-se met\u00e1foras para quest\u00f5es culturais e sociais. Considerando que o espa\u00e7o \u00e9 moldado pela experi\u00eancia humana, que lhe atribui um significado, o lugar liter\u00e1rio \u00e9 tanto real quanto fict\u00edcio, influenciando e sendo influenciado pela narrativa e pelas din\u00e2micas sociais que operam nele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O narrador n\u00e3o imp\u00f5e uma vers\u00e3o \u00fanica dos fatos, mas deixa que as vozes populares se sobreponham, gerando m\u00faltiplas interpreta\u00e7\u00f5es. Essa op\u00e7\u00e3o formal aproxima o romance da tradi\u00e7\u00e3o oral: cada relato acrescenta uma camada, cada mem\u00f3ria reinterpreta a anterior, como ocorre nas rodas de conversa em que lendas s\u00e3o contadas e recontadas. A fragmenta\u00e7\u00e3o narrativa, em vez de dispers\u00e3o, opera como m\u00e9todo para reconstruir o impacto de um fen\u00f4meno que n\u00e3o pode ser reduzido a uma s\u00f3 explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No estilo, Martins combina uma prosa densa, marcada por descri\u00e7\u00f5es de forte carga visual, com di\u00e1logos curtos e coloquiais. Essa justaposi\u00e7\u00e3o evidencia o interesse do autor em cruzar registros, em criar contraste entre a fala popular e a linguagem liter\u00e1ria. O efeito \u00e9 de estranhamento: o leitor oscila entre a imers\u00e3o no mist\u00e9rio e a percep\u00e7\u00e3o de que est\u00e1 diante de um texto que reflete sobre o pr\u00f3prio ato de narrar. O tom oral da passagem convive com a elabora\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, compondo uma prosa h\u00edbrida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A recep\u00e7\u00e3o da obra, \u00e0 \u00e9poca, foi marcada por certa perplexidade. Cr\u00edticos acostumados a romances mais realistas viam na narrativa um excesso de imagina\u00e7\u00e3o. No entanto, o livro antecipa debates que posteriormente se tornariam centrais na literatura latino-americana, como o di\u00e1logo entre mito e hist\u00f3ria, a conviv\u00eancia de real e sobrenatural, a cr\u00edtica \u00e0 modernidade truncada. Lido hoje, <em>Ibiamor\u00e9, o trem fantasma<\/em> revela afinidades com tend\u00eancias do realismo m\u00e1gico, embora nas\u00e7a em contexto distinto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro aspecto do romance \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o da comunidade. Ibiamor\u00e9 n\u00e3o \u00e9 apenas palco do fantasma; \u00e9 tamb\u00e9m espa\u00e7o de encontros, de narrativas compartilhadas, de resist\u00eancia simb\u00f3lica. Os moradores, ao contarem e recontarem a lenda, transformam o medo em hist\u00f3ria, o assombro em mem\u00f3ria. O ato de narrar, aqui, \u00e9 forma de sobreviv\u00eancia. Ao transformar o trem em mito, a comunidade afirma o seu poder de elaborar simbolicamente as for\u00e7as que a amea\u00e7am. Esse gesto confere ao romance uma dimens\u00e3o antropol\u00f3gica: revela como as culturas populares respondem ao novo por meio da imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escrita de Martins \u00e9 atravessada pelo interesse em valorizar a voz coletiva. O narrador cede espa\u00e7o \u00e0s falas de velhos, de crian\u00e7as, de trabalhadores comuns. N\u00e3o h\u00e1 hierarquia entre essas vozes; todas colaboram para construir o mito. Tal multiplicidade se articula com a fragmenta\u00e7\u00e3o formal, criando uma narrativa polif\u00f4nica. Em vez de impor uma verdade \u00fanica, o romance mostra como a realidade se constr\u00f3i no entrechoque de relatos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRISOLARA, Val\u00e9ria; MEDINA, Roberto (2014). Pelas malhas e vag\u00f5es da mem\u00f3ria: uma an\u00e1lise de <em>Ibiamor\u00e9, o trem fantasma<\/em>. <em>Organon<\/em>, Porto Alegre, v. 29, n. 57. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/seer.ufrgs.br\/index.php\/organon\/article\/view\/48268\">https:\/\/seer.ufrgs.br\/index.php\/organon\/article\/view\/48268<\/a>. Acesso em: 7 set. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FROEHLICH, Carla Ros\u00e2ngela (2011). <em>Ibiamor\u00e9<\/em>: o trem da narrativa viaja pelos trilhos da poesia. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras) \u2013 Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/tede2.pucrs.br\/tede2\/handle\/tede\/1984\">https:\/\/tede2.pucrs.br\/tede2\/handle\/tede\/1984<\/a>. Acesso em: 29 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MASINA, Lea Silvia dos Santos (1995). <em>Ibiamor\u00e9, o trem fantasma<\/em>. <em>Cadernos do IL<\/em>. Porto Alegre, RS, n. 13, p. 49-54, jul. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/247831\">https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/247831<\/a>. Acesso em: 29 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SEIXAS, Cid (1995). Contos do Rio Grande. <em>A Tarde<\/em>, 28 ago. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/linguagens.ufba.br\/text\/contos_rio_grande.html\">https:\/\/linguagens.ufba.br\/text\/contos_rio_grande.html<\/a>. Acesso em: 29 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-7847.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-7847\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/LPM-1981.avif\" data-caption-title=\"L&amp;amp;PM, 1981\" data-attachment-id=\"7848\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"L&amp;PM, 1981\" width=\"250\" height=\"379\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/LPM-1981\/263009565.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22379%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20379%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">L&amp;PM, 1981<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Mercado-Aberto-1995.avif\" data-caption-title=\"Mercado Aberto, 1995\" data-attachment-id=\"7849\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Mercado Aberto, 1995\" width=\"250\" height=\"370\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/Mercado-Aberto-1995\/4123856650.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22370%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20370%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Mercado Aberto, 1995<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MARTINS, Roberto Bittencourt. 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