{"id":7815,"date":"2026-04-22T18:38:00","date_gmt":"2026-04-22T21:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7815"},"modified":"2026-04-22T18:38:00","modified_gmt":"2026-04-22T21:38:00","slug":"e-deus-chorou-sobre-o-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7815","title":{"rendered":"E Deus chorou sobre o rio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">AZIZE, Elizabeth. <em>E Deus chorou sobre o rio<\/em>. Manaus: Valer, 1984.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Mykaelle de Sousa Ferreira<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Manuela Dib<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>E Deus chorou sobre o rio<\/em> (1984) \u00e9 o romance de estreia de Elizabeth Azize (Manacapuru, AM, 1940). Reconhecida por sua intensa atua\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica amazonense e brasileira nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980, Azize tamb\u00e9m transitou pelo g\u00eanero da cr\u00f4nica. Neste livro, a autora, filha de imigrantes s\u00edrio-libaneses, apresenta ao leitor um amplo retrato do processo de imigra\u00e7\u00e3o dos povos \u00e1rabes para o Brasil, impulsionado pela demanda mundial de extra\u00e7\u00e3o de borracha das seringueiras da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, em especial, nas cidades de Manacapuru e Manaus, entre o final do s\u00e9culo XIX e o in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa \u00e9 ambientada na primeira metade do s\u00e9culo XX, tendo como pano de fundo acontecimentos pol\u00edticos decisivos que marcaram o pa\u00eds, como o fim do Estado Novo (1937-1945) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Al\u00e9m de evidenciar de que maneira esses eventos repercutiram no estado do Amazonas, seja em seus fluxos econ\u00f4micos ou em suas rela\u00e7\u00f5es sociais, o romance de Azize escolhe representar a complexidade espacial e cultural da regi\u00e3o amazonense, frequentemente retratada como uma paisagem ex\u00f3tica por meio de relatos ou cr\u00f4nicas de viagens. Nesse sentido, a autora traz um olhar mais profundo e atento ao cotidiano das personagens em cena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a tem\u00e1tica da imigra\u00e7\u00e3o seja recorrente no panorama liter\u00e1rio brasileiro, Azize tece uma narrativa singular. Diferencia-se de outras obras centradas em personagens j\u00e1 consagrados sobre o ciclo da borracha amazonense \u2013 como o portugu\u00eas, o coronel de barranco, que escravizava homens de sua cor, o caboclo e o nordestino. A autora, por sua vez, foca nos imigrantes, especialmente s\u00edrios e libaneses, que, em contato com os habitantes locais, desempenharam papel relevante no desenvolvimento econ\u00f4mico e cultural da Amaz\u00f4nia, junto a outros grupos, como judeus, espanh\u00f3is e italianos. Ao mesmo tempo, a narrativa d\u00e1 espa\u00e7o a personagens marginalizados, como as prostitutas, o \u00e1rabe \u201cteque-teque\u201d e os bo\u00eamios, e busca articular uma representa\u00e7\u00e3o sens\u00edvel da experi\u00eancia feminina, compondo assim um panorama diversificado da sociedade amaz\u00f4nica daquele per\u00edodo. As p\u00e1ginas do romance s\u00e3o invadidas por diferentes aromas, texturas e sotaques, construindo, assim, uma experi\u00eancia sensorial ao leitor.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as diversas personagens, destaca-se a hist\u00f3ria de Marmud, comerciante e imigrante \u00e1rabe que fez do Amazonas a sua p\u00e1tria e a de seus filhos, e cuja trajet\u00f3ria ocupa o centro do romance. \u201cMarmud era um tipo que n\u00e3o se faz em s\u00e9rie. Car\u00e1ter altivo, generoso, honesto, esperto e bom marinheiro, como um verdadeiro fen\u00edcio\u201d, comenta o narrador. Al\u00e9m de manter, com o aux\u00edlio do filho Gabriel, uma casa de com\u00e9rcio no porto de Manacapuru, a \u201cCasa S\u00edria\u201d, Marmud trabalhava como dono da <em>Jatahy<\/em>, uma embarca\u00e7\u00e3o de ferro \u201cfaceira e cheia de prosa, bem vistosa, embora de passadio p\u00e9ssimo\u201d. A <em>Jatahy<\/em> fazia viagens regulares, desde o Purus a Manaus, e \u201cos povoados todos da regi\u00e3o sabiam do dia e da hora certa da lancha passar. E ela apitava onde tivesse gente, a acenar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Azize transforma o rio em agente din\u00e2mico, que n\u00e3o se limita apenas a um cen\u00e1rio f\u00edsico e interage com as personagens, influenciando suas a\u00e7\u00f5es. E \u00e9 com base nessa \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com o rio que as intera\u00e7\u00f5es das personagens s\u00e3o moldadas. O v\u00ednculo de Marmud com sua <em>Jatahy <\/em>exemplifica, segundo o narrador, a habilidade dos \u00e1rabes no com\u00e9rcio de navega\u00e7\u00e3o: \u201cA verdade \u00e9 que os \u00e1rabes seguiram as pegadas dos fen\u00edcios, em busca do grande rio, do maior rio e aqui chegaram desbravando as suas mais escondidas paragens\u201d. Como um fen\u00edcio, tamb\u00e9m o destino de Marmud ser\u00e1 entrela\u00e7ado ao rio e \u00e0 sua <em>Jatahy<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marmud v\u00ea a sua sorte mudar quando, em uma das viagens que comanda pela <em>Jatahy<\/em>, ele cobra para transportar uma est\u00e1tua de S\u00e3o Francisco de Canind\u00e9, padroeiro de Anam\u00e3, adquirida por um dos moradores para ser entregue \u00e0 igreja da vila. Esse gesto, interpretado pelas demais personagens como um ato capaz de atrair infort\u00fanio, conduz Marmud ao desfecho do romance, cujo t\u00edtulo se revela somente na cena final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>No entanto, embora Marmud seja o personagem central da narrativa, o leitor transita entre diferentes hist\u00f3rias, sem sobressaltos, em uma prosa que combina oralidade, mem\u00f3ria e lirismo. A linguagem do romance n\u00e3o perde a sofistica\u00e7\u00e3o. Narrado em terceira pessoa, o texto de Azize \u00e9 comovente, mantendo o leitor cativado pela for\u00e7a de sua narrativa, que n\u00e3o segue uma estrutura linear, organizando-se a partir de tempos fragmentados e deslocamentos. A autora transita entre a narrativa ficcional e hist\u00f3rica, articulando mem\u00f3rias individuais e coletivas, reconstruindo o passado amaz\u00f4nico com sensibilidade e rigor. \u00c9 poss\u00edvel verificar, ao longo da trama, a retomada de eventos hist\u00f3ricos pouco conhecidos, como por exemplo, a Revolta dos Tenentes no Amazonas, tamb\u00e9m conhecida como a Comuna de Manaus, A Revolta de \u00d3bidos, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 tamb\u00e9m interessante observar a maneira como Azize descreve minuciosamente a pron\u00fancia do imigrante \u00e1rabe. \u201cSenhores de um idioma fortemente gutural, todo ele sa\u00eddo do fundo da garganta, j\u00e1 na pron\u00fancia e na fon\u00e9tica o \u00e1rabe revela a for\u00e7a de seu car\u00e1ter e da sua resist\u00eancia f\u00edsica\u201d, informa o narrador. Tal mecanismo pode ser observado na fala dos personagens:&nbsp;\u201c\u2013 S\u00ed mal progunto, o sinh\u00f4 tem branco um esse de arba sorta?&#8230; \u2013 perguntava Rita Gamaleira, da Costa do Marrec\u00e3o, ao dono da loja de sapatos, o turco Fadul. \u2013 Sim senora, sim senora, senta bra esbrementa. Que numera senora, de b\u00e9? \u2013 perguntava o \u2018turco\u2019 que queria vender de qualquer jeito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 verdade que, por diversos momentos, a autora parece fornecer ao leitor uma caricatura. No entanto,\u00a0trata-se de um recurso consciente, que n\u00e3o se limita \u00e0 simplifica\u00e7\u00e3o ou \u00e0 ridiculariza\u00e7\u00e3o; ao contr\u00e1rio, exp\u00f5e tanto a estranheza do estrangeiro diante do portugu\u00eas quanto a vitalidade do encontro entre culturas, conferindo \u00e0 narrativa um tom simultaneamente realista e cr\u00edtico. Esse artif\u00edcio, portanto, funciona como registro da oralidade, preservando o ritmo, o sotaque e a singularidade da fala dos imigrantes \u00e1rabes. Em vez de refor\u00e7ar estere\u00f3tipos, a estiliza\u00e7\u00e3o valoriza a pluralidade lingu\u00edstica e cultural que comp\u00f5em a paisagem amaz\u00f4nica. Ou ainda, como afirma a autora na apresenta\u00e7\u00e3o da obra, \u201c\u00e9 um canto \u00e0 solidariedade entre todos os povos deste mundo\u201d. Por outro lado, esse recurso opera como instrumento cr\u00edtico, revelando tanto o olhar preconceituoso da sociedade local quanto as tens\u00f5es que atravessam o processo de integra\u00e7\u00e3o do imigrante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 nesse sentido que a escritora tamb\u00e9m explora as intera\u00e7\u00f5es dos imigrantes \u00e1rabes com o espa\u00e7o e com as comunidades locais, considerando tanto o preconceito quanto a persegui\u00e7\u00e3o sofrida por estrangeiros no contexto amaz\u00f4nico, marcado por tens\u00f5es e resist\u00eancias. Esse enfoque evidencia como a experi\u00eancia migrat\u00f3ria se inscreve seja na dimens\u00e3o social e econ\u00f4mica, seja na forma\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em s\u00edntese, o universo ficcional criado por Azize tem como enfoque tem\u00e1tico principal os acontecimentos atrelados \u00e0 vida cotidiana: casamento, culin\u00e1ria, pol\u00edtica, entre outros. Embora a trajet\u00f3ria de Marmud funcione como o eixo central do romance, ela se entrela\u00e7a com as hist\u00f3rias de outros personagens. Segundo Adel Hanna (2024), trata-se de tramas secund\u00e1rias que impulsionam a narrativa, lembrando pequenos contos dentro de uma hist\u00f3ria maior, e contribuem para enriquecer a dimens\u00e3o cultural e social do enredo, oferecendo ao leitor uma vis\u00e3o mais completa e multifacetada do ambiente em que a a\u00e7\u00e3o se desenrola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro inscreve Elizabeth Azize na tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria amaz\u00f4nica e, ao mesmo tempo, no conjunto da literatura de imigra\u00e7\u00e3o no Brasil, dialogando de forma singular com obras que abordam deslocamentos, tens\u00f5es identit\u00e1rias e processos de pertencimento. \u00c9 igualmente significativo que seja uma autora mulher, descendente de \u00e1rabes, que, escrevendo nos anos 1980, resgate esse passado e d\u00ea voz a sujeitos e hist\u00f3rias mantidos \u00e0 margem do c\u00e2none nacional. Apesar de n\u00e3o ter alcan\u00e7ado ampla repercuss\u00e3o cr\u00edtica fora do Amazonas, o romance se afirma como obra fundamental para compreender n\u00e3o apenas a mem\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o \u00e1rabe na regi\u00e3o, mas tamb\u00e9m para expandir os horizontes da literatura brasileira para al\u00e9m de seus centros hegem\u00f4nicos. A atualidade do livro se revela, sobretudo, na forma como ainda ecoa discuss\u00f5es sobre identidade, xenofobia, integra\u00e7\u00e3o cultural e pertencimento, mantendo-se como texto vivo e necess\u00e1rio nos dias atuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HANNA, Adel M.; GOMEZ, Alessandra de M.; QUEIR\u00d3S, Francisco A. T. (2025). A tape\u00e7aria do cotidiano como urdidura das Amaz\u00f4nias nos romances <em>E Deus chorou sobre o rio<\/em>, de Elizabeth Azize, e <em>Dois irm\u00e3os<\/em>, de Milton Hatoum. <em>Contextualizaciones Latinoamericanas<\/em>, Guadalajara, n. 32, p. 294-311. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/contexlatin.cucsh.udg.mx\/index.php\/CL\/article\/view\/8089\">https:\/\/contexlatin.cucsh.udg.mx\/index.php\/CL\/article\/view\/8089<\/a>. Acesso em: 24 jul. 2025. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HANNA, Adel M. (2024) <em>Explorando espa\u00e7os, formas de olhar e a vida cotidiana na Amaz\u00f4nia: uma an\u00e1lise de <\/em>E Deus chorou sobre o rio<em>, de Elizabeth Azize, e <\/em>Dois irm\u00e3os<em>, de Milton Hatoum<\/em>. Tese (Doutorado em Letras) \u2013 Universidade Federal do Acre, Rio Branco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-7816.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-7816\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Valer-1984.avif\" data-caption-title=\"Valer, 1984\" data-attachment-id=\"7817\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Valer, 1984\" width=\"250\" height=\"399\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/Valer-1984\/2473515075.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22399%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20399%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Valer, 1984<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Valer-2006.avif\" data-caption-title=\"Valer, 2006\" data-attachment-id=\"7818\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Valer, 2006\" width=\"250\" height=\"374\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/Valer-2006\/4124984743.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22374%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20374%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Valer, 2006<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Valer-2019-1.avif\" data-caption-title=\"Valer, 2019\" data-attachment-id=\"7819\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Valer, 2019\" width=\"250\" height=\"376\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/Valer-2019-1\/2898925513.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22376%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20376%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Valer, 2019<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AZIZE, Elizabeth. 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