{"id":7804,"date":"2026-04-20T21:30:02","date_gmt":"2026-04-21T00:30:02","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7804"},"modified":"2026-04-20T21:35:50","modified_gmt":"2026-04-21T00:35:50","slug":"dora-doralina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7804","title":{"rendered":"D\u00f4ra, Doralina"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">QUEIROZ, Rachel de. <em>D\u00f4ra, Doralina<\/em>. Rio de Janeiro: Jos\u00e9 Olympio, 1975.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Larissa de Medeiros Coutinho<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Liana Abreu<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s um intervalo de mais de vinte anos sem escrever romances, Rachel de Queiroz (Fortaleza, CE, 1910 \u2013 Rio de Janeiro, RJ, 2003) surpreendeu a cena liter\u00e1ria brasileira ao lan\u00e7ar <em>D\u00f4ra, Doralina<\/em> (1975) ao mundo. Mais madura desde <em>O Quinze<\/em> (1930), sua linguagem se complexifica dando mais liberdade \u00e0s suas personagens e ao leitor \u2013 habilidade que j\u00e1 come\u00e7ava a desenvolver em <em>As Tr\u00eas Marias<\/em> (1939). Dedicada tamb\u00e9m \u00e0 escrita de pe\u00e7as de teatro e de cr\u00f4nicas, a primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras apresenta a saga de mais uma personagem feminina em um pa\u00eds que, apesar de suas dimens\u00f5es continentais, n\u00e3o \u00e9 capaz de cont\u00ea-la. Narrada em primeira pessoa, Maria das Dores evoca suas mem\u00f3rias e traz para o centro da narrativa algo raro para uma mulher nascida no in\u00edcio do s\u00e9culo XX: o poder de desejar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance atravessa tanto o Brasil quanto o luto de uma fam\u00edlia. \u00d3rf\u00e3 de pai, distante emocionalmente da m\u00e3e e com um filho morto nas costas, D\u00f4ra \u00e9 uma ilha dentro de si mesma a ponto de falar quase nada sobre quem \u00e9. Dividido em tr\u00eas cadernos, seu testemunho foca em Senhora (sua m\u00e3e), na companhia de teatro que integra e em Comandante (seu grande amor). Sem nenhum caderno dedicado inteiramente a si, D\u00f4ra est\u00e1 contida no outro e o descreve na tentativa de dar contorno \u00e0 pr\u00f3pria hist\u00f3ria; mora nas brechas da sua narrativa e carrega no seu nome (que odeia) o destino e a heran\u00e7a que ainda n\u00e3o sabe que lhe cabem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 num contexto de instabilidade pol\u00edtica interna e externa que a hist\u00f3ria de D\u00f4ra \u00e9 desenvolvida. Com mais um romance de forma\u00e7\u00e3o, a escritora molda sua hero\u00edna entre a metade da Rep\u00fablica Velha e o p\u00f3s-Segunda Guerra, apresentando um recorte da experi\u00eancia feminina naquele per\u00edodo. Embora n\u00e3o se identificasse com o feminismo, suas personagens caminham por rotas nada convencionais, desafiando a ideia do lugar da mulher na sociedade. Helo\u00edsa Buarque (2016) defende que as protagonistas de Queiroz foram as personagens mais revolucion\u00e1rias e radicais da \u00e9poca, e D\u00f4ra d\u00e1 mais peso a esse grupo quando, vi\u00fava, usa a situa\u00e7\u00e3o conjugal apenas para exercer a sua liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Emancipar-se, tornar-se chefe da casa e administrar os neg\u00f3cios da fam\u00edlia eram posi\u00e7\u00f5es quase imposs\u00edveis de se atingir sen\u00e3o diante do patriarca morto. Contudo, o posto de grande respeito vinha com a obrigatoriedade social do uso do preto \u2013 lembran\u00e7a de que tal autonomia era uma concess\u00e3o fruto de trag\u00e9dia, logo, nenhum sentimento al\u00e9m de tristeza e pesar poderia ser gozado. Perante o \u00fanico estado civil capaz de lhes conferir poder, Senhora e D\u00f4ra reclamam para si toda a for\u00e7a que lhes foi negada ao longo da vida e agarram-se a ela sem jamais soltar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Junto da viuvez, a dor da perda do pai \u00e9 uma das bases fundadoras da protagonista. O pai que tanto ama sempre lhe escapa acabando por habitar apenas o terreno da m\u00e3e. \u201cA vida de todo mundo \u00e9 igual\u201d, rebate Senhora ao ser encurralada pela filha por mais informa\u00e7\u00f5es. Fala violenta e assertiva que \u00e9 estabelecida mais como uma praga do que como uma explica\u00e7\u00e3o e que reverbera na narrativa como uma esp\u00e9cie de destino do qual D\u00f4ra luta para escapar. O ressentimento da aus\u00eancia desse homem junto dos poucos retalhos que tem sobre a hist\u00f3ria dele leva a menina a habitar um po\u00e7o fundo e escuro do qual s\u00f3 consegue sair ao subir no trem que a leva para Fortaleza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viol\u00eancia do pano de fundo da narrativa \u00e9 apresentada de forma direta por meio de ferimentos de batalha, ataques e bombardeios, mas tamb\u00e9m indiretamente pela trucul\u00eancia dos homens que rodeiam a personagem \u2013 figuras masculinas cl\u00e1ssicas impregnadas pelo cheiro de cigarro e \u00e1lcool que d\u00e3o vida ao horror, ao poder desmedido, mas, ao mesmo tempo, representam a prote\u00e7\u00e3o e o remate da l\u00f3gica patriarcal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Delmiro, Laurindo e Asmodeu s\u00e3o rememorados como personifica\u00e7\u00f5es dessa trucul\u00eancia. Cada um \u00e9 respons\u00e1vel por um sofrimento tanto \u00edntimo quanto universal que encharca D\u00f4ra: a dor advinda da frustra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e de sonhos destru\u00eddos; a dor da trai\u00e7\u00e3o e da culpa e a dor de perder o verdadeiro amor. Tecendo seu testemunho por meio das viol\u00eancias sofridas e de constrangimentos normalmente n\u00e3o abordados na escrita feminina da \u00e9poca, seu mundo colide com o do leitor e o convoca a curvar-se diante da complexidade do que \u00e9 ser uma mulher desejante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na falta do pai biol\u00f3gico, Seu Brandini (diretor da Companhia) exerce a fun\u00e7\u00e3o paterna para D\u00f4ra e o teatro torna-se sua fam\u00edlia, para al\u00e9m do seu of\u00edcio. Fato que tamb\u00e9m desafia os padr\u00f5es sociais da \u00e9poca ao colocar em cheque o v\u00ednculo sangu\u00edneo como o \u00fanico v\u00ednculo familiar poss\u00edvel. Com Seu Brandini, Estrela e Dona Loura a seu lado, a jovem do interior que nunca tinha frequentado um baile sequer consegue estruturar-se para, finalmente, come\u00e7ar a sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao apresentar sua personagem principal como integrante de uma companhia de teatro, Queiroz adiciona ainda mais camadas de aud\u00e1cia a essa mulher. Em <em>Pr\u00f3logo, ato e ep\u00edlogo <\/em>(2019), Fernanda Montenegro descreve a estigmatiza\u00e7\u00e3o da carreira e o peso que era para uma mulher exerc\u00ea-la. Colocadas no mesmo balaio, prostitutas e atrizes eram obrigadas a portar uma carteira de seguran\u00e7a p\u00fablica para circularem livremente pelas ruas. Ser atriz era uma afronta n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 fam\u00edlia, mas tamb\u00e9m \u00e0 sociedade e D\u00f4ra, sabendo ou n\u00e3o disso, percorre o caminho da profiss\u00e3o sem exercer nenhum ju\u00edzo de valor sobre si e suas companheiras. Com o nome art\u00edstico de Nely Sorel, rompe com seu passado no interior do Cear\u00e1 e enfrenta o tabu da profissionaliza\u00e7\u00e3o feminina na cena art\u00edstica, posicionando-se \u00e0 parte do que parecia ser o seu destino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nely Sorel se reinventa, por\u00e9m, sem deixar Maria das Dores para tr\u00e1s. A autora nomeia seus personagens para que ajam como uma estrutura para al\u00e9m de um substantivo pr\u00f3prio. S\u00e3o nomes capazes de se desdobrar em premoni\u00e7\u00f5es, caracter\u00edsticas f\u00edsicas, ps\u00edquicas ou at\u00e9 mesmo contar hist\u00f3rias \u2013 parte da hist\u00f3ria do nome de D\u00f4ra \u00e9 tamb\u00e9m a hist\u00f3ria de Senhora. O nome que tanto odeia \u00e9 justificado pelo milagre de seu nascimento, por\u00e9m, mais do que isso, significa o milagre da n\u00e3o morte da m\u00e3e no parto. Carregada da experi\u00eancia traum\u00e1tica de outra pessoa, a menina s\u00f3 consegue se livrar da heran\u00e7a de dor pelo apelido dado pelo pai. \u201cDoralina, minha flor\u201d era como ele a chamava e \u00e9 como ela consegue escapar do que est\u00e1 tatuado em si.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M\u00e3e sem nome, Senhora assume uma posi\u00e7\u00e3o arquet\u00edpica nas mem\u00f3rias de D\u00f4ra: impiedosa e rival da filha, \u201ccom Senhora ningu\u00e9m estava seguro\u201d. A for\u00e7a da cl\u00e1ssica matriarca nordestina era indiz\u00edvel e se orientava sobretudo em defesa de suas terras. Senhora tudo via, tudo sabia; era onipresente e n\u00e3o admitia delimita\u00e7\u00e3o. No entanto, o que brilha na narrativa n\u00e3o \u00e9 a impetuosidade que est\u00e1 cravada na mem\u00f3ria da filha e sim os feitos e a ousadia dessa m\u00e3e. Personagem de extrema complexidade, traz para o presente a mem\u00f3ria das v\u00e1rias formas de poder feminino ofuscadas ao longo da hist\u00f3ria. Em <em>A roupa de Rachel: um estudo sem import\u00e2ncia <\/em>(2020)<em>, <\/em>Buarque observa como as matriarcas da escritora cearense foram capazes de expandir a linguagem do discurso p\u00fablico e pol\u00edtico e subverteram a l\u00f3gica do poder privado dessas mulheres no imagin\u00e1rio brasileiro para al\u00e9m da crueldade, da intelig\u00eancia e do poder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a protagonista se mostre desde o in\u00edcio uma mulher n\u00e3o submissa, sua desconcertante obedi\u00eancia a Comandante parece destoar de seu comportamento emancipado. \u00c9 esperado que n\u00e3o haja contradi\u00e7\u00e3o nessa mulher que renegou a estrutura totalit\u00e1ria \u00e0 qual era obrigada a abaixar a cabe\u00e7a e pedir b\u00ean\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, analisada de perto, a devo\u00e7\u00e3o a Comandante n\u00e3o a posiciona hierarquicamente abaixo dele, pois D\u00f4ra n\u00e3o foi obrigada a se submeter. A vontade de dedicar-se ao homem amado \u00e9 uma decis\u00e3o orientada unicamente por seu desejo. D\u00f4ra tem o poder da escolha e, portanto, n\u00e3o ocupa o lugar cl\u00e1ssico de subjuga\u00e7\u00e3o feminina, mesmo que aja de modo servil ao marido idolatrado. Queiroz aborda a sexualidade feminina de forma pouco expl\u00edcita, no entanto, ao apresentar D\u00f4ra entre a \u201cobriga\u00e7\u00e3o e a devo\u00e7\u00e3o\u201d, constr\u00f3i uma mulher l\u00facida que sabe exatamente o porqu\u00ea de sua submiss\u00e3o volunt\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lucidez que a ampara em suas decis\u00f5es mais dif\u00edceis e que lhe entrega for\u00e7as para seguir adiante \u2013 ainda que adiante signifique voltar ao in\u00edcio. Alinhavando um encontro entre passado e futuro, as personagens de Rachel de Queiroz saltam do papel e penetram no mundo real. Escrito na d\u00e9cada de 70, <em>D\u00f4ra, Doralina<\/em> segue atual, contribuindo para as discuss\u00f5es do movimento feminista e, consequentemente, mostrando que ser mulher desdobra-se em infinitas possibilidades. A hist\u00f3ria de Senhora \u00e9 a hist\u00f3ria de D\u00f4ra e de tantas outras. \u201cA senhora combinou comigo que tudo ficava indiviso\u201d, reclama \u00e0 m\u00e3e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 divis\u00e3o das terras. O que \u00e9 de Senhora e de D\u00f4ra vaza, fica sem delimita\u00e7\u00e3o, sem fronteira e ultrapassa o contorno delas mesmas, misturando suas hist\u00f3rias e ficando indiviso tamb\u00e9m quem as l\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BUARQUE DE HOLLANDA, Helo\u00edsa (2016). <em>Rachel Rachel<\/em>. Rio de Janeiro: HB.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BUARQUE DE HOLLANDA, Helo\u00edsa (2020). <em>A roupa de Rachel:<\/em> um estudo sem import\u00e2ncia. S\u00e3o Paulo: Bazar do Tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LEITE SAMPAIO, A\u00edla Maria (2010). D\u00f4ra, Doralina: um percurso de dores. <em>Revista Humanidades<\/em>, Fortaleza, v. 25, n. 1, p. 9-30. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ojs.unifor.br\/rh\/article\/view\/4382\">https:\/\/ojs.unifor.br\/rh\/article\/view\/4382<\/a>. Acesso em: 11 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MONTENEGRO, Fernanda (2019). <em>Pr\u00f3logo, ato, ep\u00edlogo<\/em>: mem\u00f3rias. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PEREIRA OLIVA, Osmar (2010). D\u00f4ra, Doralina: o eterno feminino ou um louvado para o amor. <em>Diadorim: revista de estudos lingu\u00edsticos e liter\u00e1rios<\/em>, Rio de Janeiro, v. 7, p. 145-158. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/revistas.ufrj.br\/index.php\/diadorim\/article\/view\/3913\">https:\/\/revistas.ufrj.br\/index.php\/diadorim\/article\/view\/3913<\/a>. Acesso em: 11 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-7805.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-7805\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" 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data-caption-title=\"Jos\u00e9 Olympio, 1975\" data-attachment-id=\"7806\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Jos\u00e9 Olympio, 1975\" width=\"250\" height=\"364\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/Jose-Olympio-1975\/2262179743.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22364%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20364%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Jos\u00e9 Olympio, 1975<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/EUA-Avon-1984.avif\" data-caption-title=\"EUA, Avon, 1984\" data-attachment-id=\"7807\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"EUA, Avon, 1984\" width=\"250\" height=\"350\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/EUA-Avon-1984\/1100939931.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22350%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20350%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">EUA, Avon, 1984<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Jose-Olympio-1987.avif\" data-caption-title=\"Jos\u00e9 Olympio, 1987\" data-attachment-id=\"7808\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Jos\u00e9 Olympio, 1987\" width=\"250\" height=\"381\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/Jose-Olympio-1987\/832005522.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22381%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20381%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Jos\u00e9 Olympio, 1987<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div 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D\u00f4ra, Doralina. Rio de Janeiro: Jos\u00e9 Olympio, 1975. Larissa de Medeiros CoutinhoIlustra\u00e7\u00e3o: Liana Abreu Ap\u00f3s um intervalo de mais de vinte anos sem escrever romances, Rachel de Queiroz (Fortaleza, CE, 1910 \u2013 Rio de Janeiro, RJ, 2003) surpreendeu a cena liter\u00e1ria brasileira ao lan\u00e7ar D\u00f4ra, Doralina (1975) ao mundo. 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