{"id":7794,"date":"2026-04-22T17:25:31","date_gmt":"2026-04-22T20:25:31","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7794"},"modified":"2026-04-22T17:25:31","modified_gmt":"2026-04-22T20:25:31","slug":"de-espacos-abandonados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7794","title":{"rendered":"De espa\u00e7os abandonados"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">GEISLER, Luisa. <em>De espa\u00e7os abandonados<\/em>. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Larissa Dantas<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Carolina Vigna<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>De espa\u00e7os abandonados<\/em> (2018), terceiro romance da ga\u00facha Luisa Geisler (Canoas, RS, 1991), \u00e9 uma narrativa de muitos vazios. As hist\u00f3rias dessa obra se constroem na experimenta\u00e7\u00e3o da forma, na temporalidade e na espacialidade fluidas, no limiar entre fic\u00e7\u00e3o e n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o. Como enredo, apresentam-se linhas narrativas que acompanham alguns personagens. Eles buscam o que nunca encontram, perdidos em encontros e experi\u00eancias fugidias, em uma Dublin configurada como Terra Prometida, que lhes escapa e os imobiliza. Em suas mais de 400 p\u00e1ginas, percorrer Dublin, os espa\u00e7os da mem\u00f3ria e os peda\u00e7os de textos abandonados ao longo do romance \u00e9 um desafio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrutura fragmentada de <em>De espa\u00e7os abandonados<\/em> intensifica o movimento de busca e desencontro: o romance se constr\u00f3i por blocos narrativos que se tocam sem necessariamente se completar, dissolvendo a linearidade convencional e expandindo a fronteira entre lembran\u00e7a e inven\u00e7\u00e3o, presen\u00e7a e aus\u00eancia. Nesse processo, o texto n\u00e3o se fecha em respostas, mas insiste em deixar rastros entre os vazios, cabendo ao leitor percorr\u00ea-los e tentar compor uma esp\u00e9cie de unidade para o romance.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro integra trechos de g\u00eaneros distintos (cartas, e-mails, recados, rascunhos etc.) e linguagens diversas, como a fotografia de colch\u00f5es expostos para venda nas ruas da cidade, acentuando sua dimens\u00e3o h\u00edbrida. Essa ruptura com a tradi\u00e7\u00e3o formal do romance \u00e9 uma caracter\u00edstica do trabalho de Geisler, que espelha preocupa\u00e7\u00f5es recorrentes em livros de outros autores, tais como Luiz Ruffato em <em>Eles eram muitos cavalos<\/em> (2001). Deslocamento e resist\u00eancia, mem\u00f3ria e esquecimento, pertencimento e solid\u00e3o s\u00e3o temas da contemporaneidade, portanto, que, em sua fluidez, repercutem na estrutura fragment\u00e1ria da obra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa fragmenta\u00e7\u00e3o manifesta-se igualmente na temporalidade e na espacialidade do romance. Em cada peda\u00e7o de narrativa que se apresenta ao leitor, na tentativa de estabelecer certezas sobre o que ocorre com as personagens, um novo corte se imp\u00f5e e, em muitos deles, h\u00e1 um deslocamento temporal. \u00c9 poss\u00edvel compreender algo da inf\u00e2ncia de um personagem ao mesmo tempo que seu presente se apresenta embotado, indefinido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao espa\u00e7o, Dublin \u00e9 mais que cen\u00e1rio: funciona como met\u00e1fora de uma promessa que n\u00e3o se cumpre. A cidade \u00e9 atravessada por mem\u00f3rias de imigra\u00e7\u00e3o, expectativas frustradas e experi\u00eancias fracassadas que os personagens carregam consigo. N\u00e3o \u00e9 uma Dublin tur\u00edstica ou monumental, mas um lugar vivido no cotidiano dos tr\u00e2nsitos, das perdas e dos encontros inacabados. O romance transforma a cidade em reflexo da instabilidade das rela\u00e7\u00f5es humanas. Na narrativa, observam-se movimentos pela cidade \u2013 bares, escolas de l\u00ednguas, lojas de departamento \u2013 e por algumas localidades tur\u00edsticas, como os <em>Cliffs of Moher<\/em>. Tamb\u00e9m no apartamento sublocado, diversas pessoas transitam em festas ou apenas dormem por alguns dias. Assim como ocorre com o tempo, os espa\u00e7os tamb\u00e9m se movem rapidamente, entre viagens lis\u00e9rgicas e virtuais. Os espa\u00e7os urbanos abandonados pelos quais passa a protagonista Maria Alice n\u00e3o se restringem \u00e0 Irlanda: incluem tamb\u00e9m os do Jap\u00e3o, apresentados por meio de fotografias de um blog especializado no tema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra est\u00e1 organizada em tr\u00eas partes, sendo a mais extensa delas apresentada como um manual de escrita liter\u00e1ria. Essa se\u00e7\u00e3o \u00e9 composta por orienta\u00e7\u00f5es, exerc\u00edcios e, sobretudo, 366 perguntas que funcionam como provoca\u00e7\u00f5es ao ato de escrever. Nesse ponto, o romance atravessa o limite da ficcionalidade, confundindo o leitor sobre onde termina o enredo e onde come\u00e7a a reflex\u00e3o metalingu\u00edstica. A inclus\u00e3o desse tipo de manual incorpora formalmente o princ\u00edpio da hibridiza\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros textuais e faz da pr\u00f3pria escrita o tema central da narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse recurso aproxima <em>De espa\u00e7os abandonados<\/em> a uma literatura que se pensa a si mesma, que n\u00e3o apenas conta uma hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m interroga os mecanismos de sua produ\u00e7\u00e3o. Ao propor perguntas e exerc\u00edcios, a obra desloca o leitor para o lugar do escritor, tornando-o parte de um jogo liter\u00e1rio em que a experi\u00eancia de leitura se converte em experi\u00eancia de escrita. Assim, o romance n\u00e3o apenas tematiza o vazio e a cis\u00e3o formal, mas tamb\u00e9m experimenta a incompletude, abrindo m\u00e3o da linearidade para incorporar uma dimens\u00e3o ensa\u00edstica e processual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao inserir a reflex\u00e3o sobre o ato de escrever no interior da trama, Geisler transforma o romance em um campo expandido, em que a fronteira entre ler e escrever se torna inst\u00e1vel. Nesse gesto, a obra se destaca, pois n\u00e3o se limita a reproduzir a falta como forma, mas inscreve na sua estrutura uma proposta de experimenta\u00e7\u00e3o que questiona o que se entende por romance.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante de uma estrutura t\u00e3o movente e com poucos alicerces, o leitor, por vezes, se v\u00ea impelido a perguntar: afinal, do que trata este livro? Uma poss\u00edvel resposta \u00e9 percorrer as linhas narrativas que apresentam a vida de imigrantes brasileiros na Irlanda. Alguns personagens ganham maior destaque entre as in\u00fameras vozes que se erguem no texto, caso da protagonista, mas tamb\u00e9m de Maicon e Bruna. S\u00e3o jovens em tr\u00e2nsito, experimentando a liberdade e o desamparo longe do pa\u00eds de origem, movendo-se entre empregos tempor\u00e1rios, cursos de l\u00edngua e festas ef\u00eameras. Outros buscam uma vida est\u00e1vel no exterior, mas a precariedade das rela\u00e7\u00f5es e das pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de perman\u00eancia os empurra a novos deslocamentos. As personagens surgem e desaparecem porque o romance traduz literariamente a instabilidade da experi\u00eancia migrat\u00f3ria \u2013 sujeitos que, incapazes de se fixar, deixam rastros imprecisos, lembran\u00e7as partidas e v\u00ednculos que se desfazem no instante em que se anunciam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse mesmo movimento orienta a trajet\u00f3ria de Maria Alice, cuja busca pela m\u00e3e desaparecida na Irlanda espelha o pr\u00f3prio desencontro dos demais personagens. Assim como os imigrantes que cruzam brevemente a narrativa, Maria Alice deixa vest\u00edgios insuficientes para que se saiba onde est\u00e1 e o que lhe aconteceu. A tentativa de reconstruir seu percurso a partir desses peda\u00e7os exige o esfor\u00e7o do leitor diante de uma hist\u00f3ria que se comp\u00f5e de aus\u00eancias. Ao faz\u00ea-lo, Geisler inscreve na forma e no enredo a mesma impossibilidade de fixa\u00e7\u00e3o que marca o destino de suas personagens, transformando o desaparecimento em linguagem e a err\u00e2ncia em estrutura narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 importante destacar, portanto, que as linhas narrativas convergem em Maria Alice. Ga\u00facha, filha de um militar e de uma dona de casa com bipolaridade, Maria Alice busca compreender seus abismos familiares, sua insatisfa\u00e7\u00e3o no trabalho e o fracasso do casamento. O que move sua trajet\u00f3ria \u00e9 o desaparecimento da m\u00e3e, L\u00eddia, dada como morta, mas que ela acredita estar na Irlanda. Ela sup\u00f5e receber mensagens cifradas da m\u00e3e por meio de um blog especializado em lugares abandonados. Essa \u00e9 a motiva\u00e7\u00e3o de sua migra\u00e7\u00e3o: buscar uma m\u00e3e que, como o livro que escreve \u2013 e que o leitor acompanha na segunda parte do romance \u2013, mimetiza a tentativa de encontrar sentido para a vida. O irm\u00e3o, Caio, a procura, e a ele s\u00e3o direcionados e-mails e cartas de pessoas que possivelmente conviveram com Maria Alice, dividiram um quarto ou a viram de relance em uma festa. Ningu\u00e9m sabe ao certo de seu paradeiro. Somem \u2013 e se fundem \u2013 m\u00e3e e filha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, no plano tem\u00e1tico, <em>De espa\u00e7os abandonados<\/em> apresenta personagens marcados pelo abandono, pela impossibilidade de perman\u00eancia e pela tentativa de preencher lacunas que jamais se fecham. S\u00e3o trajet\u00f3rias atravessadas por lembran\u00e7as partidas, por marcas de um passado que n\u00e3o se acomoda e por v\u00ednculos que se desfazem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na trajet\u00f3ria de Luisa Geisler, <em>De espa\u00e7os abandonados<\/em> reafirma o interesse pela investiga\u00e7\u00e3o das subjetividades em crise e pela experimenta\u00e7\u00e3o formal. Se nos primeiros livros, <em>Contos de mentira<\/em> (2011) e <em>Qui\u00e7\u00e1<\/em> (2012), ambos premiados, a autora j\u00e1 demonstrava afinidade com personagens deslocados, aqui a aposta no fragmento e na aus\u00eancia alcan\u00e7am um novo patamar. Inserida na produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria brasileira contempor\u00e2nea, a obra se destaca por propor uma reflex\u00e3o sobre mem\u00f3ria, migra\u00e7\u00e3o e pertencimento, em di\u00e1logo com narrativas que exploram intimidade e incompletude.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com prosa econ\u00f4mica e marcada por pausas, cortes e repeti\u00e7\u00f5es, a autora explora o sil\u00eancio como mat\u00e9ria liter\u00e1ria. O texto avan\u00e7a mesmo quando parece desconexo. \u00c9 um quebra-cabe\u00e7a cujas partes se encaixam, mas que, ainda assim, deixa a sensa\u00e7\u00e3o de que algo falta. E \u00e9 nessas faltas, que se acumulam e se interrompem, que do leitor se exige uma postura ativa, atenta ao que se encontra nas margens do que \u00e9 mencionado. \u00c9 nesse ritmo entrecortado que o romance busca se fazer: ao recusar a completude, convida o leitor a habitar o inacabado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A import\u00e2ncia de <em>De espa\u00e7os abandonados<\/em> reside em sua capacidade de traduzir experi\u00eancias comuns da contemporaneidade \u2013 a instabilidade, a desagrega\u00e7\u00e3o, o desamparo \u2013 em forma liter\u00e1ria. Ao transformar o sil\u00eancio em linguagem e a aus\u00eancia em narrativa, o romance amplia o repert\u00f3rio da literatura brasileira atual, apontando para modos de leitura que n\u00e3o buscam certezas, mas a conviv\u00eancia com o que permanece em aberto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BALDI, Matheus (2018). Romances nacionais recentes abordam semelhan\u00e7as entre Brasil e Irlanda.\u00a0<em>Estado de S. Paulo<\/em>, 7 mar. 2018. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/cultura\/romances-nacionais-recentes-abordam-semelhancas-entre-brasil-e-irlanda\/\">https:\/\/www.estadao.com.br\/cultura\/romances-nacionais-recentes-abordam-semelhancas-entre-brasil-e-irlanda\/<\/a> . Acesso em: 16 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GEISLER, Luisa (2022). Luisa Geisler \u2013 \u201cCaminhos te\u00f3ricos na constru\u00e7\u00e3o da personagem: o que dizem os escritores?\u201d\u2013 PUCRS. [Entrevista concedida a] Matheus Gum\u00e9nin Barreto. <em>Ru\u00eddo Manifesto<\/em>, 6 jul. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ruidomanifesto.org\/luisa-geisler-caminhos-teoricos-na-construcao-da-personagem-o-que-dizem-os-escritores-pucrs\/\">https:\/\/ruidomanifesto.org\/luisa-geisler-caminhos-teoricos-na-construcao-da-personagem-o-que-dizem-os-escritores-pucrs\/<\/a>. Acesso em: 16 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LENGERT, Hugo Ricardo (2024). A fragmenta\u00e7\u00e3o textual na obra <em>De espa\u00e7os abandonados<\/em>, de Luisa Geisler: uma an\u00e1lise semi\u00f3tica. <em>Revista de Estudos Acad\u00eamicos de Letras<\/em>, Pelotas, v. \u200b 17, n. 1, p. 1-14. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.unemat.br\/index.php\/reacl\/article\/view\/12035\">https:\/\/periodicos.unemat.br\/index.php\/reacl\/article\/view\/12035<\/a>. Acesso em: 20 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-7795.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-7795\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Alfaguara-2018-1.avif\" data-caption-title=\"Alfaguara, 2018\" data-attachment-id=\"7797\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Alfaguara, 2018\" width=\"250\" height=\"392\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/Alfaguara-2018-1\/1693162726.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22392%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20392%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Alfaguara, 2018<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GEISLER, Luisa. De espa\u00e7os abandonados. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2018. Larissa DantasIlustra\u00e7\u00e3o: Carolina Vigna De espa\u00e7os abandonados (2018), terceiro romance da ga\u00facha Luisa Geisler (Canoas, RS, 1991), \u00e9 uma narrativa de muitos vazios. 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