{"id":7774,"date":"2026-04-21T15:24:03","date_gmt":"2026-04-21T18:24:03","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7774"},"modified":"2026-04-21T15:24:03","modified_gmt":"2026-04-21T18:24:03","slug":"assim-na-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7774","title":{"rendered":"Assim na terra"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">METZ, Luiz S\u00e9rgio. <em>Assim na terra<\/em>. Porto Alegre: Artes e Of\u00edcios, 1995.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Antonio Carlos da Silva Moraes J\u00fanior<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Dona Dora<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Assim na terra<\/em> (1995), \u00fanico romance publicado pelo jornalista, escritor e compositor Luiz S\u00e9rgio Metz (Santo \u00c2ngelo, RS, 1952 \u2013 Porto Alegre, RS, 1996), acompanha uma viagem que tem como destino o mesmo ponto de origem: o sul. N\u00e3o como coordenada geogr\u00e1fica, mas como mito fundacional dos modos de viver em comunh\u00e3o com a terra t\u00edpicos do interior do Rio Grande do Sul. Por meio de uma estrutura circular, mas n\u00e3o limitante, e uma linguagem po\u00e9tica que funde a l\u00edngua portuguesa normativa ao linguajar do ga\u00facho do interior, o romance, permeado pela intertextualidade com cl\u00e1ssicos da literatura mundial, dedica-se a expor a busca do narrador por uma identidade ga\u00facha poss\u00edvel, oriunda da fric\u00e7\u00e3o entre a modernidade urbanizadora e os modos de vida da tradi\u00e7\u00e3o rural da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Metz organiza o romance em tr\u00eas segmentos diferentes, sendo o primeiro e o \u00faltimo compostos pela passagem das esta\u00e7\u00f5es do ano, como uma esp\u00e9cie de pref\u00e1cio e posf\u00e1cio circulares que conformam e margeiam o miolo do romance no qual \u00e9 contada em tr\u00eas cap\u00edtulos a viagem do narrador pelo interior do Rio Grande do Sul. O primeiro ciclo de esta\u00e7\u00f5es do ano se inicia na primavera e termina no inverno, o segundo se inicia no inverno e termina no outono, o que confere \u00e0 narrativa o aspecto de uma jornada empreendida nos rigores do frio. Contudo, apesar dessas marca\u00e7\u00f5es, o tempo no romance se mostra uma dimens\u00e3o muito mais atrelada \u00e0 natureza da introspec\u00e7\u00e3o, da interioriza\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias com as quais o narrador se depara, do que \u00e0 natureza do tempo marcado pelo rel\u00f3gio. O espa\u00e7o, por sua vez, nunca nomeado por seus top\u00f4nimos, \u00e9 identific\u00e1vel pelas caracter\u00edsticas da terra, da flora, dos bichos e das gentes, observadas e ponderadas pelo narrador. O espa\u00e7o e o tempo figurados em <em>Assim na terra<\/em> pertencem \u00e0 dimens\u00e3o do mito e refor\u00e7am o car\u00e1ter simbolizante do estilo adotado por Metz em sua prosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No primeiro ciclo de esta\u00e7\u00f5es do ano, o espa\u00e7o onde ser\u00e1 desenvolvida a narrativa \u00e9 apresentado por meio da caracteriza\u00e7\u00e3o das peculiaridades que primavera, ver\u00e3o, outono e inverno trazem, cada um a seu modo, ao viver da gente que habita esse peda\u00e7o de sul. Se a primavera marca para a aldeia o \u201c[\u2026] tempo de alisar os vincos, desdobrar o cora\u00e7\u00e3o e ordenar os perfumes no penteador\u201d, no inverno \u201cse o tempo vestisse certamente seria sobrepeliz de pel\u00facia para usar na vasta noite do sul\u201d. Ao fazer a marca\u00e7\u00e3o do tempo a partir das esta\u00e7\u00f5es do ano, entidades inevit\u00e1veis e constantes que se repetem e marcam a passagem dos anos de maneira c\u00edclica, Metz apresenta o tom mitol\u00f3gico que o registro lingu\u00edstico escolhido refor\u00e7a em trechos como: \u201cVozes do frio e frias, atra\u00eddas pelos acorde\u00f5es rogados pelo minuano [\u2026]. Aqui dentro \u00e9 uma regi\u00e3o \u00e1spera e desamparada, estreita, acantonada. De c\u00f3digos sem verbos. Mas a fala e o s\u00e9culo se assemelha e o clima determina o di\u00e1logo, e \u00e9 dito que o sul \u2013 T\u00e1 de renguear Gomercindo\u201d. Nesse excerto h\u00e1 de se notar tamb\u00e9m uma caracter\u00edstica que se repete ao final de cada um dos textos relativos \u00e0s esta\u00e7\u00f5es do ano nesse primeiro segmento do romance: a antecipa\u00e7\u00e3o da apari\u00e7\u00e3o de Gomercindo, personagem fundamental para a obra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os tr\u00eas cap\u00edtulos centrais do livro narram a viagem empreendida pelo protagonista nunca nomeado, que cruza as terras do sul atr\u00e1s de algo que tenta alcan\u00e7ar n\u00e3o s\u00f3 pelo avan\u00e7ar dos quil\u00f4metros, mas principalmente por meio das palavras, do organizar das ideias pela linguagem. Leva consigo uma caderneta em que registra suas experi\u00eancias e s\u00e3o as reflex\u00f5es a respeito delas que conduzem a narrativa. No princ\u00edpio, viaja a p\u00e9, \u00e9 o tempo de sua juventude, em que \u201cas coisas, ent\u00e3o, tomavam um ritmo surpreendente [\u2026]. O que parecia alheio adquiria familiaridade, dist\u00e2ncias se uniam, cheiro e som e a descoberta do desespero e da passagem, dos fins nos come\u00e7os\u201d. \u00c0 margem das estradas, observa a mudan\u00e7a profunda no campo e nas pessoas. As m\u00e1quinas se modernizam, os produtos qu\u00edmicos promovem a morte instant\u00e2nea das plantas indesejadas, \u201cmudan\u00e7as, h\u00e1bitos empoeirados, sabedorias dando espa\u00e7o \u00e0s mais recentes compreens\u00f5es\u201d. Em seu caminho, cruza com uma trupe de ilusionistas, uma velha que, ao sabor dos or\u00e1culos, prev\u00ea o seu futuro, mas \u00e9 o desabamento de uma casa muito antiga, escolhida como repouso, que marca o final desse per\u00edodo de amadurecimento. A casa derru\u00edda \u00e9 s\u00edmbolo da fragmenta\u00e7\u00e3o dos modos de vida tradicionais e \u00e9 saindo dos escombros desse desmoronamento que o narrador se depara com outro marco de sua jornada: Gomercindo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal personagem funciona para a narrativa como a apari\u00e7\u00e3o da figura do mestre, que guia as reflex\u00f5es e a escrita do narrador ao confin\u00e1-lo no Pens\u00e1rio, um dos poucos espa\u00e7os nominados no romance, galp\u00e3o de f\u00edsica improv\u00e1vel que conta apenas com uma escrivaninha e uma banqueta. Nesse ponto do texto, a linguagem se distende, o estilo do registro de Metz se aprofunda e as personagens passam a travar di\u00e1logos complexos, pontuados por reflex\u00f5es filos\u00f3ficas e pela intertextualidade com cl\u00e1ssicos da literatura mundial, como Mallarm\u00e9, Baudelaire, Goethe, Kafka, Eliot e Borges, mas tamb\u00e9m com autores da tradi\u00e7\u00e3o ga\u00facha, como Aureliano de Figueiredo Pinto, a respeito do qual Metz escreveu uma biografia publicada em 1986. \u00c9 aqui tamb\u00e9m que o car\u00e1ter metaliter\u00e1rio da obra se mostra, em passagens nas quais Gomercindo instrui o narrador: \u201c\u2014 Come\u00e7a a escrever aqui \u2013 ele disse \u2013, trabalha com um sentimento ampliado usando uma corda de couro com tran\u00e7a de oito que corre entre os dedos que a tentam comprimir [\u2026]. A corda queima. A carne aviva. Nasce a necessidade de dizer coisas [\u2026]. Evita o p\u00e2ntano da filosofia. E os di\u00e1logos que s\u00e3o a ru\u00edna do texto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s esse tempo de forma\u00e7\u00e3o do narrador, poss\u00edvel de medir apenas por suas experi\u00eancias e reflex\u00f5es, ele e Gomercindo seguem viagem a cavalo pelo sul, vendados, como se, depois de tanto buscar apreender esse sul por meio da palavra que persegue o sentido das coisas, a vis\u00e3o fosse prescind\u00edvel para a constru\u00e7\u00e3o da imagem que se busca. H\u00e1 nessa parte uma passagem que aponta a influ\u00eancia de Eliot na escrita de <em>Assim na terra<\/em>, algo evidenciado no pr\u00f3prio t\u00edtulo, que pode ser lido como uma refer\u00eancia ao poema \u201cA terra desolada\u201d, assim como na ep\u00edgrafe do livro. Na passagem em quest\u00e3o, o protagonista toma o chap\u00e9u de Gomercindo e nele borda as palavras \u201cno meu fim, meu come\u00e7o\u201d, refer\u00eancia ao poema \u201cEast Coker\u201d, do autor estadunidense-brit\u00e2nico. Aqui, refor\u00e7a-se uma vez mais o car\u00e1ter c\u00edclico da narrativa, que encontra na culmin\u00e2ncia desse segmento seu sentido de perpetua\u00e7\u00e3o: \u201cTudo passa, tudo cala, tudo \u00e9 vento sobre a noite. Ali estava um homem e o tempo desse homem, e o que \u00e9 tempo nele no s\u00edmbolo \u00e9 levado, sua intimidade, sua l\u00e1grima na minha, como se prosseguisse uma imagem, uma estrofe, uma imperme\u00e1vel persegui\u00e7\u00e3o. Tudo passa, tudo \u00e9 vento sobre a noite\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, o ciclo das esta\u00e7\u00f5es que encerra a narrativa de <em>Assim na terra<\/em> diferencia-se do primeiro por ter um tom mais reflexivo, fruto de um narrador amadurecido, que retorna com marcas da jornada em busca da linguagem. Se antes referia-se \u00e0 sua terra como aldeia, agora narra o cal\u00e7amento das ruas de uma cidade que cresce. No entanto, nem tudo \u00e9 pessimismo. Ao falar de um livro extraviado, que talvez ele pr\u00f3prio tenha escrito a respeito de um povo que n\u00e3o conseguia mais usar sua linguagem, afirma: \u201cno texto havia uma esperan\u00e7a e numa altura da narrativa testemunha: um lugar \u00e9 habitado e habit\u00e1vel quando dele se pode ter saudade, sempre e somente saudade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Assim na terra<\/em> foi publicado apenas um ano antes da morte de Luiz S\u00e9rgio Metz, que antes havia lan\u00e7ado tamb\u00e9m o livro de contos <em>O primeiro e o segundo homem<\/em>, em 1981. O tema do desaparecimento dos modos de vida tradicionais dos povos do Brasil em raz\u00e3o da expans\u00e3o agr\u00edcola continua a encontrar eco na nossa sociedade e a ser objeto de romances e outros fazeres art\u00edsticos. <em>Assim na terra<\/em> se junta a essas obras como um relato complexo, de linguagem sofisticada, que exp\u00f5e de maneira atemporal essa mazela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FERNANDES, Pedro (2015). <em>Assim na terra<\/em>, de Luiz S\u00e9rgio Metz. <em>Letras in.verso e re.verso<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.blogletras.com\/2015\/10\/assim-na-terra-de-luiz-sergio-metz.html\">https:\/\/www.blogletras.com\/2015\/10\/assim-na-terra-de-luiz-sergio-metz.html<\/a>. Acesso em: 20 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FONSECA, Cl\u00e1udia Lorena Vouto da (2012). A narrativa estilha\u00e7ada em <em>Assim na terra<\/em>, de Luiz S\u00e9rgio Metz. <em>Scripta<\/em>, Belo Horizonte, v. 16, n. 31, p. 161-172. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.pucminas.br\/scripta\/article\/view\/P.2358-3428.2012v16n31p161\">https:\/\/periodicos.pucminas.br\/scripta\/article\/view\/P.2358-3428.2012v16n31p161<\/a>. Acesso em: 18 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">OCACIA, Renata Vaghetti (2005). <em>A representa\u00e7\u00e3o da realidade na narrativa de Luiz S\u00e9rgio Metz<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Literatura Brasileira) \u2013 Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-7776.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-7776\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Artes-e-Oficios-1995.avif\" data-caption-title=\"Artes e Of\u00edcios, 1995\" data-attachment-id=\"7777\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Artes e Of\u00edcios, 1995\" width=\"250\" height=\"385\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/Artes-e-Oficios-1995\/1286564303.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22385%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20385%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Artes e Of\u00edcios, 1995<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Cosac-Naify-2013.avif\" data-caption-title=\"Cosac Naify, 2013\" data-attachment-id=\"7778\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Cosac Naify, 2013\" width=\"250\" height=\"368\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/Cosac-Naify-2013\/966009963.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22368%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20368%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Cosac Naify, 2013<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>METZ, Luiz S\u00e9rgio. 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