{"id":7766,"date":"2026-04-22T18:30:00","date_gmt":"2026-04-22T21:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7766"},"modified":"2026-04-22T18:30:00","modified_gmt":"2026-04-22T21:30:00","slug":"ana-em-veneza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=7766","title":{"rendered":"Ana em Veneza"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">TREVISAN, Jo\u00e3o Silv\u00e9rio. <em>Ana em Veneza<\/em>. Rio de Janeiro: BestSeller; C\u00edrculo do Livro, 1994.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">\u00cdcaro Jatob\u00e1<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: L\u00e9o Tavares<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para onde se vai quando se muda de lugar? Em que se transforma aquele que \u00e9 obrigado a faz\u00ea-lo? O que se busca nessa mudan\u00e7a? E o que fazer quando o que se procura est\u00e1 dentro de si mesmo? Inadequa\u00e7\u00e3o existencial, ex\u00edlio e a busca do ser marcam o livro <em>Ana em Veneza<\/em>, de 579 p\u00e1ginas, obra do paulista, Jo\u00e3o Silv\u00e9rio Trevisan (Ribeir\u00e3o Bonito, SP, 1944) e publicada pela Best-seller, em parceria com o C\u00edrculo do Livro, em 1994.<br><br>Naquele ano, Trevisan, pr\u00f3ximo dos seus 50 anos de idade, j\u00e1 somava vasta experi\u00eancia cultural, liter\u00e1ria e ativista, passando por projetos audiovisuais, peri\u00f3dicos impressos, como o jornal homossexual <em>Lampi\u00e3o da Esquina<\/em> (1978-1981), e pela publica\u00e7\u00e3o de outros t\u00edtulos liter\u00e1rios como <em>Testamento de J\u00f4natas deixado a David<\/em> (1976), <em>Em nome do desejo <\/em>(1983), <em>Vagas not\u00edcias de Melinha Marchiotti<\/em> (1984) e <em>Devassos no para\u00edso<\/em> (1986).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para construir a escritura do romance aqui analisado, Trevisan destaca que leu mais de 500 livros, pesquisou acervos e recorreu at\u00e9 \u00e0 consulta dos b\u00fazios para encontrar inspira\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria para aquela que se tornou uma de suas principais obras e que foi a segunda colocada na categoria Romance do Pr\u00eamio Jabuti de 1995, ao lado de Jorge Amado e Jos\u00e9 Roberto Torero. Essas informa\u00e7\u00f5es permitem compreender o esfor\u00e7o envolvido em seu processo criativo e a forma como sua literatura se insere no contexto brasileiro.<br><br>Ambientado no final do s\u00e9culo XIX, o romance <em>Ana em Veneza<\/em> \u00e9 uma obra complexa, visto que \u00e9 estruturada em camadas narrativas que exploram a identidade, a mem\u00f3ria e o deslocamento a partir de uma estrutura s\u00f3cio-hist\u00f3rica. Trevisan constr\u00f3i um texto multifacetado, que mistura pesquisa hist\u00f3rica, fic\u00e7\u00e3o, digress\u00e3o e intertextualidade com outras artes e autores, como Pirandello, Thomas Mann (que na trama \u00e9 filho da brasileira Julia da Silva Bruhns, uma das personagens centrais), Machado de Assis, Fellini e Bergman. Somam-se aos personagens principais a escrava negra Ana e o ent\u00e3o maestro cearense Alberto Nepomuceno, e, claro, Veneza, que apesar de ser cidade, \u00e9 tamb\u00e9m uma personagem importante, pois materializa a tem\u00e1tica migrat\u00f3ria presente no enredo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que a simples experi\u00eancia geogr\u00e1fica da migra\u00e7\u00e3o, o ex\u00edlio surge como condi\u00e7\u00e3o existencial e subjetiva da obra e, em cada personagem, algo que os acompanha nos di\u00e1logos expl\u00edcitos e impl\u00edcitos, nos seus sil\u00eancios e em suas impossibilidades de pertencimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00falia, Ana e Nepomuceno s\u00e3o tr\u00eas personagens exilados que carregam em si um tra\u00e7o que Trevisan considera bastante simb\u00f3lico ao brasileiro: os exilados de si mesmos. Suas hist\u00f3rias, marcadas por perdas e deslocamentos, atravessam d\u00e9cadas e espa\u00e7os geogr\u00e1ficos. Ana \u00e9 uma mulher negra, sequestrada ainda crian\u00e7a de sua terra natal no continente africano, marcada por cicatrizes tribais no rosto. Transportada em condi\u00e7\u00f5es brutais para o Brasil escravista, perde a m\u00e3e durante a travessia e \u00e9 vendida como escravizada \u00e0 fam\u00edlia Silva. Alforriada posteriormente, continua vivendo em condi\u00e7\u00e3o de servid\u00e3o junto \u00e0 fam\u00edlia Bruhns, acompanhando-os at\u00e9 a Alemanha. L\u00e1, falando quase nada em alem\u00e3o, enfrenta racismo, isolamento e o apagamento de suas refer\u00eancias culturais, mantendo apenas fragmentos de mem\u00f3ria, e a marca no rosto, como conex\u00e3o com sua origem. Cronicamente angustiada, v\u00ea-se um pouco mais aliviada quando conhece seu grande amor, o alem\u00e3o Gustav. Ana \u00e9 a \u00fanica personagem puramente ficcional da obra, mas que facilmente poderia ter existido.<br><br>Julia, chamada na inf\u00e2ncia de Dod\u00f4, \u00e9 filha de pai alem\u00e3o e m\u00e3e brasileira. Nascida em Paraty, litoral fluminense, cresce em meio \u00e0 natureza e \u00e0 conviv\u00eancia com os escravizados da fam\u00edlia. A morte precoce da m\u00e3e rompe seu mundo. Essa talvez seja sua primeira experi\u00eancia de ex\u00edlio, n\u00e3o f\u00edsico, mas sentimental: ela experimenta uma esp\u00e9cie de desenraizamento interior, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 um lugar seguro onde possa se reconhecer. Ao ser levada pelo pai, L\u00fcbeck, \u00e0 Alemanha, v\u00ea-se obrigada a abandonar a l\u00edngua portuguesa, os h\u00e1bitos e a religiosidade de sua terra natal. Essa transposi\u00e7\u00e3o abrupta a coloca em um estado de orfandade cultural e emocional, o que acentua ainda mais o ex\u00edlio sentido pela personagem frente a dois lutos: a morte da m\u00e3e e a morte da terra-m\u00e3e. Sua rela\u00e7\u00e3o com Ana \u00e9 um dos poucos elos afetivos que resistem, embora tamb\u00e9m se fragilize na nova realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alberto Nepomuceno \u00e9 um personagem recriado a partir de dados do real, maestro, compositor e figura hist\u00f3rica. Republicano e abolicionista, parte para a Europa em busca de aperfei\u00e7oamento musical, financiado por amigos ap\u00f3s a Coroa negar-lhe apoio. Ao longo da viagem e da estadia, experimenta um misto de fasc\u00ednio e desencanto: \u00e9 sens\u00edvel \u00e0 cultura e \u00e0 arte europeias, mas mant\u00e9m um olhar cr\u00edtico sobre as desigualdades e o provincianismo do Brasil, bem como sobre as contradi\u00e7\u00f5es da modernidade. Sofre, contudo, com bloqueios criativos e com um medo persistente da morte, chamado de tanatofobia, temor que o persegue como uma sombra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando os tr\u00eas personagens se conhecem, Nepomuceno se v\u00ea diante do dilema \u201co que \u00e9 o Brasil?\u201d. Suas hist\u00f3rias revelam n\u00e3o apenas o encontro de indiv\u00edduos deslocados, mas a sobreposi\u00e7\u00e3o de diferentes camadas de ex\u00edlio: afetivo, cultural, social e art\u00edstico. Essa converg\u00eancia mostra que a mobilidade e a perda de ra\u00edzes s\u00e3o experi\u00eancias constitutivas de suas vidas, funcionando como chave interpretativa para pensar tanto o romance quanto a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o brasileira de identidades fragmentadas e em tr\u00e2nsito<br><br>H\u00e1 momentos conduzidos por um narrador onisciente que, por vezes, parece assumir a perspectiva de um alterego de Nepomuceno; outros, em primeira pessoa, como nos di\u00e1rios do m\u00fasico, al\u00e9m de trechos que reproduzem a oralidade fragmentada das lembran\u00e7as de Julia. A trajet\u00f3ria de Nepomuceno coloca em evid\u00eancia a tens\u00e3o entre a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica e as condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, sociais e emocionais que a moldam ou a bloqueiam. O m\u00fasico carrega a ambi\u00e7\u00e3o de criar uma m\u00fasica brasileira que sintetize a diversidade cultural do pa\u00eds, mas se v\u00ea interrompido por incertezas, dispers\u00f5es e pela press\u00e3o do reconhecimento. Afinal, qual seria a identidade do Brasil brasileiro? O que \u00e9 arte? Qual \u00e9 a identidade nacional?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As digress\u00f5es permitem que o texto se mova livremente entre a hist\u00f3ria pessoal das personagens e reflex\u00f5es mais amplas sobre arte, identidade, mem\u00f3ria e morte. Em alguns trechos, a narrativa se expande para comentar eventos hist\u00f3ricos, culturais e art\u00edsticos que dialogam com as experi\u00eancias das figuras centrais, criando um entrela\u00e7amento rico entre fic\u00e7\u00e3o e refer\u00eancias externas. Essa liberdade \u00e9 central: n\u00e3o importa tanto ao autor \u201cdizer a verdade\u201d hist\u00f3rica, mas provocar o leitor com uma hist\u00f3ria que oscila entre o real e o imagin\u00e1rio, entre a mem\u00f3ria e a inven\u00e7\u00e3o, habilidade que Trevisan domina ao longo de toda a trama.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Ana em Veneza<\/em> \u00e9 menos um relato de eventos passados e mais um mergulho nas zonas obscuras da identidade, nas mem\u00f3rias que resistem e naquelas que se apagam, nos deslocamentos que nos arrancam de n\u00f3s mesmos e nas tentativas, nem sempre bem-sucedidas, de recompor o que foi perdido. \u00c9 um romance que se constr\u00f3i sobre a consci\u00eancia de que todo ex\u00edlio geogr\u00e1fico \u00e9 tamb\u00e9m um ex\u00edlio interior, e que a arte, embora n\u00e3o possa recuperar o irrecuper\u00e1vel, pode ao menos iluminar seus contornos.<br><br>Trevisan entrega ao leitor um texto que instiga e desafia, alternando momentos de lirismo com observa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas e agudas, compondo um retrato complexo de personagens que, \u00e0 sua maneira, enfrentam o mesmo dilema: viver entre mundos, sem pertencer inteiramente a nenhum deles. \u00c9 nessa tens\u00e3o que reside a for\u00e7a do romance, e talvez a raz\u00e3o pela qual ele permane\u00e7a ressoando muito al\u00e9m da \u00faltima p\u00e1gina.<br><br>O que Trevisan mostra ao leitor \u00e9 que todos t\u00eam o ex\u00edlio mais perto do que se possa imaginar. Se n\u00e3o se \u00e9 daqui e nem de l\u00e1, de onde se \u00e9? A resposta tamb\u00e9m est\u00e1 mais perto do que se imagina, est\u00e1 dentro de cada um. No entanto, o processo de encontrar tal resposta e fazer conex\u00f5es com pertencimentos \u00e9 tamb\u00e9m o que leva ao ex\u00edlio final, a morte. Por tr\u00e1s do destino das personagens, o autor tamb\u00e9m sugere uma leitura cr\u00edtica do que foi deixado para tr\u00e1s por Ana, Julia e Nepomuceno: o Brasil. A escravid\u00e3o, a busca por uma identidade cultural aut\u00eantica e a experi\u00eancia de viver entre culturas aparecem como espelhos de uma na\u00e7\u00e3o fragmentada, que nunca se resolve plenamente entre tradi\u00e7\u00e3o e modernidade. O romance, assim, se coloca como coment\u00e1rio sobre a forma\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, al\u00e9m de narrar hist\u00f3rias individuais que habilmente representam tantas outras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PANDOLFO, Alexandri Costi (2015). Viagem, desterro e narratividade: considera\u00e7\u00f5es sobre <em>Ana em Veneza<\/em>, de Jo\u00e3o Silv\u00e9rio Trevisan.&nbsp;<em>Letr\u00f4nica<\/em>,&nbsp;n. 7, p. 1060-1074. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/revistaseletronicas.pucrs.br\/letronica\/article\/view\/17910\">https:\/\/revistaseletronicas.pucrs.br\/letronica\/article\/view\/17910<\/a>. Acesso em: 8 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PAULINO, Sibele (2012). Transitando <em>Ana em Veneza<\/em> de Jo\u00e3o Silv\u00e9rio Trevisan: um romance sem domic\u00edlio fixo.&nbsp;<em>Esta\u00e7\u00e3o Liter\u00e1ria<\/em>,&nbsp;Londrina, n. 1, v. 10, p. 132-149. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ojs.uel.br\/revistas\/uel\/index.php\/estacaoliteraria\/article\/view\/25865\">https:\/\/ojs.uel.br\/revistas\/uel\/index.php\/estacaoliteraria\/article\/view\/25865<\/a>. Acesso em: 8 ago. 2025.<br><br>MOURA, Alderina dos Santos (2022). <em>Digress\u00e3o:<\/em> os conflitos de Ana, Julia e Nepomuceno, no romance <em>Ana em Veneza<\/em>. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (Gradua\u00e7\u00e3o em Letras) \u2013 Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-7769.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-7769\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Best-Seller-1994.avif\" data-caption-title=\"BestSeller, 1994\" data-attachment-id=\"7770\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"BestSeller, 1994\" width=\"250\" height=\"417\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/Best-Seller-1994\/613998768.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22417%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20417%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">BestSeller, 1994<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Record-1998.avif\" data-caption-title=\"Record, 1998\" data-attachment-id=\"7771\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Record, 1998\" width=\"250\" height=\"376\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2026\/03\/Record-1998\/1128512624.avif\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22376%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20376%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Record, 1998<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TREVISAN, Jo\u00e3o Silv\u00e9rio. 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