{"id":6279,"date":"2025-08-19T11:01:26","date_gmt":"2025-08-19T14:01:26","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?post_type=resenha&#038;p=6279"},"modified":"2025-11-12T18:14:17","modified_gmt":"2025-11-12T21:14:17","slug":"bolero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=6279","title":{"rendered":"Bolero"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">GIUDICE, Victor. <em>Bolero<\/em>. Rio de Janeiro: Rocco, 1985.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Maria L\u00facia Outeiro Fernandes<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Esp\u00edrito Objeto<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Victor Marino del Giudice (Niter\u00f3i, RJ, 1934 \u2013 Rio de Janeiro, RJ, 1997) come\u00e7ou sua carreira publicando contos em jornais e revistas, no final dos anos 1960. Neles, abordava a explora\u00e7\u00e3o e a aliena\u00e7\u00e3o do trabalhador, decorrentes da burocratiza\u00e7\u00e3o e desumaniza\u00e7\u00e3o do sistema, al\u00e9m de quest\u00f5es relacionadas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana, como a crueldade e os jogos de poder, bem como temas ligados \u00e0 ditadura e \u00e0s mazelas da sociedade brasileira. Esses aspectos tamb\u00e9m s\u00e3o explorados em seu primeiro romance, <em>Bolero <\/em>(1985).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Narrado em primeira pessoa, o livro conta a hist\u00f3ria de um homem que passa sete anos em uma maternidade, esperando por sua mulher, que vai dar \u00e0 luz e desaparece misteriosamente. Ao despertar de seu torpor e sair \u00e0 rua, ele se depara com uma cidade que lhe parece estranha, onde havia ocorrido uma recente mudan\u00e7a para o regime mon\u00e1rquico, que submete os cidad\u00e3os diariamente a pris\u00f5es aleat\u00f3rias, sess\u00f5es de tortura e desaparecimentos. O pr\u00f3prio narrador torna-se v\u00edtima dessa arbitrariedade, sendo preso e torturado v\u00e1rias vezes depois de colher uma flor na pra\u00e7a \u2013 gesto que as autoridades interpretam como subversivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicada \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es que puseram fim \u00e0 ditadura (1964-1985), a obra configura-se como uma alegoria da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Brasil naquele momento de transi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata, por\u00e9m, de uma narrativa orientada pela utopia ou pela esperan\u00e7a. Ao contr\u00e1rio, apresenta-se como um romance profundamente cr\u00edtico e c\u00e9tico em rela\u00e7\u00e3o ao futuro da democracia. Nele, a popula\u00e7\u00e3o de uma cidade, dividida em dois grupos advers\u00e1rios \u2013 um adepto da Rep\u00fablica e outro da Monarquia \u2013, colabora, por sua contumaz aliena\u00e7\u00e3o, para a manuten\u00e7\u00e3o do autoritarismo, em qualquer dos dois regimes que se revezam periodicamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>O t\u00edtulo do livro remete a um ritmo musical muito popular na Am\u00e9rica Latina, evocando o fato de que a ditadura foi uma realidade vivida em todo o continente. Ritmo din\u00e2mico, e sustentado por uma composi\u00e7\u00e3o de estrutura repetitiva, com varia\u00e7\u00f5es sutis, o bolero cresce gradualmente, mobilizando uma riqueza de timbres de diferentes instrumentos, at\u00e9 atingir um cl\u00edmax poderoso. Criado para a dan\u00e7a de sal\u00e3o, ele evoca sequ\u00eancias de cenas e epis\u00f3dios que se entrela\u00e7am, como os casais numa pista de dan\u00e7a. Nesse sentido, o t\u00edtulo pode ser lido como met\u00e1fora da narrativa de Giudice, na qual fragmentos descont\u00ednuos de epis\u00f3dios ocorridos em diferentes locais e \u00e9pocas se entrela\u00e7am e se misturam a diversos timbres estil\u00edsticos, cabendo ao leitor o esfor\u00e7o de construir alguma coer\u00eancia e sentido para o relato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Victor Giudice recorre ao experimentalismo na forma e na linguagem, em busca de uma express\u00e3o capaz de encenar o contexto hist\u00f3rico. O discurso realista e a forma tradicional do romance lhe parecem insuficientes para transmitir a intensidade e as sutilezas das sensa\u00e7\u00f5es decorrentes do medo, do sofrimento, da degrada\u00e7\u00e3o e de outros aspectos ligados \u00e0 falta de liberdade, \u00e0 inseguran\u00e7a e \u00e0 tortura. \u201cN\u00e3o h\u00e1 linguagem capaz de descrev\u00ea-la, desde o momento em que cesse de ser exercida. J\u00e1 li e vi extensas narrativas a respeito de pessoas torturadas at\u00e9 a morte, e sempre me ficou a impress\u00e3o de um amontoado de baboseiras que n\u00e3o conseguem nenhuma apreens\u00e3o do real\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho no n\u00edvel da forma e da linguagem permite ao escritor ir al\u00e9m do registro documental, elaborando uma an\u00e1lise complexa que aponta para a impossibilidade de construir uma democracia s\u00f3lida no pa\u00eds sem o enfrentamento de pend\u00eancias hist\u00f3ricas e traumas do passado \u2013 interpreta\u00e7\u00e3o cr\u00edtica que permanece v\u00e1lida para a realidade brasileira atual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Somente em sentido amplo se pode considerar o livro como romance, j\u00e1 que se trata de uma narrativa h\u00edbrida, que mistura uma multiplicidade de t\u00e9cnicas e procedimentos t\u00edpicos de v\u00e1rios g\u00eaneros liter\u00e1rios, como a farsa, o realismo m\u00e1gico, a s\u00e1tira, a poesia, e de outras artes, como a m\u00fasica, as artes pl\u00e1sticas e as artes c\u00eanicas e circenses. As compara\u00e7\u00f5es ins\u00f3litas refor\u00e7am o sentimento de absurdo: \u201cA tortura \u00e9 irm\u00e3 g\u00eamea de uma sinfonia de Beethoven. Tanto na grandiosidade quanto na intensidade da emo\u00e7\u00e3o transmitida. [&#8230;] Ningu\u00e9m descreve Beethoven. Ningu\u00e9m descreve a tortura\u201d. Em outro momento, ao evocar a crueldade e a desumaniza\u00e7\u00e3o sofridas pelos oper\u00e1rios de uma f\u00e1brica, controlados por uma imensa tela de v\u00eddeo, o narrador sugere uma compara\u00e7\u00e3o com uma tela de pintura: \u201cAs ind\u00fastrias s\u00e3o focos de desumaniza\u00e7\u00e3o e a Arte deve ser justamente o contr\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A transposi\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas do espet\u00e1culo circense \u00e9 outro aspecto not\u00e1vel. Grande parte da narrativa \u00e9 impulsionada pelas apresenta\u00e7\u00f5es de um circo, assistidas diariamente pela popula\u00e7\u00e3o da cidade. Ao refletir sobre esses espet\u00e1culos, o narrador discorre sobre a natureza e a fun\u00e7\u00e3o da arte, o estatuto da beleza, as fronteiras entre realidade e fic\u00e7\u00e3o, entre banalidades e eventos hist\u00f3ricos, mostrando que o circo era mantido pelos dois sistemas \u2013 o mon\u00e1rquico e o republicano \u2013 como instrumento de domina\u00e7\u00e3o. Segundo o narrador, enquanto a arte fundamentada no pensamento, na imagina\u00e7\u00e3o e no trabalho de cria\u00e7\u00e3o liberta, o espet\u00e1culo de entretenimento mant\u00e9m o espectador preso \u00e0 opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O experimentalismo abrange todos os n\u00edveis da narrativa, incluindo a caracteriza\u00e7\u00e3o dos personagens, contribuindo para mostrar os efeitos do regime autorit\u00e1rio sobre seu estado psicol\u00f3gico e comportamento. A fragmenta\u00e7\u00e3o interior se mistura \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o do tempo, j\u00e1 que o relato cruza diversos momentos da hist\u00f3ria da cidade e da vida do protagonista. Lembrando as circunvolu\u00e7\u00f5es dos dan\u00e7arinos num baile, a narrativa acumula sensa\u00e7\u00f5es de retorno a situa\u00e7\u00f5es e lugares, como se o tempo ocorresse na forma de c\u00edrculos, refor\u00e7ando a ideia de aliena\u00e7\u00e3o e aprisionamento, especialmente do protagonista, v\u00edtima de uma for\u00e7a opressora permanente que o mant\u00e9m preso aos seus traumas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel ver no personagem-narrador uma esp\u00e9cie de representa\u00e7\u00e3o do ser pol\u00edtico brasileiro. Destitu\u00eddo de identidade definida, dominado pela aliena\u00e7\u00e3o, an\u00f4nimo e confuso, ele n\u00e3o possui nenhuma certeza, nem mesmo acerca do que est\u00e1 narrando. Sem projeto de vida, parece rodopiar no tempo e no espa\u00e7o, \u00e0 merc\u00ea dos acontecimentos. Seu relato se fragmenta entre os mergulhos no passado \u2013 pelos quais tenta compreender seu relacionamento com a primeira esposa, Cynthia \u2013, sua perda de mem\u00f3ria, sua aliena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e o s\u00fabito engajamento como principal l\u00edder da segunda mudan\u00e7a de regime no enredo, da Monarquia para a Nova Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O espa\u00e7o f\u00edsico \u00e9 trabalhado em tr\u00eas ambientes caracterizados como repressores, violentos e inst\u00e1veis: o circo, onde reina o ilusionismo e a manipula\u00e7\u00e3o, constituindo uma met\u00e1fora da sociedade brasileira; a cidade, descrita como ca\u00f3tica e hostil; e a casa, o \u00fanico ambiente que, em alguns momentos, pode se tornar um ref\u00fagio acolhedor. Quanto ao espa\u00e7o social, o momento mais emblem\u00e1tico de sua configura\u00e7\u00e3o ocorre no epis\u00f3dio que mostra o trabalho dos oper\u00e1rios na f\u00e1brica pertencente \u00e0 fam\u00edlia de Auriflor, a segunda esposa do narrador. Al\u00e9m de ressaltar as desigualdades gritantes, o epis\u00f3dio amplia ao extremo tudo o que os demais espa\u00e7os j\u00e1 haviam mostrado em termos de crueldade, viol\u00eancia e repress\u00e3o. A passividade bovina dos oper\u00e1rios refor\u00e7a a ideia de aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desfecho confirma a obra como alegoria do per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o ao final da ditadura, refor\u00e7ando a mensagem de que tudo n\u00e3o passa de uma grande farsa \u2013 um acordo entre militares e for\u00e7as neoliberais, sem mudan\u00e7as significativas. O pr\u00f3prio t\u00edtulo do livro tamb\u00e9m se revela como uma farsa, pois, ao contr\u00e1rio do cl\u00edmax vigoroso que caracteriza o ritmo do bolero, a narrativa encerra-se em anticl\u00edmax. A esperan\u00e7a de uma suposta evolu\u00e7\u00e3o do protagonista \u2013 de sua postura passiva e indiferente para uma a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria \u2013 transforma-se em profunda decep\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que ele termina acomodado ao sistema e mergulhado em seus traumas. Isso se evidencia na carta \u00e0 sua primeira esposa, de tom melanc\u00f3lico e saudosista, com a qual conclui seu relato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ARTE Plural de Victor Giudice. Produ\u00e7\u00e3o: Regina Zappa. Participa\u00e7\u00e3o: Tereza Virginia de Almeida, Carlos Alberto Mattos e Chico Dias. <em>Esta\u00e7\u00e3o Sabi\u00e1<\/em>. Entrevistas. TV 247, 2022. 1 v\u00eddeo (60 min). Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=drOXknLi5ZI&amp;ab_channel=TV247\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=drOXknLi5ZI&amp;ab_channel=TV247<\/a>. Acesso em: 28 out. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ALMEIDA, Tereza Virginia (2016). Victor Giudice e o ritmo irresist\u00edvel. <em>Organon<\/em>, Porto Alegre, v. 31, n. 61, p. 49-63. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/seer.ufrgs.br\/index.php\/organon\/article\/view\/65520\">https:\/\/seer.ufrgs.br\/index.php\/organon\/article\/view\/65520<\/a>. Acesso em: 20 out. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COSTA, Carolina Veloso (2021). <em>\u201cConhe\u00e7o hist\u00f3rias mil que a Hist\u00f3ria esconde\u201d:<\/em> uma leitura de <em>Bolero<\/em>. Tese (Doutorado em Literatura) \u2013 Universidade Federal de Santa Catarina, Florianpolis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FERNANDES, Maria L\u00facia Outeiro (2018). As sutilezas da verossimilhan\u00e7a e as varia\u00e7\u00f5es da realidade n\u2019<em>O Museu Darbot<\/em>. <em>In<\/em>: ALMEIDA, Tereza Virginia <em>et al<\/em>. (Orgs.). <em>Museu Victor Giudice.<\/em>Florian\u00f3polis: UFSC. p. 32-54. <em>Ebook<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/rubi.casaruibarbosa.gov.br\/handle\/20.500.11997\/8000\">https:\/\/rubi.casaruibarbosa.gov.br\/handle\/20.500.11997\/8000<\/a>. Acesso em: 28 out. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SCOVILLE, Andr\u00e9 Luiz Martins Lopes de (2004). <em>Abrindo o arquivo<\/em>: rela\u00e7\u00f5es entre personagens e espa\u00e7o nas narrativas de Victor Giudice. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras) \u2013 Universidade Federal do Paran\u00e1, Curitiba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-6281.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-6281\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Rocco-1985.webp\" data-caption-title=\"Rocco, 1985\" data-attachment-id=\"6282\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Rocco, 1985\" width=\"250\" height=\"372\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/08\/Rocco-1985\/3695970832.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22372%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20372%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Rocco, 1985<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GIUDICE, Victor. 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