{"id":600,"date":"2024-03-04T20:30:10","date_gmt":"2024-03-04T20:30:10","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=600"},"modified":"2025-11-12T18:02:10","modified_gmt":"2025-11-12T21:02:10","slug":"camargo-oswaldo-de-a-descoberta-do-frio-sao-paulo-edicoes-populares-1979","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=600","title":{"rendered":"A descoberta do frio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">CAMARGO, Oswaldo de. <em>A descoberta do frio.<\/em> S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Populares, 1979.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Nathalia Augusto Pereira<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Pinheiro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Integrante da forma\u00e7\u00e3o inicial dos <em>Cadernos Negros<\/em> e do Quilombhoje, Oswaldo de Camargo (Bragan\u00e7a Paulista, SP, 1936) parte do frio como doen\u00e7a para abordar o universo da grande S\u00e3o Paulo entre o crescimento urbano e o sofrimento de pessoas negras que, acometidas pela frialdade, v\u00e3o sumindo. Seu livro <em>A descoberta do frio<\/em>, com pref\u00e1cio de Cl\u00f3vis de Moura e ilustra\u00e7\u00f5es de Luiz Boralli, foi originalmente publicado em 1979 pelas Edi\u00e7\u00f5es Populares. Revisto, ficcionalmente ampliado e relan\u00e7ado pela Ateli\u00ea Editorial em 2011 e 2015, manteve o pref\u00e1cio, mas com ilustra\u00e7\u00f5es de Genilson Soares e orelha de Eduardo de Assis Duarte. Em 2023, <em>A descoberta do frio<\/em> passou pela 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, desta vez pela Companhia das Letras. Agora ilustrado por Kika Carvalho, uma mulher negra, recebeu revis\u00e3o do autor, que conservou o pref\u00e1cio de Cl\u00f3vis de Moura, mas n\u00e3o adicionou texto cr\u00edtico atualizador das quest\u00f5es liter\u00e1rias negro-brasileiras. Abordando diversas concep\u00e7\u00f5es para a express\u00e3o \u201cdescoberta do frio\u201d, esse livro \u00e9 um encontro liter\u00e1rio entre gera\u00e7\u00f5es de autores negros de um Brasil que insiste em um projeto de esquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de mais pr\u00f3ximo do g\u00eanero <em>novela<\/em> por sua extens\u00e3o, <em>A descoberta do frio<\/em> mescla variadas formas, sendo dif\u00edcil encaix\u00e1-lo em defini\u00e7\u00f5es estanques. Com muitos espa\u00e7os e personagens, alguns mais, outros menos detalhados, destacam-se os mais jovens, como Z\u00e9 Antunes, Batista Jord\u00e3o e Laudino, e os mais velhos, como Doutor Ov\u00eddio Matos, Padre Ant\u00f4nio Jubileu, Bispo de Maralinga e vov\u00f4 Cumbuca. Eles se re\u00fanem em pra\u00e7as, bares e sal\u00f5es dos movimentos negros, diversos entre si, com a semelhan\u00e7a de se agruparem para discuss\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de cultura, sobretudo de literatura, refletindo inclusive sobre escritores, como Castro Alves, Cruz e Souza, Lu\u00eds Gama, Gerv\u00e1sio Morais, Lino Guedes, Machado de Assis e Solano Trindade: \u201cnesses nomes Z\u00e9 Antunes se apoiaria, a partir deles desvendaria, achava, a m\u00e1scara do frio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa cidade, que poderia ser qualquer uma cujos dirigentes \u201cn\u00e3o viam raz\u00e3o para deter o frio de que alguns negros se queixavam, vez ou outra, em p\u00e1ginas de jornais ou em depoimentos aos estudiosos que pesquisavam os efeitos\u201d, uma doen\u00e7a aparentemente meteorol\u00f3gica atinge n\u00e3o s\u00f3 o corpo f\u00edsico mas tamb\u00e9m afeta a alma, com sintomas de vergonha, de desejo de desaparecimento, de descr\u00e9dito de si mesmo e de nega\u00e7\u00e3o de sua negritude. O enredo desenvolve-se em torno da doen\u00e7a e daqueles que buscam respostas, como o poeta Z\u00e9 Antunes, que aparece de repente nas entidades negras e nos bares mais frequentados por afro-brasileiros da cidade, fala abertamente do frio e \u00e9 zombado por quase todos os frequentadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No bar Malungo, que reunia gente afro menos endinheirada, muitos come\u00e7aram a se sentar perto de Z\u00e9 Antunes para ouvir falar sobre o frio. J\u00e1 no Toca das Ocaias, frequentado pelos que estavam em melhor situa\u00e7\u00e3o financeira e ouviam o prestigiado Batista Jord\u00e3o, a maioria n\u00e3o levou a s\u00e9rio o assunto. Mas Batista Jord\u00e3o n\u00e3o ria, pelo contr\u00e1rio, incentivava Z\u00e9 Antunes a falar. A hist\u00f3ria muda, ainda no primeiro cap\u00edtulo, com o aparecimento do crioulinho Josu\u00e9: \u201cbatendo os queixos, um ru\u00eddo seco que se ouvia a dist\u00e2ncia de metros. Retalhos de flanela enrolavam-lhe as m\u00e3os, a cabe\u00e7a achava-se coberta com tr\u00eas gorros grosseiros de l\u00e3 amarela, por\u00e9m o mais extraordin\u00e1rio: sa\u00edam-lhe dos t\u00eanis v\u00e1rias tiras de couro de gato, imitando canos de botas [\u2026] nos olhos, mais do que no frio, havia algo muito, muit\u00edssimo estranho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No cap\u00edtulo seguinte, intitulado \u201cEstranheza I\u201d, mesmo sabendo que vez ou outra apareciam estranhezas como essa, a cidade n\u00e3o se interessava em se aproximar para ver o que estava acontecendo e iria se agasalhar para dormir, pois tinha \u201cconvic\u00e7\u00e3o petrificada havia tempo em seus anais\u201d. Essa passagem aproxima-se das quest\u00f5es do negro como objeto de pesquisas acad\u00eamicas. O termo \u201canais\u201d demonstra que os estudos estavam petrificados e que seria necess\u00e1rio buscar outras respostas. Mas, para tanto, era preciso provar a exist\u00eancia da doen\u00e7a, j\u00e1 que a dificuldade estava no desaparecimento da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O menino Josu\u00e9 some, ap\u00f3s ser levado a uma consulta m\u00e9dica por Laudino para saberem o nome para esse frio. Laudino havia dito ao doutor que lera um livro de um famoso m\u00e9dico sobre as doen\u00e7as de negro no Brasil j\u00e1 examinadas: \u201cl\u00e1 se fala em ainhum, suifa, subi\u00e1, drac\u00fanculo, um batalh\u00e3o de mol\u00e9stias. Mas isso aqui doutor \u2013 e Laudino, m\u00e3o sobre os gorros de Josu\u00e9, proferiu, decisivo \u2013, isso aqui \u00e9 o frio! [\u2026] eu juro; eu ouvi uma ventania medonha zunindo na alma dele!\u201d E Laudino ent\u00e3o se desespera, pedindo um nome para essa doen\u00e7a que afetava os negros, ao que o m\u00e9dico lhe questiona como sabia ser coisa de negros. Laudino conclui, em \u201cEstranheza II\u201d, que \u201ca medicina quase nada tinha a ver com as mazelas que aos bandos, feito abelhas, haviam ancorado sobre a vida do menino Josu\u00e9\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 pela metade do enredo, surge o termo \u201cmelanoscrios\u201d, grafado em it\u00e1lico e com nota explicativa ao final do livro, aparentemente, fora do enredo. A nota diz tratar-se de um equ\u00edvoco do inventor da palavra: \u201c<em>Melanos <\/em>significa t\u00e3o somente preto, escuro, sem conota\u00e7\u00e3o alguma racial. Em consequ\u00eancia, o frio acaba sendo preto, enquanto no texto se afirma o tempo todo que \u00e9 branco\u201d. Considerando o racismo como um problema criado pelos brancos, o livro deixa para o leitor a tarefa de refletir, j\u00e1 que se trata de um elemento extraliter\u00e1rio em que o autor critica um de seus personagens. E Z\u00e9 Antunes vai em busca de respostas em outras esferas, pois \u201cera certo: Josu\u00e9 desaparecera. Para sempre desaparecera\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante o enredo, desenvolve-se a ideia de que o principal n\u00e3o \u00e9 desvendar e nomear o mist\u00e9rio por tr\u00e1s da doen\u00e7a, mas perceber como as personagens afrodescendentes intelectuais, poetas, jornalistas, pesquisadoras se articulam em torno da descoberta. Eram diversas associa\u00e7\u00f5es, grupos e clubes negros, cada um com suas ideias, suas pol\u00edticas e suas filosofias. Al\u00e9m do Malungo e do Toca das Ocaias, havia o Vigilantes Escolhidos, o Evolu\u00eddos, e o grupo de maior respeitabilidade, o Movimento Participa\u00e7\u00e3o Negra, apelidado pelos outros de Grupo dos Pretos Velhos, devido ao n\u00famero de frequentadores negros passando dos 60 anos e do qual fazia parte vov\u00f4 Cumbuca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O encontro liter\u00e1rio entre gera\u00e7\u00f5es pode ent\u00e3o ser ilustrado pelo cap\u00edtulo j\u00e1 pr\u00f3ximo do final do livro, \u201cSim, houve muitas geadas\u201d, no qual discursa vov\u00f4 Cumbuca, que, como outras personagens mais velhas, \u00e9 o elo entre a experi\u00eancia da tradi\u00e7\u00e3o e a viv\u00eancia do atual. Provocado pelos mais jovens a buscar na mem\u00f3ria respostas sobre o frio, sonolento e com olhar perdido, vov\u00f4 Cumbuca diz ter vivido muito e que agora se re\u00fane com o movimento apenas para comer bolachas e tomar ch\u00e1, mas, em seguida, ironiza os fatos desenrolados at\u00e9 ali, dizendo que a geada j\u00e1 existe h\u00e1 muito mais tempo, inclusive citando Lu\u00eds Gama e Machado de Assis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dial\u00e9tica entre passado, presente e futuro diz respeito tamb\u00e9m ao autor e seu posicionamento diante da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria negra ao longo da hist\u00f3ria brasileira: Oswaldo de Camargo \u00e9 dos intelectuais negros atuantes desde a d\u00e9cada de 1970 at\u00e9 os dias atuais, com produ\u00e7\u00e3o ficcional e n\u00e3o ficcional, liter\u00e1ria e cr\u00edtica. O autor situa as quest\u00f5es centrais da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de autoria negra atrav\u00e9s de met\u00e1foras \u2013 como a pergunta \u201c\u00e9 poss\u00edvel acreditar em um bispo de uma palavra s\u00f3?\u201d \u2013 e aborda as quest\u00f5es que permeiam a cr\u00edtica liter\u00e1ria de autoria negra: o panflet\u00e1rio, a eloqu\u00eancia, o dissonante, a sintetiza\u00e7\u00e3o e a repeti\u00e7\u00e3o; bem como a qualidade e a representatividade liter\u00e1ria. Como exemplos da abordagem metaliter\u00e1ria do livro, temos a cita\u00e7\u00e3o de um poeta parnasiano que \u201crompeu com os c\u00e2nones da Escola\u201d para \u201ctestemunhar simplesmente o frio\u201d e com isso \u201cmorreu na mis\u00e9ria, pois seus \u201cversos se comportaram mal; e palavras de cunho quimbundo, alforriados, come\u00e7aram a visitar, com extraordin\u00e1ria frequ\u00eancia, os seus textos\u201d; al\u00e9m do caso de Batista Jord\u00e3o, \u201cpoeta negro desencontrado\u201d, magoado pela falta de di\u00e1logo com a cr\u00edtica: \u201cn\u00e3o lhe doeu a dureza, doeu-lhe o menosprezo, ferindo a vaidade [\u2026] se dissesse as mesmas coisas, elucidando com exemplos, cita\u00e7\u00f5es de poemas, apontando versos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na nota sobre a edi\u00e7\u00e3o de 2011, o autor explica que, quando da primeira edi\u00e7\u00e3o, houve a inten\u00e7\u00e3o de experimentar t\u00e9cnicas, e a edi\u00e7\u00e3o mais recente pode ser considerada um livro novo a estabelecer com a cr\u00edtica um di\u00e1logo mais profundo, de avalia\u00e7\u00e3o de uma corrente. Sem seguir a tradicional composi\u00e7\u00e3o folhetinesca para romance ou novela, <em>A descoberta do frio<\/em> divide-se em 17 cap\u00edtulos, uns mais curtos, como por exemplo, \u201cEstranheza I\u201d e \u201cEstranheza II\u201d; e outros mais longos e com muitas subdivis\u00f5es, como \u201cO clube dos escravos\u201d. A hist\u00f3ria fecha com o \u00faltimo cap\u00edtulo, \u201cFeira do Desd\u00e9m\u201d, no qual o encerramento, al\u00e9m de curto, repleto de interroga\u00e7\u00f5es e retic\u00eancias, marca a estrat\u00e9gia de ainda deixar pontas soltas em <em>A descoberta do frio<\/em>.&nbsp;Embora revisto e ampliado, Oswaldo de Camargo manteve o formato e o enredo do texto original, cuja forma marca a intencionalidade est\u00e9tica de descobrir dilemas, revelando e expondo a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de autoria negra e refletindo sobre ela, o que ainda est\u00e1 em aberto para a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estendendo o racioc\u00ednio para fora da fic\u00e7\u00e3o de Oswaldo, se literatura se faz com vistas ao di\u00e1logo, com os autores negros, nossa tradi\u00e7\u00e3o pouco dialogou. Como o racismo se d\u00e1 pelo impedimento, mas tamb\u00e9m pela segrega\u00e7\u00e3o velada que, de tanto esconder, faz sumir, nessa novela, a descoberta \u00e9 tamb\u00e9m do \u201cvelho, branco, rijo\u201d racismo epist\u00eamico e liter\u00e1rio, do qual padece o negro intelectual inaudito, ignorado, tolhido, esquecido, silenciado ou desacreditado.&nbsp;Mas, apesar da produ\u00e7\u00e3o de esquecimentos, avultam no Brasil encontros entre os escritores que j\u00e1 descobriram o racismo outras tantas vezes e os agentes do cen\u00e1rio liter\u00e1rio atual. Recentemente, Eliana Alves Cruz remontou a hist\u00f3ria da funda\u00e7\u00e3o do Brasil, expondo o racismo estrutural, descortinando fam\u00edlias tradicionais que escravizaram, torturaram, retiraram direitos, usurparam e seguiram na manuten\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o dos poderes. O destaque \u00e0 autora nesta resenha ocorre porque a Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares foi a institui\u00e7\u00e3o a promover seu romance <em>\u00c1gua de barrela<\/em> por meio de concurso liter\u00e1rio. Infelizmente, poucos anos depois, produzindo apagamentos da produ\u00e7\u00e3o cultural afro-brasileira e encobrindo o racismo, esteve S\u00e9rgio Camargo, filho de Oswaldo de Camargo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <em>A descoberta do frio<\/em>, ao encontrar uma pessoa que sofre de frialdade, conv\u00e9m dar-lhe cobertas, mas seria necess\u00e1rio cobrir-lhe tanto at\u00e9 que desaparecesse, tamanha tremedeira. A solu\u00e7\u00e3o para a doen\u00e7a precisaria, portanto, ser tomada ao contr\u00e1rio. N\u00e3o se trata de simplesmente \u201cdescobrir\u201d um nome para a doen\u00e7a e \u201ccobrir\u201d o doente, mas mostrar o que se encontrou, tirando aquilo que o encobre, na base da fala (e do grito). Descobrir com sentido de encontrar remete ao encontro liter\u00e1rio como aquilombamento de autores negros, diversos entre si, mas semelhantes no prop\u00f3sito de expor (outra das acep\u00e7\u00f5es) de variadas formas, a ideia de que se n\u00e3o h\u00e1 frio sem aquele que o provoca, ao descobri-lo, os racistas tamb\u00e9m s\u00e3o descobertos.<em> A descoberta do frio<\/em> envolve, portanto, descobrir como ato de encontrar e desmascarar aqueles por tr\u00e1s dos que encobrem crueldades na dissimula\u00e7\u00e3o institucional da frieza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas acep\u00e7\u00f5es para a palavra \u201cdescobrir\u201d demonstram a tamanha profundidade de uma obra vista por alguns superficialmente como novela. A distin\u00e7\u00e3o entre novela e romance, no caso da autoria negra, n\u00e3o deve gerar maiores preocupa\u00e7\u00f5es, considerando que a produ\u00e7\u00e3o ficcional negra da d\u00e9cada de 1970 ocorreu preponderantemente em formato de novela, por ser public\u00e1vel em termos de viabiliza\u00e7\u00e3o comercial. Ou seja, esse \u00e9 um livro que merece ser reconhecido entre os cl\u00e1ssicos da nossa literatura, devido a sua qualidade e profundidade diante das condi\u00e7\u00f5es da \u00e9poca. E, mais ainda, as edi\u00e7\u00f5es desse livro merecem ser vistas de forma cr\u00edtica quanto \u00e0s suas mudan\u00e7as no decorrer do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como dito na narrativa, embora para alguns a autoria negra pare\u00e7a ser \u201cantiguidades po\u00e9ticas rom\u00e2nticas\u201d, com texto \u201cmetido a inovador\u201d, \u201cpanflet\u00e1rio\u201d, \u201cenxuto\u201d, \u201cprenhe de h\u00famus negros\u201d ou \u201ccarregado de est\u00e9tica branca\u201d, \u00e9 no di\u00e1logo com o j\u00e1 dito que o projeto liter\u00e1rio do qual faz parte Oswaldo de Camargo segue descobrindo o frio e criando ant\u00eddotos. Impedir que o frio continue a calar os negros atende ao chamado da contracapa, lema do antigo grupo de vov\u00f4 Cumbuca, de Oswaldo de Camargo, de Eliana Alves Cruz e de muitos outros intelectuais negros brasileiros: \u201cIrm\u00e3os! Apoiai-vos nos muros do Ocidente, pintai-os com a tinta preta de vossa pele!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PEREIRA, Nath\u00e1lia Augusto (2021). <em>Para que nunca se esque\u00e7am<\/em>: leituras compartilhadas de O crime do Cais do Valongo, de Eliana Alves Cruz. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras) \u2013 Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/rima.ufrrj.br\/jspui\/handle\/20.500.14407\/15388\">https:\/\/rima.ufrrj.br\/jspui\/handle\/20.500.14407\/15388<\/a>. Acesso em: 26 fev. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Auliam (2014). Trafegando na contracorrente: a descoberta do frio como contraliteratura. <em>In<\/em>: CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC, 14., 29 jun. a 3 jul. 2015, Bel\u00e9m\/PA. <em>Anais [&#8230;]<\/em> Bel\u00e9m: Abralic. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/abralic.org.br\/anais\/arquivos\/2014_1434477270.pdf\">https:\/\/abralic.org.br\/anais\/arquivos\/2014_1434477270.pdf<\/a>. Acesso em: 26 fev. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VAZ, Z\u00e9lia Maria N. Neves (2022). <em>A descoberta do frio<\/em>: a prosa afro-brasileira de Oswaldo de Camargo. Belo Horizonte: Literafro. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.letras.ufmg.br\/literafro\/autores\/28-critica-de-autores-masculinos\/359-a-descoberta-do-frio-a-prosa-afro-brasileira-de-oswaldo-de-camargo-critica\">http:\/\/www.letras.ufmg.br\/literafro\/autores\/28-critica-de-autores-masculinos\/359-a-descoberta-do-frio-a-prosa-afro-brasileira-de-oswaldo-de-camargo-critica<\/a>. Acesso em: 26 fev. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3073.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3073\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Cotia-Atelie-Editorial-2011-1.jpg\" data-caption-title=\"Ateli\u00ea Editorial, 2011\" data-attachment-id=\"603\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Ateli\u00ea Editorial, 2011\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2024\/03\/Cotia-Atelie-Editorial-2011-1\/3153265835.jpg\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Ateli\u00ea Editorial, 2011<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Companhia-das-Letras-2023.jpg\" data-caption-title=\"Cia das Letras, 2023\" data-attachment-id=\"604\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Cia das Letras, 2023\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2024\/03\/Companhia-das-Letras-2023\/760412791.jpg\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Cia das Letras, 2023<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CAMARGO, Oswaldo de. A descoberta do frio. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Populares, 1979. Nathalia Augusto PereiraIlustra\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Pinheiro Integrante da forma\u00e7\u00e3o inicial dos Cadernos Negros e do Quilombhoje, Oswaldo de Camargo (Bragan\u00e7a Paulista, SP, 1936) parte do frio como doen\u00e7a para abordar o universo da grande S\u00e3o Paulo entre o crescimento urbano e o sofrimento de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":601,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[555],"tags":[100,97,284,577,98],"cronologia":[30],"estado":[122],"regiaodaautoria":[45],"autoria":[249,252],"class_list":["post-600","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-romance","tag-espaco-urbano","tag-metaliteratura","tag-preconceito-de-classe","tag-questoes-raciais","tag-relacoes-raciais","cronologia-30","estado-sao-paulo","regiaodaautoria-sudeste","autoria-autoriamasculina","autoria-autorianegra"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/600","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=600"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/600\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6726,"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/600\/revisions\/6726"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/601"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=600"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=600"},{"taxonomy":"cronologia","embeddable":true,"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcronologia&post=600"},{"taxonomy":"estado","embeddable":true,"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Festado&post=600"},{"taxonomy":"regiaodaautoria","embeddable":true,"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fregiaodaautoria&post=600"},{"taxonomy":"autoria","embeddable":true,"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fautoria&post=600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}