{"id":5018,"date":"2025-04-29T10:01:04","date_gmt":"2025-04-29T13:01:04","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=5018"},"modified":"2025-11-12T17:59:04","modified_gmt":"2025-11-12T20:59:04","slug":"o-exercito-de-um-homem-so","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=5018","title":{"rendered":"O ex\u00e9rcito de um homem s\u00f3"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">SCLIAR, Moacyr. <em>O ex\u00e9rcito de um homem s\u00f3<\/em>. Rio de Janeiro: Express\u00e3o e Cultura, 1973<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Gislene Maria Barral Lima Felipe da Silva<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Guilherme Franzoni<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O ex\u00e9rcito de um homem s\u00f3<\/em>, romance de Moacyr Scliar (Porto Alegre, RS, 1937 \u2013 Porto Alegre, RS, 2011) publicado em 1973, surge em um Brasil marcado pela repress\u00e3o e censura da ditadura militar. Ao longo de suas 176 p\u00e1ginas, a obra combina cr\u00edtica social, humor ir\u00f4nico e uma profunda reflex\u00e3o sobre os limites da utopia e da resist\u00eancia individual. Ambientada no Brasil, a narrativa explora temas como idealismo, loucura, desilus\u00e3o e os conflitos entre sonhos revolucion\u00e1rios e a realidade opressora de uma sociedade autorit\u00e1ria. Com forte dose de surrealismo e ironia, Scliar constr\u00f3i a figura do protagonista Mayer Guinzburg, que recebe a alcunha de Capit\u00e3o Birobidjan, cuja luta solit\u00e1ria por ideais socialistas se torna uma poderosa alegoria da resist\u00eancia humana diante da adversidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trajet\u00f3ria do autor Moacyr Scliar \u00e9 essencial para compreender a obra. Filho de imigrantes judeus da Bessar\u00e1bia, Scliar nasceu em Porto Alegre e construiu uma carreira liter\u00e1ria integrada \u00e0 cultura judaica e marcada pelo uso do fant\u00e1stico. M\u00e9dico de forma\u00e7\u00e3o, ele utilizou sua viv\u00eancia para abordar quest\u00f5es como identidade, exclus\u00e3o social e o papel da comunidade. Seus romances s\u00e3o conhecidos por sua criatividade e sensibilidade, entre eles, <em>A guerra no Bom Fim<\/em> (1972), <em>O centauro no jardim<\/em> (1980) e <em>A mulher que escreveu a B\u00edblia<\/em> (1998). Em <em>O ex\u00e9rcito de um homem s\u00f3<\/em>, ele une compaix\u00e3o e ironia para refletir sobre os dilemas da sociedade brasileira e de suas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa de <em>O ex\u00e9rcito de um homem s\u00f3<\/em> segue a vida de Mayer Guinzburg, um judeu imigrante que chega ao Brasil em 1917, escapando da Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique. Desde a inf\u00e2ncia, ele demonstra esp\u00edrito rebelde, ao rejeitar as tradi\u00e7\u00f5es familiares e abra\u00e7ar ideais socialistas e ut\u00f3picos. Enquanto seus pais desejam que ele se torne rabino, Mayer adere fervorosamente ao marxismo, sonhando com uma sociedade socialista no Brasil. Seu objetivo \u00e9 fundar Nova Birobidjan, uma col\u00f4nia agr\u00edcola baseada no socialismo e inspirada na regi\u00e3o aut\u00f4noma judaica criada na R\u00fassia na d\u00e9cada de 1930. Ao longo do romance, sua dedica\u00e7\u00e3o a esses ideais entra em conflito com a dura realidade social e pol\u00edtica que encontra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mayer representa o arqu\u00e9tipo do idealista solit\u00e1rio, algu\u00e9m disposto a sacrificar tudo em nome de um projeto ut\u00f3pico. Desde o in\u00edcio, ele manifesta sua contradi\u00e7\u00e3o interna: ao mesmo tempo que busca uma revolu\u00e7\u00e3o coletiva, \u00e9 incapaz de mobilizar apoio significativo, resultando na solid\u00e3o que d\u00e1 t\u00edtulo \u00e0 obra. Assim, Mayer \u00e9 retratado como um homem fora de seu tempo, alheio \u00e0s demandas pr\u00e1ticas do mundo e incapaz de comprometer seus ideais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trajet\u00f3ria de Mayer \u00e9 marcada por sucessivos fracassos. A primeira tentativa de realizar sua utopia ocorre em Porto Alegre, onde ele tenta organizar uma col\u00f4nia socialista com um grupo de amigos. O projeto, por\u00e9m, rapidamente desmorona diante das limita\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e do desinteresse dos envolvidos. Apesar disso, Mayer n\u00e3o desiste. Ele passa a vida trabalhando como funcion\u00e1rio de uma loja de armarinhos e, posteriormente, se torna propriet\u00e1rio do estabelecimento, mas nunca abdica de seu sonho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 adulto, casado e com filhos, Mayer decide abandonar sua fam\u00edlia para tentar, mais uma vez, fundar Nova Birobidjan, instalando-se no pobre Beco do Salso. Ali, ele constr\u00f3i um universo alternativo, convivendo com animais que, em sua imagina\u00e7\u00e3o, tornam-se seus companheiros de luta, como a Companheira Cabra e o Companheiro Porco. Essa fantasia, no entanto, \u00e9 brutalmente interrompida pelos vizinhos, que destroem sua tentativa de criar a col\u00f4nia. A cena simboliza a resist\u00eancia da sociedade \u00e0s ideias de Mayer e ao que ele representa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos elementos mais marcantes do romance \u00e9 a maneira como Scliar utiliza o humor e a ironia para explorar a aliena\u00e7\u00e3o de Mayer. Ele \u00e9 um homem que vive em um universo paralelo, onde seus ideais ut\u00f3picos ganham vida atrav\u00e9s de intera\u00e7\u00f5es surreais com animais e homenzinhos imagin\u00e1rios que o aplaudem. Essa aliena\u00e7\u00e3o funciona como uma met\u00e1fora poderosa da recusa de Mayer em aceitar a realidade opressora que o cerca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, essa desconex\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 a origem de sua fragilidade. Ao se isolar em um mundo de fantasia, Mayer perde a capacidade de construir alian\u00e7as reais e de enfrentar os desafios concretos que seus sonhos exigem. Ele se torna um personagem tragic\u00f4mico, ao mesmo tempo inspirador e pat\u00e9tico. O leitor simpatiza com suas inten\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m reconhece a futilidade de suas a\u00e7\u00f5es em um contexto t\u00e3o adverso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O uso do realismo fant\u00e1stico por Scliar aprofunda essa dualidade. A intera\u00e7\u00e3o de Mayer com os animais personificados e sua vis\u00e3o de homenzinhos que o apoiam s\u00e3o elementos que conferem \u00e0 narrativa uma qualidade on\u00edrica e absurda. Esses recursos permitem que o autor explore temas como solid\u00e3o, resist\u00eancia e a linha t\u00eanue entre idealismo e loucura de maneira simb\u00f3lica, mas acess\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a trama de <em>O ex\u00e9rcito de um homem s\u00f3<\/em> se passe em um contexto hist\u00f3rico anterior \u00e0 ditadura militar no Brasil, \u00e9 imposs\u00edvel ignorar as conex\u00f5es entre a narrativa e o per\u00edodo em que foi escrito. Publicado durante o auge da repress\u00e3o, o romance utiliza met\u00e1foras e alegorias para driblar a censura e transmitir uma cr\u00edtica incisiva ao autoritarismo. Mayer, com sua insist\u00eancia em lutar sozinho contra for\u00e7as esmagadoras, pode ser considerado uma representa\u00e7\u00e3o dos dissidentes pol\u00edticos da \u00e9poca, que frequentemente eram rotulados como \u201cloucos\u201d ou \u201csubversivos\u201d pelo regime militar. Sua aliena\u00e7\u00e3o reflete o isolamento daqueles que se recusavam a aceitar a ordem estabelecida e que pagavam um alto pre\u00e7o por sua resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O t\u00edtulo da obra expressa precisamente essa cr\u00edtica. <em>O ex\u00e9rcito de um homem s\u00f3<\/em> \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o em si, pois sugere a impossibilidade de se enfrentar sozinho as for\u00e7as que demandam esfor\u00e7os coletivos. A luta de Mayer denuncia n\u00e3o apenas os limites do idealismo radical, mas tamb\u00e9m a incapacidade de transforma\u00e7\u00e3o social em um contexto de repress\u00e3o extrema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, o romance aborda quest\u00f5es como exclus\u00e3o e desigualdade social. Ao ambientar parte da hist\u00f3ria no humilde Beco do Salso, Scliar retrata a pobreza e o abandono que caracterizavam as periferias urbanas do Brasil. A intera\u00e7\u00e3o de Mayer com os moradores do beco revela tanto sua compaix\u00e3o quanto sua incapacidade de compreender as necessidades reais daquela comunidade. Essa desconex\u00e3o reflete a dificuldade de muitos intelectuais e ativistas em traduzir suas ideias para a pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escrita de Scliar \u00e9 marcada pela fluidez, pelo humor e pela capacidade de equilibrar o absurdo com a profundidade emocional. Seu uso de ironia permite que ele critique tanto o regime militar quanto os pr\u00f3prios ideais de Mayer, sem cair no didatismo. A compaix\u00e3o com que ele trata seus personagens torna a narrativa acess\u00edvel e envolvente, mesmo quando aborda temas complexos e dolorosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por meio de sua escrita envolvente e de seus personagens inesquec\u00edveis, Moacyr Scliar criou uma narrativa que transcende seu contexto hist\u00f3rico. Ainda que claramente influenciado pela repress\u00e3o da ditadura, o livro aborda quest\u00f5es universais, como o conflito entre idealismo e realidade, a solid\u00e3o do indiv\u00edduo em busca de mudan\u00e7a e a fragilidade das utopias. Essas quest\u00f5es continuam relevantes, tornando a obra uma celebra\u00e7\u00e3o da for\u00e7a do esp\u00edrito humano, mesmo diante das adversidades mais esmagadoras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em tempos de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ascens\u00e3o de regimes autorit\u00e1rios, a luta de Mayer ressoa como reflex\u00e3o sobre resist\u00eancia individual contra sistemas opressores. A cr\u00edtica de Scliar \u00e0s utopias pol\u00edticas e \u00e0 busca por um mundo mais justo continua atual, especialmente considerando as tens\u00f5es entre idealismo e realidade nos movimentos sociais contempor\u00e2neos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O ex\u00e9rcito de um homem s\u00f3<\/em> \u00e9 uma obra multifacetada que articula cr\u00edtica social, realismo fant\u00e1stico e uma reflex\u00e3o sobre a condi\u00e7\u00e3o humana. A trajet\u00f3ria de Mayer Guinzburg, um homem que luta solitariamente por seus ideais, simboliza as tens\u00f5es entre sonho e realidade, individualismo e coletivismo. Scliar constr\u00f3i uma narrativa rica em simbolismo, em que o humor e a ironia equilibram a trag\u00e9dia de um personagem que, apesar de seus fracassos, mant\u00e9m sua dignidade e cren\u00e7a em um mundo melhor. A obra permanece atual ao abordar resist\u00eancia, utopia e os desafios de transformar a sociedade, oferecendo uma poderosa alegoria sobre a for\u00e7a e os limites do idealismo em tempos de opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ARA\u00daJO, Edna Rodrigues (2015).\u00a0<em>A comicidade maneirista em\u00a0<\/em>O ex\u00e9rcito de um homem s\u00f3<em>, de Moacyr Scliar<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Ci\u00eancias Humanas) \u2013 Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s, Goi\u00e2nia. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/tede2.pucgoias.edu.br\/handle\/tede\/3230\">https:\/\/tede2.pucgoias.edu.br\/handle\/tede\/3230<\/a>. Acesso em: 23 fev. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RODRIGUES, Gl\u00e1ucia Elisa Zinani (2019). <em>A representa\u00e7\u00e3o do imigrante judeu na literatura do Rio Grande do Sul<\/em>: <em>C\u00e1gada <\/em>e O ex\u00e9rcito de um homem s\u00f3. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Hist\u00f3ria) \u2013 Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/tede.upf.br:8080\/jspui\/handle\/tede\/2492\">http:\/\/tede.upf.br:8080\/jspui\/handle\/tede\/2492<\/a>. Acesso em: 23 fev. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Gislene Maria Barral Lima Felipe da (2006). \u00c0 sombra de um riso amargo: a utopia vencida em\u00a0<em>O ex\u00e9rcito de um homem s\u00f3<\/em>, de Moacyr Scliar.\u00a0<em>Terra Roxa e Outras Terras<\/em>, v. 7, p. 9-25, mar.<s> <\/s>Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/ojs.uel.br\/revistas\/uel\/index.php\/terraroxa\/article\/view\/24773\">https:\/\/ojs.uel.br\/revistas\/uel\/index.php\/terraroxa\/article\/view\/24773<\/a>. Acesso em: 23 fev. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Gislene Maria Barral Lima Felipe da (2002). Fronteiras: correspond\u00eancias entre espa\u00e7os f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos limiares em <em>O ex\u00e9rcito de um homem s\u00f3<\/em>, de Moacyr Scliar, e <em>Armadilha para Lamartine<\/em>, de Carlos &amp; Carlos Sussekind. <em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, Bras\u00edlia, v. 18, p. 3-38. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/8919\">https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/8919<\/a>. Acesso em: 23 fev. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Gislene Maria Barral Lima Felipe da (2001). <em>Vozes da loucura, ecos na literatura<\/em>: o espa\u00e7o de louco em <em>O ex\u00e9rcito de um homem s\u00f3<\/em>, de Moacyr Scliar, e <em>Armadilha para Lamartine<\/em>, de Carlos e Carlos Sussekind. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Literatura) \u2013 Universidade de Bras\u00edlia, Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-5023.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-5023\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" 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data-caption-title=\"Express\u00e3o e Cultura, 1973\" data-attachment-id=\"5024\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Express\u00e3o e Cultura, 1973\" width=\"250\" height=\"374\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/04\/Expressao-e-Cultura-1973\/2297742399.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22374%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20374%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Express\u00e3o e Cultura, 1973<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a 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