{"id":4802,"date":"2025-04-11T17:25:28","date_gmt":"2025-04-11T20:25:28","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4802"},"modified":"2025-11-12T18:02:30","modified_gmt":"2025-11-12T21:02:30","slug":"sombras-de-reis-barbudos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4802","title":{"rendered":"Sombras de reis barbudos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">VEIGA, Jos\u00e9 J. <em>Sombras de reis barbudos. <\/em>S\u00e3o Paulo: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1972.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Carlos Wender Sousa Silva<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Francisco Dalcastagn\u00e8 Miguel<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jos\u00e9 J. Veiga (Corumb\u00e1 de Goi\u00e1s, GO, 1915 \u2014 Rio de Janeiro, RJ, 1999) estudou na Faculdade Nacional de Direito, foi comentarista, jornalista, romancista e contista de fic\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea no Brasil. Aos 44 anos, publicou seu primeiro livro, <em>Os cavalinhos de Platiplanto<\/em> (1959). Publicou tamb\u00e9m o romance <em>A hora dos ruminantes<\/em> (1966), <em>A estranha m\u00e1quina extraviada<\/em> (1967), <em>Sombras de reis barbudos<\/em> (1972), <em>Os pecados da tribo<\/em> (1976), <em>Aquele mundo de Vasabarros<\/em> (1982), <em>O risonho Cavalo do Pr\u00edncipe<\/em> (1992), entre outras obras. Seus livros foram publicados em diversos pa\u00edses, como Portugal, Espanha, Estados Unidos e Inglaterra. Em 1997, ganhou, pelo conjunto de sua obra, o Pr\u00eamio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra de Jos\u00e9 J. Veiga \u00e9 marcada, segundo alguns cr\u00edticos, por um certo realismo m\u00e1gico ou fant\u00e1stico. Especialistas na obra do autor apontam o regionalismo como elemento estil\u00edstico caracter\u00edstico da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Veiga. A constru\u00e7\u00e3o da narrativa, no entanto, destaca-se por uma perspectiva realista e n\u00e3o idealizada da realidade brasileira, embora seja igualmente marcada pelo <em>nonsense <\/em>e por cont\u00ednuos movimentos disjuntivos e de reaproxima\u00e7\u00e3o entre realidade e fic\u00e7\u00e3o. O estilo liter\u00e1rio do escritor caracteriza-se por uma linguagem direta, valendo-se recorrentemente de recursos liter\u00e1rios e lingu\u00edsticos como ironia, subjetividade, amplifica\u00e7\u00e3o e sonoridade. Sua narrativa adentra em tem\u00e1ticas do nosso cotidiano e tece profundas cr\u00edticas sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Sombras de reis barbudos<\/em> estabelece um di\u00e1logo com outras obras do autor: <em>A hora dos ruminantes<\/em>, <em>Os pecados da tribo<\/em> e, publicado mais tarde, <em>Aquele mundo de Vasabarros<\/em>. <em>A hora dos ruminantes<\/em>, por exemplo, narra o cerceamento da liberdade dos moradores de uma cidade diante da chegada de homens desconhecidos e da invas\u00e3o de animais que passam a circular livremente. O romance \u00e9 uma alegoria que transita entre o fant\u00e1stico e o realismo. <em>Aquele mundo de Vasabarros<\/em>, por sua vez, \u00e9 um romance que se aproxima do g\u00eanero \u201cdistopia\u201d e retrata a experi\u00eancia cotidiana de uma cidade marcada pelo cinza, pela desesperan\u00e7a e pela submiss\u00e3o como instrumento de sobreviv\u00eancia \u00e0s pr\u00e1ticas autorit\u00e1rias do regime pol\u00edtico de exce\u00e7\u00e3o que dita o dia a dia das pessoas. A liberdade e a dignidade humana n\u00e3o s\u00e3o direitos fundamentais nessa sociedade dist\u00f3pica. Esse conjunto de romances \u00e9 tamb\u00e9m, em alguma medida, uma resposta ao per\u00edodo ditatorial brasileiro, aos arb\u00edtrios e viol\u00eancias que legitimaram as a\u00e7\u00f5es dos ditadores no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trama de <em>Sombras de reis barbudos<\/em> narra a chegada da Companhia de Melhoramentos de Taitara \u00e0quela pequena cidade, prometendo modernidade e avan\u00e7o. Todavia, pouco a pouco, a empresa vai impondo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Taitara uma agenda totalit\u00e1ria e de tirania. Vale destacar que o romance foi publicado no per\u00edodo ditatorial, marcado por todas suas pr\u00e1ticas criminosas \u2014 persegui\u00e7\u00f5es, assassinatos, desaparecimentos, torturas, etc. A obra funciona ent\u00e3o como uma alegoria da ditadura militar brasileira, mas a constru\u00e7\u00e3o da narrativa n\u00e3o se limita a isso, permitindo relacion\u00e1-la a diferentes experi\u00eancias s\u00f3cio-hist\u00f3ricas, pol\u00edticas e culturais. O narrador subjetivo, um adolescente de dezesseis anos, reconstitui, com estranhamentos e questionamentos, a mem\u00f3ria de acontecimentos na cidade. Ele parte da chegada de seu tio Baltazar, respons\u00e1vel pela funda\u00e7\u00e3o da Companhia na cidade. Lucas, ou Lu, como \u00e9 chamado, tinha apenas onze anos quando ali se instaurou um regime pol\u00edtico repressivo e autorit\u00e1rio. Seu processo de forma\u00e7\u00e3o e amadurecimento se d\u00e1 em meio \u00e0 ascens\u00e3o do arb\u00edtrio institucional, numa cidade triste e de casas vazias. Ele descreve um mundo que se afastou completamente da regularidade p\u00fablica e da institucionalidade. H\u00e1 a promo\u00e7\u00e3o de um modelo de sociedade que desumaniza. \u00c9, sobretudo, uma passagem viva dessa mem\u00f3ria, marcada pela imposi\u00e7\u00e3o progressivamente da repress\u00e3o, que \u00e9 reconstitu\u00edda pelo narrador-personagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio, Baltazar andava pela cidade admirado em raz\u00e3o da chegada da f\u00e1brica. At\u00e9 que um dia, muito doente, ele afasta-se da cidade, e a Companhia passa a ter novo comando, revelando o seu real projeto totalit\u00e1rio para aquele local. E a vida foi ficando mais dif\u00edcil para todo mundo. Hor\u00e1cio, pai de Lu, foi promovido a fiscal e passou a andar fardado. Ele tinha agora o poder de prejudicar ou beneficiar qualquer um, ganhou um respeito n\u00e3o de admira\u00e7\u00e3o, mas de bajula\u00e7\u00e3o, de receio, um respeito excessivo. A farda, como o pr\u00f3prio pai de Hor\u00e1cio contou, imp\u00f5e respeito e medo, demonstra for\u00e7a e atribui privil\u00e9gios e vantagens aos sujeitos eleitos repressores. Ela emite uma linguagem de repress\u00e3o, de legitimidade do uso da for\u00e7a e da viol\u00eancia. Ela fixa uma hierarquia e subalterniza outros indiv\u00edduos em rela\u00e7\u00e3o ao sujeito que a veste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, os muros por toda parte impediam e desviavam a passagem, a circula\u00e7\u00e3o das pessoas pelas ruas e pela cidade. Muros altos e extensos limitavam a vis\u00e3o. Os muros simbolizam, no romance, a for\u00e7a arbitr\u00e1ria que se imp\u00f5e naquela cidade, violando direitos fundamentais como liberdade e dignidade humana. Eles se traduzem como instrumentos que n\u00e3o mais permitem a livre circula\u00e7\u00e3o de ideias e pensamentos, que co\u00edbem desejos, sonhos e projetos. \u201cCom tanto muro por toda parte cansando e desanimando, era dif\u00edcil saber o que acontecia na cidade, o que o povo estava pensando e dizendo\u201d (Veiga, 2015). Os muros funcionam como met\u00e1fora de projetos pol\u00edticos, sociais e culturais que t\u00eam como fio condutor a interrup\u00e7\u00e3o da passagem do tempo e a impossibilidade de futuro e, consequentemente, de transforma\u00e7\u00e3o. Esse romance constitui um arqu\u00e9tipo das ideologias totalit\u00e1rias, que se caracterizam por apresentar constantemente um projeto de sociedade no qual n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pensar o futuro e suas transforma\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma tentativa de impor uma \u00fanica concep\u00e7\u00e3o de verdade sobre tudo que atinge a experi\u00eancia humana e suas rela\u00e7\u00f5es. Essas ideologias procuram determinar o que ser\u00e1 ou n\u00e3o aceito como aspectos que caracterizam nossos desejos, nossos projetos e nossas rela\u00e7\u00f5es uns com os outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os muros s\u00e3o a \u00faltima luz que se apaga numa casa em ru\u00ednas, materializando-se como ferramenta de opress\u00e3o e de viol\u00eancia de um regime pol\u00edtico. Eles representam o controle absoluto sobre aquela coletividade e territ\u00f3rio. Anulam a diversidade, a pluralidade. Acentuam desigualdades geogr\u00e1ficas e culturais. Fixam um regime de exce\u00e7\u00e3o, ainda que para isso precise apagar da hist\u00f3ria qualquer tra\u00e7o de identidade \u00e9tnica, pol\u00edtica ou cultural dissidente. E \u00e9 justamente isso que ocorre nessa pequena cidade de <em>Sombras de reis barbudos<\/em>: a ascens\u00e3o de um regime totalit\u00e1rio que imediatamente executa um projeto de supress\u00e3o de todos os direitos individuais e coletivos da popula\u00e7\u00e3o local. N\u00e3o tendo muito para olhar al\u00e9m do alto, as pessoas percebiam que o c\u00e9u era tomado cada vez mais por urubus. E todos sabiam que as supersti\u00e7\u00f5es de que urubus nos arredores eram sempre an\u00fancio ruim. Os urubus perderam o medo at\u00e9 pousarem nos muros, passaram a olhar continuamente para dentro das casas e tornaram-se um animal de estima\u00e7\u00e3o. As pessoas acostumaram-se com eles, e a Companhia passou ent\u00e3o a persegui-los. O regime instaurado parecia perseguir qualquer coisa que trouxesse o m\u00ednimo de distra\u00e7\u00e3o, de alegria, de leveza para essa popula\u00e7\u00e3o. A Companhia de Melhoramentos era ant\u00f4nimo de felicidade e de liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 mergulhados em uma rotina triste e mon\u00f3tona, a chegada do m\u00e1gico Grande Uzk \u00e0 cidade causa alvoro\u00e7o. A Companhia n\u00e3o queria o m\u00e1gico na cidade. O m\u00e1gico representava uma amea\u00e7a ao regime, pois mostrava ao p\u00fablico outras maneiras de enxergar o mundo e indicava caminhos desconhecidos. O mundo da Companhia era \u00fanico, sem espa\u00e7o para pluralidade ou outras perspectivas. O Grande Uzk, portanto, surge como uma amea\u00e7a. A Companhia impunha uma vis\u00e3o \u00fanica da realidade. O m\u00e1gico, ao contr\u00e1rio, revela que vis\u00f5es de mundo, verdades e compreens\u00f5es da realidade est\u00e3o sempre em disputa. Isso desestabiliza regimes totalit\u00e1rios e projetos antidemocr\u00e1ticos. <em>Sombras de reis barbudos<\/em> demonstra que as artes s\u00e3o instrumentos permanentes de questionamento das verdades estabelecidas e das refer\u00eancias pol\u00edticas, culturais e acad\u00eamicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O m\u00e1gico foi embora sem que as pessoas soubessem ao certo se aquilo tinha sido um sonho, se ele havia passado mesmo pela cidade ou n\u00e3o. A Companhia, por sua vez, continuava a impor uma rotina de exce\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Abria tamb\u00e9m inqu\u00e9rito para investigar qualquer assunto ou pessoa que considerava uma amea\u00e7a ao regime. Ela estabelecia mais proibi\u00e7\u00f5es e regras umas atr\u00e1s das outras, absurdas, injustific\u00e1veis e severas (perseguia os urubus, proibia pular os muros para cortar caminho, rir em p\u00fablico, etc.). Nesse sistema, as pessoas eram instrumentalizadas, tornaram-se meras engrenagens do projeto de poder em execu\u00e7\u00e3o. O clima de terror e medo reflete o destino que todas as personagens que cercam o narrador-personagem t\u00eam no romance.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os eventos do romance permitem uma analogia entre as medidas adotadas pela Companhia na cidade e os eventos fant\u00e1sticos que ocorrem: a prov\u00e1vel vinda de um m\u00e1gico, a ocupa\u00e7\u00e3o de urubus e a presen\u00e7a de pessoas voadoras. Esses acontecimentos s\u00e3o question\u00e1veis, pois sua veracidade depende das diferentes interpreta\u00e7\u00f5es. Nesse sentido, as a\u00e7\u00f5es da Companhia tamb\u00e9m s\u00e3o consideradas surreais e contest\u00e1veis. A produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Veiga \u00e9 marcada por elementos ins\u00f3litos e fant\u00e1sticos. Por outro lado, os elementos contextuais definem o ambiente ficcional, com refer\u00eancias hist\u00f3ricas que abrem di\u00e1logos poss\u00edveis com a realidade s\u00f3cio-hist\u00f3rica e pol\u00edtica brasileira da ditadura militar e outros projetos pol\u00edticos totalit\u00e1rios no mundo. \u00c9 essa capacidade de expans\u00e3o que marca a obra liter\u00e1ria como essa, conferindo-lhe um alcance universal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os aspectos liter\u00e1rios remetem ao realismo m\u00e1gico da d\u00e9cada de 1970. O uso de s\u00edmbolos e met\u00e1foras, os eventos fant\u00e1sticos e a incorpora\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio \u00e0 realidade s\u00e3o caracter\u00edsticas desse movimento. Esses elementos destacam o silenciamento da popula\u00e7\u00e3o, a invisibilidade dos grupos reprimidos e o sistema repressor que reafirma seu poder por meio da viol\u00eancia, como pris\u00f5es, persegui\u00e7\u00f5es e maus-tratos. O romance se torna um recurso liter\u00e1rio-est\u00e9tico essencial para compreender a viol\u00eancia e o arb\u00edtrio em diferentes sociedades, conferindo-lhe um alcance universal e atemporal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DALCASTAGN\u00c8, Regina (1996). <em>O espa\u00e7o da dor<\/em>: o regime de 64 no romance brasileiro. Bras\u00edlia: Editora UnB.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DANTAS, Greg\u00f3rio Foganholi (2002). <em>O ins\u00f3lito na fic\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 J. Veiga<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras) \u2014 Universidade Estadual de Campinas, Campinas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DANTAS, Greg\u00f3rio (2004). Jos\u00e9 J. Veiga e o romance brasileiro p\u00f3s-64. <em>Falla dos Pinhaes<\/em>: Revista do Curso de Letras, Esp\u00edrito Santo do Pinhal, v. 1, n. 1, p. 122-142.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PRADO, Antonio Arnoni (Org.) (1989). <em>Atr\u00e1s do m\u00e1gico relance<\/em>: uma conversa com J. J. Veiga. Campinas: Editora da Unicamp.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RODRIGUES, Milton Hermes (1991). <em>Jos\u00e9 J. Veiga<\/em>: do fant\u00e1stico \u00e0 dissid\u00eancia. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras) \u2014 Universidade Estadual de S\u00e3o Paulo, Assis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4806.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4806\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" 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data-caption-title=\"Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1975\" data-attachment-id=\"4807\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1975\" width=\"250\" height=\"376\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/04\/Civilizacao-Brasileira-1975\/2523539293.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22376%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20376%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1975<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Civilizacao-Brasileira-1980.webp\" data-caption-title=\"Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1980\" data-attachment-id=\"4808\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1980\" width=\"250\" height=\"373\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/04\/Civilizacao-Brasileira-1980\/2900518156.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22373%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20373%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1980<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Difel-1983.webp\" data-caption-title=\"Difel, 1983\" data-attachment-id=\"4809\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Difel, 1983\" width=\"250\" height=\"369\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/04\/Difel-1983\/3514716094.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22369%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20369%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Difel, 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Sombras de reis barbudos. S\u00e3o Paulo: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1972. Carlos Wender Sousa SilvaIlustra\u00e7\u00e3o: Francisco Dalcastagn\u00e8 Miguel Jos\u00e9 J. Veiga (Corumb\u00e1 de Goi\u00e1s, GO, 1915 \u2014 Rio de Janeiro, RJ, 1999) estudou na Faculdade Nacional de Direito, foi comentarista, jornalista, romancista e contista de fic\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea no Brasil. 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