{"id":4760,"date":"2025-04-13T14:06:06","date_gmt":"2025-04-13T17:06:06","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4760"},"modified":"2025-11-12T18:02:30","modified_gmt":"2025-11-12T21:02:30","slug":"o-corpo-interminavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4760","title":{"rendered":"O corpo intermin\u00e1vel"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">LAGE, Claudia. <em>O corpo intermin\u00e1vel. <\/em>Rio de Janeiro: Record, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Lua Gill da Cruz<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Mari\u00e2ngela Albuquerque<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem foram as mulheres que se opuseram \u00e0 ditadura militar brasileira? Conforme define Daniele Tega (2012), havia uma dupla transgress\u00e3o na atua\u00e7\u00e3o das mulheres: al\u00e9m da resist\u00eancia \u00e0 pr\u00f3pria opress\u00e3o, a condi\u00e7\u00e3o da mulher nos anos de 1960 remetia a uma cria\u00e7\u00e3o para \u201ca virgindade, o casamento monog\u00e2mico indissol\u00favel, a maternidade e os cuidados com a fam\u00edlia e para a passividade e o sil\u00eancio\u201d (Tega, 2012), mas, ao adentrar o campo da esquerda e da luta armada, passam a recusar-se ao anteriormente imposto, ou seja, ao conservadorismo moral e ao patriarcado. Sua participa\u00e7\u00e3o, nesse sentido, representava uma ruptura com o que era esperado de sujeitos que eram, at\u00e9 ent\u00e3o, restritos ao espa\u00e7o privado e dom\u00e9stico. Nesse sentido, de que forma essa resist\u00eancia foi representada na literatura? Quais s\u00e3o as possibilidades de inscri\u00e7\u00e3o de tal experi\u00eancia hist\u00f3rica a partir de outra e de uma pr\u00f3pria perspectiva? Opondo-se a um testemunho faloc\u00eantrico, pode-se dizer que h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o na literatura contempor\u00e2nea em pensar a escrita como inscri\u00e7\u00e3o p\u00fablica de hist\u00f3rias ainda desconhecidas. Esse \u00e9 o caso do romance <em>O corpo intermin\u00e1vel<\/em> (2019), de Claudia Lage (Rio de Janeiro, RJ, 1970).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O corpo intermin\u00e1vel <\/em>trata de uma s\u00e9rie de fios narrativos de hist\u00f3rias de mulheres cujos corpos e viv\u00eancias foram atravessados pela ditadura militar brasileira de muitas formas. A partir de uma prosa fragment\u00e1ria, inconclusa e que mistura uma s\u00e9rie de temporalidades, o texto \u00e9 invadido por corpos de mulheres que se tornam o seu centro, ao mesmo tempo que escapam. O romance lida com as cicatrizes, dores, fraturas desses corpos, assim como com suas potencialidades. S\u00e3o corpos-maternos, corpos-mem\u00f3ria, corpos-ru\u00edna, corpos-tempo, corpos-luta, corpos-luto, corpos-torturados, corpos-resist\u00eancia. Em suma, os corpos que se encenam s\u00e3o corpos de mulheres feitos de muitos tra\u00e7ados e muitas hist\u00f3rias. \u00c9 tamb\u00e9m no corpo do texto que se for\u00e7am essas mulheres, que se recuperam esses corpos antes esquecidos, que n\u00e3o chegaram at\u00e9 o presente da narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se inicialmente o leitor busca uma correla\u00e7\u00e3o dessas hist\u00f3rias entre si ou com o fio narrativo principal \u2212 a rela\u00e7\u00e3o entre os personagens Daniel e Melina, sobre a qual se retomar\u00e1 \u2212, aos poucos os contatos se desfazem na medida em que as hist\u00f3rias se desenrolam. N\u00e3o h\u00e1 interesse em esclarecer quem s\u00e3o e\/ou quem foram essas mulheres e suas hist\u00f3rias. N\u00e3o se distingue exatamente o que aconteceu a cada uma delas, dado que se constituem como esses \u201ccorpos intermin\u00e1veis\u201d (Tega, 2012), plurais, que simbolizam, de muitas formas, o reconhecimento de que essas hist\u00f3rias poderiam ser de muitas e tantas mulheres que passaram pela viol\u00eancia de Estado e pela viol\u00eancia de g\u00eanero, correlacionadas, inclusive.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tempo que o romance mobiliza tamb\u00e9m torna de dif\u00edcil apreens\u00e3o as suas diferentes temporalidades. Em uma esp\u00e9cie de sensa\u00e7\u00e3o de eterno presente, constr\u00f3i-se uma certa linguagem imag\u00e9tica que n\u00e3o permite que se tenha uma no\u00e7\u00e3o exata de quando se trata. No caso das personagens, n\u00e3o se conhece seus passados e tampouco seus futuros, em grande parte interrompidos, impedidos, negados e\/ou n\u00e3o contados, agora. S\u00e3o recortes de suas hist\u00f3rias, amostras das suas pot\u00eancias, das temporalidades em que <em>foram <\/em>e <em>existiram <\/em>esses <em>corpos<\/em>. Enquanto guerrilheiras, as personagens das mulheres de Lage s\u00e3o retratadas como sujeitos com ag\u00eancia pr\u00f3pria, n\u00e3o fundamentadas nas defini\u00e7\u00f5es e nos projetos pol\u00edticos masculinos. A viol\u00eancia que sofrem \u00e9 uma viol\u00eancia diretamente relacionada ao seu g\u00eanero: seja pelos militares, seja no interior da fam\u00edlia ou at\u00e9 mesmo no espa\u00e7o da milit\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 o fio narrativo principal segue a hist\u00f3ria de Daniel, filho de uma desaparecida pol\u00edtica, e de Melina, que, descobre-se ao longo da narrativa, \u00e9 filha de um fot\u00f3grafo da conhecida Casa da Morte, em Petr\u00f3polis, e o encontro dos dois. Os efeitos dos segredos e das viol\u00eancias da ditadura penetram as hist\u00f3rias de ambos, suas rela\u00e7\u00f5es familiares e a forma como se encontram e se relacionam amorosamente no presente. Com o fardo de uma transmiss\u00e3o que n\u00e3o acontece exatamente, s\u00e3o personagens que simbolizam a aus\u00eancia de uma pol\u00edtica de mem\u00f3ria e de justi\u00e7a no contexto brasileiro, tanto para as v\u00edtimas quanto para os perpetradores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Daniel foi criado pelo av\u00f4 e pela vizinha, Dona Jandira, e cresce sabendo muito pouco sobre a sua m\u00e3e e sobre o contexto do seu desaparecimento. Busca incansavelmente por quaisquer informa\u00e7\u00f5es que possa encontrar sobre ela em itens que o av\u00f4 esconde dele, ou pelos tra\u00e7os e rastros apagados no quarto que antes era ocupado pela m\u00e3e e agora por ele. A \u00fanica recupera\u00e7\u00e3o a que tem acesso \u00e9 uma foto da m\u00e3e e do seu livro rabiscado, <em>Alice no pa\u00eds das maravilhas<\/em>, aos quais se apega fortemente na tentativa de criar uma identidade pr\u00f3pria para uma pessoa da qual nada sabe. O av\u00f4 n\u00e3o consegue dizer quem foi a m\u00e3e nem o que aconteceu, mas deixa que o menino \u201csaiba\u201d ou \u201cperceba\u201d pelo que n\u00e3o diz, seja pela fotografia, seja pelo acesso a not\u00edcias de televis\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posteriormente, com o surgimento da personagem Ol\u00edvia \u2013 irm\u00e3 que Daniel n\u00e3o sabia ainda ter e que aparece depois da morte do pai, que tamb\u00e9m n\u00e3o conhecia \u2013, alguns poucos fios sobre a hist\u00f3ria dos genitores s\u00e3o recuperados. Ol\u00edvia tamb\u00e9m teve uma inf\u00e2ncia cercada por sil\u00eancios, apesar da percep\u00e7\u00e3o dos sintomas da dor do pai, mas agora, depois da sua morte, recupera tra\u00e7os dessa hist\u00f3ria em objetos, cartas e fotografias. Desenvolve tamb\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o com o irm\u00e3o que foi impedida, seja pelo pai, seja pelo av\u00f4 de Daniel. \u00c9 nesse processo de deslocamento at\u00e9 a figura do pai que Daniel tamb\u00e9m busca por outros ind\u00edcios, ou restos, da pr\u00f3pria hist\u00f3ria e da m\u00e3e. A preocupa\u00e7\u00e3o de Daniel tamb\u00e9m se centra no que ficar\u00e1 \u2013 e passar\u00e1 \u2013 dessa hist\u00f3ria traum\u00e1tica para o filho ou filha que ter\u00e1 com Melina, agora gr\u00e1vida. O texto tamb\u00e9m explora o processo da escrita, em exerc\u00edcios de metafic\u00e7\u00e3o que tentam dar sentido ao passado, ao presente e a uma possibilidade de futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 Melina se aproxima de Daniel e de sua hist\u00f3ria sem imaginar (ou reconhecer) qualquer rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com o per\u00edodo hist\u00f3rico. A princ\u00edpio, via nisso um motivo de diferen\u00e7a entre a hist\u00f3ria dos dois, j\u00e1 que os pais teriam vivido \u201calheios a esse tempo\u201d, o que tornava \u201cinsuport\u00e1vel pensar que minha m\u00e3e havia vivido aquilo. Que os seus pais haviam ignorado tudo aquilo\u201d (Tega, 2012). Seu contato, acompanhado pela tarefa obsessiva de ambos em compreender a ditadura que os une, se deu, inicialmente, a partir da leitura de outras m\u00eddias: document\u00e1rios, livros, acesso a testemunhos. Nesse processo, entretanto, h\u00e1 aspectos dessa hist\u00f3ria que ela n\u00e3o reconhece imediatamente e que a assusta, uma esp\u00e9cie de lembran\u00e7a apagada que tenta recuperar e que escorre pelas suas m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Melina \u00e9 uma personagem, nesse sentido, que busca reconstruir ativamente as mem\u00f3rias apagadas sobre o pai e sobre a separa\u00e7\u00e3o dele com a m\u00e3e, ainda que essa busca esteja sempre relacionada com o medo ou a repulsa. Essa procura \u00e9 mediada, especialmente, pela rela\u00e7\u00e3o com a fotografia. A primeira foto recebida mostra um corpo nu estirado numa cama, os olhos abertos, com uma for\u00e7a assombrosa. A partir do relato de Melina ao narrador Daniel, a fotografia retorna. Cansada do peso de carreg\u00e1-la sozinha, Melina decide confrontar o pai ao visit\u00e1-lo em uma casa para idosos, portando a foto e questionando sobre o que se trata, ao que ele responde balbuciando apenas: \u201c[q]ue horr\u00edvel\u201d. Depois do aparente n\u00e3o reconhecimento, Melina decide ir embora, quando o pai pergunta: \u201cestava nas coisas da sua m\u00e3e?\u201d (Tega, 2012).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 depois da morte da m\u00e3e, entretanto, quando s\u00f3 sobravam lembran\u00e7as ou restos, que a narra\u00e7\u00e3o se desloca para responder \u00e0 pergunta do pai. Foi quando Melina acolheu os pertences da m\u00e3e que encontrou as fotografias; agora se sabe: \u201cestava, sim, nas coisas, nas tralhas, nas inutilidades, no bilhete de separa\u00e7\u00e3o: outras fotos de pessoas mortas. Homens, mulheres. Todos nus. Por que nus?\u201d (Tega, 2012). Junto das coisas da m\u00e3e havia ainda \u201cum certificado de curso de fotografia do ex\u00e9rcito, o nome do pai como aluno\u201d (<em>id<\/em>., <em>ibid<\/em>.). \u00c9 tamb\u00e9m a partir da fotografia que Melina, j\u00e1 crian\u00e7a, teria percebido \u2013 e deixado perceber \u00e0 m\u00e3e \u2013 o papel do pai na, posteriormente conhecida, Casa da Morte, em Petr\u00f3polis, perto da qual a fam\u00edlia tinha uma propriedade: na \u00e9poca, apenas uma casa branca, silenciosa, limpa, que marcava a passagem do tempo, agora dotada de novos atributos, novos sentidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s d\u00e9cadas, o endere\u00e7o se revela, reconstituindo-se na mem\u00f3ria a partir do que se sabe no presente, mas contaminado por novas informa\u00e7\u00f5es. No deslocamento ao lugar, Melina desloca tamb\u00e9m o tempo e a mem\u00f3ria, mas principalmente a percep\u00e7\u00e3o entre ser menina e mulher. O reconhecimento retrospectivo dessas viol\u00eancias, entretanto, n\u00e3o s\u00f3 joga luz na rela\u00e7\u00e3o dos pais com a ditadura, no caso de ambos os personagens, mas em todo um passado (e presente) violento constru\u00eddo no ambiente familiar. No romance, as genealogias violentas associam-se ainda mais com as genealogias violentas hist\u00f3ricas brasileiras. O que o texto mostra \u00e9 que os personagens n\u00e3o podem efetivamente furtar-se de encar\u00e1-las, porque continua gerando efeitos nas viv\u00eancias do agora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRAZ, Cleidson Frisso (2023). Mem\u00f3ria e testemunho: do que e por que riem as presas torturadas pela ditadura militar no romance \u201cO corpo intermin\u00e1vel\u201d, de Claudia Lage. <em>Cadernos do IL<\/em>, n. 64, p. 37-58. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/seer.ufrgs.br\/index.php\/cadernosdoil\/article\/view\/127859\">https:\/\/seer.ufrgs.br\/index.php\/cadernosdoil\/article\/view\/127859<\/a>. Acesso em: 14 nov. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CRUZ, Lua Gill da (2021). <em>Pret\u00e9ritos futuros:<\/em> ditadura militar na literatura do s\u00e9culo XXI. Tese (Doutorado em Teoria e Hist\u00f3ria Liter\u00e1ria) \u2013 Universidade Estadual de Campinas, Campinas. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/hdl.handle.net\/20.500.12733\/1642099\">https:\/\/hdl.handle.net\/20.500.12733\/1642099<\/a>. Acesso em: 14 nov. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Carlos Wender Sousa (2020). Claudia Lage \u2013 O corpo intermin\u00e1vel. <em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, n. 61, p. 1-4. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/2316-40186117\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/2316-40186117<\/a>. Acesso em: 14 nov. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TEGA, Danielle (2012). Mem\u00f3rias da milit\u00e2ncia: reconstru\u00e7\u00f5es da resist\u00eancia pol\u00edtica feminina \u00e0 ditadura civil-militar brasileira. <em>Revista Estudos de Sociologia<\/em>, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, v. 17, n. 32, p. 123-147.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4765.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4765\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Record-2019.webp\" data-caption-title=\"Record, 2019\" data-attachment-id=\"4766\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Record, 2019\" width=\"250\" height=\"370\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/04\/Record-2019\/2282314418.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22370%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20370%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Record, 2019<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LAGE, Claudia. 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