{"id":4707,"date":"2025-04-17T15:40:37","date_gmt":"2025-04-17T18:40:37","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4707"},"modified":"2025-11-12T17:59:04","modified_gmt":"2025-11-12T20:59:04","slug":"essa-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4707","title":{"rendered":"Essa terra"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">TORRES, Ant\u00f4nio. <em>Essa terra<\/em>.<em> <\/em>S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1976.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Rita Olivieri-Godet<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Carolina Vigna<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Essa terra<\/em>, terceiro romance e primeiro grande sucesso do escritor Ant\u00f4nio Torres (S\u00e1tiro Dias, BA, 1940), retoma, de maneira singular, a tem\u00e1tica das migra\u00e7\u00f5es, recorrente na produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria brasileira, consagrando o autor no panorama das letras nacionais. A obra inova ao dialogar com a longa tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria da representa\u00e7\u00e3o das refer\u00eancias hist\u00f3rico-culturais do sert\u00e3o nordestino e do \u00eaxodo rural, expandindo o conceito de migra\u00e7\u00e3o, em geral mais restrito ao campo social e \u00e0 ideia de deslocamento f\u00edsico. Sobrep\u00f5e-lhe, por conseguinte, uma dimens\u00e3o interior por meio da figura\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias de deslocamentos interligadas \u00e0s modalidades subjetivas espec\u00edficas que interrogam as rela\u00e7\u00f5es do sujeito com o espa\u00e7o, expondo a viol\u00eancia imanente \u00e0s travessias de territ\u00f3rios e suas consequ\u00eancias no que diz respeito ao sentimento de perten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do referente espacial ao espa\u00e7o ficcional, o romance, publicado em 1976, em pleno contexto repressivo da Ditadura Militar (1964-1985), trabalha a desterritorializa\u00e7\u00e3o do sujeito, costurando fronteiras interiores e exteriores. Inscreve-se na linhagem da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria da segunda metade do s\u00e9culo XX, voltada ao questionamento s\u00f3cio-hist\u00f3rico e de identidade da na\u00e7\u00e3o, produzindo imagens que desnudam o car\u00e1ter violento, hier\u00e1rquico e racista da ideologia nacionalista da ditadura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2022, <em>Essa terra<\/em> passou a compor a <em>Trilogia Brasil<\/em> (2022) junto com os romances <em>O cachorro e o lobo <\/em>(1997) e <em>Pelo fundo da agulha<\/em> (2006). Essas obras reunidas em um s\u00f3 volume comp\u00f5em o percurso de vida do narrador-personagem Totonhim: \u201cA trilogia traz hist\u00f3rias de desenraizamento. Tamb\u00e9m de afeto e encontro\u201d (Gerana Damulakis, orelha, <em>Trilogia Brasil<\/em>). A edi\u00e7\u00e3o especial, publicada pela Record, homenageia os cinquenta anos da carreira liter\u00e1ria de Ant\u00f4nio Torres, marcada pela estreia do romance <em>Um c\u00e3o uivando para a lua<\/em>, em 1972. A leitura desse texto inaugural j\u00e1 anuncia as principais vertentes tem\u00e1ticas, narrativas e estil\u00edsticas da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria do escritor, que atravessa cinco d\u00e9cadas e se desdobra entre a mem\u00f3ria afetiva do Junco, o contexto s\u00f3cio-hist\u00f3rico nacional e o lado absurdo e desumano da exist\u00eancia que esmaga e enlouquece o indiv\u00edduo, destacando deslocamentos sociais e ps\u00edquicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Essa Terra<\/em> \u00e9 fundamentalmente o relato de um fracasso, o do imigrante nordestino atra\u00eddo pela ilus\u00e3o de ascens\u00e3o social na parte sul do pa\u00eds. O romance evidencia a cis\u00e3o hier\u00e1rquica norte\/sul que op\u00f5e um centro capitalista hegem\u00f4nico e moderno \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 a uma periferia marginalizada e oprimida&nbsp;\u2013 Junco, no interior da Bahia, atual munic\u00edpio de S\u00e1tiro Dias. Atravessado pela vis\u00e3o cr\u00edtica impl\u00edcita do autor, o relato se desenvolve tendo como pano de fundo a mem\u00f3ria hist\u00f3rica recente (em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 data de sua publica\u00e7\u00e3o), abarcando desde o processo de moderniza\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o da Era Vargas at\u00e9 o presente da narra\u00e7\u00e3o, que coincide com os anos de chumbo da ditadura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Torres revisita a tem\u00e1tica do imigrante nordestino por meio da hist\u00f3ria de vida de um indiv\u00edduo, introduzindo uma dimens\u00e3o mais subjetiva, marcada pela mem\u00f3ria da experi\u00eancia vivida que sua cria\u00e7\u00e3o incorpora e que leva alguns cr\u00edticos a identificarem na narrativa de <em>Essa terra<\/em> \u201calgo de autobiogr\u00e1fico e cat\u00e1rtico\u201d (V\u00e2nia Chaves, Posf\u00e1cio, <em>Essa terra<\/em>). N\u00e3o se trata, no entanto, de uma autofic\u00e7\u00e3o, embora o texto dissemine pistas que aproximam o narrador-personagem Totonhim do autor: o apelido Totonhim (de Ant\u00f4nio); o Junco como lugar de origem; a partida para S\u00e3o Paulo; a fam\u00edlia numerosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tra\u00e7o memorial\u00edstico est\u00e1 presente na fic\u00e7\u00e3o de Torres, autor de uma obra alicer\u00e7ada na viv\u00eancia do mundo rural, na experi\u00eancia das grandes cidades e na descoberta do mundo pela literatura. No entanto, mesmo reconhecendo a import\u00e2ncia do \u201clastro biogr\u00e1fico\u201d no processo de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Ant\u00f4nio Torres, a incorpora\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia vivida na obra liter\u00e1ria n\u00e3o significa por si s\u00f3 um pren\u00fancio de qualidade. No caso de <em>Essa terra<\/em>, a originalidade e a for\u00e7a do romance emanam das inova\u00e7\u00f5es formais que instauram uma ambiguidade no discurso narrativo, distanciando-se da narrativa realista do regionalismo nordestino, a come\u00e7ar pela figura ambivalente do narrador-autor, que rompe com o modelo de uma narrativa linear cl\u00e1ssica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escrita complexa de <em>Essa terra<\/em> situa o presente da narra\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 1970, na pequena cidade do Junco, sert\u00e3o da Bahia, que \u201cn\u00e3o ocupa um lugar decente no mapa do mundo\u201d (Ant\u00f4nio Torres, carta a Jos\u00e9 Gi\u00e9se da Cruz). Territ\u00f3rio perif\u00e9rico, inicialmente exclu\u00eddo do capitalismo moderno, sua caracteriza\u00e7\u00e3o no romance \u00e9 ambivalente, \u00e0s vezes identificado como espa\u00e7o de identidade, lugar antropol\u00f3gico, na evoca\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o que o pai da fam\u00edlia sertaneja mant\u00e9m com o espa\u00e7o, apesar da precariedade material, enquanto a viv\u00eancia da m\u00e3e e dos filhos ressalta, prioritariamente, o car\u00e1ter desintegrador e excludente do lugar. A experi\u00eancia do \u00eaxodo rural nordestino constitui a mat\u00e9ria do romance, que se constr\u00f3i em torno de um n\u00facleo narrativo inspirado na hist\u00f3ria de vida de um parente do autor \u201cque depois de muitas idas e vindas para S\u00e3o Paulo, dezenas de vezes, acabou se matando\u201d (Ant\u00f4nio Torres, entrevista).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No romance de Torres, Nelo, primog\u00eanito de uma fam\u00edlia de doze filhos, encarna o destino tr\u00e1gico do imigrante nordestino que vai para S\u00e3o Paulo em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Vinte anos depois, Nelo volta fracassado para o Junco, sua terra de origem, onde h\u00e1 um fim tr\u00e1gico. A hist\u00f3ria de Nelo e da fam\u00edlia \u00e9 narrada pelo ca\u00e7ula Totonhim. O romance alterna o cotidiano de Nelo em S\u00e3o Paulo com a rotina da fam\u00edlia no Junco, marcada pela extrema pobreza, expondo as perdas e a falta de perspectiva dos personagens em ambos os espa\u00e7os e em \u00e9pocas diversas. O sentido tr\u00e1gico da narrativa fica evidente na transmiss\u00e3o da heran\u00e7a do irm\u00e3o mais velho ao ca\u00e7ula da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Essa terra<\/em> exp\u00f5e a viol\u00eancia do processo de exclus\u00e3o econ\u00f4mica, desmistificando a migra\u00e7\u00e3o como solu\u00e7\u00e3o para supera\u00e7\u00e3o do problema e contrapondo-se ao discurso da ditadura sobre o milagre econ\u00f4mico brasileiro. Enfoca a dimens\u00e3o tr\u00e1gica das migra\u00e7\u00f5es, evocando os infort\u00fanios de Nelo na metr\u00f3pole paulista: o desemprego, a desestrutura\u00e7\u00e3o familiar e a exclus\u00e3o social devido ao racismo contra o imigrante nordestino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No romance <em>Essa terra<\/em> predomina a narra\u00e7\u00e3o em primeira pessoa e o ponto de vista do narrador-personagem Totonhim, mas a narrativa aposta na varia\u00e7\u00e3o da focaliza\u00e7\u00e3o interna para potencializar a representa\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, dando destaque aos efeitos da degrada\u00e7\u00e3o social dos personagens e \u00e0s suas diferentes vis\u00f5es de mundo, que ecoam na estrutura\u00e7\u00e3o do romance em quatro partes. A primeira delas, \u201cEssa terra me chama\u201d, centra-se na volta de Nelo, nas suas reminisc\u00eancias da inf\u00e2ncia, no suic\u00eddio, na prepara\u00e7\u00e3o do vel\u00f3rio, entrela\u00e7ando a trag\u00e9dia familiar \u00e0 social, ao aludi-la, sub-repticiamente, ao clima irrespir\u00e1vel do per\u00edodo da ditadura. A segunda parte, \u201cEssa terra me enxota\u201d, dialoga com as narrativas sobre o sert\u00e3o. Destaca o fen\u00f4meno da migra\u00e7\u00e3o segundo o ponto de vista do pai, pequeno propriet\u00e1rio rural, psicologicamente destru\u00eddo ao se ver for\u00e7ado a abandonar sua terra. A terceira parte, \u201cEssa terra me enlouquece\u201d, volta-se ao sofrimento da m\u00e3e pela perda do filho. Enfim, a \u00faltima parte, \u201cEssa terra me ama\u201d, recorre a um discurso convulso, em franca contradi\u00e7\u00e3o com o t\u00edtulo, para evocar a viagem de Totonhim \u00e0 cidade de Alagoinhas, com o objetivo de internar a m\u00e3e num asilo. Justap\u00f5e-se a esse deslocamento espacial, a recupera\u00e7\u00e3o memorial da hist\u00f3ria de vida da matriarca da fam\u00edlia, com o intuito de evidenciar a viol\u00eancia contra a mulher na sociedade patriarcal sertaneja.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A problematiza\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno do \u00eaxodo rural da popula\u00e7\u00e3o nordestina no romance <em>Essa terra<\/em> evidencia as faces contradit\u00f3rias de um pa\u00eds sob o jugo dos paradigmas do capitalismo neoliberal, um pa\u00eds que exclui e condena seu povo \u00e0 mis\u00e9ria e \u00e0 morte, em nome do projeto moderno do progresso que identifica na cidade o seu lugar redentor, representado pelo fluxo de capital, pelo acesso ao trabalho e ao consumo, pelo excesso de oportunidades. A vis\u00e3o c\u00e9tica do autor sobre os processos migrat\u00f3rios internos que se alimentam do mito do trabalho como fonte de riqueza confronta os sonhos constru\u00eddos no espa\u00e7o interiorano, economicamente prec\u00e1rio, ao labirinto da metr\u00f3pole monstruosa que conduz \u00e0 desestrutura\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos desvalidos. Torres atualiza a representa\u00e7\u00e3o das migra\u00e7\u00f5es nordestinas, introduzindo uma dimens\u00e3o subjetiva e inserindo-as como uma forma espec\u00edfica dos deslocamentos contempor\u00e2neos dependentes da engrenagem de uma ordem econ\u00f4mica mundial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CHAVES, V\u00e2nia (2001). Posf\u00e1cio. Um novo sert\u00e3o na literatura brasileira: <em>Essa terra<\/em>, de Ant\u00f4nio Torres. In: TORRES, Ant\u00f4nio. <em>Essa terra<\/em>. Rio de Janeiro\/S\u00e3o Paulo: Record, p. 173-188.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DAMULAKIS, Gerana (2022). Orelha. In: TORRES, Ant\u00f4nio. <em>Trilogia Brasil<\/em>. Rio de Janeiro\/S\u00e3o Paulo: Record.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GERS\u00c3O, Teolinda (2022). Do sert\u00e3o para o mundo: <em>Essa terra<\/em>, lugar de partida e de regresso. In: FONSECA, Aleilton. <em>Ant\u00f4nio Torres: 50 anos de literatura<\/em>. Itabuna, BA: Mondrongo, p. 43-47.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Susana Souto; SANTOS, Vanusia Amorim Pereira dos (2021). <em>As gavetas nunca estiveram vazias<\/em>: ditadura militar, escrita e resist\u00eancia em <em>Essa Terra<\/em>, de Ant\u00f4nio Torres. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.antoniotorres.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/gavetas_nunca_estiveram_vazias_ditadura_militar_escrita_resistencia_essa_terra_antonio_torres_vanusia_amorin.pdf\">https:\/\/www.antoniotorres.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/gavetas_nunca_estiveram_vazias_ditadura_militar_escrita_resistencia_essa_terra_antonio_torres_vanusia_amorin.pdf<\/a>. Acesso em: 6 de maio 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4710.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4710\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Atica-1983.webp\" data-caption-title=\"\u00c1tica, 1983\" data-attachment-id=\"4711\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"\u00c1tica, 1983\" width=\"250\" height=\"353\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/03\/Atica-1983\/1031782854.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22353%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20353%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">\u00c1tica, 1983<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Record-2001.webp\" data-caption-title=\"Record, 2001\" data-attachment-id=\"4712\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Record, 2001\" width=\"250\" height=\"383\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/03\/Record-2001\/3200700714.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22383%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20383%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Record, 2001<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TORRES, Ant\u00f4nio. 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