{"id":4692,"date":"2025-04-11T17:40:35","date_gmt":"2025-04-11T20:40:35","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4692"},"modified":"2025-11-12T17:57:14","modified_gmt":"2025-11-12T20:57:14","slug":"a-expedicao-montaigne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4692","title":{"rendered":"A expedi\u00e7\u00e3o Montaigne"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">CALLADO, Antonio. <em>A expedi\u00e7\u00e3o Montaigne<\/em>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Jos\u00e9 Humberto Torres Filho<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o:<\/em> <em>Cl\u00e1udio Rodrigues<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Perder-se na floresta \u00e9 imagem involunt\u00e1ria de uma busca coletiva, cujo destino final, n\u00e3o raramente, aponta para o tr\u00e1gico. Poucos projetos liter\u00e1rios se dedicaram tanto, no s\u00e9culo XX, \u00e0 procura da na\u00e7\u00e3o brasileira pelas viagens e perdi\u00e7\u00f5es na floresta quanto a obra de Antonio Callado (Niter\u00f3i, RJ, 1917 \u2013 Rio de Janeiro, RJ, 1997). Seus personagens s\u00e3o lan\u00e7ados ao mundo a fim de descobrirem outros mundos, outros modos de ser e pensar, outros eles mesmos. Contudo, isso ainda diz pouco: s\u00e3o personagens que tamb\u00e9m v\u00e3o ao mundo para serem por ele devorados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em \u00faltima inst\u00e2ncia, viajar pela floresta, pelo sert\u00e3o, e eventualmente perder-se, \u00e9 um modo de investiga\u00e7\u00e3o urgente sobre a identidade e o destino da na\u00e7\u00e3o, em que m\u00faltiplas vozes se atravessam, se sobrep\u00f5em e se afastam como o balan\u00e7o pesado das copas densas de \u00e1rvores centen\u00e1rias ao vento. E h\u00e1 casos em que a perdi\u00e7\u00e3o definitiva \u00e9 o que de melhor poderia resultar, pois a morte, em uma de suas muitas faces, \u00e9 tamb\u00e9m alquimia radical, desejo de mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jornalista celebrado, Callado assistiu, n\u00e3o sem alguma obje\u00e7\u00e3o, \u00e0 cr\u00edtica especializada comparar com insist\u00eancia sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria \u00e0s suas reportagens. O movimento \u00e9 compreens\u00edvel, em parte, porque a atividade jornal\u00edstica de Callado \u00e9 em tudo liter\u00e1ria, da linguagem ao tratamento dos temas. E sua produ\u00e7\u00e3o ficcional, por mais que se valha muitas vezes da alegoria como caminho, se guia por fatos hist\u00f3ricos, pelos eventos noticiados pela imprensa, dando \u00e0 fic\u00e7\u00e3o ar contempor\u00e2neo, que hoje, longe de resultar aprisionada a um dado momento hist\u00f3rico, revela-se perturbadoramente atualizada. De todo modo, as reportagens, as cr\u00f4nicas, as pe\u00e7as de teatro e os romances do autor trilham a mesma dire\u00e7\u00e3o, dando corpo a um projeto liter\u00e1rio, em que predominam o questionamento sobre o Brasil, a desconfian\u00e7a cr\u00edtica sobre os intelectuais e a aguda e genu\u00edna preocupa\u00e7\u00e3o com a vida de ind\u00edgenas e sertanejos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em suas pouco mais de cem p\u00e1ginas, <em>A expedi\u00e7\u00e3o Montaigne<\/em> se constitui a partir de um ir\u00f4nico emaranhado desses elementos centrais. A narrativa tem in\u00edcio com a liberta\u00e7\u00e3o de Ipavu do reformat\u00f3rio Crenaque, uma pris\u00e3o constru\u00edda na cidade de Resplendor, em Minas Gerais, durante a ditadura, a fim de manter cativos os ind\u00edgenas que incomodavam os fazendeiros locais. Ipavu \u00e9 um ind\u00edgena camaiur\u00e1 tuberculoso que acabou no reformat\u00f3rio por ter provocado baderna em bares. Conhece intimamente os brancos, deseja ser um deles e nutre desprezo por sua pr\u00f3pria cultura. Quem o liberta \u00e9 Vicentino Beir\u00e3o, um jornalista, amante da cultura francesa, morador do Leblon, que dinamita as paredes do reformat\u00f3rio buscando emular a queda da Bastilha. Vicentino se imagina um antibandeirante, libertador de silv\u00edcolas, que decide empreender uma expedi\u00e7\u00e3o a fim de reunir os ind\u00edgenas que encontrar no caminho com o objetivo de fundar uma rep\u00fablica nativa e exigir restitui\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira. Como ele insistentemente observa a realidade local pela \u00f3tica da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, \u00e9 um personagem ris\u00edvel e delirante, dando vida ao intelectual de ideias distantes do que seja o Brasil e que, quando confrontadas com a realidade, revelam o absurdo que as engendram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ipavu aceita participar da expedi\u00e7\u00e3o apenas para resgatar um gavi\u00e3o-real cultuado como totem por sua aldeia. Entende que a proposta de Vicentino \u00e9 absurda, mas se aproveita do idealismo do outro para obter mais vantagem para si. \u00c9 poss\u00edvel afirmar que a narrativa se estrutura em grande parte pela contraposi\u00e7\u00e3o entre Ipavu e Vicentino, j\u00e1 que a din\u00e2mica dos dois representa os embates entre o idealismo alimentado pelas refer\u00eancias europeias e o realismo encarnado no corpo ind\u00edgena adoecido, isolado de seu povo, desejante de escapar de sua pr\u00f3pria cultura como meio de sobreviv\u00eancia. Outro personagem central \u00e9 Ierop\u00e9, o paj\u00e9 camaiur\u00e1 desacreditado por sua aldeia por n\u00e3o conseguir curar as doen\u00e7as trazidas pelos brancos. Isolado e humilhado por seu pr\u00f3prio povo, ele resgata insistentemente as palavras de Zeca Ximbio\u00e1, um guerrilheiro que, no passado, esteve na regi\u00e3o e que lhe falou sobre Karl von den Stein, chamado na narrativa de Fodestaine. Ierop\u00e9 entende que o explorador alem\u00e3o \u00e9 o respons\u00e1vel pela decad\u00eancia de seu povo, por isso alimenta fortes desejos de vingan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ado\u00e7\u00e3o do nome de Montaigne para a expedi\u00e7\u00e3o fala do ide\u00e1rio de Vicentino. O gesto de batizar sua empreitada, de nomear, diz de um empenho em \u201ccivilizar\u201d, assim como a confec\u00e7\u00e3o de mapas, quer controlar, definir e explorar o desconhecido selvagem. J\u00e1 Ipavu, que, na verdade, se chama Paiap e passa a atender por Ipavu porque os brancos lhe deram o nome de uma das lagoas do territ\u00f3rio camaiur\u00e1, quer ser branco. Ele perde o nome, usa vestimentas ocidentais, fala um portugu\u00eas com g\u00edrias a fim de comunicar uma flu\u00eancia impec\u00e1vel. Tudo isso diz da inadequa\u00e7\u00e3o do personagem. O gavi\u00e3o-real, totem de sua aldeia e motivo de sua viagem, mostra que Ipavu estava amarrado \u00e0s duas culturas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tema da viagem pela floresta aparece na obra de Callado logo na reportagem <em>O esqueleto na lagoa verde<\/em> (1953), em que ele vai ao Xingu acompanhar o que seria a descoberta da ossada do coronel brit\u00e2nico Percy Harrison Fawcett que desapareceu na floresta nos anos 1920, enquanto realizava uma expedi\u00e7\u00e3o em busca de uma cidade perdida, cuja exist\u00eancia supostamente teria sido relatada por bandeirantes. Trinta anos depois do desaparecimento, Callado acompanha o filho mais velho do coronel para localizar a ossada que os calapalo afirmaram a Orlando Villas-B\u00f4as pertencer ao brit\u00e2nico. O esqueleto n\u00e3o pertencia a Fawcett, e a reportagem de Callado muda de foco para observar a din\u00e2mica dos n\u00e3o ind\u00edgenas com os calapalo. H\u00e1, de modo subjacente, uma reflex\u00e3o sobre o movimento como um gesto colonial \u2014 a explora\u00e7\u00e3o do brit\u00e2nico \u2014 e tamb\u00e9m como um esfor\u00e7o anticolonial, o do pr\u00f3prio Callado que vai ao Xingu escrever sobre um Brasil ainda estranho e invis\u00edvel para muitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <em>Quarup<\/em>, romance de 1967, o tema da expedi\u00e7\u00e3o volta a ser trabalhado, agora como mat\u00e9ria ficcional, e a busca pelo centro geogr\u00e1fico brasileiro retoma a morte como elemento central, aqui representando sobretudo possibilidades de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade, ao passo em que n\u00e3o deixa de apontar para sua degenera\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia. Se, em <em>Quarup<\/em>, h\u00e1 uma aposta de que os intelectuais, que representam a na\u00e7\u00e3o brasileira e suas escolhas pol\u00edticas, possam transformar-se pela experi\u00eancia na selva, em <em>A expedi\u00e7\u00e3o Montaigne<\/em> o movimento do homem civilizado na floresta comunica uma descren\u00e7a dessa proposta. Quando Vicentino e Ipavu se perdem na mata, a perdi\u00e7\u00e3o n\u00e3o diz nada ao jornalista, que busca um Brasil pitoresco e entende sua viagem como a feitura de um mapa. O processo de aprendizagem pensado como viagem que marcou <em>Quarup <\/em>n\u00e3o se repete aqui. Perder-se acaba servindo mais a Ipavu, que inicia uma reflex\u00e3o sobre o destino da expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicada nos estertores da ditadura, no mesmo ano em que o xavante M\u00e1rio Juruna se tornou o primeiro ind\u00edgena eleito para a C\u00e2mara Federal, <em>A expedi\u00e7\u00e3o Montaigne<\/em> destoa do sentimento de euforia da reabertura pol\u00edtica. Callado parece olhar com desconfian\u00e7a para os movimentos da sociedade brasileira quanto \u00e0 quest\u00e3o ind\u00edgena. A substitui\u00e7\u00e3o dos militares por representantes civis conservadores n\u00e3o representava nenhuma mudan\u00e7a estrutural no tratamento dos povos origin\u00e1rios. Ainda que a constitui\u00e7\u00e3o de 1988 tenha oferecido avan\u00e7os fundamentais nos direitos ind\u00edgenas, as ideias permaneceram mais pr\u00f3ximas do romantismo, de um discurso idealizado e uma pr\u00e1tica de destrui\u00e7\u00e3o. Ler <em>A expedi\u00e7\u00e3o Montaigne<\/em> hoje \u00e9 um modo de investigar a s\u00e9rio o que pensa a na\u00e7\u00e3o sobre os povos origin\u00e1rios, na busca por escapar da idealiza\u00e7\u00e3o e do exotismo que o tema at\u00e9 hoje suscita no imagin\u00e1rio do brasileiro, e o quanto se est\u00e1 disposto a transformar a realidade em outra possibilidade de pa\u00eds.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">KARLO-GOMES, Geam (2019). O conflito apocal\u00edptico em <em>Assun\u00e7\u00e3o de Salviano<\/em>, de Antonio Callado. <em>Revista Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea,<\/em> Bras\u00edlia, n. 57, p. 1-11. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/26026\/22858\">https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/26026\/22858<\/a>. Acesso em: 12 jul. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TORRES, Jos\u00e9 Humberto (2021). Contra todos os fogos, o fogo: vingan\u00e7a como resist\u00eancia em Antonio Callado. <em>Revista Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea, <\/em>Bras\u00edlia, n. 63, p. 1-14. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/40351\/31381\">https:\/\/www.periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/40351\/31381<\/a>. Acesso em: 12 jul. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TORRES, Jos\u00e9 Humberto (2021). <em>Serpente de ouro em relva escura<\/em>: os ind\u00edgenas e a ditadura em <em>Quarup<\/em>, de Antonio Callado. Tese (Doutorado) \u2014 Universidade de Bras\u00edlia, Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4695.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4695\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Nova-Fronteira-1982.webp\" data-caption-title=\"Nova Fronteira, 1982\" data-attachment-id=\"7620\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Nova Fronteira, 1982\" width=\"250\" height=\"378\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/03\/Nova-Fronteira-1982\/3460303171.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22378%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20378%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Nova Fronteira, 1982<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Jose-Olympio-2014.webp\" data-caption-title=\"Jos\u00e9 Olympio, 2014\" data-attachment-id=\"4698\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Jos\u00e9 Olympio, 2014\" width=\"250\" height=\"385\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/03\/Jose-Olympio-2014\/1243609788.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22385%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20385%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Jos\u00e9 Olympio, 2014<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CALLADO, Antonio. 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