{"id":4681,"date":"2025-04-03T17:37:00","date_gmt":"2025-04-03T20:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4681"},"modified":"2025-11-12T18:00:05","modified_gmt":"2025-11-12T21:00:05","slug":"paradeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4681","title":{"rendered":"Paradeiro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">BUENO, Lu\u00eds. <em>Paradeiro.<\/em> Cotia: Ateli\u00ea Editorial, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Ana Clara Magalh\u00e3es de Medeiros<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Dona Dora<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Paradeiro <\/em>(2018), de Lu\u00eds Gon\u00e7ales Bueno de Camargo (S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP, 1963), evidencia que a conjuga\u00e7\u00e3o, em uma mesma pessoa, das fun\u00e7\u00f5es de cr\u00edtico liter\u00e1rio, acad\u00eamico, professor de literatura e romancista pode ser bem-sucedida. Nascido em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, no interior de S\u00e3o Paulo (Vale do Para\u00edba) \u2013 cidade que serve de espa\u00e7o central \u00e0 trama de <em>Paradeiro<\/em> \u2013, Bueno estreia na prosa de fic\u00e7\u00e3o com essa narrativa de 2018, depois de uma consolidada carreira como cr\u00edtico liter\u00e1rio, notadamente quanto ao estudo do chamado \u201cromance de 30\u201d, com destaque para seu livro <em>Uma hist\u00f3ria do romance de 30 <\/em>(2006), al\u00e9m de outros t\u00edtulos sobre artes visuais ou liter\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fato de ser professor de Teoria Liter\u00e1ria e Literatura Brasileira na Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) soma-se ao seu trabalho como romancista, pois, em v\u00e1rios sentidos \u2013 como se ver\u00e1 \u2013, <em>Paradeiro <\/em>exibe uma rigorosa consci\u00eancia cr\u00edtica sobre a literatura brasileira produzida at\u00e9 1938 (uma das datas em que se passa a trama). O livro recebeu o Pr\u00eamio Machado de Assis, na categoria <em>romance<\/em>, da Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional, em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 primeira vista, <em>Paradeiro <\/em>causa certo estranhamento pois, em um intervalo de seis p\u00e1ginas \u2013 que formam tr\u00eas cap\u00edtulos \u2013, j\u00e1 se pode notar que o romance conta com tr\u00eas narradores, mais precisamente duas narradoras e um narrador. Cada cap\u00edtulo, assim, \u00e9 conduzido por uma dessas tr\u00eas vozes, sem que suas hist\u00f3rias particulares estejam imediatamente conectadas. Trata-se, seguramente, de um romance polif\u00f4nico, que alberga tr\u00eas vozes, tr\u00eas consci\u00eancias, tr\u00eas estilos autorais diversos \u2013 situados em tempos diversos do s\u00e9culo XX e in\u00edcio do XXI \u2013, al\u00e9m de ter como ponto central a cidade de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP) e a rela\u00e7\u00e3o fundamental dos tr\u00eas personagens com o adoecimento e a morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os 75 cap\u00edtulos do livro apresentam narradores alternados: primeiramente, uma mulher, de 57 anos, sem nome indicado, que vive no ano 2000, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, e se apresenta assim: \u201cesse cheiro vem de mim\u201d. O odor relaciona-se a um c\u00e2ncer e desencadeia, na personagem, um impulso suicida. Depois, apresenta-se o narrador Pedro Marques, um jovem de 23 anos que descobre uma tuberculose no ano de 1938, quando essa doen\u00e7a ainda levava a altas taxas de mortalidade. Dada essa condi\u00e7\u00e3o, o rapaz se tratar\u00e1 em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, cidade famosa, na primeira metade do s\u00e9culo XX, por seus sanat\u00f3rios e cuidados de refer\u00eancia contra o bacilo da tuberculose. Finalmente, uma prosa com evidentes marcas do portugu\u00eas europeu revela a terceira narradora: Bibiana, uma portuguesa que, ainda crian\u00e7a, foi for\u00e7adamente trazida para o Brasil (Guaruj\u00e1) e, deste lado do Atl\u00e2ntico, chega aos 81 anos \u2013 sua principal idade na trama, j\u00e1 marcada pela falta de mem\u00f3ria e pela confus\u00e3o mental provocada por uma arteriosclerose. Alguns \u00edndices do romance \u2013 uns mais evidentes, como a cidade de S\u00e3o Jos\u00e9; outros menos expl\u00edcitos, como o fato de a mulher com c\u00e2ncer mencionar, logo no princ\u00edpio da obra, ter por vizinhos o \u201cSeu Pedro e a Dona La\u00eds\u201d \u2013 progressivamente conectam os tr\u00eas personagens e suas hist\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os modos de narrar desses tr\u00eas narradores s\u00e3o bastante diversos. A senhora com c\u00e2ncer, personagem de meia-idade, revela-se a partir dos pensamentos, mem\u00f3rias e atos desencadeados por sua hesita\u00e7\u00e3o frente ao suic\u00eddio. Sua consci\u00eancia, convulsionada, entre outros fatores, pelo mau cheiro advindo da doen\u00e7a, comp\u00f5e sua biografia de maneira n\u00e3o linear, fragmentada e sempre comentada ou tensionada pela mulher que ela \u00e9 no presente \u2013 tudo isso registrado em um portugu\u00eas do Brasil coloquial e contempor\u00e2neo, muito bem ordenado do ponto de vista sint\u00e1tico e discursivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 Dona Bibiana, \u00faltima voz narrativa apresentada no livro, exibe-se por meio de um fluxo de consci\u00eancia intenso, que prescinde, quase sempre, de pontua\u00e7\u00e3o, letras mai\u00fasculas e l\u00f3gica sint\u00e1tica (em uma prosa semelhante \u00e0quela que caracterizou os narradores de Jos\u00e9 Saramago a partir dos anos 1980). Desde o primeiro momento, \u00e9 poss\u00edvel reconhecer, em sua fala, o portugu\u00eas europeu \u2013 logo em seguida, mais elementos narrativos (al\u00e9m do \u201csotaque\u201d) indicam que a personagem natural de Ruge \u00c1gua, pequena cidade do interior portugu\u00eas, \u00e9 violentamente trazida ao Brasil quando crian\u00e7a. Seu modo de narrar \u2013 tendo tempos, vozes, geografias variantes e discursos cruzados \u2013 mimetiza a consci\u00eancia de algu\u00e9m que se v\u00ea assim: \u201cestou louca doida tantan lel\u00e9 da cuca de mola parva maluca da bola mais perdida do que cego em tiroteio mais por fora do que umbigo de vedete estou gag\u00e1\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00fanico narrador masculino do livro, Pedro, escreve cartas endere\u00e7adas a intelectuais e escritores reconhecidos dos anos 1930 ou \u00e0 sua m\u00e3e, irm\u00e3 e ao m\u00e9dico. A obra n\u00e3o apresenta as respostas a Pedro, aspecto que, por um lado, restringe a vis\u00e3o de leitores\/as \u00e0 consci\u00eancia e ao discurso do jovem socialista, mas, por outro lado, refor\u00e7a a experi\u00eancia de um sentimento que une os tr\u00eas narradores da trama: a solid\u00e3o. Pedro, portanto, deixa-se conhecer pelas cartas que escreve a figuras hist\u00f3ricas como \u201cCarlinhos\u201d (Carlos Lacerda) e \u201cMuril\u00edssimo\u201d (Murilo Miranda) \u2013 editores da <em>Revista<\/em> <em>Acad\u00eamica<\/em> (citada v\u00e1rias vezes pelo personagem), peri\u00f3dico que fazia circular, na d\u00e9cada de 1930, textos de cr\u00edtica liter\u00e1ria, de difus\u00e3o das ideias socialistas e de combate ao fascismo (Ribeiro, 1989).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa oferece um curto, mas decisivo, momento da vida do rapaz, do romance brasileiro e da hist\u00f3ria nacional e mundial: o ano de 1938, quando Pedro se enclausura em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos com tuberculose; quando Graciliano Ramos publica <em>Vidas secas<\/em>; quando o Brasil amarga o primeiro ano inteiro de Estado Novo; e quando, na Europa, fervilham os <em>ismos <\/em>totalit\u00e1rios (salazarismo, franquismo, fascismo e nazismo). A voz de Pedro, portanto, \u00e9 a do intelectual, expressa em uma variante prestigiada do portugu\u00eas brasileiro, que mescla a atua\u00e7\u00e3o do cr\u00edtico liter\u00e1rio e do militante comunista em uma cidade interiorana marcada pela imin\u00eancia da morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo discorrido sobre o tempo, o espa\u00e7o e a tipologia de narradores da obra, resta refletir sobre a provoca\u00e7\u00e3o de seu t\u00edtulo: <em>Paradeiro<\/em>. Os dicion\u00e1rios da l\u00edngua portuguesa definem o termo como o espa\u00e7o onde algu\u00e9m ou algo est\u00e1 ou <em>vai parar. <\/em>Em entrevista concedida \u00e0 editora que publica o livro, Lu\u00eds Bueno afirma: \u201ca palavra tem uma ambival\u00eancia entre o permanente e o ef\u00eamero, passageiro, que est\u00e1 na base do romance. Na esteira dessa ambival\u00eancia, o t\u00edtulo evoca um lugar ao mesmo tempo metaf\u00f3rico e geogr\u00e1fico em que se foi parar \u2013 mas parar at\u00e9 quando?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um romance que tematiza a doen\u00e7a e a morte parece perguntar, desde seu t\u00edtulo, sobre a perman\u00eancia de tais estados na hist\u00f3ria de indiv\u00edduos e de coletividades do Brasil e de Portugal, por exemplo. Os espa\u00e7os geogr\u00e1ficos onde v\u00e3o parar a mulher com c\u00e2ncer (a Via Dutra, o hospital, a pra\u00e7a), Pedro (S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, a barbearia do seu Tico, a mesma pra\u00e7a) e Bibiana (Leiria, Guaruj\u00e1, a pra\u00e7a j\u00e1 referida em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos) definem justamente mudan\u00e7as radicais em suas trajet\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra, assim, termina por conduzir a um questionamento existencial, mas tamb\u00e9m pol\u00edtico: \u00e9 dado ao indiv\u00edduo o poder de decis\u00e3o sobre seu pr\u00f3prio <em>paradeiro<\/em>? Residualmente, a narrativa tamb\u00e9m favorece a indaga\u00e7\u00e3o sobre o <em>paradeiro <\/em>da prosa, sobretudo do romance brasileiro, ap\u00f3s os anos 1930: o Brasil de Pedro \u00e9 tecido pela interlocu\u00e7\u00e3o com escritores como Graciliano Ramos, M\u00e1rio de Andrade, L\u00facia Miguel Pereira, Newton Sampaio. Se \u00e9 poss\u00edvel supor que, em Pedro Martins, h\u00e1 muito do cr\u00edtico Lu\u00eds Bueno, escapa a pergunta: qual o <em>paradeiro<\/em>, hoje, da tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e intelectual legada pelo modernismo da gera\u00e7\u00e3o de 1930?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A morte, sendo o <em>paradeiro<\/em> final de todo ser que vive, de modo surpreendente, n\u00e3o \u00e9 a paragem definitiva desse romance. Ali\u00e1s, a obra justamente exibe personagens que, marcados pela sist\u00eamica viol\u00eancia contra a mulher (no caso de Bibiana), pela esterilidade e automatismo da vida familiar e conjugal (quanto \u00e0 mulher com c\u00e2ncer), pela condi\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria do intelectual abastado, de esquerda, em um pa\u00eds erigido sobre o conservadorismo pol\u00edtico e a explora\u00e7\u00e3o de trabalhadores\/as precarizadas\/os (situa\u00e7\u00e3o de Pedro), conseguem, finalmente, viver a partir de sua decis\u00e3o consciente e volunt\u00e1ria. Muitos <em>paradeiros <\/em>s\u00e3o perseguidos nessa m\u00faltipla narrativa. O resultado s\u00e3o tr\u00eas narrativas convulsas e misturadas \u00e0 impress\u00e3o de que o <em>paradeiro <\/em>que se busca se atrela menos \u00e0 geografia e mais ao desejo humano. O ensinamento do jovem Pedro, em uma de suas \u00faltimas cartas, indica um outro <em>paradeiro <\/em>poss\u00edvel \u2013 para esses personagens e para aqueles que chegam ao final do romance.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BUENO, Lu\u00eds (2019). Todo lugar \u00e9 lugar de se morrer. [Entrevista concedida a] Jo\u00e3o Lucas Dusi. <em>Jornal Rascunho<\/em>, Curitiba. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/rascunho.com.br\/entrevista\/todo-lugar-e-lugar-de-se-morrer\/\">https:\/\/rascunho.com.br\/entrevista\/todo-lugar-e-lugar-de-se-morrer\/<\/a>. Acesso em: 12 out. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BUENO, Lu\u00eds (2018). <em>Paradeiro<\/em>: o primeiro romance de Lu\u00eds Bueno. [Entrevista concedida a] Renata de Albuquerque. Ateli\u00ea Editorial (site), Cotia. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/atelie.com.br\/paradeiro-o-primeiro-romance-de-luis-bueno\/\">https:\/\/atelie.com.br\/paradeiro-o-primeiro-romance-de-luis-bueno\/<\/a>. Acesso em: 8 out. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BUENO, Lu\u00eds (2003). Os tr\u00eas tempos do romance de 30. <em>Teresa<\/em>, S\u00e3o Paulo, v. 3, p. 254-283, 2003. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/core.ac.uk\/download\/pdf\/268362448.pdf\">https:\/\/core.ac.uk\/download\/pdf\/268362448.pdf<\/a>. Acesso em: 9 out. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RIBEIRO, Laura Maria de Abreu Daniel (1989). <em>Revista Acad\u00eamica (1933-1940) e a Arte Moderna Brasileira nas d\u00e9cadas de 1930-1940<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Hist\u00f3ria Social) \u2013 Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4683.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4683\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Atelie-Editorial-2018.webp\" data-caption-title=\"At\u00ealie Editorial, 2018\" data-attachment-id=\"4684\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"At\u00ealie Editorial, 2018\" width=\"250\" height=\"376\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/03\/Atelie-Editorial-2018\/500767143.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22376%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20376%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">At\u00ealie Editorial, 2018<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BUENO, Lu\u00eds. 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