{"id":4663,"date":"2025-04-01T10:55:51","date_gmt":"2025-04-01T13:55:51","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4663"},"modified":"2025-11-12T18:02:30","modified_gmt":"2025-11-12T21:02:30","slug":"mar-paraguayo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4663","title":{"rendered":"Mar paraguayo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">BUENO, Wilson. <em>Mar paraguayo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Iluminuras, 1992.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Maria Eduarda Miranda Paniago<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o:<\/em> <em>Esp\u00edrito Objeto<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicado em 1992, <em>Mar paraguayo <\/em>\u00e9 um romance curto de Wilson Bueno (Jaguapit\u00e3, PR, 1949 \u2013 Curitiba, PR, 2010) que explora identidades e discursos h\u00edbridos, desafiando classifica\u00e7\u00f5es r\u00edgidas. Dividida em tr\u00eas cap\u00edtulos, a trama \u00e9 narrada pela autointitulada \u201cmarafona de Guaratuba\u201d, uma mulher cuja hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 contada em detalhes precisos, mas se revela ao passo em que ela apresenta um pouco de sua vida no balne\u00e1rio de Guaratuba, situado na regi\u00e3o litor\u00e2nea do estado do Paran\u00e1. \u00c9 esse o cen\u00e1rio principal da obra, cidadezinha onde vive com \u201c<em>el viejo<\/em>\u201d, um homem com quem compartilha uma rela\u00e7\u00e3o de anos \u2013 turbulenta e cheia de ressentimentos \u2013 e que, como ela relata, acaba de morrer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tempo em que se passa a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 especificado, mas algumas passagens permitem inferir que se trata possivelmente das d\u00e9cadas de 1970 ou 1980 \u2013 como sugerem as refer\u00eancias \u00e0s telenovelas estreladas por S\u00f4nia Braga, que a protagonista afirma adorar assistir. Mais do que no enredo, a originalidade do livro est\u00e1 no emprego de um discurso pluril\u00edngue: misturando portugu\u00eas, espanhol e guarani, a linguagem empregada reflete o universo latino-americano em que se inserem muitas das narrativas de Bueno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mote da narrativa parece ser a morte do velho, que se mostra uma esp\u00e9cie de defesa pessoal por parte da narradora: \u201c<em>yo no mat\u00ea a el viejo<\/em>\u201d. Revela\u00e7\u00e3o que surge j\u00e1 no primeiro cap\u00edtulo, a afirma\u00e7\u00e3o se repetir\u00e1 insistentemente ao longo das p\u00e1ginas, gerando d\u00favidas sobre sua veracidade. Apesar da centralidade desse fato, o destaque da hist\u00f3ria fica por conta das longas reflex\u00f5es tecidas pela protagonista. Seu discurso \u00e9 de um lirismo comovido e gira em torno de temas obscuros, como o inferno e o sofrimento humano. Em seu fluxo de consci\u00eancia, a l\u00edngua gagueja e d\u00e1 voltas, refletindo um tempo espiralado em que as mesmas cenas aparecem como miragens sobrepostas: \u201c<em>el viejo<\/em>\u201d morto no sof\u00e1, \u201c<em>el ni\u00f1o<\/em>\u201d que ela observa pela janela com imenso desejo, os habitantes med\u00edocres que se deslocam pela cidade pacata esbanjando suas peles queimadas de sol. Juntos, comp\u00f5em um retrato sufocante da crueldade desmedida do cotidiano convivendo com a visceralidade do desejo, que parece definir o que a protagonista entende por vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vida, no romance, mostra-se como uma cont\u00ednua imin\u00eancia da morte: \u00e9 como se tudo compelisse a ela, ao mesmo tempo que chegar ao destino fatal fosse imposs\u00edvel. A morte \u00e9 um processo ininterrupto, a exemplo do que sucede com a personagem do velho, que parece nunca terminar de morrer. Nesse <em>continuum<\/em>, o leitor \u00e9 conduzido por uma perspectiva em que a viol\u00eancia e o sofrimento s\u00e3o de tal forma inescap\u00e1veis, que se tornam at\u00e9 mesmo definidores da felicidade, do amor e do desejo, uma vez que est\u00e3o neles entranhados, como evidenciam muitas das met\u00e1foras presentes nos mon\u00f3logos da narradora: \u201c<em>mi felicidade es un cristal ante el sol, advinadora esfera cargada por el futuro como una bomba que se va a explodir en los ur\u00e2nios del dia<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O t\u00edtulo da obra traz em si a dimens\u00e3o da fantasia que faz parte da narrativa, provocando um estranhamento imediato, visto que a na\u00e7\u00e3o paraguaia n\u00e3o possui uma sa\u00edda para o mar. Essa escolha nominal n\u00e3o remete a um cen\u00e1rio ut\u00f3pico de fraternidade entre os povos sul-americanos, mas parece convidar a um outro ponto de vista no qual, dissolvendo-se as fronteiras, as \u00e1guas circulam e unem o que as linhas fict\u00edcias dos mapas e conven\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas como \u201cnacionalidade\u201d insistem em separar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse mar on\u00edrico \u2013 muito mais simb\u00f3lico que real, sentido e contado repetidamente pela narradora como \u201c<em>paraipi\u00e9t\u00e9<\/em>\u201d(abismo do mar) \u2013, o autor integra a experi\u00eancia brasileira \u00e0 de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, relembrando uma heran\u00e7a latina comum frequentemente esquecida ou escamoteada no Brasil. Esse apagamento diz respeito sobretudo \u00e0 ancestralidade ind\u00edgena, que \u00e9 parte essencial da hist\u00f3ria da protagonista. Distanciando-se do imagin\u00e1rio do sul brasileiro que mais se encontra nos holofotes \u2013 sobretudo o que centraliza as heran\u00e7as alem\u00e3 e italiana na sua constitui\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria \u2013 as palavras da marafona rasgam ainda mais fundo o corte aberto latino-americano que constitui a hist\u00f3ria dessas na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, \u00e9 no plano do discurso que essa dissolu\u00e7\u00e3o de fronteiras se mostra de modo mais expl\u00edcito e criativo: o caracter\u00edstico portunhol presente nas obras de Bueno, que convive com o guarani, n\u00e3o resulta propriamente em um novo idioma, mas, sim, como explica a narradora logo de in\u00edcio, na \u201cvertigem da linguagem\u201d. \u201c<em>Deja-me que exista<\/em>\u201d, pede ela nessa esp\u00e9cie de advert\u00eancia aos leitores, deixando ver uma \u00e9tica libert\u00e1ria que far\u00e1 parte de seu discurso inflamado, pouco afeito a regras gramaticais ou a classifica\u00e7\u00f5es normativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme explicou o autor em entrevista \u00e0 revista <em>Germina<\/em> (Bueno, 2009), sua escrita \u00e9 marcada pela busca da err\u00e2ncia da l\u00edngua, elemento que, em <em>Mar paraguayo<\/em>, tamb\u00e9m se reflete na constru\u00e7\u00e3o da protagonista. Sua hist\u00f3ria vai sendo exposta em fragmentos ao longo das p\u00e1ginas. Coletando seus rastros, comp\u00f5e-se a imagem de uma mulher de perten\u00e7as m\u00faltiplas: provavelmente nascida no Paraguai, de origem guarani \u2013 sendo esse seu idioma nativo \u2013, migrante no Brasil e de antepassados argentinos. Em seu corpo lascivo e insubmisso, em seu comportamento transgressor e irreverente, e em sua l\u00edngua inclassific\u00e1vel, ela encarna a posi\u00e7\u00e3o de um corpo fora do lugar: vagabundo e errante nos v\u00e1rios sentidos dos termos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu desajuste \u00e9 tamb\u00e9m multifacetado: n\u00e3o diz respeito somente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher que desafia os ideais de g\u00eanero no sistema patriarcal, nem \u00e0 de estrangeira, mas remete, sobretudo, a uma exist\u00eancia que rompe com a l\u00f3gica tradicional de pertencimento. A evoca\u00e7\u00e3o de mitos e refer\u00eancias culturais guaranis ressalta uma perspectiva diante do mundo que desrespeita a l\u00f3gica ocidental e crist\u00e3, ao mesmo tempo que convive com seus elementos formadores. As contradi\u00e7\u00f5es das identidades dos povos colonizados est\u00e3o todas presentes nessa obra, descrita por N\u00e9stor Perlongher (1992) como uma verdadeira \u201csopa paraguaya\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, a personagem da marafona apresenta tamb\u00e9m ambiguidades que deixam d\u00favidas se foram intencionalmente formuladas para compor sua complexidade subjetiva ou se, na verdade, revelam uma ruptura com a imagem transgressora que, \u00e0 primeira vista, parece defini-la. O esfor\u00e7o da protagonista para se distinguir das outras mulheres da sociedade \u00e9 evidente em diversas passagens, ao mesmo tempo que muitos componentes e s\u00edmbolos frequentemente associados \u00e0 representa\u00e7\u00e3o feminina \u2013 como a atitude passiva e sempre na posi\u00e7\u00e3o da espera \u2013 s\u00e3o tamb\u00e9m incorporados em sua caracteriza\u00e7\u00e3o. Exemplo disso s\u00e3o as cenas em que, diante da janela de sua casa, ela observa o mundo l\u00e1 fora \u2013 o \u201cni\u00f1o\u201d, os banhistas que passam, a cidade \u2013, evidenciando um lugar-comum na representa\u00e7\u00e3o da mulher d\u00f3cil e do lar muito mais ligada \u00e0 observa\u00e7\u00e3o, mais inerte do que em movimento. Tal figura\u00e7\u00e3o se distancia bastante da face subversiva da marafona, mulher que faz do sexo n\u00e3o apenas seu meio de sustento, mas uma verdadeira fonte de vida e experimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse desajuste pode ser tanto um elemento constitutivo da complexidade dessa personagem multifacetada quanto uma tentativa mal sucedida de explorar muitas dimens\u00f5es do que se entende tradicionalmente como o \u201cuniverso feminino\u201d, oscilando entre o sagrado e o profano. Distante do realismo engajado e da prosa urbana que caracterizaram parte da literatura brasileira dos anos 1990, Bueno aposta numa narrativa on\u00edrica e em um retrato brasileiro longe dos grandes centros, de onde emergem, ainda assim, diferentes quest\u00f5es hist\u00f3ricas e culturais de vital relev\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A grande contribui\u00e7\u00e3o do romance est\u00e1, desse modo, na originalidade da linguagem e nas reflex\u00f5es provocativas da intrigante figura da marafona. Por meio delas, o livro desorganiza as fronteiras consolidadas que separam as hist\u00f3rias de diferentes pa\u00edses sul-americanos, destacando o sofrimento e a viol\u00eancia que as funda e une. Representa, ainda, um questionamento mais radical sobre pertencimento e identidades que n\u00e3o se encaixam nos r\u00f3tulos tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BUENO, Wilson (2009). Wilson Bueno, o poeta de Curitiba: um pequeno retrato em forma de entrevista do cantor das tardes melanc\u00f3licas da floresta. [Entrevista concedida a] Antonio Rodrigues Belon. <em>Germina<\/em>, S\u00e3o Paulo. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.germinaliteratura.com.br\/2009\/pcruzadas_wilsonbueno_out2009.htm\">https:\/\/www.germinaliteratura.com.br\/2009\/pcruzadas_wilsonbueno_out2009.htm<\/a>. Acesso em: 7 out. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FLORENTINO, N\u00e1dia Nelziza Lovera de (2011). <em>A vertigem da linguagem em <\/em>Mar paraguayo<em>, de Wilson Bueno<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras) \u2013 Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Tr\u00eas Lagoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PELLANDA, Luis Henrique. <em>Mar paraguayo<\/em>, de Wilson Bueno: um Paran\u00e1 dissoluto e universal. <em>Pernambuco Revista de Literatura, do Livro e da Leitura<\/em>, Recife. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.suplementopernambuco.com.br\/acervo\/resenhas\/3048-mar-paraguayo-,-de-wilson-bueno-um-paran%C3%A1-dissoluto-e-universal.html\">http:\/\/www.suplementopernambuco.com.br\/acervo\/resenhas\/3048-mar-paraguayo-,-de-wilson-bueno-um-paran%C3%A1-dissoluto-e-universal.html<\/a>. Acesso em: 7 out. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PERLONGHER, N\u00e9stor (1992). Sopa paraguaia. <em>In<\/em>: BUENO, Wilson. <em>Mar paraguayo<\/em>. Curitiba: Secretaria de Estado da Cultura do Paran\u00e1. p. 7-11.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TISCOSKI, Luciana (2023). Teia de l\u00ednguas e epifanias. <em>Rascunho<\/em>: o jornal de literatura do Brasil, Florian\u00f3polis, n. 282. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/rascunho.com.br\/ensaios-e-resenhas\/teia-de-linguas-e-epifanias\">https:\/\/rascunho.com.br\/ensaios-e-resenhas\/teia-de-linguas-e-epifanias<\/a>. Acesso em: 13 out. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4666.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4666\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Iluminuras-1992.webp\" data-caption-title=\"Iluminuras, 1992\" data-attachment-id=\"4667\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Iluminuras, 1992\" width=\"250\" height=\"478.72340425532\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Iluminuras-1992.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22478.72340425532%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20478.72340425532%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Iluminuras, 1992<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Iluminuras-2022.webp\" data-caption-title=\"Iluminuras, 2022\" data-attachment-id=\"4668\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Iluminuras, 2022\" width=\"250\" height=\"380\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/03\/Iluminuras-2022\/134833945.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22380%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20380%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Iluminuras, 2022<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BUENO, Wilson. 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