{"id":4279,"date":"2025-03-18T15:55:53","date_gmt":"2025-03-18T18:55:53","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4279"},"modified":"2025-11-12T18:02:44","modified_gmt":"2025-11-12T21:02:44","slug":"vista-chinesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4279","title":{"rendered":"Vista chinesa"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">LEVY, Tatiana Salem. <em>Vista chinesa<\/em>. Rio de Janeiro: Todavia, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Eur\u00eddice Figueiredo<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o:<\/em> <em>Manuela Dib<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tatiana Salem Levy (Lisboa, Portugal, 1979) publicou o romance <em>Vista chinesa<\/em> em 2021. A autora estreou em 2007 com o romance <em>A chave de casa<\/em>, que ganhou o Pr\u00eamio S\u00e3o Paulo de Literatura na categoria de autor estreante. Publicou em seguida <em>Dois rios<\/em> (2011), <em>Para\u00edso<\/em> (2014) e <em>Melhor n\u00e3o contar<\/em> (2024), al\u00e9m de contos e obras destinadas ao p\u00fablico infantil. Tanto <em>A chave de casa <\/em>quanto <em>Melhor n\u00e3o contar<\/em> tem elementos autobiogr\u00e1ficos bastante expl\u00edcitos: no primeiro a autora trata de seu nascimento em Lisboa, onde os pais estavam exilados por causa da ditadura, da emigra\u00e7\u00e3o do av\u00f4, judeu turco, para o Brasil; no \u00faltimo, aborda o abuso sexual que sofreu de seu padrasto. Em ambos os romances a presen\u00e7a da m\u00e3e \u00e9 muito forte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas obras liter\u00e1rias de escritoras brasileiras contempor\u00e2neas tratam do estupro pelo vi\u00e9s ficcional, o que demonstra a necessidade de romper a barreira do silenciamento em rela\u00e7\u00e3o a esse crime cometido contra as mulheres. O ineditismo do romance <em>Vista chinesa <\/em>reside no fato de ter sido baseado em fatos reais, revelado numa nota da autora no final do volume, na qual conta a genealogia do livro: em 2014, uma amiga foi estuprada nas proximidades da Vista Chinesa, no Rio de Janeiro; em 2018, ao se descobrir gr\u00e1vida de uma menina, Tatiana Salem Levy decidiu retomar algumas notas feitas desde ent\u00e3o e prosseguir a escrita, pensando que as meninas t\u00eam de saber. Nessa nota, a amiga assume publicamente seu nome, Joana Jabace, com a frase: \u201c<em>N\u00e3o tenho vergonha do que aconteceu. Eu quero que voc\u00ea escreva que isso aconteceu de verdade \u2013 e que aconteceu comigo, Joana Jabace<\/em>\u201d (em it\u00e1licos no original).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa entrevista ao jornal <em>O Globo <\/em>(19\/02\/2021), Tatiana Salem Levy declara que, aos dezoito anos, sua m\u00e3e lhe contou que havia sido estuprada durante um assalto nos anos 1980. Tatiana se pergunta, tanto no romance quanto refletindo sobre sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, at\u00e9 que ponto os filhos percebem, intuitivamente, os sofrimentos dos traumas sofridos pelos pais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muitos estudos sobre trauma e como ele, ao se tornar segredo de fam\u00edlia, que n\u00e3o pode ser transmitido, dificulta qualquer rela\u00e7\u00e3o familiar. Serge Tisseron afirma que o segredo deixa de ser normal para se tornar patol\u00f3gico quando a pessoa se torna prisioneira dele, atravessada pela melancolia e pela frustra\u00e7\u00e3o, uma vez que, como observa Freud, a melancolia \u201cse caracteriza por um des\u00e2nimo doloroso, uma suspens\u00e3o do interesse pelo mundo externo, perda da capacidade de amar, inibi\u00e7\u00e3o de toda atividade e um rebaixamento do sentimento de autoestima\u201d. Como acentua Tisseron, o segredo como organiza\u00e7\u00e3o mental faz com que a personalidade de seu detentor seja cortada ao meio; essa clivagem repercute na vida dos que est\u00e3o \u00e0 sua volta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para elaborar o trauma \u00e9 preciso passar pela verbaliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 por isso que a psicanalista da protagonista lhe recomenda que fale; contar para algu\u00e9m de fora \u00e9 que \u201cinstitui o campo simb\u00f3lico a partir do qual a narrativa pode se abrir para novas significa\u00e7\u00f5es, rompendo o aprisionamento repetitivo da cena traum\u00e1tica\u201d. Para a psicanalista Maria Rita Kehl, trabalhar a mem\u00f3ria \u00e9 transformar seus res\u00edduos a fim de que eles possam ser incorporados \u00e0 vida presente sem precisar ser recalcados. \u201c\u00c9 o trabalho da mem\u00f3ria que permite o verdadeiro esquecimento, o desligamento das cargas libidinais fixadas \u00e0s representa\u00e7\u00f5es da cena traum\u00e1tica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso romper a barreira do silenciamento em rela\u00e7\u00e3o ao estupro. Existe um \u201csil\u00eancio cruzado\u201d, nas palavras de Virginie Despentes: os homens n\u00e3o tratam do assunto e as mulheres n\u00e3o ousam contar, denunciar, escrever sobre isso. \u201c\u00c9 assombroso que n\u00f3s mulheres n\u00e3o digamos nada \u00e0s meninas, que n\u00e3o exista nenhuma transmiss\u00e3o de saber, de conselhos de sobreviv\u00eancia, de conselhos pr\u00e1ticos simples. Nada\u201d. Ao romper o tabu, a autora mostra que \u00e9 poss\u00edvel sobreviver, que \u00e9 preciso falar para se abrir para a rela\u00e7\u00e3o com os outros porque enquanto a pessoa traumatizada fica autocentrada e silenciada, ela n\u00e3o consegue superar o sofrimento que se repete <em>ad infinitum<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00e3e de Tatiana Levy, Helena Salem, ao revelar o segredo do estupro \u00e0 filha, tira-o do lugar do horror total porque explicita para a adolescente o gesto de supera\u00e7\u00e3o, a ponto de conseguir verbalizar o acontecimento do passado. Ao tornar p\u00fablico aquilo que pertencia \u00e0 esfera do privado, a autora se pergunta at\u00e9 que ponto tinha esse direito. Sua resposta \u00e9 que ela se coloca como herdeira da m\u00e3e e, nesse sentido, deve transmitir essa heran\u00e7a, inclusive para seus filhos. Se em seu primeiro romance a personagem-narradora recebia uma heran\u00e7a, que era dif\u00edcil de carregar, neste livro ela se torna m\u00e3e e transmissora de uma heran\u00e7a, o que assinala que essa \u00e9 uma quest\u00e3o central em sua obra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tatiana Levy adota a primeira pessoa, fala pela amiga, fundindo-se com ela; a narrativa toma a forma de uma carta escrita por J\u00falia, a protagonista-narradora, aos seus dois filhos, Antonia e Martim. Por outro lado, o romance \u00e9 dedicado aos dois filhos da autora, Vicente e Esther, o que causa, at\u00e9 certo tempo, uma confus\u00e3o entre as duas mulheres. A escrita de cartas \u00e9 tematizada em <em>A chave de casa<\/em> como meio facilitador de se comunicar com a m\u00e3e quando a narradora sentia dificuldade de contar-lhe o segredo que lhe oprimia o peito: \u201cSinto o segredo me corroendo, me mutilando lentamente. \u00c9 um segredo terr\u00edvel, monstruoso, n\u00e3o tem um resqu\u00edcio sequer de coisa bonita\u201d. No entanto, n\u00e3o entrega a carta \u00e0 m\u00e3e, enterra-a na floresta, enterra o segredo, o que \u00e9 um procedimento semelhante ao que a personagem-narradora faz em <em>Vista chinesa<\/em> enterrando o colar que havia sido arrancado pelo estuprador. Hoje presumimos que esse segredo que ela nunca ousou contar \u00e0 m\u00e3e era o abuso sexual do padrasto, que a m\u00e3e amava tanto, e que \u00e9 tematizado em <em>Melhor n\u00e3o contar<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os detalhes da viol\u00eancia sexual est\u00e3o narrados, sem falsos pudores. O acerto na constru\u00e7\u00e3o da intriga reside, talvez, na decis\u00e3o de n\u00e3o contar o estupro de uma s\u00f3 vez, de maneira imediata e compacta; o acontecimento vem aos poucos, do mesmo modo como funciona a mem\u00f3ria, um novo detalhe surge, um sentimento de raiva, opress\u00e3o ou de medo. O romance \u00e9 ousado na linguagem, usando todas as palavras necess\u00e1rias para nomear os \u00f3rg\u00e3os genitais e descrever o ato sexual. Al\u00e9m da arma, da viol\u00eancia f\u00edsica e sexual, destacam-se as sensa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e emocionais: cheiro, repugn\u00e2ncia, medo, nojo. A v\u00edtima dominada tem de obedecer aos comandos do homem para fazer e falar o que ele deseja. O detalhe que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que ele usava luvas a fim de n\u00e3o deixar suas digitais no corpo e na roupa da v\u00edtima, apontando para a premedita\u00e7\u00e3o e o cuidado na prepara\u00e7\u00e3o do ataque.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que leva um homem a agredir uma mulher com socos e tapas, estupr\u00e1-la com uma arma na m\u00e3o? Que prazer \u00e9 este, prazer de fazer o mal, prazer do ressentido que se vinga sobre a mulher desconhecida que passa por acaso no lugar onde ele j\u00e1 se amoitou para dar o bote, como uma serpente. De onde vem esse \u00f3dio contra as mulheres? O ressentido considera que lhe devem algo, que ele \u00e9 v\u00edtima da sociedade. Em dois momentos a narradora de <em>Vista chinesa<\/em> se refere \u00e0 psique do estuprador: \u201cLembro de ter pensado, em que momento ele come\u00e7ou a ter tes\u00e3o? Mas ele tem tes\u00e3o em qu\u00ea, exatamente? Em me ver perdida, com medo, nauseada, ansiosa? [&#8230;] Estava paralisada. Aquele homem sem cal\u00e7a na minha frente, o pau duro, era incompreens\u00edvel e assustador demais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A misoginia est\u00e1 bastante incrustada na nossa sociedade patriarcal, h\u00e1 inclusive grupos e associa\u00e7\u00f5es antifeministas como o <em>Men Going Their Own Way<\/em> (MGTOW) e os <em>Involuntary Celibates<\/em> (INCELS), cuja vis\u00e3o distorcida se exprime na ideia do \u201cprivil\u00e9gio feminino\u201d quando todos sabemos que s\u00e3o os homens que t\u00eam privil\u00e9gios. A masculinidade t\u00f3xica que se forma por disfun\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios tipos se alimenta tamb\u00e9m da pornografia violenta em que as mulheres s\u00e3o torturadas, humilhadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pot\u00eancia do romance reside no ritmo encantat\u00f3rio da linguagem vertiginosa, \u00e0s vezes sem pontua\u00e7\u00e3o, numa sofreguid\u00e3o para esgotar todos os detalhes do evento traum\u00e1tico: apesar de desejar o esquecimento, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, nada foi esquecido, a cena do estupro volta com novos detalhes, como o ritornelo de uma m\u00fasica: \u201cMas h\u00e1 coisas que, mesmo depois de terem acontecido, continuam acontecendo. Elas n\u00e3o te deixam esquecer porque se repetem todos os dias\u201d. A escrita da carta-testemunho-testamento se d\u00e1 cinco anos depois do acontecido, e a procura pela palavra certa a faz repetir seis vezes numa mesma frase a palavra estuprada, chegando a escandi-la: es-tu-pra-da. Essa reitera\u00e7\u00e3o vem preencher uma quase aus\u00eancia do seu uso na literatura; ainda que haja estupro, poucas vezes se emprega a palavra exata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viagem ao M\u00e9xico durante a qual a personagem toma peiote \u00e9 parte do processo de supera\u00e7\u00e3o do trauma: \u201cMastigar o peiote \u00e9 uma maneira de mergulhar numa realidade t\u00e3o desconhecida quanto \u00edntima, uma viagem por dentro de cada um de n\u00f3s\u201d. Depois de muitos del\u00edrios, depois de enterrar o colar da av\u00f3, que havia sido arrancado do pesco\u00e7o dela e encontrado, posteriormente, pela pol\u00edcia, depois de todo o ritual do peiote que a ajuda a fazer o luto, a personagem est\u00e1 preparada para engravidar e ter seus filhos g\u00eameos. Escrever a carta e narrar a hist\u00f3ria do trauma tamb\u00e9m faz parte dessa tentativa de elaborar o luto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Vista chinesa<\/em> termina com uma chuva torrencial que provoca o deslizamento de terra na Floresta da Tijuca, arrastando o suti\u00e3, o celular, o fio de cabelo que nunca foram achados, levando embora aquele peda\u00e7o de terra que assistiu ao crime. Se uma mulher foi profanada, essa profana\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m a da Floresta da Tijuca e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, da Terra, que sofre tantos ataques dos homens. E o romance fecha com uma frase enigm\u00e1tica: \u201ce digo a mim mesma que a salva\u00e7\u00e3o vir\u00e1 da terra ou n\u00e3o vir\u00e1, a floresta invadindo e devorando a cidade, a mata comendo o asfalto, a salva\u00e7\u00e3o para o Rio \u00e9, sempre foi, sempre ser\u00e1, a sua pr\u00f3pria morte\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ARANTES, Ta\u00eds Tura\u00e7a; SANTOS, Victoria Azevedo Lima dos (2021). Abordagens psicol\u00f3gicas no romance <em>Vista chinesa<\/em> de Tatiana Salem Levy: um olhar sobre o trauma do estupro. <em>Revista Athena<\/em>, C\u00e1ceres (MT), v. 21, n. 2, p. 81-93.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DALTE, Pedro (2023). A mem\u00f3ria como lugar da dor em <em>Vista chinesa<\/em> de Tatiana Salem Levy e n\u2019o <em>Plantador de ab\u00f3boras<\/em> de Lu\u00eds Cardoso. <em>Rascunhos culturais<\/em>, 14 (27). Coxim (MS):UFMS, p. 117-134. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.ufms.br\/index.php\/rascunhosculturais\/article\/view\/18342\">https:\/\/periodicos.ufms.br\/index.php\/rascunhosculturais\/article\/view\/18342<\/a>. Acesso em 16 set. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FIGUEIREDO, Eur\u00eddice (2022). Escrever contra o silenciamento do estupro: <em>Vista chinesa<\/em> de Tatiana Salem Levy. In: <em>A nebulosa do (auto)biogr\u00e1fico<\/em>: vidas vividas, vidas escritas. Porto Alegre: Zouk.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SCHMAEDEL, Michaela Von (2021). Imaginar, apesar de tudo. <em>Elle View<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/elle.com.br\/cultura\/tatiana-salem-levy-vista-chinesa?srsltid=AfmBOorv788dQyX7h5dLRaKJMUVWiLpjIKsy4g67oHb6jqp4y5ZpVGVZ\">https:\/\/elle.com.br\/cultura\/tatiana-salem-levy-vista-chinesa?srsltid=AfmBOorv788dQyX7h5dLRaKJMUVWiLpjIKsy4g67oHb6jqp4y5ZpVGVZ<\/a>. Acesso em: 16 set. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Sandro Adriano da (2022). Literatura e viol\u00eancia: entrevista com Tatiana Salem Levy. Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Lusitanistas. <em>Revista Veredas<\/em>, n. 37, p. 148\u2013155.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4282.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4282\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" 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Vista chinesa. Rio de Janeiro: Todavia, 2021. Eur\u00eddice FigueiredoIlustra\u00e7\u00e3o: Manuela Dib Tatiana Salem Levy (Lisboa, Portugal, 1979) publicou o romance Vista chinesa em 2021. A autora estreou em 2007 com o romance A chave de casa, que ganhou o Pr\u00eamio S\u00e3o Paulo de Literatura na categoria de autor estreante. 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