{"id":4274,"date":"2025-03-18T16:31:35","date_gmt":"2025-03-18T19:31:35","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4274"},"modified":"2025-11-12T18:02:44","modified_gmt":"2025-11-12T21:02:44","slug":"vida-ao-vivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4274","title":{"rendered":"Vida ao vivo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">ANGELO, Ivan. <em>Vida ao vivo. <\/em>S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Carlos Wender Sousa Silva<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o:<\/em> <em>Th\u00e9o Cris\u00f3stomo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ivan Angelo (Barbacena, MG, 1936) \u00e9 escritor e jornalista aposentado. Ganhou duas vezes o Pr\u00eamio Jabuti, pelo romance <em>A festa<\/em> (1976) e pela novela <em>Amor?<\/em> (1995). Publicou tamb\u00e9m os livros de contos <em>A casa de vidro<\/em> (1979) e <em>A face horr\u00edvel<\/em> (1986), al\u00e9m do romance <em>Pode me beijar se quiser<\/em> (1997). A experi\u00eancia jornal\u00edstica do autor tem influ\u00eancia no seu processo de escrita liter\u00e1ria, embora ele j\u00e1 tenha afirmado n\u00e3o ver maiores qualidades ou profundidade no texto jornal\u00edstico. Em <em>Vida ao vivo<\/em> (2023), Ivan Angelo constr\u00f3i uma narrativa que tem, em alguma medida, a objetividade e a clareza do texto jornal\u00edstico. A prosa, de estilo direto e marcada pela descri\u00e7\u00e3o detalhada do protagonista e do cen\u00e1rio, assume um tom factual ao abordar eventos sociais, hist\u00f3ricos, pol\u00edticos, quest\u00f5es familiares e subjetivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance est\u00e1 dividido em 35 cap\u00edtulos que se alternam entre a confiss\u00e3o do protagonista \u2014 mon\u00f3logo de Fernando Bandeira de Mello Aranha, propriet\u00e1rio de uma emissora de TV \u2014 e a rea\u00e7\u00e3o dos espectadores \u2014 repercuss\u00e3o ao programa feito pelo comunicador e dono da Rede Nacional de Televis\u00e3o (RNT). Os cap\u00edtulos alternam entre os relatos autobiogr\u00e1ficos de Mello Aranha, em TV aberta, e as repercuss\u00f5es do p\u00fablico, da imprensa e das pessoas envolvidas ou citadas pelo magnata no dia seguinte ao programa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mon\u00f3logo do apresentador \u00e9 interrompido, em alguns momentos, por um narrador de terceira pessoa que descreve o protagonista, sua vestimenta, sua respira\u00e7\u00e3o dif\u00edcil \u2014 marcada por morbidades advindas da Covid-19 \u2014, o corte da c\u00e2mera no est\u00fadio montado na pr\u00f3pria casa e objetos como a fotografia de uma mo\u00e7a mostrada reiteradamente. Esse narrador secund\u00e1rio se pergunta sobre qual seria a exata rea\u00e7\u00e3o ou sentimento do apresentador diante dos fatos apresentados. Mello Aranha havia mandado montar o est\u00fadio de televis\u00e3o em casa quando ainda estava na UTI devido \u00e0 Covid.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mello Aranha, dono de um imp\u00e9rio de jornais, r\u00e1dios e televis\u00f5es por todo o pa\u00eds, interrompe a programa\u00e7\u00e3o de sua emissora \u2014 uma novela no hor\u00e1rio nobre \u2014 para anunciar que gostaria de contar a hist\u00f3ria da fotografia dessa mulher com quem trocou um olhar h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas. Diz que far\u00e1 um exame de consci\u00eancia de sua vida, dirigindo-se aos seus trinta milh\u00f5es de espectadores para contar uma hist\u00f3ria pessoal, mas tamb\u00e9m coletiva. Trata-se de uma esp\u00e9cie de anti-her\u00f3i que, ao longo dos acontecimentos, desperta empatia, rep\u00fadio, confian\u00e7a, d\u00favida, afinidade, perplexidade, revelando n\u00e3o uma falsa dualidade entre bem e mal, mas apontando que a constru\u00e7\u00e3o da identidade humana se d\u00e1 por meio de elementos contradit\u00f3rios, paradoxais, ambivalentes e incoerentes. Esse aspecto \u00e9 anunciado j\u00e1 na ep\u00edgrafe do romance: \u201cSomos o que fomos, acrescentados de culpas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O empres\u00e1rio afirma conhecer seu p\u00fablico, sua rotina, suas vontades. Lembra que todos eles, ao decidir sentar no sof\u00e1 para assistir \u00e0 TV, acabam trabalhando para ele, Mello Aranha. A ascens\u00e3o do seu imp\u00e9rio \u2014 a maior rede de televis\u00e3o do pa\u00eds \u2014 se deve \u00e0s oportunidades durante governos na ditadura militar, na redemocratiza\u00e7\u00e3o e na aproxima\u00e7\u00e3o com o agroneg\u00f3cio. Ao vivo, ele demonstra uma sa\u00fade visivelmente debilitada e diz que s\u00e3o sequelas da Covid-19, v\u00edrus que contraiu porque supostamente algu\u00e9m lhe contaminou intencionalmente. Faz insinua\u00e7\u00f5es e reclama ser v\u00edtima de uma conspira\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s interromper a programa\u00e7\u00e3o normal, ele passa a contar nas noites seguintes, \u00e0s 21h, o seu dia a dia, sua hist\u00f3ria familiar, os dezoito anos que permaneceu sem sair de seu apartamento, o caso com a amante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os mon\u00f3logos do protagonista s\u00e3o alternados com as rea\u00e7\u00f5es do p\u00fablico e pessoas envolvidas nos desdobramentos do programa: mensagens da m\u00eddia, recortes de jornal, telespectadores reagindo, autoridades pol\u00edticas tentando contato, patrocinadores cobrando ou propondo a divulga\u00e7\u00e3o de marcas, a suposta mo\u00e7a da fotografia que se identifica. O empres\u00e1rio monta um <em>call center<\/em> para receber pistas e sugest\u00f5es da mo\u00e7a procurada. Tudo isso instiga o protagonista a voltar ao ar nos dias seguintes. Do outro lado da tela, os telespectadores e as pessoas citadas no programa reagem \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es do empres\u00e1rio. Pedem o retorno da novela, denunciam que ele se beneficiou do regime militar, que omite em sua apresenta\u00e7\u00e3o os anos de tortura, resist\u00eancia armada, censura, persegui\u00e7\u00e3o etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jornalistas afirmam que a imprensa resistiu \u00e0 censura, com partes do jornal em branco, trechos de <em>Os Lus\u00edadas<\/em> ou receitas, menos os meios de comunica\u00e7\u00e3o de Aranha Mello, lenientes com o governo ditatorial e satisfeitos com as publicidades pagas. O protagonista, em resposta, defende-se dizendo que apenas cumpria a lei. Outros telespectadores o acusam de blasf\u00eamia, em raz\u00e3o de suas coloca\u00e7\u00f5es sobre o cristianismo e a origem do ser humano. Ele \u00e9 criticado por passar uma imagem de progressista, mas manter uma linha editorial pr\u00f3xima da direita ideol\u00f3gica e do neofascismo. Ele rebate dizendo que uma coisa s\u00e3o os neg\u00f3cios \u2014 com seus compromissos \u2014 e outra coisa \u00e9 ele no programa <em>Vida ao Vivo<\/em>. Ele \u00e9 acusado de financiar a minera\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia e em terras ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O protagonista, por sua vez, estimulado pelas rea\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, reclama das figuras que, ao longo da hist\u00f3ria, afirmam andar com Deus: \u201ca hist\u00f3ria da humanidade me diz que andam com ele muito m\u00e1s companhias, inquisidores, torquemadas, cruzados degoladores de sarracenos, queimadores de bruxas, exterminadores de \u00edndios, falangistas, fan\u00e1ticos, supremacistas brancos linchadores, genocidas\u201d. Ele aborda o impacto da televis\u00e3o na d\u00e9cada de 1970 e a moderniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds promovida pelos militares por um lado e a repress\u00e3o por outro. Os anos 1970 promoveram a cultura, as artes, a moda, a liberdade sexual, mas tamb\u00e9m enfrentaram \u201cos ditadores com seus atos, os censores com suas canetas, os torturadores com suas maquinetas&#8230; Podem me chamar de tudo, menos de cego ou inocente\u201d. Aranha Mello n\u00e3o nega seu oportunismo jovem diante desse cen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance adentra hist\u00f3rias mal resolvidas do Brasil, que talvez se pretendam esquecer, para mostrar a incompleta e question\u00e1vel regularidade institucional em que vive o leitor. Ditadura militar, escraviza\u00e7\u00e3o de tr\u00eas s\u00e9culos, viol\u00eancia estrutural, desigualdades, apagamento hist\u00f3rico, garimpos ilegais, genoc\u00eddio e estupro de ind\u00edgenas, fac\u00e7\u00f5es criminosas, corrup\u00e7\u00e3o, desmatamento, fundamentalismo religioso, mil\u00edcias, t\u00edtulo de her\u00f3i atribu\u00eddo a indiv\u00edduos como o coronel Ustra. O pr\u00f3prio Mello Aranha, numa dessas tomadas de consci\u00eancia, lembra que o Brasil \u00e9 marcado por viola\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas de direitos, viol\u00eancia policial, nega\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 moradia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As contradi\u00e7\u00f5es do protagonista v\u00e3o se revelando ao longo da narrativa. Por um lado, a heran\u00e7a de fam\u00edlia question\u00e1vel \u2014 fortuna obscura, afirmam alguns \u2014, acordos e parcerias duvidosas durante o regime militar, casos com amantes, a \u00eanfase no fato de que seu conglomerado de comunica\u00e7\u00f5es \u00e9 um neg\u00f3cio e se vale das oportunidades. Do outro lado, a \u00eanfase no papel da ci\u00eancia, a exig\u00eancia em atender pessoas com m\u00e1scara e vacinadas, a cr\u00edtica ao fundamentalismo religioso e aos terraplanistas. Afirma com tranquilidade que toda fam\u00edlia rica, de fato, sempre teve \u201calgu\u00e9m que passou a m\u00e3o\u201d. Critica o mercado financeiro que, num pa\u00eds desigual como o Brasil, \u00e9 tratado como uma pessoa pelos jornalistas. Se de um lado reconhece que \u00e9 um empres\u00e1rio das comunica\u00e7\u00f5es, que construiu seu imp\u00e9rio, tamb\u00e9m demonstra que a TV trouxe a domestica\u00e7\u00e3o das pessoas, a banaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e o empobrecimento das linguagens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses mon\u00f3logos s\u00e3o marcados por recursos liter\u00e1rios como a ironia, a met\u00e1fora, o pleonasmo, a ant\u00edtese e o eufemismo, cujo objetivo \u00e9 induzir a interpreta\u00e7\u00e3o dos fatos apresentados por ele. \u201cToda narrativa \u00e9 vers\u00e3o\u201d, conclui. S\u00e3o recursos liter\u00e1rios que lhe ajudam a construir sua pr\u00f3pria verdade. Ele tenta criar uma rela\u00e7\u00e3o de lealdade com o telespectador; ao responder \u00e0s rea\u00e7\u00f5es do p\u00fablico \u00e0s suas coloca\u00e7\u00f5es, pergunta-se o quanto do idealista arrogante da juventude e do oportunista do regime militar ainda est\u00e1 nele. \u201cEu sei que voc\u00eas precisam dos vil\u00f5es para se sentirem bons, poder dizer \u2018oh, quanta maldade, eu n\u00e3o seria capaz de fazer uma coisa dessas\u2019\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dom\u00ednio discursivo do protagonista \u00e9 confrontado por sua antagonista, Mara, a mo\u00e7a da fotografia. Mello Aranha, de forma intencional ou n\u00e3o, cria condi\u00e7\u00f5es para que o p\u00fablico se identifique com ele, buscando validar sua vers\u00e3o \u2014 que deixa claro ser apenas uma entre muitas poss\u00edveis. Ao longo do mon\u00f3logo, o texto est\u00e1 repleto de refer\u00eancias liter\u00e1rias e art\u00edsticas: ele evoca um conto de Clarice Lispector e outros textos que exploram o olhar, sugerindo que, daquela fotografia, o \u00fanico detalhe que permaneceu em sua mem\u00f3ria foi o olhar da mulher an\u00f4nima; faz alus\u00e3o aos nomes que Machado de Assis d\u00e1 a seus personagens; reflete sobre o amor a partir da vis\u00e3o de Cam\u00f5es; recorre a trechos b\u00edblicos sobre trai\u00e7\u00e3o e pecado; apresenta formula\u00e7\u00f5es do discurso de Lacan; cita um poema de Brecht sobre tempos sombrios; traz a interpreta\u00e7\u00e3o do riso de Bergson como uma rea\u00e7\u00e3o a uma quebra inesperada de ritmo e se remete aos c\u00edrculos do inferno descritos na <em>Divina Com\u00e9dia<\/em>, de Dante Alighieri. Essas refer\u00eancias oferecem a Mello Aranha uma base argumentativa e a capacidade de responder \u00e0s diversas rea\u00e7\u00f5es do p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mello Aranha, ao expor sua vida \u00edntima numa esp\u00e9cie de confiss\u00e3o e autoan\u00e1lise, formula ideias com honestidade ao falar de sua realidade, dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, do pa\u00eds e da humanidade. Ele, que lia de tudo \u2014 de romance e poesia a pol\u00edtica \u2014, relata que n\u00e3o gostava de escrever, pois lhe \u00e9 mais confort\u00e1vel comunicar-se pela TV, que alcan\u00e7a milh\u00f5es de pessoas num curto espa\u00e7o de tempo. J\u00e1 a leitura&#8230; quantas cidades t\u00eam uma livraria? A televis\u00e3o, ao contr\u00e1rio, d\u00e1 a imagem pronta, sem autonomia ao telespectador. Ivan Angelo consegue colocar esses dois mundos um diante do outro, para provocar o leitor e instigar uma an\u00e1lise de sua pr\u00f3pria compreens\u00e3o da realidade sociopol\u00edtica e hist\u00f3rica brasileira, bem como da forma na qual se articula face a esse cen\u00e1rio a partir de interesses e projetos, muitas vezes, antag\u00f4nicos, contradit\u00f3rios e complexos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">STYCER, Mauricio (2024). A m\u00eddia como ela \u00e9 \u2014 Romance de Ivan Angelo faz um retrato do pa\u00eds que os grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o ajudaram a construir. <em>Quatro cinco um<\/em>, Edi\u00e7\u00e3o #77. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/quatrocincoum.com.br\/resenhas\/literatura\/literatura-brasileira\/a-midia-como-ela-e\/\">https:\/\/quatrocincoum.com.br\/resenhas\/literatura\/literatura-brasileira\/a-midia-como-ela-e\/<\/a>. Acesso em: 07 fev. 2025<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4276.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4276\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Companhia-das-Letras-2023.webp\" data-caption-title=\"Companhia das Letras, 2023\" data-attachment-id=\"4277\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Companhia das Letras, 2023\" width=\"250\" height=\"378\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/03\/Companhia-das-Letras-2023\/1421173432.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22378%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20378%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Companhia das Letras, 2023<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANGELO, Ivan. 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