{"id":4171,"date":"2025-03-26T23:23:56","date_gmt":"2025-03-27T02:23:56","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4171"},"modified":"2025-11-12T18:01:03","modified_gmt":"2025-11-12T21:01:03","slug":"aquele-um","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4171","title":{"rendered":"Aquele um"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">MONTEIRO, Benedicto. <em>Aquele um<\/em>. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1985.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Juliana Florentino Hampel<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o:<\/em> <em>Esp\u00edrito Objeto<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Benedicto Monteiro (Alenquer, PA, 1924 \u2013 Bel\u00e9m, PA, 2008), escritor e advogado de forma\u00e7\u00e3o, estava envolvido com a pol\u00edtica local quando ocorreu o golpe militar no Brasil. Como um pol\u00edtico de esquerda e amigo pessoal de Jo\u00e3o Goulart, foi preso em 1964 e teve seus direitos pol\u00edticos cassados por mais de 10 anos. <em>Aquele um<\/em> (1985) \u00e9 o quarto volume de sua tetralogia amaz\u00f4nica, composta ainda por <em>Verde vagomundo<\/em> (1972), <em>O minossauro<\/em> (1975) e <em>A terceira margem<\/em> (1983).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No posf\u00e1cio de <em>Aquele um<\/em>, Monteiro afirma que seu encarceramento e posterior soltura o levaram a idealizar uma saga da Amaz\u00f4nia na qual pudesse \u201cescrever um romance que, pela pr\u00f3pria linguagem, formasse a personagem e refletisse o contexto da realidade amaz\u00f4nica totalmente isolada do contexto hist\u00f3rico, pol\u00edtico e social do resto da humanidade\u201d. Entretanto, ap\u00f3s cr\u00edticas recebidas no lan\u00e7amento de <em>Verde vagomundo<\/em>, o autor revisou suas abordagens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cr\u00edtico liter\u00e1rio Leo Gilson Ribeiro apontou que o romance \u201cfraquejava nas partes em que tratava da realidade contextual\u201d. Por outro lado, a escritora N\u00e9lida Pi\u00f1on destacou que o livro era \u201cintenso e profundamente original\u201d ao retratar o depoimento de Miguel, revelando a escrita de um \u201cescritor experimentado\u201d, mas que infelizmente n\u00e3o se poderia afirmar o mesmo do restante da narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir dessas observa\u00e7\u00f5es, Monteiro decidiu incorporar, nos demais volumes, o contexto sociopol\u00edtico do Brasil daqueles anos de chumbo. Dessa forma, nasce um conjunto de romances em que se alternam um material lingu\u00edstico vasto composto por detalhadas explica\u00e7\u00f5es da flora e fauna da regi\u00e3o, acrescido de cita\u00e7\u00f5es de fil\u00f3sofos e estudiosos da Amaz\u00f4nia, al\u00e9m de representa\u00e7\u00f5es sobre o linguajar dos paraenses e dos amaz\u00f4nidas, tudo isso em meio \u00e0s den\u00fancias de censura e viol\u00eancia perpetradas contra a cultura local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Miguel dos Santos Prazeres \u00e9 o protagonista da obra e conta sua hist\u00f3ria a tr\u00eas diferentes interlocutores: um major, um ge\u00f3logo e um ge\u00f3grafo. Apelidado de Cabra-da-Peste por seu padrinho Possid\u00f4nio, um sertanejo que havia feito a vida como jagun\u00e7o, Miguel passa toda a narrativa tentando se distanciar da figura de seu protetor. No entanto, o padrinho, que chegara por aquelas bandas empoderado pela habilidade de lidar com a peixeira e a espingarda, escolhe o afilhado para que o substitua na \u201cprofiss\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelas palavras de Miguel, o leitor fica a par do fato de que Possid\u00f4nio se orgulhava de seu tempo no canga\u00e7o, quando se matava com orgulho \u201cum policial, um-gente-grande, um coronel a mando de outro\u201d. J\u00e1 na Amaz\u00f4nia, a morte acontecia \u201c\u00e0 trai\u00e7\u00e3o e de emboscada\u201d, quando se atirava em \u201ccaboco por causa de saldo no barrac\u00e3o, invas\u00e3o de terra, desvio de balata ou castanha\u201d. Apesar de n\u00e3o achar que esse tipo de assassinato era digno de seu passado glorioso, ele n\u00e3o se negava a realizar o trabalho por dinheiro, atirando \u201cde tocaia, sempre pelas costas pra n\u00e3o ter o desgosto de ver o brilho inocente dos olhos do caboco surpreendido pelo rifle\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O destaque da primeira parte de <em>Aquele um<\/em> \u00e9 o tom de den\u00fancia, em que fica clara a explora\u00e7\u00e3o de trabalhadores do ciclo da borracha nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX na Amaz\u00f4nia pelas m\u00e3os de latifundi\u00e1rios, t\u00edpicos exploradores predat\u00f3rios da floresta. Tamb\u00e9m na narrativa ao major, \u00e9 constante a repeti\u00e7\u00e3o de Miguel de que, embora o padrinho o tivesse iniciado nas artes de se tornar um \u201ccabra jagun\u00e7o\u201d, ele tinha dificuldades em praticar a pontaria com o rifle, o que justificaria sua falta de voca\u00e7\u00e3o para se tornar um matador de aluguel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na segunda parte, o protagonista discorre sobre sua real voca\u00e7\u00e3o, a pirotecnia, e seu sonho de soltar fogos de artif\u00edcio durante os festejos de Santo Ant\u00f4nio, porque os foguetes eram a \u00fanica \u201ccoisa alegre e bonita\u201d que ele havia visto na vida. Havia outra raz\u00e3o para essa escolha: Miguel precisava pagar a promessa feita ao santo por t\u00ea-lo livrado de seguir com o legado de bandidagem do padrinho. Sua imagem surge, assim, como a de um her\u00f3i amaz\u00f4nida que quer proteger sua comunidade, obcecado pelo poder de dominar a for\u00e7a do fogo que devasta a floresta. \u201cAgora eu sei por que eu quis sempre ser um pirot\u00e9cnico. [&#8230;] eu queria conter a medonha f\u00faria do fogar\u00e9u que arrasava a mata; eu queria era barrar a labareda, que na asa do vento consumia todo o campo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como dado hist\u00f3rico, a narra\u00e7\u00e3o ao ge\u00f3logo, nessa segunda parte do romance, a mais longa de todas, inicia-se com a informa\u00e7\u00e3o de que \u201ctinha havido uma revolu\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, a cidade estava toda ocupada pelos militares\u201d. Eles buscavam por \u201cpol\u00edticos e subversivos e um deputado que falava em reforma agr\u00e1ria\u201d. Nesse \u00ednterim, um coronel quer prender Miguel alegando que ele n\u00e3o possu\u00eda autoriza\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia para soltar os fogos durante a festa. Contudo, ele consegue subir no morro e acender todos os foguetes que havia preparado para os nove dias das festividades em apenas algumas horas, completando a fa\u00e7anha do her\u00f3i que se torna \u201cSenhor do tempo [&#8230;] um outro tempo, paresque at\u00e9 de rei, de santo e de milagres e de encantes \u2013 o senhor sabe?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Abilio Pacheco (2017), em artigo sobre a obra de Monteiro, afirma que sua tetralogia amaz\u00f4nica \u00e9 o primeiro trabalho no qual a Amaz\u00f4nia \u201cn\u00e3o \u00e9 apenas um reposit\u00f3rio de mitos e lendas, detentora de fauna e flora ex\u00f3tica, mas sim [um lugar] inserido num contexto amplo de realidade pol\u00edtica, econ\u00f4mica, social e cultural\u201d. O autor defende a tese de que tais romances possam ser lidos como um testemunho da Amaz\u00f4nia, n\u00e3o no sentido de narrar fatos realmente ocorridos, mas de debater problemas que s\u00e3o pr\u00f3prios da regi\u00e3o, ao recriar uma realidade que n\u00e3o se inscreve exatamente como verdade hist\u00f3rica. Em vez disso, trata-se de uma reescrita da ideia de verossimilhan\u00e7a e testemunho, uma vez que o contexto hist\u00f3rico-pol\u00edtico internacional da Guerra Fria e nacional da Ditadura Militar s\u00e3o conhecidos e foram vivenciados pelo autor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O di\u00e1logo com o compadre Franquilino, que trabalha como capanga para o coronel Laudemiro, \u00e9 um exemplo dessa verossimilhan\u00e7a recriada. Ao explicar a vastid\u00e3o do poder exercido pelo coronel, Monteiro estaria recriando uma mem\u00f3ria que n\u00e3o \u00e9 apenas a do protagonista de <em>Aquele um<\/em>, mas sim de toda uma comunidade que sofre os mandos e desmandos dos latifundi\u00e1rios da regi\u00e3o: \u201cNem o nome carecia que aquele povo aprendesse. O retrato na mente e o voto na urna. A era de cinco em cinco anos e o eleitorado de cabresto curto. Se ele, o Coronel, pudesse botar a marca-de-fogo em vez do nome, bem que os votos iam aparecer no Tribunal com a marca-de-ferro-e-fogo. O \u2018L\u2019 grande dentro de um em brasa, ferro-vivo-feito-voto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Jo\u00e3o Rosa (2003), em disserta\u00e7\u00e3o que analisa <em>Aquele um<\/em>, ao narrar sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, \u201cMiguel acaba por reescrever as tradi\u00e7\u00f5es de sua comunidade, o que o torna representante de uma mem\u00f3ria coletiva\u201d. De fato, na terceira parte da obra, ao conversar com um ge\u00f3grafo e contar detalhes sobre a prole que comp\u00f5e sua extensa descend\u00eancia, o protagonista assemelha-se a Macuna\u00edma em suas aventuras com mulheres durante a vida errante pelos rios amaz\u00f4nicos. Desse modo, ao estabelecer um di\u00e1logo com diferentes culturas formadoras da g\u00eanese brasileira, forja-se a identidade cultural desse her\u00f3i centrada em um hibridismo \u00e9tnico-cultural (Rosa, 2003).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, se o romance <em>Aquele um<\/em> pode ser lido como uma alegoria da Amaz\u00f4nia, Miguel seria a figura aleg\u00f3rica do caboclo amaz\u00f4nico que exalta seu lugar e sua gente, com vistas a subverter a realidade social imposta naquele momento hist\u00f3rico. Esse processo de constitui\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria o faz empreender uma jornada que visa uma transforma\u00e7\u00e3o social ao procurar inverter o curso da hist\u00f3ria, ou seja, reescrev\u00ea-la de um ponto de vista a real\u00e7ar o poder de sua pr\u00f3pria escolha. Na narra\u00e7\u00e3o, uma cosmogonia amaz\u00f4nica \u00e9 evidenciada na descri\u00e7\u00e3o da concep\u00e7\u00e3o de cada um dos filhos, quando o verde das matas se mescla \u00e0s imagens de gozo e prazer presentes nos encontros amorosos de Miguel: \u201cN\u00e3o \u00e9 pra me gabar, mas no momento que eu plantava um filho, vinha na minha boca um gosto puro de pura festa. Gosto quente e verde de flor e sangue. [&#8230;] as cores verdes invadiam toda a minha vista. E folhas, folhas verdes, vertendo cores de todas as cores, reverdeciam na \u00e1gua\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Aquele um<\/em>, ao sintetizar o conte\u00fado dos tr\u00eas volumes anteriores da tetralogia amaz\u00f4nica, reafirma o projeto de Monteiro de reatualizar a simbologia da floresta por meio de um di\u00e1logo entre o regional e o universal, revelando identidades culturais. Nesse sentido, a obra se torna atual ao propor o desejo de transforma\u00e7\u00e3o social representado pela figura de Miguel, que instaura um contradiscurso como rea\u00e7\u00e3o \u00e0 opress\u00e3o da classe dominante. Tal interven\u00e7\u00e3o acontece porque o mito \u00e9 reafirmado, tornando-se fonte inspiradora para munir o homem de coragem, a fim de alterar seu passado e recriar esse universo a partir de novos valores, mais justos e diversos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MONTEIRO, Benedicto (1985). Posf\u00e1cio. In: <em>Aquele um<\/em>. Rio de Janeiro: Marco Zero. p. 221- 223.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PACHECO, Abilio (2017). Aqueles uns e aqueles outros uns: testemunho na Tetralogia Amaz\u00f4nica de Benedicto Monteiro. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DA ABRALIC \u2013 TEXTUALIDADES CONTEMPOR\u00c2NEAS, 15., 7 a 11 ago. 2017, Universidade do Estado do Rio de Janeiro.\u00a0<em>Anais eletr\u00f4nicos<\/em>. Rio de Janeiro: Uerj, v. 1, p. 3318-3328.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ROSA, Jo\u00e3o Jesus (2003). <em>Intertexto e identidade cultural em <\/em>Aquele um<em>, de Benedicto Monteiro<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Teoria da Literatura) \u2013 Universidade Federal de Pernambuco, Recife.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4173.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4173\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Marco-Zero-Polo-1985-1.webp\" data-caption-title=\"Marco Zero Polo, 1985\" data-attachment-id=\"4175\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Marco Zero Polo, 1985\" width=\"250\" height=\"376\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/02\/Marco-Zero-Polo-1985-1\/78666892.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22376%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20376%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Marco Zero Polo, 1985<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MONTEIRO, Benedicto. 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