{"id":4169,"date":"2025-03-26T23:49:23","date_gmt":"2025-03-27T02:49:23","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4169"},"modified":"2025-09-19T15:10:57","modified_gmt":"2025-09-19T18:10:57","slug":"a-obscena-senhora-d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4169","title":{"rendered":"A obscena senhora D"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">HILST, Hilda. <em>A obscena senhora D.<\/em> S\u00e3o Paulo: Massao Ohno, 1982.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Gabriel Pinezi<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: L\u00e9o Tavares<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s sua morte, a escritora paulista Hilda Hilst (Ja\u00fa, SP, 1930 \u2013 Campinas, SP, 2004) tornou-se internacionalmente reconhecida como uma das mais importantes autoras da literatura brasileira contempor\u00e2nea. Mesmo tendo escrito pe\u00e7as de teatro bem recebidas, foi aclamada especificamente pelas narrativas herm\u00e9ticas e experimentais e por sua primorosa moderniza\u00e7\u00e3o da l\u00edrica medieval. Em vida, no entanto, costumava reclamar publicamente da pouca aten\u00e7\u00e3o dada a ela pela cr\u00edtica especializada ou pelo grande p\u00fablico, que a conhecia menos por l\u00ea-la e mais pelas extravagantes anedotas biogr\u00e1ficas: uma \u201cquase\u201d noite de amor com Marlon Brando; uma vida reclusa entre c\u00e3es na famosa Casa do Sol; os sete anos que passou gravando vozes inexplicadas pela ci\u00eancia que, para ela, vinham do \u201cal\u00e9m\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 primeira vista, um olhar treinado tenderia a reconhecer nessa imagem o exagero t\u00edpico de lenda. Afinal, seria f\u00e1cil demais aceitar uma biografia t\u00e3o afim ao estilo liter\u00e1rio de Hilst, marcado pelo despojamento tragic\u00f4mico, pelo humor \u00e1cido, pela obscenidade deslavada e pela insana busca pelo sentido das coisas invis\u00edveis. Mas n\u00e3o se trata, nesse caso, de for\u00e7ar a barra, pois Hilst era (mesmo!) uma figura \u00edmpar. Certa vez, o poeta Claudio Willer contou em palestra que seu colega de versos Roberto Piva ia \u00e0 casa de Hilst para discutirem ufologia e vida extraterrestre madrugada adentro. Um espectador perguntou, estupefato: \u201cmas eles levavam isso a s\u00e9rio?\u201d E Willer, antes que a pergunta pudesse dissipar-se no sil\u00eancio: \u201cSim! Ser\u00edssimo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora nunca tenha se aventurado pela autobiografia ou pela autofic\u00e7\u00e3o, o am\u00e1lgama entre fic\u00e7\u00e3o e vida \u00e9 um tra\u00e7o caracter\u00edstico da obra de Hilst que a alinha a uma tradi\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica que n\u00e3o \u00e9 a brasileira dos indianismos nacionalistas, mas a filos\u00f3fica-existencial de um F. Schlegel. Como n\u00e3o reconhecer na busca fragment\u00e1ria de seus personagens pelo saber absoluto a obsess\u00e3o da pr\u00f3pria Hilst, cuja vida foi dedicada quase exclusivamente \u00e0 escrita de sua obra? Tudo o que indicasse a exist\u00eancia de um \u201coutro\u201d mundo, de um \u201cal\u00e9m\u201d ainda n\u00e3o experimentado ou n\u00e3o cognosc\u00edvel, interessava n\u00e3o apenas \u00e0 escritora reclusa, mas tamb\u00e9m \u00e0s in\u00fameras personagens filosofantes que habitam sua fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A leitura de <em>A obscena senhora D., <\/em>novela publicada originalmente em 1982, revela o inequ\u00edvoco car\u00e1ter filos\u00f3fico da obra: quando se l\u00ea a narra\u00e7\u00e3o da personagem principal, Hill\u00e9, quase que se ouve a voz da pr\u00f3pria Hilst enunciando as infinitas perguntas sem respostas que se acumulam p\u00e1gina a p\u00e1gina, como que ca\u00eddas abruptamente de um alt\u00edssimo guindaste idealista sobre a oca materialidade deste mundo. De novo, n\u00e3o se trata de exagero: para uma novela de pouco mais de 80 p\u00e1ginas, s\u00e3o exatos 335 pontos de interroga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se se levam em considera\u00e7\u00e3o apenas as a\u00e7\u00f5es, o enredo de <em>A obscena senhora D. <\/em>\u00e9 de uma chocante simplicidade: uma mulher sexagen\u00e1ria, Hill\u00e9, relembra vivamente os di\u00e1logos que tinha com seu marido morto, Ehud, de quem tenta inutilmente fazer o trabalho de luto. Nesses di\u00e1logos com um morto, a morte mesma torna-se o tema reiteradamente perguntado: \u201cum dia vou compreender, Ehud | compreender o qu\u00ea? | isso de vida e morte, esses porqu\u00eas\u201d. A complexidade do enredo, portanto, n\u00e3o \u00e9 propriamente a da intriga, da causalidade dos fatos, mas mais exatamente a da experi\u00eancia de um mist\u00e9rio: trata-se de uma busca pelo inalcan\u00e7\u00e1vel sentido da vida, ou como quer Hill\u00e9: \u201cuma aventura obscena, de t\u00e3o l\u00facida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em suas mem\u00f3rias, Hill\u00e9 se descreve como marcada pela espera dessa compreens\u00e3o imposs\u00edvel, submetida \u00e0 experi\u00eancia asc\u00e9tica de ex\u00edlio do mundo enquanto mora debaixo de uma escada. Ao esperar, rejeita sistematicamente as investidas sexuais de seu marido, nost\u00e1lgico por am\u00e1-la carnalmente, como faziam quando jovens. De fato, as passagens mais c\u00f4micas da prosa de Hilst decorrem precisamente dessa marcante incomunicabilidade entre os dois personagens, que se multiplica nas in\u00fameras oposi\u00e7\u00f5es bin\u00e1rias que estruturam a novela: se Ehud \u00e9 homem, Hill\u00e9 \u00e9 mulher; se Ehud traduz do hebraico \u201camor\u201d, Hill\u00e9 traduz do grego antigo \u201ca mat\u00e9ria\u201d; Ehud v\u00ea o mundo de forma simples, \u00e9 pragm\u00e1tico, n\u00e3o questiona os porqu\u00eas, e Hill\u00e9 questiona tudo, histeriza a verdade, destrona os saberes, abdica das a\u00e7\u00f5es em nome da mera contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em resumo: Ehud \u00e9 um triste comum, conformado com as n\u00edtidas fronteiras entre a vida e a morte, enquanto Hill\u00e9 \u00e9 uma melanc\u00f3lica que se entende desde sempre como o L\u00e1zaro sobrevivente: viva, mas prenhe de morte. Por isso, lamenta debaixo da escada (como Dante na selva escura, ou Hamlet numa cova, ou Fausto em seu est\u00fadio, ou Baudelaire nas ruas de Paris&#8230;) a inevit\u00e1vel e aterrorizante passagem do tempo, cujo mist\u00e9rio \u00e9, ao mesmo tempo, obscuro e claro, evidente e incognosc\u00edvel. Afinal, nada \u00e9 t\u00e3o certo e l\u00f3gico quanto a morte: todo homem \u00e9 mortal, S\u00f3crates \u00e9 homem, logo&#8230; o que mesmo \u00e9 a morte?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tempo e morte s\u00e3o as duas palavras-chave da novela, que se misturam com o antiqu\u00edssimo <em>topos<\/em> melanc\u00f3lico do Chronos-Saturno que devora os pr\u00f3prios filhos: se a divindade deu aos homens a vida, foi apenas para poder, em seguida, violentamente retir\u00e1-la. \u00c9 a constata\u00e7\u00e3o dessa ambival\u00eancia que motiva o \u201cquerer falar\u201d obsessivo de Hill\u00e9: \u201cqueria te falar, te falar da morte de Ivan Ilitch, da solid\u00e3o desse homem, desses nadas do dia a dia que v\u00e3o consumindo a melhor parte de n\u00f3s, queria te falar do fardo quando envelhecemos, do desaparecimento, dessa coisa que n\u00e3o existe mas \u00e9 crua, \u00e9 viva, o Tempo.\u201d Do outro lado dessa lam\u00faria infinita, desse desejo de inomin\u00e1vel, Ehud aparece como um homem de quereres simples, carnais, frustrados porque bem definidos: \u201cfoder, ouviu Hill\u00e9? te amo, ouviu? antes de voc\u00ea escolher esse maldito v\u00e3o da escada, n\u00f3s fod\u00edamos, n\u00e3o fod\u00edamos Senhora D.?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se Bakhtin tivesse lido a <em>A<\/em> <em>obscena senhora D., <\/em>teria certamente criticado a falta de ancoragem hist\u00f3rica e social dos personagens, a limitada descri\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, o fluxo narrativo que corr\u00f3i as fronteiras entre as vozes em vez de demarc\u00e1-las nitidamente. Digamos que n\u00e3o se trata de um romance polif\u00f4nico, que comporta uma pluralidade de posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, mas \u2013 for\u00e7ando uma express\u00e3o pouco aproveitada pela teoria liter\u00e1ria \u2013 de uma narrativa \u201cdisf\u00eamica\u201d, na qual o di\u00e1logo fantasm\u00e1tico entre a velha louca Hill\u00e9 e seu marido morto Ehud \u00e9 marcado por gaguejos: repeti\u00e7\u00f5es, cacofonias, itera\u00e7\u00f5es que giram em falso em torno de um ponto em si mesmo irrepresent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se Jakobson dizia que a poeticidade de um texto \u00e9 reconhec\u00edvel pelos paralelismos, pelas estruturas circulares, pode-se ent\u00e3o reconhecer o po\u00e9tico na prosa de Hilst n\u00e3o apenas no emprego engenhoso das met\u00e1foras, na esmerada constru\u00e7\u00e3o do ritmo e no uso deliberado de asson\u00e2ncias, alitera\u00e7\u00f5es e rimas, mas tamb\u00e9m em sua estrutura narrativa circular: se h\u00e1 um fluxo de consci\u00eancia em Hilst, ele n\u00e3o \u00e9 aquele prosaico que escapa em linha reta pela tangente, fugindo de seu centro, e sim aquele que gira em torno de um vazio inalcan\u00e7\u00e1vel. Trata-se de uma escrita orbital: por cair infinitamente, n\u00e3o pode efetivamente cair.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 exagero dizer, portanto, que a estrutura narrativa de <em>A obscena senhora D<\/em>. \u00e9 id\u00eantica \u00e0 da famosa pe\u00e7a de Samuel Beckett, <em>Esperando Godot<\/em>: em ambas as obras, os personagens \u201cesperam\u201d por aquele que nunca se apresenta e, no entanto, retorna insistentemente como assunto, tema, vazio central; em ambos, o reconhecimento do absurdo desemboca num riso triste e numa trag\u00e9dia c\u00f4mica. Se, \u00e0s vezes, o leitor se pega gargalhando com o livro de Hilst na m\u00e3o, \u00e9 porque escorregou na casca de banana do desespero e acabou caindo com a boca escancarada cheia de dentes no vazio da exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, enquanto na pe\u00e7a de Beckett a profecia de Zaratustra se cumpre integralmente, em Hilst, a negatividade de Deus \u00e9 sentida menos como morte e mais como abandono: o outro nome de Hill\u00e9 \u00e9 D., de Deus, mas tamb\u00e9m de \u201cDerreli\u00e7\u00e3o\u201d: \u201cdaqui por diante te chamo A Senhora D. D de Derreli\u00e7\u00e3o, ouviu? Desamparo, Abandono, desde sempre a alma em vaziez\u201d. A cr\u00edtica talvez n\u00e3o tenha ainda se atentado para a import\u00e2ncia desse amor ambivalente de Hill\u00e9 por Deus, que se expressa na estrutura narrativa da novela como o talvez mais extravagante dos tri\u00e2ngulos amorosos da literatura brasileira: l\u00e1 em cima, no topo, o Deus-menino-porco indiferente \u00e0 humanidade; na base, de um lado, a pobre Hill\u00e9 abandonada por seu amado Deus inating\u00edvel e, do outro, o lamento do pobre Ehud corneado, incapaz de tocar sua amada e louca esposa: \u201ceu um homem te tocando porque te amo e porque o corpo foi feito para ser tocado, toca-me tamb\u00e9m sem essa crispa\u00e7\u00e3o, \u00e9 linda a carne, n\u00e3o mete o Outro nisso, n\u00e3o me olhes assim, o Outro ningu\u00e9m sabe, Hill\u00e9\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 certo que Hilst tenha sido justa ao reclamar que, apesar de famosa, era pouco lida, j\u00e1 que podemos encontrar entre 1989 e 2004 v\u00e1rias disserta\u00e7\u00f5es e teses versando sobre sua fic\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de in\u00fameros artigos acad\u00eamicos que tentavam decifrar o hermetismo de suas narrativas \u2014 um hermetismo que, diga-se de passagem, se esclarece relativamente bem quando se conhece a obra de Ernest Becker, a quem Hilst dedicou <em>A obscena senhora D. <\/em>\u00c9 mais prov\u00e1vel que ela tivesse percebido que a \u00e2nsia metaf\u00edsica caracter\u00edstica de sua obra gerava resist\u00eancia por parte de um p\u00fablico acostumado com uma literatura que se acreditava t\u00e3o mais brasileira e intelig\u00edvel quanto mais flertasse com a est\u00e9tica realista ou com o romance social, ao modo de um certo Graciliano Ramos e de todo Jorge Amado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fugindo dessa tradi\u00e7\u00e3o, tal como Clarice Lispector e Machado de Assis, Hilst \u00e9 um caso at\u00edpico no c\u00e2none da literatura brasileira, por ter for\u00e7ado o mais alto reconhecimento de uma cr\u00edtica especializada t\u00e3o avessa \u00e0 ironia, ao hermetismo, \u00e0 obscenidade e ao \u00edmpeto tragic\u00f4mico. Sua leitura, hoje, como em sua \u00e9poca, serve de ant\u00eddoto \u00e0s tend\u00eancias mais moralizantes e realistas que sempre dominaram o sistema liter\u00e1rio brasileiro. Os cr\u00edticos continuam bestas, sem compreend\u00ea-la integralmente, \u00e9 verdade; mas n\u00e3o seria isso, ainda, compreend\u00ea-la bem?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ANDR\u00c9, Willian (2016). <em>Entre gaguejos<\/em>: Hilst, Beckett e os limites da linguagem. Tese (Doutorado em Letras \u2014 Estudos Liter\u00e1rios) \u2014 Universidade Estadual de Londrina, Londrina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FOLGUEIRA, Laura Santos (2018). <em>Eu e n\u00e3o outra<\/em>: a vida intensa de Hilda Hilst. S\u00e3o Paulo: Tordesilhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DINIZ, Cristiano (org.) (2013). <em>Fico besta quando me entendem<\/em>: entrevistas com Hilda Hilst. S\u00e3o Paulo: Globo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">P\u00c9CORA, Alcir (org.) (2010). <em>Por que ler Hilda Hilst<\/em>. S\u00e3o Paulo: Globo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">P\u00c9CORA, Alcir (2018). <em>Notas sobre a fortuna cr\u00edtica de Hilda Hilst.<\/em> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/2018-07\/Notas_sobre-a-Fortun-critica_Hilda-Hilst.pdf\">https:\/\/unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/2018-07\/Notas_sobre-a-Fortun-critica_Hilda-Hilst.pdf<\/a>. Acesso em: 14 out. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-5077.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-5077\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" 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data-caption-title=\"Biblioteca Azul, 2004\" data-attachment-id=\"5078\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Biblioteca Azul, 2004\" width=\"250\" height=\"250\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/05\/Biblioteca-Azul-2004\/2197778618.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22250%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20250%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Biblioteca Azul, 2004<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a 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2022<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Eslovaquia-Portugalsky-institut-2022-1.webp\" data-caption-title=\"Eslov\u00e1quia, Portugalsk\u00fd in\u0161tit\u00fat, 2022\" data-attachment-id=\"7742\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Eslov\u00e1quia, Portugalsk\u00fd in\u0161tit\u00fat, 2022\" width=\"250\" height=\"364\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/05\/Eslovaquia-Portugalsky-institut-2022-1\/4265902179.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22364%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20364%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span 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A obscena senhora D. S\u00e3o Paulo: Massao Ohno, 1982. Gabriel PineziIlustra\u00e7\u00e3o: L\u00e9o Tavares Ap\u00f3s sua morte, a escritora paulista Hilda Hilst (Ja\u00fa, SP, 1930 \u2013 Campinas, SP, 2004) tornou-se internacionalmente reconhecida como uma das mais importantes autoras da literatura brasileira contempor\u00e2nea. 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