{"id":4161,"date":"2025-03-26T23:35:18","date_gmt":"2025-03-27T02:35:18","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4161"},"modified":"2025-09-15T09:47:54","modified_gmt":"2025-09-15T12:47:54","slug":"a-confissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4161","title":{"rendered":"A confiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">CARNEIRO, Fl\u00e1vio. <em>A confiss\u00e3o<\/em>. Rio de Janeiro: Rocco, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Marina Maximiano Ferreira de Souza<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: L\u00e9o Tavares<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das principais marcas da obra do escritor Fl\u00e1vio Carneiro (Goi\u00e2nia, GO, 1962) \u00e9 a sua versatilidade: o autor transita entre diversos g\u00eaneros e p\u00fablicos. Al\u00e9m de escritor \u2014 tendo publicado romances, contos, cr\u00f4nicas, novelas infantojuvenis e ensaios liter\u00e1rios \u2014, \u00e9 roteirista de cinema, cr\u00edtico liter\u00e1rio e professor no Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Entre os pr\u00eamios conquistados, destacam-se o Barco a Vapor, em 2007, na categoria Literatura Infantojuvenil, e o Pr\u00eamio Jabuti de 2021, com o livro de cr\u00f4nicas <em>Hist\u00f3rias ao redor<\/em> (Cousa, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O escritor estreou na cena liter\u00e1ria em 1986, com a narrativa infantojuvenil <em>Acorda, Rita!<\/em>, e na fic\u00e7\u00e3o adulta em 1994, com o livro de contos <em>Da matriz ao beco e depois<\/em>, no qual, ao longo de seus dez contos, a cidade desempenha um papel central. Seu primeiro romance, <em>O campeonato<\/em>, foi lan\u00e7ado em 2002 pela Editora Objetiva. O romance policial tem como protagonista Andr\u00e9, um jovem viciado em romances policiais. Conforme analisado por Teixeira, em \u201cA fic\u00e7\u00e3o policial de Fl\u00e1vio Carneiro\u201d (2011), um sonho de Andr\u00e9, em que um homem sequestra uma mulher e conta uma longa hist\u00f3ria enquanto ela est\u00e1 amarrada, antecipa a trama de <em>A confiss\u00e3o<\/em> (2006), o segundo volume da Trilogia do Rio de Janeiro, que se completa com <em>A ilha<\/em> (2011).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra de Carneiro destaca-se por sua versatilidade, como analisa Marra em \u201cA confiss\u00e3o antropof\u00e1gica de Fl\u00e1vio Carneiro\u201d (2015), por integrar diferentes g\u00eaneros discursivos e adaptar-se \u00e0s necessidades est\u00e9ticas do autor. Com pouco mais de duzentas p\u00e1ginas, <em>A confiss\u00e3o<\/em> vai al\u00e9m do romance policial, mesclando, tamb\u00e9m, elementos do fant\u00e1stico, como o vampirismo \u2014 elemento central da trama \u2014, a separa\u00e7\u00e3o entre corpo e alma, e a duplica\u00e7\u00e3o de si mesmo, al\u00e9m do terror psicol\u00f3gico. A narrativa tamb\u00e9m tem tra\u00e7os de um romance autobiogr\u00e1fico com caracter\u00edsticas do \u201cg\u00eanero confessional, ainda que \u00e0s avessas\u201d, como observa Marra. Nesse contexto, o narrador torna-se o \u201cpalco de uma busca por si mesmo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O t\u00edtulo do romance leva o leitor a se perguntar: quem confessa?, o que \u00e9 confessado?, a quem se dirige essa confiss\u00e3o?, e por que confessar?. Ao longo dos dez cap\u00edtulos, Carneiro vai gradualmente desvendando as respostas para essas perguntas. A obra destaca-se pela constru\u00e7\u00e3o em discurso direto, em que apenas uma voz se faz presente: a do sequestrador, um homem adulto sem nome e de idade indefinida, de quem pouco se sabe \u2014 sua origem, seu passado, sua fam\u00edlia ou at\u00e9 mesmo suas verdadeiras inten\u00e7\u00f5es. O narrador dirige-se a uma mulher, sequestrada e amarrada a uma poltrona, em um ambiente descrito como quarto \u2014 \u201cas paredes, as janelas, as portas, at\u00e9 mesmo o piso e o teto\u201d s\u00e3o \u00e0 prova de som \u2014, localizado em uma \u201cpraia quase deserta\u201d e com \u201capenas uma ou outra casa, a uma boa dist\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo na primeira frase, \u201cA senhora me escute, por favor\u201d o sil\u00eancio imposto \u00e0 v\u00edtima \u00e9 tamb\u00e9m imposto ao leitor. O uso do discurso direto n\u00e3o oferece respiro nem di\u00e1logo: \u00e9 uma fala cont\u00ednua que domina completamente a narrativa. Essa escolha estil\u00edstica lembra <em>Grande Sert\u00e3o: Veredas <\/em>(1956), de Guimar\u00e3es Rosa, em que o narrador Riobaldo interpela diretamente seu interlocutor: \u201cNonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem n\u00e3o [&#8230;]\u201d. De maneira semelhante, o in\u00edcio de <em>A confiss\u00e3o<\/em> dita o ritmo e os rumos da narrativa para que \u201cseja minimamente agrad\u00e1vel\u201d. Enquanto a mulher, sem poder falar, e o leitor, sem poder interferir, s\u00e3o conduzidos por um enredo cheio de mist\u00e9rio e de tens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trama desenrola-se de forma lenta: o narrador come\u00e7a relatando seus dezenove anos, sua vida prec\u00e1ria e sem expectativas, com certa propens\u00e3o a vagar \u201cpela cidade, flanando\u201d, \u201cum ladr\u00e3ozinho muito do chinfrim\u201d que roubava livros \u201cde bibliotecas p\u00fablicas, ou de universidades, vez ou outra arriscava uma livraria tamb\u00e9m\u201d, enquanto se embriagava com vinho barato, como protagonista <em>fl\u00e2neur<\/em> perdido nas ruas do Rio de Janeiro e depois do mundo \u2014 Espanha, Portugal, Alemanha, Holanda\u2026\u2014, vagando por sua pr\u00f3pria mente e que, \u00e0 primeira vista, parece n\u00e3o levar a lugar nenhum, mas que gradualmente revelam camadas ocultas de sua personalidade e de sua obsess\u00e3o: \u201cAndar \u00e0 toa pela cidade tamb\u00e9m me dava alguma sensa\u00e7\u00e3o parecida com alegria, eu me sentia bem ao caminhar a esmo, perambular pelas ruas, olhar vitrines, pessoas, cartazes, \u00e0s vezes pelo simples prazer f\u00edsico de andar andar andar at\u00e9 os m\u00fasculos da perna doerem [&#8230;]\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reviravolta ocorre quando ele encontra Emma, na porta de um \u201crestaurante no Leblon, de nome franc\u00eas, que imita um bistr\u00f4\u201d, e decide convid\u00e1-la para almo\u00e7ar. Sem esse gesto, crucial para a guinada em seu destino, ele acredita que estaria \u201cfadado para sempre \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de simples admirador, a passar a vida do lado de fora [..]\u201d, gostando \u201cpara sempre dos vinhos vagabundos servidos em canecas engorduradas\u201d. Ao longo da narrativa, o protagonista envolve-se com outras mulheres, como a m\u00e9dica Agnes. Segundo Ramos (2013), enquanto seu relacionamento com Emma o faz tomar consci\u00eancia de sua situa\u00e7\u00e3o, a conex\u00e3o com Agnes o ajuda a compreender melhor sua pr\u00f3pria identidade. \u201c[Sou] um vampiro, talvez\u201d, admite em certo momento. Contudo, para ele, o r\u00f3tulo \u00e9 irrelevante; o que realmente importa \u00e9 a descoberta de seu \u201cnovo lugar no mundo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <em>A confiss\u00e3o<\/em>, o narrador do romance estabelece uma din\u00e2mica perversa com suas v\u00edtimas: ele retira delas o conhecimento que deseja para si, em troca de oferecer um momento de \u201cprazer supremo\u201d. Ainda que afirme ter amado todas as mulheres com quem se envolveu \u2014 \u201c[&#8230;] amei todas elas, n\u00e3o se iluda, do meu jeito, sim, mas foi amor\u201d \u2014, ele n\u00e3o sente culpa por explor\u00e1-las. Em sua mente, a aus\u00eancia de culpa \u00e9 justificada pela certeza de que n\u00e3o era respons\u00e1vel por seus atos. \u201cTinha certeza de que n\u00e3o era culpado\u201d, ele reflete, comparando sua falta de responsabilidade \u00e0 mesma que algu\u00e9m teria \u201cpor ter nascido louro ou moreno, alto ou aleijado, por exemplo\u201d. Sua vis\u00e3o de si mesmo como algu\u00e9m sem limites o leva a se comparar a uma divindade: \u201cEu me sentia Deus, ou quase [&#8230;] tudo estava praticamente ao meu alcance, podia ter a mulher que desejasse, podia roubar mem\u00f3rias, passados, sonhos, sensa\u00e7\u00f5es de toda a esp\u00e9cie, podia obter o que me interessasse, um sorriso, um segredo, uma ilumina\u00e7\u00e3o\u201d. Com essa vis\u00e3o, o protagonista confunde o poder de manipula\u00e7\u00e3o e o controle com prazer e realiza\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra de Fl\u00e1vio Carneiro reinterpreta o arqu\u00e9tipo tradicional do vampiro, apresentando-o n\u00e3o como uma criatura que se nutre do sangue alheio, mas sim como um amante com dilemas e inseguran\u00e7as, oferecendo uma abordagem mais contempor\u00e2nea ao tema. Nas hist\u00f3rias tradicionais de vampiros, a transforma\u00e7\u00e3o da v\u00edtima em vampiro ocorre ap\u00f3s um ataque, marcado pelo consumo de sangue e pela consequente transforma\u00e7\u00e3o. No entanto, em <em>A confiss\u00e3o<\/em>, a revela\u00e7\u00e3o chega ao protagonista de forma gradual. Ele se depara com a not\u00edcia da morte de Emma e a partir da\u00ed come\u00e7a a pesquisar o que estava acontecendo. Carneiro revisita essa ideia da transforma\u00e7\u00e3o vamp\u00edrica, oferecendo uma metamorfose menos vis\u00edvel, substituindo a transforma\u00e7\u00e3o f\u00edsica do protagonista por um processo mais profundo: \u201cEu passava por uma transforma\u00e7\u00e3o, [..] n\u00e3o uma transforma\u00e7\u00e3o meramente f\u00edsica, metamorfose, essas coisas ex\u00f3ticas e est\u00fapidas de hist\u00f3rias fantasiosas, algo de verdade estava se modificando em mim, para sempre [&#8230;]\u201d. Dessa forma, a obra prop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre a dualidade entre o dom e a maldi\u00e7\u00e3o, simbolizando a busca incessante por identidade e significado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MARRA, Fernanda Ribeiro (2015). <em>A confiss\u00e3o antropof\u00e1gica de Fl\u00e1vio Carneiro<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras e Lingu\u00edstica) \u2013 Universidade Federal de Goi\u00e1s, Goi\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RAMOS, Juliana Silva (2013). <em>O vampiro \u00e9 o leitor<\/em>: o processo de vampiriza\u00e7\u00e3o do leitor na literatura fant\u00e1stica. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Literatura Brasileira) \u2013 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ROSA, Jo\u00e3o Guimar\u00e3es (2019). <em>Grande sert\u00e3o<\/em>: veredas. 22. ed. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Vera Maria Tietzmann (2013). <em>A confiss\u00e3o<\/em>, ou um vampiro carioca. <em>In<\/em>: <em>Quatro ficcionistas goianos<\/em>: Jos\u00e9 J. Veiga, Jesus de Aquino Jaime, Fl\u00e1vio Carneiro e Adelice da Silveira Barros. Goi\u00e2nia: Kelps. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.flaviocarneiro.jiap.com.br\/comentarios\/confissoesdeumvampirocarioca.html\">https:\/\/www.flaviocarneiro.jiap.com.br\/comentarios\/confissoesdeumvampirocarioca.html<\/a>. Acesso em: 04 jan. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TEIXEIRA, Gismair Martins (2019). <em>A fic\u00e7\u00e3o policial de Fl\u00e1vio Carneiro<\/em>. Rio de Janeiro. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/flaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/2019\/05\/31\/a-ficcao-policial-de-flavio-carneiro\/\">https:\/\/flaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/2019\/05\/31\/a-ficcao-policial-de-flavio-carneiro\/<\/a>. Acesso em: 13 out. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4164.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4164\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Rocco-2006.webp\" data-caption-title=\"Rocco, 2006\" data-attachment-id=\"4165\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Rocco, 2006\" width=\"250\" height=\"376\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/02\/Rocco-2006\/3079569581.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22376%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20376%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Rocco, 2006<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Portugal-Edi9-2010.webp\" data-caption-title=\"Portugal, Edi9, 2010\" data-attachment-id=\"4166\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Portugal, Edi9, 2010\" width=\"250\" height=\"345\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/02\/Portugal-Edi9-2010\/740928309.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22345%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20345%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Portugal, Edi9, 2010<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Martelo-2023.webp\" data-caption-title=\"Martelo, 2023\" data-attachment-id=\"4167\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Martelo, 2023\" width=\"250\" height=\"395\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/02\/Martelo-2023\/2575422294.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22395%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20395%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Martelo, 2023<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CARNEIRO, Fl\u00e1vio. 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