{"id":4151,"date":"2025-03-27T00:07:55","date_gmt":"2025-03-27T03:07:55","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4151"},"modified":"2026-07-16T10:27:56","modified_gmt":"2026-07-16T13:27:56","slug":"a-casa-das-sete-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=4151","title":{"rendered":"A casa das sete mulheres"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">WIERZCHOWSKI, Leticia. <em>A casa das sete mulheres<\/em>. Rio de Janeiro: Record, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Sheila Jacob<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o:<\/em> <em>Dona Dora<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>A casa das sete mulheres<\/em> \u00e9 um romance hist\u00f3rico que se passa na Regi\u00e3o Sul do Brasil durante a Guerra dos Farrapos, ocorrida entre 1835 e 1845. Escrita pela ga\u00facha Leticia Wierzchowski (Porto Alegre, RS, 1972) e publicada em 2002, a trama foi adaptada para uma miniss\u00e9rie da Rede Globo um ano ap\u00f3s seu lan\u00e7amento, e foi veiculada em mais de quarenta pa\u00edses, tornando o livro um grande sucesso editorial. O romance integra uma trilogia, composta por <em>Um farol no pampa<\/em>, de 2004, e <em>Travessia<\/em>, de 2017. Al\u00e9m desses tr\u00eas t\u00edtulos, a escritora possui mais de trinta obras publicadas, inclusive livros infantojuvenis. Em 2023, foi publicada pela Maralto, uma vers\u00e3o em quadrinhos do romance, em adapta\u00e7\u00e3o assinada pela autora e por Ver\u00f4nica Berta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a autora, a ideia para a escrita do livro surgiu ap\u00f3s a leitura do romance <em>Os var\u00f5es assinalados<\/em> (1985), de Tabajara Ruas, que apresenta as revoltas farroupilhas por meio de uma abordagem \u00e9pica, tal como anunciado pelo t\u00edtulo, com foco nas batalhas e tendo como protagonistas os homens e generais daquele per\u00edodo, como Bento Gon\u00e7alves da Silva e Ant\u00f4nio de Souza Netto. Em dado momento da obra, cita-se a \u201ccasa das sete mulheres\u201d, uma refer\u00eancia \u00e0 Est\u00e2ncia da Barra, \u00e0 beira do rio Camaqu\u00e3, onde por uma d\u00e9cada ficaram abrigadas as irm\u00e3s, a esposa, as filhas e as sobrinhas de Bento Gon\u00e7alves. Foi a partir dessa men\u00e7\u00e3o que a autora optou por narrar a guerra n\u00e3o do tradicional ponto de vista masculino, mas a partir de uma perspectiva marginal, historicamente silenciada, e por um vi\u00e9s romantizado: a das mulheres enclausuradas, fadadas a aguardar por not\u00edcias e rezar pela volta de seus parentes, tal qual Pen\u00e9lope espera o retorno de Ulisses, analogia explicitamente referenciada no romance: \u201cSim, sempre os homens se v\u00e3o, para as suas guerras, para as suas lidas, para conquistar novas terras, para abrir os t\u00famulos e enterrar os mortos. As mulheres \u00e9 que ficam, \u00e9 que aguardam\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s uma esp\u00e9cie de pr\u00f3logo, que contextualiza o enredo e apresenta as principais justificativas para a eclos\u00e3o da chamada \u201cRevolu\u00e7\u00e3o Farroupilha no Continente de S\u00e3o Pedro do Rio Grande\u201d, a primeira voz que se anuncia \u00e9 a de Manuela, cujos registros em primeira pessoa inscritos em seus cadernos se revezam com a voz de um narrador onisciente. Sobrinha de Bento Gon\u00e7alves, nos di\u00e1rios ela apresenta a sua perspectiva particular daquela experi\u00eancia coletiva, contando suas premoni\u00e7\u00f5es, narrando os fatos hist\u00f3ricos e avaliando os acontecimentos de que, \u00e0 dist\u00e2ncia, se faz testemunha, gra\u00e7as \u00e0s visitas e \u00e0s cartas que chegam ao local em que estava reclusa com a fam\u00edlia. \u201cRestei eu, como um fantasma, para narrar uma hist\u00f3ria de her\u00f3is, de morte e de amor, numa terra que sempre vivera de her\u00f3is, morte e amor. Numa terra de sil\u00eancios, onde o brilho das adagas cintilava nas noites de fogueiras. Onde as mulheres teciam seus panos como quem tecia a pr\u00f3pria vida\u201d, conforme registro no \u201cCadernos de Manuela\u201d, Pelotas, 4 de junho de 1900.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Manuela inicia seus relatos com a chegada do ano de 1835, logo apresentando os membros da fam\u00edlia que ser\u00e3o acompanhados ao longo das p\u00e1ginas seguintes: a m\u00e3e, Maria Manuela; as tias, Ant\u00f4nia, Ana Joaquina e Caetana, sendo esta a esposa uruguaia de Bento Gon\u00e7alves; as irm\u00e3s, Ros\u00e1rio e Mariana, as duas personagens fict\u00edcias da trama que, com Manuela, completam o time das \u201csete mulheres\u201d. H\u00e1, ainda, o irm\u00e3o Ant\u00f4nio; os primos Pedro, Jos\u00e9, Joaquim, Bento Filho e Caetano; al\u00e9m dos primos mais novos, dos empregados e dos negros escravizados que servem \u00e0 fam\u00edlia, estes sem grande destaque no enredo. Segundo a narradora, havia, naquele momento, um clima tenso, de insatisfa\u00e7\u00e3o com o Imp\u00e9rio, principalmente devido \u00e0s altas taxas impostas pelo governo ao charque nacional, que reduzia o lucro dos latifundi\u00e1rios do Sul do pa\u00eds. A narrativa come\u00e7a, ent\u00e3o, com um press\u00e1gio de sangue e morte, contrastando com a noite de festa em que se davam as boas-vindas ao Ano-Novo. \u201cComo n\u00e3o percebem?\u201d, questiona a jovem, prevendo a temporada de sofrimentos e perdas naquele ano que se inaugurava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na cena inicial, a chegada da fam\u00edlia \u00e0 Est\u00e2ncia da Barra apresenta o retrato de um Brasil escravocrata, patriarcal e profundamente desigual ao mencionar a opul\u00eancia da fam\u00edlia e sua rela\u00e7\u00e3o com os negros explorados pela fam\u00edlia, mostrando como os primeiros homens que se mobilizaram contra o governo central pertenciam \u00e0s classes abastadas e tinham inicialmente o interesse de manter seus privil\u00e9gios. \u201cNaquela mesma tarde (de dezenove de setembro de 1835), chegariam para longa estada as sete mulheres da fam\u00edlia, carregadas com suas mui extensas bagagens, com as suas negras de confian\u00e7a, criadas e amas-de-leite, pois junto vinham, em alegre confus\u00e3o, os quatro filhos pequenos de Bento Gon\u00e7alves e Caetana, sendo que Ana Joaquina, a mais pequenina de todos, estava para completar seu primeiro ano por aqueles dias, e ainda mamava na teta da negra Xica\u201d. Depois, com o tempo, outras demandas se v\u00e3o somando \u00e0 causa, como anseios republicanos e abolicionistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo do texto, h\u00e1 uma certa naturaliza\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre os senhores com os personagens escravizados, especialmente quando se trata da viol\u00eancia sexual e do machismo historicamente presentes na rela\u00e7\u00e3o com as meninas mais novas, emba\u00e7ando a imagem idealizada do her\u00f3i farroupilha que muitas narrativas procuram sustentar. L\u00ea-se, por exemplo, nas p\u00e1ginas iniciais: \u201cEncontrou Bento Gon\u00e7alves sentado na varanda, tomando um mate. [\u2026] Ainda h\u00e1 pouco vira passar uma cabocla que trabalhava na casa, uma rapariga duns quinze, dezesseis anos, no m\u00e1s, e estava pensando o quanto era apetitosa uma carne jovem daquelas, de mo\u00e7a virgem, que cheirava a coisa nova\u201d. Mais \u00e0 frente, a constata\u00e7\u00e3o: \u201cBento Gon\u00e7alves da Silva n\u00e3o era perene, n\u00e3o era um deus e nem possu\u00eda qualquer arremedo de divindade \u2013 era, como n\u00f3s, mortal, sofredor, um iludido com a vida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra estrutura-se a partir de uma extensa pesquisa documental, repleta de refer\u00eancias a acontecimentos hist\u00f3ricos que suspendem temporariamente o foco no que se passava naquela \u201cvida coletiva e feminina\u201d, t\u00edpica dos membros da elite da \u00e9poca, dentro da \u201ccasa das sete mulheres\u201d. Narram-se as muitas batalhas que comp\u00f5em historicamente a Guerra dos Farrapos, como o cerco a Porto Alegre; a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Rio-Grandense em 1836, tamb\u00e9m conhecida como Rep\u00fablica de Piratini; a pris\u00e3o e a fuga de Bento Gon\u00e7alves; a tomada de Laguna (SC) e a instaura\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Juliana; a derradeira batalha de Porongos, \u201ca \u00faltima grande trag\u00e9dia daquela guerra\u201d; e a morte dos Lanceiros Negros, grupo de soldados negros escravizados que se somou aos revoltosos gra\u00e7as a uma promessa de alforria nunca cumprida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A chegada de Giuseppe Garibaldi tamb\u00e9m \u00e9 narrada no livro, com foco na paix\u00e3o de Manuela por ele, sentimento sempre referenciado em seus relatos \u00edntimos e que a acompanharia at\u00e9 o fim da vida. Segundo cr\u00f4nicas da \u00e9poca e registros hist\u00f3ricos, ela ficou conhecida em Pelotas como a \u201cnoiva de Garibaldi\u201d, mesmo depois de o italiano ter se casado com Anita, a brasileira que participou ativamente das batalhas ao lado dos revoltosos e sobre quem, em carta endere\u00e7ada por Jos\u00e9 para a m\u00e3e D. Ana, conta-se que \u201cmuito lutou, t\u00e3o bravamente como um homem. J\u00e1 se fala nas ruas de sua coragem excepcional\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s vit\u00f3rias e pequenas conquistas dos republicanos sucediam derrotas e perdas importantes, tanto de lutadores quanto do apoio das popula\u00e7\u00f5es que habitavam os lugares tomados pelos revoltosos, como observado por D. Ana: \u201c\u00c0s vezes, afigurava-lhe, no entanto, que estavam construindo castelos sobre a areia. Num sopro de brisa, tudo desandava sem solu\u00e7\u00e3o\u201d. Manuela chega a perguntar: \u201cPor que se lutava e por que se morria? Nunca hei de sab\u00ea-lo. E nenhum regime sob o c\u00e9u me haver\u00e1 de justificar esta guerra\u201d. Seis anos depois de iniciada a revolta, novamente a jovem questiona: \u201cDe que tinham valido todos aqueles anos? O Continente estava empobrecido, tantos dos seus tinham morrido, outros pereciam \u00e0 m\u00edngua, e a guerra permanecia como uma nuvem de tempestade sobre a cabe\u00e7a de todos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m dos campos de batalha, pequenos acontecimentos interrompem a monotonia da espera feminina, como a chegada de mensageiros e a visita surpresa de membros da fam\u00edlia; as m\u00fasicas tocadas ao piano e as festas que suspendem temporariamente a atmosfera de guerras; o nascimento das filhas de Perp\u00e9tua; e alguns relacionamentos amorosos que principiam e outros que chegam a se concretizar, como a rela\u00e7\u00e3o entre Mariana e um dos pe\u00f5es da fazenda, chamado Jo\u00e3o Gutierrez, de quem a jovem chega a engravidar, colhendo o desprezo da m\u00e3e como consequ\u00eancia. Uma das tramas mais interessantes, que imprime um tom de realismo m\u00e1gico \u00e0 hist\u00f3ria, s\u00e3o as recorrentes visitas espectrais do jovem uruguaio Steban para Ros\u00e1rio, na biblioteca da fazenda. Ele \u00e9 uma esp\u00e9cie de fantasma, ou alucina\u00e7\u00e3o, por quem a jovem se apaixona. Ferido na testa, a imagem sempre demonstra pavor e desaparece quando \u00e9 mencionado o nome de Bento Gon\u00e7alves, dando a entender que consiste em uma de suas v\u00edtimas de tempos atr\u00e1s, durante a Guerra da Cisplatina. Essas apari\u00e7\u00f5es recorrentes borram os limites entre realidade e imagina\u00e7\u00e3o na trama, assim como o pr\u00f3prio romance que se tem em m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>A casa das sete mulheres<\/em>, assim como as suas continua\u00e7\u00f5es, possibilita que os leitores, principalmente aqueles que n\u00e3o s\u00e3o da Regi\u00e3o Sul do Brasil, conhe\u00e7am cap\u00edtulos importantes da hist\u00f3ria do pa\u00eds por meio de uma narrativa ficcional que preenche com cria\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e linguagem liter\u00e1ria as lacunas deixadas por refer\u00eancias documentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LACERDA, Denise P\u00e9rez (2006). <em>Do imagin\u00e1rio o real<\/em>: a hist\u00f3ria (re) contada em <em>A casa das sete mulheres<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Hist\u00f3ria da Literatura) \u2013 Funda\u00e7\u00e3o Universidade do Rio Grande do Sul (FURG), Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MAESTRI, M\u00e1rio (2004). As Sete Mulheres e as Negras sem Rosto: Fic\u00e7\u00e3o, Hist\u00f3ria e Trivialidade. <em>Cadernos IHU Ideias<\/em>, S\u00e3o Leopoldo, ano 2, n. 17, p. 1-24. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/ideias\/017cadernosihuideias.pdf\">https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/ideias\/017cadernosihuideias.pdf<\/a>. Acesso em: 24 out. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RUAS, Tabajara (1985). <em>Os var\u00f5es assinalados<\/em>. Porto Alegre: L&amp;PM.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WIERZCHOWSKI, Leticia; BERTA, Ver\u00f4nica (2023). <em>A casa das sete mulheres<\/em>. S\u00e3o Paulo: Maralto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ZATI, Jhonatan (2021). Literatura e hist\u00f3ria em <em>A casa das sete mulheres<\/em>, de Leticia Wierzchowski.&nbsp;<em>Revista F\u00f3rum Identidades<\/em>, Itabaiana, v. 33, n. 1, p. 101-112. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.ufs.br\/forumidentidades\/article\/view\/15498\">https:\/\/periodicos.ufs.br\/forumidentidades\/article\/view\/15498<\/a>. Acesso em: 24 out. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4153.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4153\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" 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data-caption-title=\"Record, 2002\" data-attachment-id=\"4154\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Record, 2002\" width=\"250\" height=\"354.97237569061\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Record-2002.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22354.97237569061%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20354.97237569061%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Record, 2002<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Espanha-Ediciones-B-2005.webp\" data-caption-title=\"Espanha, Ediciones B, 2005\" data-attachment-id=\"4155\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Espanha, Ediciones B, 2005\" width=\"250\" height=\"391.48351648352\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Espanha-Ediciones-B-2005.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22391.48351648352%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20391.48351648352%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Espanha, Ediciones B, 2005<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div 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