{"id":3954,"date":"2025-03-27T00:44:02","date_gmt":"2025-03-27T03:44:02","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3954"},"modified":"2025-11-12T18:02:30","modified_gmt":"2025-11-12T21:02:30","slug":"o-amor-dos-homens-avulsos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3954","title":{"rendered":"O amor dos homens avulsos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">HERINGER, Victor. <em>O amor dos homens avulsos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Julia Rudek Machado<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o:<\/em> @popi.oli<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O amor dos homens avulsos <\/em>(2016), de Victor Heringer (Rio de Janeiro, RJ, 1988 \u2013 Rio de Janeiro, RJ, 2018), \u00e9 um romance de tom memorial\u00edstico no qual o narrador, Camilo, conta sua inf\u00e2ncia no bairro do Que\u00edm, no Rio de Janeiro. A narrativa parte do momento em que, em determinado m\u00eas de f\u00e9rias, seu pai traz para casa um menino chamado Cosme, que passa a viver com a fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Constru\u00edda a partir de cap\u00edtulos, sendo que estes n\u00e3o levam t\u00edtulo, apenas o n\u00famero ao qual correspondem, a narrativa mescla o tempo passado com o tempo presente, e o narrador, j\u00e1 adulto, relembra sua inf\u00e2ncia ao lado de Cosme (ou Cosmim, como era carinhosamente chamado). Se, em um primeiro momento, Camilo sente ci\u00fames com a chegada do menino em sua casa, incomodado com a proximidade entre este e o pai, o sentimento logo se transforma em cumplicidade, amizade e amor. Assim, o romance acaba por se tornar uma narrativa forte e sens\u00edvel a respeito do relacionamento amoroso entre os dois rapazes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Camilo vive uma inf\u00e2ncia reclusa e solit\u00e1ria at\u00e9 a chegada de Cosme, o que se d\u00e1 tamb\u00e9m devido \u00e0 perda parcial das fun\u00e7\u00f5es motoras de uma das pernas. A rela\u00e7\u00e3o entre os dois meninos faz com que ele comece a sair de casa, brincar na rua, conhecer os outros moradores do Que\u00edm; \u00e9 como se a conviv\u00eancia com Cosme fosse um divisor de \u00e1guas na vida do narrador, at\u00e9 o momento em que, na vida adulta, ele volta a ser sozinho e se isola novamente. H\u00e1, dessa forma, um contraste entre a fam\u00edlia da inf\u00e2ncia, ainda que com seus problemas, e a vida adulta e a velhice solit\u00e1rias, al\u00e9m da disparidade entre a presen\u00e7a e a aus\u00eancia de Cosme e a forma como isso impacta o dia a dia de Camilo \u2013 o alternar entre o restante de sua vida e o intervalo de tempo em que permaneceu e conviveu com o seu primeiro e \u00faltimo amor, uma p\u00e1gina destacada da sua hist\u00f3ria, sublinhada e rabiscada em meio \u00e0s outras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ditadura militar no Brasil \u00e9 tamb\u00e9m uma tem\u00e1tica trabalhada na obra de Heringer: no in\u00edcio, o narrador informa que Cosme chega em sua casa no ano de 1976, quando aquele tinha treze anos de idade. Os anos de repress\u00e3o s\u00e3o abordados atrav\u00e9s da figura do pai de Camilo: um m\u00e9dico que trabalha nos por\u00f5es da tortura, em contato direto com as v\u00edtimas, conforme o leitor vai descobrindo. Esse n\u00e3o \u00e9, no entanto, o pano de fundo do romance, e as mem\u00f3rias do narrador a respeito desse per\u00edodo n\u00e3o s\u00e3o muitas; sobre aquilo que sabe, n\u00e3o busca muitas outras informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1, no entanto, a descri\u00e7\u00e3o que Camilo faz da desigualdade social e econ\u00f4mica no bairro onde morava, algo relacionado com os anos em que passou sua inf\u00e2ncia. O texto coloca o leitor diante da vida na periferia carioca dessa \u00e9poca: quando passa realmente a viver o bairro em que habita, estar com seus moradores, conhecer seus espa\u00e7os, o narrador acaba criando consci\u00eancia de sua classe social; percebe, como ele pr\u00f3prio diz, que \u201cvivia entre gente pobre\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa, que \u00e9 constru\u00edda quase que de modo documental, tem como foco, apesar disso, o olhar sutil que Camilo dedica ao texto, marcado pelo amor por Cosme, mesmo que, no momento em que narra, j\u00e1 n\u00e3o possua mais o olhar apaixonado, m\u00e1gico e aberto de quando era crian\u00e7a: \u00e9 neste outro momento da vida, j\u00e1 marcado pela dor do luto, pelo aprendizado da aus\u00eancia. Apesar disso, \u00e9 poss\u00edvel visualizar na leitura este Camilo jovem, pr\u00e9-adolescente, cheio das quest\u00f5es que a idade traz, o Camilo que ama Cosme, porque o texto, apesar de seu tom dolorido, ainda consegue mostrar ao leitor a esperan\u00e7a escondida dos tempos do bairro do Que\u00edm.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A passagem do tempo e das diferentes fases da vida, as transforma\u00e7\u00f5es do espa\u00e7o, da casa em que cresceu, as durezas e os desafios da vida adulta contrastam com as descobertas da juventude e da sexualidade, que Cosme e Camilo experienciaram juntos: o primeiro beijo, o conhecimento do corpo pr\u00f3prio, do corpo do outro, o primeiro amor. A linguagem utilizada em v\u00e1rios momentos torna-se confusa e violenta ao relatar temas mais fortes \u2013 o preconceito e suas consequ\u00eancias, os anos de repress\u00e3o da ditadura militar, a pr\u00f3pria urbaniza\u00e7\u00e3o da cidade do Rio de Janeiro e tudo que acarretou. \u00c9, no entanto, a mesma linguagem capaz de dar conta da simplicidade do amor, ao descrever as coisas que Cosme deu a Camilo ao longo da vida (pedrinhas, figurinhas, uma caixa de f\u00f3sforos, bot\u00f5es de roupa, um livro do Darcy Ribeiro, uma lata de biscoitos&#8230;). Outros exemplos s\u00e3o o momento em que os dois se apresentam como namorados aos amigos, como que fingindo uma cerim\u00f4nia de casamento, a passagem do \u00f3dio ao amor, as declara\u00e7\u00f5es que Camilo n\u00e3o conseguiu fazer e depois escreve. S\u00e3o as mem\u00f3rias de um homem j\u00e1 mais velho que ainda \u00e9 capaz de escrever com a paix\u00e3o de uma crian\u00e7a, livre e protegida dos traumas da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse talvez seja o principal m\u00e9rito do romance de Heringer: a maneira como a narrativa consegue conciliar temas leves e brutais em par\u00e1grafos que se seguem, \u00e0s vezes em um mesmo racioc\u00ednio, causando um estranhamento t\u00e3o necess\u00e1rio em quem l\u00ea e colocando-o em contato com coisas das quais evita se aproximar, porque machucam \u2013 o sentimento interrompido, a necessidade de seguir em frente, a viol\u00eancia que n\u00e3o deveria existir, mas existe. \u201cSempre quis acreditar, ao avesso, que eu poderia me convencer de que tinha inventado isso tudo, inventado Cosmim e a morte de Cosmim, um assassino marido da bab\u00e1, meu pai anjo de tortura. Que este mundo inteiro n\u00e3o passou de um del\u00edrio da minha mente aleijada. Que outro mundo destes \u00e9 poss\u00edvel, um quase id\u00eantico (com minha perna ruim, com Que\u00edm e tudo, Brasil, mis\u00e9ria e tristeza, n\u00e3o tem problema), mas um pouco menos hediondo\u201d. E assim continua: \u201cOu, se n\u00e3o menos hediondo, um pouco mais variado. Li uma vez num poema que n\u00f3s \u2018somos bonecos de lava endurecida \/ e \u00e9 com l\u00e1grima que nos amoldam\u2019. [&#8230;] Nunca ningu\u00e9m me disse nada parecido, nem o poeta desse mesmo poema deve dizer coisas assim na vida comum. Ent\u00e3o \u00e9 a vida comum que tem que morrer; Cosmim morreu na vida comum\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9, al\u00e9m de tudo, uma escrita que se mostra corajosa, que traz a voz de um narrador que n\u00e3o tem medo e n\u00e3o hesita em relatar o que teve com Cosme, que em nenhum momento escondeu o amor que sentiu. Sem rodeios, trata de temas hoje em dia evitados e at\u00e9 mesmo censurados, sempre envolvendo o leitor em uma mistura de sensa\u00e7\u00f5es e imagens que ora perturbam, ora abra\u00e7am, estarrecem e emocionam. Algumas cenas, denunciando uma realidade cotidiana, s\u00e3o feitas para provocar desconforto. Quando, por exemplo, o leitor entra em contato com a rela\u00e7\u00e3o de Camilo e Cosme, o intuito de Heringer \u00e9 revelar as consequ\u00eancias do preconceito e a viol\u00eancia que decorrem de um amor que sempre se deu de forma simples, naturalmente, sem m\u00e1scaras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance, assim, trabalha ao mesmo tempo com a mem\u00f3ria e com sua imin\u00eancia de fim, essa mem\u00f3ria que n\u00e3o se quer, de jeito algum, que se acabe (presente em cadernos, fotografias, boletins escolares, desenhos), mas que, mesmo assim, vai perdendo a nitidez com o passar dos anos. Como tudo nesse livro, no entanto, h\u00e1 o contraponto do amor por Cosme, que permanece. Exemplo da forma como o carinho e o cuidado com que se trata algu\u00e9m s\u00e3o capazes de migrar de uma pessoa a outra, alterar a rota, escolher novos destinos, apesar das feridas \u2013 afinal, o sentimento, quando adoece, nem sempre se desfaz por completo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso fica claro ao final da narrativa, um fim repleto de perd\u00e3o, perd\u00e3o este que s\u00f3 uma crian\u00e7a consegue alcan\u00e7ar. A mensagem que <em>O amor dos homens avulsos<\/em> passa para o leitor \u00e9 que, em meio a pares de ant\u00edtese, apesar da dor, a vida se reconstr\u00f3i. O amor, a raiva, a compaix\u00e3o, o luto, a solid\u00e3o e a saudade se renovam, transformam-se, acendem e apagam, retornando de formas diferentes no cora\u00e7\u00e3o de quem os sente. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 injusti\u00e7a, que continua a perseguir a todos, v\u00ea-se nesse livro uma resposta, um contra-ataque: mais uma tentativa da literatura de encontrar caminhos diferentes de exist\u00eancia, novas chances que, a cada p\u00e1gina lida, a cada reflex\u00e3o produzida, tornam-se cada vez mais pr\u00f3ximas da realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FERREIRA, Valeria Rosito; CUNHA, Pedro Henrique (2023). A solid\u00e3o da personagem-paisagem na fic\u00e7\u00e3o de Victor Heringer.&nbsp;<em>Terra Roxa e Outras Terras: Revista de Estudos Liter\u00e1rios<\/em>,&nbsp;<em>[S. l.]<\/em>, v. 43, n. 2, p. 52-64. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ojs.uel.br\/revistas\/uel\/index.php\/terraroxa\/article\/view\/47811.\">https:\/\/ojs.uel.br\/revistas\/uel\/index.php\/terraroxa\/article\/view\/47811.<\/a> Acesso em: 6 jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MATTIA, Bianca Rosina (2020). Amor, masculinidades e resist\u00eancia: uma leitura queer. <em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, Bras\u00edlia, n. 61, p. 1-10. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/35245\/27932\">https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/35245\/27932<\/a>. Acesso em: 13 maio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MODESTO, Edcleberton de Andrade (2020). <em>O sentimento de avuls\u00e3o em O Amor dos Homens Avulsos, de Victor Heringer, e Terra Avulsa, de Altair Martins<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras \u2013 Teoria da Literatura) \u2013 Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/tede2.pucrs.br\/tede2\/handle\/tede\/9123\">https:\/\/tede2.pucrs.br\/tede2\/handle\/tede\/9123<\/a>. Acesso em: 14 ago. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PLATO, Isadora de (2024). A representa\u00e7\u00e3o l\u00e9xico-estil\u00edstica da inf\u00e2ncia em <em>O amor dos homens avulsos,<\/em> de Victor Heringer. <em>Primeira Escrita<\/em>, v. 11, n. 1, p. 50-60. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.ufms.br\/index.php\/revpres\/article\/view\/20366\/14414\">https:\/\/periodicos.ufms.br\/index.php\/revpres\/article\/view\/20366\/14414<\/a>. Acesso em: 14 ago. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Leandro Soares da (2018). Dois meninos: a constru\u00e7\u00e3o do amor perdido em dois romances contempor\u00e2neos. <em>F\u00f3lio \u2013 Revista de Letras,<\/em> Vit\u00f3ria da Conquista, v. 9, n. 1, p. 85-102. &nbsp;Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos2.uesb.br\/index.php\/folio\/article\/view\/3246\/2721\">https:\/\/periodicos2.uesb.br\/index.php\/folio\/article\/view\/3246\/2721<\/a>. Acesso em: 14 ago. 2024<strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4089.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4089\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Companhia-das-Letras-2016.webp\" data-caption-title=\"Companhia das Letras, 2016\" data-attachment-id=\"4090\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Companhia das Letras, 2016\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/02\/Companhia-das-Letras-2016\/3803999558.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Companhia das Letras, 2016<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>HERINGER, Victor. 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