{"id":3935,"date":"2025-03-25T16:11:26","date_gmt":"2025-03-25T19:11:26","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3935"},"modified":"2025-11-12T18:01:30","modified_gmt":"2025-11-12T21:01:30","slug":"julho-e-um-bom-mes-para-morrer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3935","title":{"rendered":"Julho \u00e9 um bom m\u00eas para morrer"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">MENEZES, Roberto. <em>Julho \u00e9 um bom m\u00eas para morrer<\/em>. S\u00e3o Paulo: Patu\u00e1, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Egberto Guillermo Lima Vital<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Manuela Dib<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Laura, uma mulher cuja identidade flutua entre a lesbianidade e a bissexualidade, vive no limiar de um pr\u00e9dio destinado \u00e0 demoli\u00e7\u00e3o e da perda de todos os significados que seu apartamento ainda representa para ela, tal qual as fraturas de suas lembran\u00e7as, que se desfragmentam em estilha\u00e7os de mem\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <em>Julho \u00e9 um bom m\u00eas para morrer<\/em>, de Roberto Menezes (Santa Rita, PB, 1978), Laura enfrenta o abandono materno, que a empurra numa busca incessante por respostas e possibilidades distantes. A obra apresenta uma narrativa contempor\u00e2nea e urbana, impregnada de solid\u00e3o e mem\u00f3rias fragmentadas, bem como de sujeitos descentrados que refletem um contexto de fracassos e introspec\u00e7\u00f5es profundas. Essa din\u00e2mica \u00e9 evocada pelas digress\u00f5es da narradora-personagem enquanto escreve sua extensa carta de \u201cpresta\u00e7\u00e3o de contas\u201d com a m\u00e3e, com seu passado, com as culpas internas que a assombram, com a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desafiando ordens judiciais, Laura recusa-se a entregar seu apartamento a uma empreiteira de Jo\u00e3o Pessoa, que conseguiu a concess\u00e3o de todos os outros apartamentos de um antigo edif\u00edcio em uma \u00e1rea nobre da capital paraibana, menos o dela. Ela se op\u00f4s \u00e0 venda, mas seu im\u00f3vel foi desapropriado em um processo obscuro e duvidoso. Nesse movimento, ela escreve \u00e0 m\u00e3e ausente, Lucy, em uma tentativa desesperada de preencher o vazio que a acompanha desde a inf\u00e2ncia. Atrav\u00e9s de cartas, Laura revisita suas mem\u00f3rias, revelando a dor do abandono e a revolta pela aus\u00eancia de Lucy, al\u00e9m da culpa que toma para si pelo desfecho tr\u00e1gico da irm\u00e3 e pelo descaso que imputa a si mesma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 av\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trama \u00e9 permeada por elementos de uma exist\u00eancia tumultuada, moldada pela rejei\u00e7\u00e3o e pela car\u00eancia afetiva. Os desafios nos relacionamentos familiares e outras rela\u00e7\u00f5es interpessoais conduzem Laura a buscar nas drogas e em diferentes cren\u00e7as uma forma de preencher seu vazio existencial, um padr\u00e3o que se repete constantemente ao longo de seu relato \u2014 que flerta com a tend\u00eancia contempor\u00e2nea da escrita de si. Nesse \u00ednterim, a av\u00f3, No\u00eamia, emerge como um eixo de transforma\u00e7\u00e3o, enquanto a irm\u00e3, Lara, simboliza a culpa e a autorresponsabiliza\u00e7\u00e3o diante das incumb\u00eancias adultas com as quais Laura parece n\u00e3o saber lidar, vivenciando movimentos de uma adolesc\u00eancia\/juventude tardia e mal curada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um aspecto interessante dessa narrativa \u00e9 que o eco do homem-escritor se dissolve, o que poderia acabar escoando em algum momento, mas aqui n\u00e3o acontece. Laura \u00e9 uma narradora aut\u00f4noma, e a narrativa \u00e9 conduzida por sua voz de mulher. Menezes prova, em sua obra, que consegue se apropriar do <em>ethos<\/em> feminino para construir personagens mulheres com complexidade, e isso fica mais n\u00edtido quando se confronta essa obra com outras do autor em que o <em>ethos<\/em> ret\u00f3rico \u00e9 masculino, a exemplo de <em>Trago comigo as dores de todos os homens<\/em> (2019), em que se est\u00e1 diante de um autor que se despe de si quando escreve. Isso \u00e9 um ponto crucial para pensar a constru\u00e7\u00e3o dos discursos no romance urbano contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, a personagem Teresa \u00e9 preponderante na trajet\u00f3ria de Laura, sobretudo na constru\u00e7\u00e3o est\u00e9tica de sua autonomia como personagem-narradora. A professora desperta na aluna, mesmo que, \u00e0 primeira vista, inconscientemente, o desejo sexual: \u201cQuem diria que a primeira pessoa do mundo por quem eu teria tes\u00e3o seria outra mulher. Ah, se n\u00e3o era poss\u00edvel. N\u00e3o me sentia sapat\u00e3o, n\u00e3o, nunca me senti [&#8230;]\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com Teresa, os limites do corpo s\u00e3o avassalados por Laura quando ela se percebe envolvida er\u00f3tico-afetivamente por sua professora: \u201cHoje acordei com o cheiro dela em meu corpo. Loucura? N\u00e3o. Hoje acordei me sentindo a pr\u00f3pria Teresa. Hoje acordei com a Teresa dentro de mim\u201d. O discurso de Laura evidencia uma complexa interse\u00e7\u00e3o entre desejo e identidade, permeada por um contexto heteronormativo que molda suas percep\u00e7\u00f5es enquanto mulher que deseja o corpo de outra igual. Laura encontra-se em um conflito interno, tentando reconciliar sua pr\u00f3pria identidade com os estere\u00f3tipos pr\u00e9-concebidos que a cercam ao utilizar o termo \u201csapat\u00e3o\u201d; ao mesmo tempo, ela revela uma desconex\u00e3o entre sua identidade sexual e as normas impostas pela sociedade, apropriando-se desse termo como construto de uma imagem de si mesma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 interessante observar que, apesar do desejo homoer\u00f3tico de Laura, n\u00e3o se manifesta uma dicotomia clara entre uma personagem masculinizada e outra feminina. As representa\u00e7\u00f5es das personagens n\u00e3o se enquadram nos estere\u00f3tipos convencionais, desafiando assim as expectativas sociais e de g\u00eanero. A busca de Laura pelo desejo e a sensa\u00e7\u00e3o de incompletude refletem uma jornada pessoal em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 autodescoberta e aceita\u00e7\u00e3o. A virada do s\u00e9culo tamb\u00e9m aparece como pano de fundo dos conflitos da protagonista nesse contexto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa decadente, outra manifesta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e conceitual do romance urbano contempor\u00e2neo, molda-se no apartamento de Laura. Suas paredes desgastadas e janelas empoeiradas tornam-se um s\u00edmbolo de sua resist\u00eancia contra a inevit\u00e1vel pot\u00eancia rebarbativa do progresso; seu pr\u00e9dio est\u00e1 \u00e0 beira da ru\u00edna, mas ela ainda insiste em manter de p\u00e9 o que lhe confere identidade e dignidade: seu lugar de morada. Enquanto as m\u00e1quinas pesadas se aproximam para demolir o pr\u00e9dio, Laura se agarra \u00e0s lembran\u00e7as que ali orbitam, como se cada rachadura nas paredes fosse uma fissura em sua pr\u00f3pria carne.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No labirinto dessas mem\u00f3rias entrela\u00e7adas, Laura dan\u00e7a ao ritmo de uma narrativa n\u00e3o linear, onde o tempo se dobra e se estica como um tecido fluido. Menezes usa o art\u00edfice habilidoso da digress\u00e3o, enquanto brinca com os fios do passado, presente e futuro, desafia os paradigmas convencionais do g\u00eanero \u201cromance\u201d, dissolvendo a linearidade do come\u00e7o, meio e fim, cerzindo uma colcha de retalhos com os fragmentos das lembran\u00e7as de Laura e costurando juntos momentos dispersos em um mosaico de emo\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias, que se aglutinam como cacos de um vitral. Nessa abordagem est\u00e9tica, cada lembran\u00e7a \u00e9 um ponto de partida, ao passo que tamb\u00e9m \u00e9 um ponto de retorno, em que uma ponta solta se entrela\u00e7a com outras, formando uma tape\u00e7aria de significados, em que at\u00e9 Maria Val\u00e9ria Rezende aparece como personagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao explorar as mem\u00f3rias de Laura de forma n\u00e3o linear, Menezes n\u00e3o apenas dialoga com uma proposta contempor\u00e2nea, mas tamb\u00e9m desconstr\u00f3i a fic\u00e7\u00e3o do Nordeste \u00e1rido, marcado pela seca e fome. Ele nos convida a mergulhar em um Nordeste urbano que problematiza quest\u00f5es universais, inserido em uma agenda globalizada, por meio de um recurso em que o tempo \u00e9 male\u00e1vel e as hist\u00f3rias se desdobram em m\u00faltiplas dire\u00e7\u00f5es. Trata-se, sem d\u00favida, de uma estrat\u00e9gia do autor para desafiar as conven\u00e7\u00f5es narrativas esperadas de uma obra fora do eixo sudestino, abrindo espa\u00e7o para novas formas de experienciar a literatura produzida na Para\u00edba. Menezes se afasta dos exotismos e folclorismos frequentemente associados \u00e0 regi\u00e3o, demarcando uma est\u00e9tica pr\u00f3pria de seu lugar de produ\u00e7\u00e3o e desmistificando a ideia de que o Nordeste \u00e9 uma coisa s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 nesse movimento que Laura transforma os corredores vazios e os quartos abandonados de seu pr\u00e9dio no cen\u00e1rio imag\u00e9tico de sua inf\u00e2ncia, marcada pelo abandono. Ela revive momentos de ternura com sua av\u00f3 No\u00eamia e as feridas abertas pela aus\u00eancia de Lucy. Cada objeto empoeirado se torna um artefato pessoal de suas dores. As cartas para sua m\u00e3e ausente transformam-se em confiss\u00f5es \u00edntimas, nas quais Laura derrama suas m\u00e1goas e esperan\u00e7as no texto escrito, uma vez que j\u00e1 n\u00e3o tem mais para quem falar, exceto a folha de papel. Ela busca entender as raz\u00f5es por tr\u00e1s do abandono, lutando para reconciliar a dor da rejei\u00e7\u00e3o com seus anseios por amor e aceita\u00e7\u00e3o. No entanto, a presen\u00e7a fantasmag\u00f3rica de sua irm\u00e3, Lara, paira sobre ela como uma sombra, lembrando-a das responsabilidades n\u00e3o assumidas e das feridas compartilhadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Laura se debate entre o desejo de liberta\u00e7\u00e3o e a \u00e2ncora do passado, navegando pelas \u00e1guas turbulentas de sua pr\u00f3pria identidade. Essas \u00e1guas lodosas s\u00e3o visualmente representadas no trabalho gr\u00e1fico da capa, onde o verde-lodo engole as ru\u00ednas de uma torre em poss\u00edvel decl\u00ednio. Entre os escombros do pr\u00e9dio condenado, Laura encontra ref\u00fagio nas paredes seladas de seu apartamento, buscando respostas para suas perguntas e al\u00edvio para sua ang\u00fastia interior. Cada tragada de ar \u00e9 um escape tempor\u00e1rio, uma pausa na busca implac\u00e1vel por significado em um mundo indiferente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, <em>Julho \u00e9 um bom m\u00eas para morrer<\/em> \u00e9 a narrativa de uma mulher solit\u00e1ria lutando contra as adversidades, mas \u00e9 tamb\u00e9m uma reflex\u00e3o sobre a natureza da identidade, da fam\u00edlia e da busca pela pr\u00f3pria verdade em um mundo em constante mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">OLIVEIRA, Dyanna L\u00facia Nascimento (2018). <em>Aspectos da personagem contempor\u00e2nea no romance <\/em>Julho \u00e9 um bom m\u00eas para morrer, <em>de Roberto Menezes da Silva<\/em>. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (Gradua\u00e7\u00e3o em Leras Portugu\u00eas) \u2013 Universidade Estadual da Para\u00edba, Campina Grande.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SOUSA, Fabr\u00edcio Batista de (2016). \u00a0<em>A identidade p\u00f3s-moderna de Laura em <\/em>Julho \u00e9 um bom m\u00eas pra morrer<em>, de Roberto Menezes<\/em>: uma proposta did\u00e1tica para sala de aula. <em>In<\/em>: ENCONTRO NACIONAL DE LITERATURA INFANTO-JUVENIL E ENSINO, 6., Campina Grande, 2016. <em>Anais <\/em>[&#8230;]. Campina Grande: Realize Eventos Cient\u00edficos e Editora Ltda.<em> <\/em>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.editorarealize.com.br\/editora\/anais\/enlije\/2016\/TRABALHO_EV063_MD1_SA15_ID911_22072016112141.pdf\">https:\/\/www.editorarealize.com.br\/editora\/anais\/enlije\/2016\/TRABALHO_EV063_MD1_SA15_ID911_22072016112141.pdf<\/a>. Acesso em: 20 maio 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SOUSA, Fabr\u00edcio Batista de (2017). <em>Homoafetividade e fragmenta\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria em <\/em>Julho \u00e9 um bom m\u00eas paramorrer<em>, de Roberto Menezes<\/em>. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (Gradua\u00e7\u00e3o de Letras) \u2013 Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4026.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4026\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Editora-Patua-2016.webp\" data-caption-title=\"Patu\u00e1, 2015\" data-attachment-id=\"4027\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Patu\u00e1, 2015\" width=\"250\" height=\"374\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/02\/Editora-Patua-2016\/2394647116.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22374%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20374%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Patu\u00e1, 2015<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MENEZES, Roberto. 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