{"id":3824,"date":"2025-03-25T16:46:55","date_gmt":"2025-03-25T19:46:55","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3824"},"modified":"2025-11-12T18:02:44","modified_gmt":"2025-11-12T21:02:44","slug":"chegou-o-governador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3824","title":{"rendered":"Chegou o governador"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">\u00c9LIS, Bernardo. <em>Chegou o governador<\/em>. Rio de Janeiro: Jos\u00e9 Olympio, 1987.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Pen\u00e9lope Eiko Aragaki Salles<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o:<\/em> <em>Guilherme Franzoni<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance <em>Chegou o governador,<\/em> de Bernardo \u00c9lis (Corumb\u00e1 de Goi\u00e1s, GO, 1915 \u2013 Corumb\u00e1 de Goi\u00e1s, GO, 1997), publicado em 1987, prop\u00f5e a recria\u00e7\u00e3o dos primeiros anos do s\u00e9culo XIX no estado de Goi\u00e1s. A narrativa come\u00e7a com a chegada do nobre portugu\u00eas D. Francisco de Assis Mascarenhas a Vila Boa de Santana de Goi\u00e1s, em meados de 1804, quando assume o cargo de governador, ou capit\u00e3o-general, da capitania. Em sua trajet\u00f3ria, D. Francisco encontrar\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 um cen\u00e1rio de decad\u00eancia e intrigas, mas tamb\u00e9m um per\u00edodo prop\u00edcio para envolvimentos amorosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Descendente da Casa Real de Bragan\u00e7a, o jovem nobre foi recebido com entusiasmo pelo povo, especialmente pelas mulheres, e com certa apreens\u00e3o pela maioria dos homens. Como era comum na \u00e9poca, os altos dignit\u00e1rios da Coroa Portuguesa vinham para o Brasil desacompanhados e logo buscavam a companhia feminina. Todos sabiam que o capit\u00e3o escolheria uma amante e, at\u00e9 que escolhesse uma mulher, os homens temiam que a escolha reca\u00edsse na sua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00edvio geral, o governador escolheu como amante \u00c2ngela Ludovico, filha de uma fam\u00edlia influente da regi\u00e3o. A jovem, praticamente noiva do alferes Rodrigues Jardim, envolveu-se com o nobre devido \u00e0 aus\u00eancia do alferes em uma miss\u00e3o no Par\u00e1. Com o tempo, D. Francisco se aproximou cada vez mais de \u00c2ngela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando \u00c2ngela engravidou, seu pai tentou separ\u00e1-la de D. Francisco, mas o governador a resgatou e prop\u00f4s que ela e o filho vivessem no pal\u00e1cio. Apesar da insist\u00eancia de \u00c2ngela no matrim\u00f4nio e no reconhecimento da paternidade, o governador recusou-se a se casar com ela. O relacionamento continuou at\u00e9 que D. Francisco novamente n\u00e3o reconheceu o segundo filho. Ap\u00f3s essa recusa, \u00c2ngela o abandonou definitivamente e retomou seu relacionamento com o antigo namorado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c2ngela \u00e9 retratada como uma hero\u00edna moderna, recusando-se a ser apenas a amante, independentemente da nobreza ou posi\u00e7\u00e3o social de seu parceiro. Ela desejava formalizar sua rela\u00e7\u00e3o, casar-se, ter filhos leg\u00edtimos e viver abertamente com o marido, em busca de \u201crespeito e dignidade\u201d perante a sociedade e Deus. \u00c2ngela aceitou ser amante at\u00e9 descobrir a gravidez, quando n\u00e3o p\u00f4de mais esconder sua condi\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s a recusa do governador em se casar, ela tomou a decis\u00e3o de se unir ao  antigo namorado, mesmo sabendo que essa escolha seria vista como indecorosa, uma vez que j\u00e1 tinha dois filhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O casamento com o alferes, que n\u00e3o era nobre e tinha uma patente militar baixa, n\u00e3o afetaria a posi\u00e7\u00e3o social de \u00c2ngela, sendo uma solu\u00e7\u00e3o mais aceit\u00e1vel para sua fam\u00edlia do que v\u00ea-la como amante com filhos ileg\u00edtimos. Para o conde, apesar de ferir seu ego, essa decis\u00e3o foi conveniente, pois o liberava para buscar outros relacionamentos mais vantajosos, tanto social quanto financeiramente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inconformado com a atitude de \u00c2ngela e seu casamento com o alferes, D. Francisco decidiu deixar Goi\u00e1s e seguir para a capitania de Minas Gerais. A narrativa termina com o nobre \u00e0 espera de seu sucessor, que, assim como ele, causar\u00e1 grande alvoro\u00e7o na popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir de cartas e documentos como <em>Corografia Hist\u00f3rica, S\u00famula da Hist\u00f3ria, Anais, Instru\u00e7\u00f5es<\/em> e <em>Relat\u00f3rios<\/em> coletados e utilizados como ep\u00edgrafes dos cap\u00edtulos, percebe-se a tentativa de Bernardo \u00c9lis de reconstruir a antiga prov\u00edncia de Goi\u00e1s, outrora regi\u00e3o de grande import\u00e2ncia, sendo a segunda maior produtora de ouro do Brasil. O autor goiano destaca o atraso e decl\u00ednio da capitania: &#8220;A cidade (Goi\u00e1s) n\u00e3o tem absolutamente vida social. Cada um vive em sua casa e n\u00e3o se comunica, por assim dizer, com ningu\u00e9m&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A minera\u00e7\u00e3o quase n\u00e3o existia mais, com 40% da popula\u00e7\u00e3o composta por vadios e desocupados, enquanto os impostos abusivos da coroa portuguesa empobreciam a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 reduzida. Os habitantes abandonaram os n\u00facleos urbanos, e as pr\u00e1ticas religiosas foram praticamente esquecidas pela maioria. \u00c9lis descreve um cen\u00e1rio de ru\u00ednas e decad\u00eancia, onde os homens parecem lamentar uma gl\u00f3ria extinta em meio a constru\u00e7\u00f5es em deteriora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de trazer eventos, fatos e personagens hist\u00f3ricos \u2013 como os movimentos separatistas (Inconfid\u00eancia Mineira e Revolta dos Alfaiates, na Bahia), as amea\u00e7as de invas\u00e3o de Napole\u00e3o Bonaparte, o Bloqueio Continental, e a chegada da fam\u00edlia real ao Brasil \u2013, a obra mescla hist\u00f3ria e fic\u00e7\u00e3o. O autor tamb\u00e9m faz refer\u00eancias a figuras hist\u00f3ricas importantes, como Napole\u00e3o, o Marqu\u00eas de Pombal, a rainha Maria I, o pr\u00edncipe regente D. Jo\u00e3o I, e o pr\u00f3prio governador D. Francisco de Assis Mascarenhas. A narrativa se entrela\u00e7a entre hist\u00f3ria e fic\u00e7\u00e3o, recriando o per\u00edodo e seus personagens, mas com liberdade criativa para explorar as intera\u00e7\u00f5es e o drama pessoal, sem deixar de lado o pano de fundo pol\u00edtico e social da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o pr\u00f3prio autor recusasse essa classifica\u00e7\u00e3o, <em>Chegou o governador<\/em> pode ser considerado um romance hist\u00f3rico, pois faz uso de importantes fatos da \u00e9poca em uma abordagem liter\u00e1ria. As personagens inventadas, geralmente figuras comuns, s\u00e3o diretamente afetadas por grandes eventos hist\u00f3ricos. No caso desse romance, destacam-se as amea\u00e7as de invas\u00e3o territorial por Napole\u00e3o Bonaparte, a chegada da fam\u00edlia real ao Brasil e a escravid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como mencionado anteriormente, a ficcionaliza\u00e7\u00e3o desse per\u00edodo pode ser interpretada como uma tentativa do romancista de dar visibilidade aos costumes da \u00e9poca. No entanto, o discurso do narrador minimiza a explora\u00e7\u00e3o da coroa portuguesa sobre a col\u00f4nia e demonstra certa condescend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos abusos dos altos dignit\u00e1rios portugueses, como o concubinato. O narrador destaca que os portugueses de origem, especialmente aqueles em cargos administrativos importantes, evitavam casar-se com mulheres negras, ind\u00edgenas, n\u00e3o brancas, judias ou ciganas. Mesmo entre as mulheres brancas, era necess\u00e1rio ter um t\u00edtulo de nobreza ou grande fortuna para se casar com homens portugueses nessas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa pr\u00e1tica permitia que as autoridades evitassem o casamento com brasileiras, j\u00e1 que os nobres s\u00f3 podiam se unir a pessoas da nobreza ou ricas e, claro, europeias. Aqueles que desrespeitassem essas normas enfrentavam impiedosa persegui\u00e7\u00e3o e ostensivas press\u00f5es sociais. Devido a essas restri\u00e7\u00f5es matrimoniais, muitos portugueses, especialmente os altos dignit\u00e1rios da coroa, acabavam se envolvendo com mulheres das categorias proibidas. Esses relacionamentos geravam esc\u00e2ndalos e uma numerosa prole que n\u00e3o podia ser legitimada. Geralmente, esses filhos n\u00e3o herdavam a fortuna paterna, que frequentemente se perdia em descaminhos, dissimula\u00e7\u00f5es e fraudes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora uma obra deva ser compreendida em seu contexto social, cultural e hist\u00f3rico, o narrador exp\u00f5e os preconceitos de classe, g\u00eanero e ra\u00e7a predominantes na \u00e9poca, atribuindo inferioridade \u00e0queles que n\u00e3o se encaixavam no ideal de branquitude e heteronormatividade, algo considerado aceit\u00e1vel no per\u00edodo. Desde o in\u00edcio, o narrador insiste em retratar pessoas negras de forma inferiorizada. O tratamento violento \u00e0s pessoas escravizadas, comum no per\u00edodo colonial, n\u00e3o recebe nenhuma cr\u00edtica ou questionamento, refletindo sua coniv\u00eancia com essa conduta, que \u00e9 apresentada como normal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para exemplificar a viol\u00eancia presente no romance, destaca-se o uso lexical de termos como \u201cpretinho\u201d, \u201cpretinha\u201d, \u201cpreto\u201d, \u201cpreta\u201d, \u201cnegrinha\u201d e \u201cmulata\u201d, que desumanizam e reduzem os corpos negros, evidenciando o discurso racista impregnado no texto. A obra glorifica o per\u00edodo colonial ao descrever esse contexto de domina\u00e7\u00e3o racial: \u201cdesse mundo talvez hostil para eles africanos, africanos t\u00e3o estranhos para os brancos que eram os donos do mundo, dos pretos, do ouro e do cobre, da \u00e1gua e de parte dos deuses e magos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, o narrador descreve epis\u00f3dios de extrema viol\u00eancia, como o estupro de uma jovem escravizada pelo governador, como se fossem pr\u00e1ticas banais. Nessa cena, a jovem \u00e9 retratada de maneira desumanizadora, com \u00eanfase na objetifica\u00e7\u00e3o de seu corpo e na animaliza\u00e7\u00e3o de seus atributos f\u00edsicos: \u201cE como n\u00e3o estivesse muito familiarizado com negras, a jovem assemelhava-se mais a um bichinho do que a uma pessoa humana, na sua tez escura mas n\u00e3o de todo negra, com suas formas adolescentes que antes se adivinhavam sob as vestes grossas mas escassas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde o per\u00edodo colonial, os abusos sexuais contra mulheres negras eram frequentemente romantizados ou apresentados como conquistas pelos abusadores, ilustrando a desumaniza\u00e7\u00e3o dos corpos negros para justificar a viol\u00eancia. Em contraste, embora as mulheres brancas ocupassem uma posi\u00e7\u00e3o socialmente privilegiada, elas careciam de autonomia financeira e independ\u00eancia, frequentemente se submetendo ao concubinato em busca de prote\u00e7\u00e3o. Essas mulheres eram tratadas como propriedade dos homens e viviam superficialmente, focadas em roupas, fofocas e relacionamentos amorosos, enquanto os homens temiam ser abandonados por elas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao empregar eventos reais como cen\u00e1rio para uma narrativa fict\u00edcia e criar intera\u00e7\u00f5es entre personalidades hist\u00f3ricas e personagens inventados, \u00c9lis mistura fatos com fic\u00e7\u00e3o. Neste sentido, a precis\u00e3o hist\u00f3rica em detalhes como costumes, moda, eventos pol\u00edticos e sociais foi crucial para construir uma ambienta\u00e7\u00e3o do per\u00edodo retratado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O autor utiliza essa premissa para explorar quest\u00f5es como a complexa rela\u00e7\u00e3o entre Portugal e Brasil, a explora\u00e7\u00e3o dos escravizados, a din\u00e2mica e os costumes de uma sociedade oitocentista, mostrando a decad\u00eancia de uma regi\u00e3o que havia sido pr\u00f3spera no passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, <em>Chegou o governador <\/em>\u00e9 um romance que convida a refletir sobre as discrimina\u00e7\u00f5es baseadas em classe, g\u00eanero, origem e ra\u00e7a, desafiando conven\u00e7\u00f5es e propondo uma an\u00e1lise cr\u00edtica das rela\u00e7\u00f5es de poder e dos costumes da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CURADO, Jo\u00e3o Guilherme da Trindade (2021). Personagens negros em obras de Bernardo \u00c9lis. <em>Revista Sapi\u00eancia<\/em>: sociedade, saberes e pr\u00e1ticas educacionais, II Edi\u00e7\u00e3o Especial Bernardo \u00c9lis, v. 10, n. 4, p. 1-14. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.revista.ueg.br\/index.php\/sapiencia\/issue\/view\/640\">https:\/\/www.revista.ueg.br\/index.php\/sapiencia\/issue\/view\/640<\/a>. Acesso em: 6 out. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PAULA, Gabriel de (2014). <em>Bernardo \u00c9lis<\/em>: de Corumb\u00e1 de Goi\u00e1s ao mar. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Hist\u00f3ria) \u2013 Universidade Federal de Goi\u00e1s, Goi\u00e2nia. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/repositorio.bc.ufg.br\/tede\/handle\/tede\/3554\">http:\/\/repositorio.bc.ufg.br\/tede\/handle\/tede\/3554<\/a>. Acesso em: 6 out. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SAINT-HILAIRE, Auguste de (1975). <em>Viagem pelas prov\u00edncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Vivaldi Moreira. Belo Horizonte: Itatiaia; S\u00e3o Paulo: EDUSP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Rog\u00e9rio Max Canedo (2011). <em>Por essas estradas o homem voa nas asas de sua fantasia<\/em>: romance e hist\u00f3ria em<em> Chegou o governador<\/em>, de Bernardo \u00c9lis<em>.<\/em> Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Lingu\u00edstica, Letras e Artes) \u2013 Universidade Federal de Goi\u00e1s, Goi\u00e2nia. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/repositorio.bc.ufg.br\/tede\/handle\/tde\/2419\">http:\/\/repositorio.bc.ufg.br\/tede\/handle\/tde\/2419<\/a>. Acesso em: 6 out. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3859.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3859\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Jose-Olympio-1987.webp\" data-caption-title=\"Jos\u00e9 Olympio, 1987\" data-attachment-id=\"3860\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Jos\u00e9 Olympio, 1987\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Jose-Olympio-1987\/2555675264.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Jos\u00e9 Olympio, 1987<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9LIS, Bernardo. 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