{"id":3655,"date":"2025-01-27T12:06:46","date_gmt":"2025-01-27T15:06:46","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3655"},"modified":"2025-11-12T17:58:08","modified_gmt":"2025-11-12T20:58:08","slug":"ninho-de-cobras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3655","title":{"rendered":"Ninho de cobras"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">IVO, L\u00eado. <em>Ninho de cobras<\/em>: uma hist\u00f3ria mal contada. Rio de Janeiro, Jos\u00e9 Olympio, 1973.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Carmen de Jesus Garcia<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Francisco Dalcastagn\u00e8 Miguel<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">L\u00eado Ivo (Macei\u00f3, AL, 1924 \u2013 Sevilha, Espanha, 2012) foi poeta consagrado, romancista e ensa\u00edsta premiado, autor de cr\u00f4nicas e jornalista, eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1986. Seu primeiro livro de poesia foi publicado em 1944, aos 20 anos, seguindo-se intensa produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica e in\u00fameras premia\u00e7\u00f5es. Quanto \u00e0 prosa, seu primeiro romance foi publicado em 1947, e premiado pela Funda\u00e7\u00e3o Gra\u00e7a Aranha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance<em> Ninho de cobras<\/em>: <em>uma hist\u00f3ria mal contada<\/em> veio a p\u00fablico em 1973, recebeu o Pr\u00eamio Nacional Walmap e deu notoriedade a Ivo como romancista. A obra foi traduzida e publicada em v\u00e1rios pa\u00edses. Em 1983, com mais de 30 livros publicados, o autor foi distinguido com o Pr\u00eamio M\u00e1rio de Andrade, conferido pela ABL, pelo conjunto de sua obra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Ninho de cobras<\/em> se divide em dez partes, em cerca de 200 p\u00e1ginas. Seu enredo descreve a vida no centro da cidade de Macei\u00f3 dos anos 1930-1940. Uma raposa percorre a cidade at\u00e9 ser abatida. O romance apresenta hist\u00f3rias de personagens t\u00edpicos de uma estrutura social fortemente patriarcal, de base agr\u00e1ria, que objetifica o corpo da mulher e que absorve em seu cotidiano os efeitos de um estado repressivo, ditatorial, representado pelo Estado Novo. A hist\u00f3ria se passa em um dia apenas, mas na caracteriza\u00e7\u00e3o dos personagens, Ivo registra diferentes formas de viol\u00eancia numa sociedade desigual, como a fome, a inadequada assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, o estupro e o abuso de menor. O uso do terror para manter a ordem conta com a anu\u00eancia de suas elites, e aqueles que dela n\u00e3o fazem parte est\u00e3o sujeitos a ter o mesmo destino da raposa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira impress\u00e3o de leitura \u00e9 de se estar diante de uma narrativa simples, em que as hist\u00f3rias dos personagens s\u00e3o apresentadas em sequ\u00eancia, cada uma das partes podendo ser lida como um conto. Esse aspecto foi salientado por Rubens Eduardo Ferreiras Frias (2004), que o destacou para contrapor o argumento, defendendo o papel condutor da raposa, que aparece em muitas partes do livro. De fato, h\u00e1 a figura da raposa, presente na abertura das hist\u00f3rias, alimentando uma ou outra conversa, mas pode-se pensar que essa interliga\u00e7\u00e3o esteja marcada, sobretudo, pela amea\u00e7a que a morte da raposa faz pairar no ambiente social, como alegoria do destino daqueles que infringem as regras sociais. Nesse sentido, h\u00e1 certa complexidade que interliga as hist\u00f3rias e dilui a impress\u00e3o de se tratar de contos, mas de um conjunto de hist\u00f3rias entrela\u00e7adas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse particular, \u00e9 interessante registrar opini\u00e3o da estudiosa do romance Adriana Nunes de Souza (2022), ao destacar, nessa fragmenta\u00e7\u00e3o da narrativa que chega a se pensar em contos, uma caracter\u00edstica de modernidade da obra. H\u00e1 uma \u201cconverg\u00eancia entre a hist\u00f3ria e a literatura em um texto no qual o discurso metaf\u00f3rico prevalece sobre o realista\u201d, e \u201ctorna o texto rico em recursos pr\u00f3prios da modernidade liter\u00e1ria, aqui entendida como escrita que quebra a estrutura linear da narrativa e utiliza a fragmenta\u00e7\u00e3o e a ironia como alicerces\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance \u00e9 rico em detalhes descritivos da cidade, uma quase personagem, o que se deve \u00e0 narrativa, \u00e0s vezes documental, do autor alagoano apaixonado pela hist\u00f3ria e beleza de sua cidade natal, como aponta Frias (2004). Essa caracter\u00edstica est\u00e1 presente j\u00e1 no in\u00edcio, quando a raposa invade a cidade, ao amanhecer. No percurso da raposa, v\u00e3o sendo reveladas as principais ruas e becos da cidade, seus cheiros, os espa\u00e7os p\u00fablicos, detalhes paisag\u00edsticos e de costumes, os estabelecimentos e as institui\u00e7\u00f5es, \u00e0 medida que ela adentra e o dia vai se abrindo. No trajeto j\u00e1 est\u00e3o presentes, em <em>closes<\/em>, os personagens do romance, descritos nas suas partes subsequentes. Ao caminhar, a raposa \u00e9 vista por muitos, mas \u00e9 confundida com cachorro e assim prossegue sem ser molestada, at\u00e9 ser avistada pelos guardas do posto policial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Ninho de cobras<\/em> tem um narrador onisciente que tudo sabe e relata, sejam as paisagens, as mem\u00f3rias do autor, a hist\u00f3ria da cidade e do pa\u00eds, ou os sentimentos dos personagens. Alguns personagens s\u00e3o nominados, outros s\u00e3o identificados por suas profiss\u00f5es e h\u00e1 at\u00e9 um personagem inominado. Al\u00e9m deste, importante na hist\u00f3ria, os tipos destacados s\u00e3o um professor e advogado, Serafim Gon\u00e7alves, representando a elite; Alexandre Viana, um homem comum angustiado; e o assassino Piolho de On\u00e7a. Outros personagens sobressaem: a freira insone que, de sua janela no hospital da cidade, tudo v\u00ea; a prostituta sem nome cujo sonho \u00e9 morar na pens\u00e3o e l\u00e1 servir seu corpo; o poeta e alguns nominados como Guabiraba que fazem o papel de leva-e-traz. Essas principais figuras que comp\u00f5em o quadro social que o autor identifica na cidade se encontram nos eventos, seja no cemit\u00e9rio ou nas festas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Serafim Gon\u00e7alves \u00e9 o professor que almeja a legislatura para a Assembleia Legislativa, num pa\u00eds com o Congresso fechado, esperando obter vit\u00f3ria pelos votos de cabresto, garantidos pelo apadrinhamento do sogro, que \u00e9 coronel. Gon\u00e7alves \u00e9 o defensor do regime. Conivente com sua crueldade, posa ao lado do matador profissional e est\u00e1 presente em todas as partes da obra. Frequentador de bordel, junto \u00e0 elite da cidade, \u00e9 homossexual e tem fam\u00edlia e <em>status<\/em> a preservar, mora na casa de janelas abertas para expor sua cole\u00e7\u00e3o de livros, talvez comprados a metro, tudo contribuindo para refor\u00e7ar a import\u00e2ncia da apar\u00eancia e da artificialidade da sociedade que defende.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alexandre Viana, homem comum, trai a mulher, entra em conflitos existenciais por conta disso, n\u00e3o os resolve e tem destino tr\u00e1gico, no dia da invas\u00e3o da raposa. A not\u00edcia de sua morte \u00e9 espalhada pelas vias informais de comunica\u00e7\u00e3o, como sendo de responsabilidade do Sindicato da Morte. A freira insone que tudo v\u00ea sente a exist\u00eancia de um v\u00ednculo entre a morte da raposa e a de Alexandre Viana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E h\u00e1 o personagem inominado, apresentado em \u201cO homem do balc\u00e3o\u201d<em>, <\/em>porque trabalha atr\u00e1s de um balc\u00e3o, e se destaca por escrever cartas an\u00f4nimas, denunciando o que acontece na cidade. Ele invade a privacidade das pessoas, repassa boatos como o da morte de Alexandre pela repress\u00e3o, dedura pessoas e, quando isso diz respeito a algu\u00e9m da elite, afronta a ordem social vigente. Seu destino tr\u00e1gico vai sendo insinuado ao longo do livro, muito antes de seu desfecho. H\u00e1 um suspense na narrativa das cartas que s\u00e3o escritas e postadas, no disfarce das letras, e \u00e9 esse clima, sobretudo, que entrela\u00e7a a hist\u00f3ria da raposa ao romance.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O matador por encomenda Piolho de On\u00e7a, membro do Sindicato da Morte, \u00e9 conhecido por todos. Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 liquidar os advers\u00e1rios do regime, em qualquer parte, mas nem por isso deixa de ser aceito. Sua presen\u00e7a nas festas orgi\u00e1sticas visa \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos locais contra eventuais problemas com a tripula\u00e7\u00e3o dos navios ancorados. O assassino frequenta e circula e \u00e9 bem recebido pelas figuras t\u00edpicas da sociedade no momento em que escancaram suas vidas duplas, ao tra\u00edrem suas esposas, seja com mulheres ou com os marinheiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Piolho sela o destino do inominado que, apesar de n\u00e3o ter nome, constava, segundo o narrador, \u201cde um livro negro como o dos cart\u00f3rios\u201d, ou seja, das fichas pol\u00edticas dos \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o. Esse momento \u00e9 particularmente expressivo do terror imposto pelas ditaduras aos seus opositores. Sejam as pr\u00e1ticas repressivas e de tortura f\u00edsica da DIP, \u00f3rg\u00e3o de propaganda e repress\u00e3o da ditadura do Estado Novo, sejam as do DOPS, \u00f3rg\u00e3o de repress\u00e3o da ditadura militar, n\u00e3o existem limites para a tortura f\u00edsica, pois ela pode prosseguir \u00e0 morte do torturado. Aqui especial alus\u00e3o se deve fazer \u00e0 \u00e9poca em que o livro foi publicado, em plena ditadura militar, na sua fase mais cruel, acrescentando atemporalidade \u00e0 narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O uso de recursos estil\u00edsticos transparece com a pr\u00f3pria raposa e seu significado e, em que pese sua ast\u00facia, tamb\u00e9m \u00e9 v\u00edtima da viol\u00eancia social. H\u00e1 uma simbologia na \u00eanfase da proximidade com o mar, na descri\u00e7\u00e3o da cidade que desce para o mar, na import\u00e2ncia do cais na rotina da cidade, o cotidiano que flui como as \u00e1guas. Destaca-se tamb\u00e9m a descri\u00e7\u00e3o das festas, seja na pens\u00e3o ou na praia, recurso imag\u00e9tico forte, t\u00edpico de textos naturalistas, verdadeiros rituais hedon\u00edsticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Surpreende a descri\u00e7\u00e3o da Macei\u00f3 feita por Ivo, com seus pratos, quitutes e aperitivos caracter\u00edsticos, seu apego ao prazer, suas bebidas, a alus\u00e3o de ter a melhor cacha\u00e7a do pa\u00eds, de a cidade ser o local em que se misturou, pela primeira vez, u\u00edsque com \u00e1gua de coco. Nesse ambiente festivo, os personagens se encontram e destilam suas intrigas, indiferentes \u00e0s mortes do dia, a da raposa e a de Alexandre, e \u00e0 que est\u00e1 anunciada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vida segue na Macei\u00f3 dos anos 1930 e 1940, indiferente \u00e0 exist\u00eancia humana, nesse relato ir\u00f4nico da sociedade local, de seus personagens e costumes, que nos \u00e9 apresentado com intelig\u00eancia e talento pelo autor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FRIAS, Rubens Eduardo Ferreira (2004). <em>A raposa sem as uvas. <\/em>Uma leitura de <em>Ninho de cobras<\/em>, de L\u00eado Ivo. Rio de Janeiro: ABL.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SOUZA, Adriana Nunes de (2022). <em>Entre a hist\u00f3ria e a modernidade. <\/em>Uma an\u00e1lise de <em>Ninho de cobras<\/em>, de L\u00eado Ivo. S\u00e3o Paulo: Dial\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3714.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3714\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Jose-Olympio-1973-1.webp\" data-caption-title=\"Jos\u00e9 Olympio, 1973\" data-attachment-id=\"3715\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Jos\u00e9 Olympio, 1973\" width=\"250\" height=\"357\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Jose-Olympio-1973-1\/3613111964.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22357%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20357%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Jos\u00e9 Olympio, 1973<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Record-1980.webp\" data-caption-title=\"Record, 1980\" data-attachment-id=\"3716\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Record, 1980\" width=\"250\" height=\"387\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Record-1980\/4209604139.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22387%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20387%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Record, 1980<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/CEPAL-2016.webp\" data-caption-title=\"CEPAL, 2016\" data-attachment-id=\"3717\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"CEPAL, 2016\" width=\"250\" height=\"352\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/CEPAL-2016\/1230681848.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22352%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20352%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">CEPAL, 2016<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IVO, L\u00eado. 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