{"id":3590,"date":"2025-01-21T10:41:33","date_gmt":"2025-01-21T13:41:33","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3590"},"modified":"2026-07-15T12:12:33","modified_gmt":"2026-07-15T15:12:33","slug":"uma-dor-perfeita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3590","title":{"rendered":"Uma dor perfeita"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">L\u00cdSIAS, Ricardo. <em>Uma dor perfeita<\/em>. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Ra\u00edssa Abreu Gomes<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o:<\/em> <em>Catalina Chervin<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A passagem por uma Unidade de Terapia Intensiva \u00e9 o tipo de experi\u00eancia traum\u00e1tica que ningu\u00e9m quer lembrar. Ricardo L\u00edsias (S\u00e3o Paulo, SP, 1975), por\u00e9m, tinha raz\u00f5es para encarar seu adoecimento por outro \u00e2ngulo. Ele sofria as consequ\u00eancias da Covid-19, o mal que, naquele momento, tirava a vida de quase quatro mil brasileiros a cada dia, muitos sem receber atendimento hospitalar. Ciente do privil\u00e9gio de ser tratado em um hospital de elite em meio a uma crise de sa\u00fade p\u00fablica, e habituado a explorar os limites da linguagem diante da morte, L\u00edsias registrou tudo o que p\u00f4de. Essas notas forneceriam ao autor a base para compor <em>Uma dor perfeita<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance \u2013 uma reelabora\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria do que o escritor viveu \u2013 acompanha as duas semanas em que ele esteve internado na UTI Covid-19 de um hospital privado de S\u00e3o Paulo, em mar\u00e7o de 2021, no momento mais cr\u00edtico da pandemia de coronav\u00edrus no Brasil, quando apenas profissionais de sa\u00fade e parte dos idosos e imunossuprimidos haviam recebido a primeira dose da vacina. O escritor sofreu um colapso pulmonar e esteve a ponto de ser intubado. \u00c0 medida que se recuperava, ouviu do editor e amigo a sugest\u00e3o de reorganizar em um livro a mem\u00f3ria daqueles dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O enfrentamento de quest\u00f5es existenciais em situa\u00e7\u00f5es extremas n\u00e3o \u00e9 uma novidade na obra de L\u00edsias, cuja produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria \u00e9 marcada pela mistura de g\u00eaneros e pela aboli\u00e7\u00e3o das fronteiras entre fic\u00e7\u00e3o e realidade. O escritor surgiu na cena liter\u00e1ria no in\u00edcio dos anos 2000 e rapidamente chamou a aten\u00e7\u00e3o de cr\u00edticos conceituados, como Leyla Perrone-Mois\u00e9s, que, em 2007, afirmou que L\u00edsias era \u201cum dos melhores escritores brasileiros revelados nos \u00faltimos anos\u201d. Seu romance <em>O c\u00e9u dos suicidas<\/em> (Alfaguara, 2012), por exemplo, considerado o melhor do ano pela Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Cr\u00edticos de Arte (APCA), explora a ang\u00fastia de um jovem narrador, inspirado nas experi\u00eancias do autor, diante da decis\u00e3o de um amigo de tirar a pr\u00f3pria vida. J\u00e1 <em>Div\u00f3rcio<\/em> (Alfaguara, 2013) reconstr\u00f3i ficcionalmente o processo de separa\u00e7\u00e3o vivido pelo escritor. Ou seja, a loucura, a viol\u00eancia, a solid\u00e3o e a complexidade das rela\u00e7\u00f5es humanas \u2013 assim como a pr\u00f3pria literatura \u2013 s\u00e3o temas que fazem com que sua obra se destaque no cen\u00e1rio nacional ao representar as quest\u00f5es da contemporaneidade. L\u00edsias foi finalista dos pr\u00eamios Jabuti, com <em>Anna O. e outras novelas<\/em> (Globo, 2007), e S\u00e3o Paulo de Literatura, com <em>O livro dos mandarins<\/em> (Alfaguara, 2009). Ele tamb\u00e9m esteve entre os vinte escritores selecionados, em 2012, pela revista liter\u00e1ria inglesa <em>Granta<\/em> para a colet\u00e2nea <em>Melhores jovens escritores brasileiros<\/em>, com o conto \u201cT\u00f3lia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para estruturar <em>Uma dor perfeita<\/em>, o escritor Ricardo L\u00edsias precisou voltar ao leito do doente Ricardo e for\u00e7ar seus limites para transform\u00e1-lo em narrador. \u00c9 com base no jogo, ou na negocia\u00e7\u00e3o, entre essas duas vozes metaliter\u00e1rias \u2013 escritor e narrador \u2013 que o enxadrista L\u00edsias faz emergir sua autofic\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, a partida precisa ser interrompida v\u00e1rias vezes pelo narrador \u2013 ora pela falta de ar, ora por desmaios ou alucina\u00e7\u00f5es. Todos esses movimentos s\u00e3o incorporados ao relato, contribuindo para mergulhar o leitor na atmosfera de pesadelo da UTI Covid-19, marcada pela escassez de luz natural, pelo bipe constante dos aparelhos de monitoramento, pela tosse e pelos gemidos dos pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A forma do texto acompanha o estado de sa\u00fade do doente, indo da prosa introspectiva, nos momentos de relativa sanidade, \u00e0 desestrutura\u00e7\u00e3o do verso experimental, nos momentos de febre e dor. Os m\u00fasculos das pernas de Ricardo foram, em suas palavras, \u201ccarcomidos pelo v\u00edrus\u201d, provocando uma dor perfeita. O t\u00edtulo do livro vem da express\u00e3o \u201ctempestade perfeita\u201d, que significa o \u201cpior cen\u00e1rio poss\u00edvel\u201d. Uma dor indescrit\u00edvel, que, de acordo com ele, \u201cn\u00e3o tinha a menor liga\u00e7\u00e3o com a linguagem. Nenhum relato dar\u00e1 conta de tanta exatid\u00e3o\u201d. Mas, se a linguagem consciente do narrador n\u00e3o podia expressar essa dor, que era pura ess\u00eancia, seu inconsciente parece ter encontrado um caminho para cont\u00ea-la. Nos del\u00edrios, ele imaginava uma pel\u00edcula fina e transparente envolvendo suas pernas, que permaneciam im\u00f3veis e separadas do corpo. Podiam at\u00e9, quem sabe, ser entregues a outra pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Superados os piores sintomas, o relato se volta para o exterior. Consciente, Ricardo observava e anotava todos os movimentos da UTI, tal como o profissional de sa\u00fade acompanhando a evolu\u00e7\u00e3o do paciente: as r\u00e1pidas e muito aguardadas visitas dos m\u00e9dicos, os movimentos \u00e1geis e as l\u00e1grimas disfar\u00e7adas das enfermeiras, as conversas ao telefone de seus colegas de interna\u00e7\u00e3o. O narrador conta que os trabalhadores e trabalhadoras daquela UTI n\u00e3o gostavam de acompanhar os pacientes que seguiam para a intuba\u00e7\u00e3o. \u201cComo n\u00e3o pode receber visitas e n\u00e3o tem mais ningu\u00e9m por perto, muitos pedem para nos abra\u00e7ar. \u00c9 foda\u201d, explica um enfermeiro, apelidado de \u201cmeu ministro da sa\u00fade\u201d. Como o personagem de L\u00edsias, os profissionais de sa\u00fade foram os que mais sentiram os impactos da pandemia de Covid-19. Al\u00e9m de conviverem com o medo di\u00e1rio da contamina\u00e7\u00e3o, com a perda de colegas e com o desgaste f\u00edsico e emocional, no Brasil, eles ainda tiveram que enfrentar a falta das condi\u00e7\u00f5es mais b\u00e1sicas de trabalho, pois faltavam equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual nos hospitais p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao se lembrar de suas pr\u00f3prias chamadas telef\u00f4nicas com a fam\u00edlia, o narrador fala do medo e da vergonha que sentia ao encarar os \u201colhos de pedra\u201d da esposa, uma vergonha que perpassa todo o relato \u2013 por ter se deixado contaminar, pelo tratamento de elite que recebia, pela fragilidade do corpo exposto. \u201cAlguma coisa errada eu fiz\u201d, ele diz a si mesmo. O rosto do filho, por sua vez, lhe aparecia borrado na tela do celular, sem contornos definidos, como se desaparecesse de seu horizonte de possibilidades. Uma imagem que evoca outra aus\u00eancia, a de seu pr\u00f3prio pai, desaparecido depois de um jogo de futebol e visto pela \u00faltima vez entre o abrir e fechar das portas de um metr\u00f4.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale destacar ainda no romance de L\u00edsias a \u00eanfase dada pelo narrador \u00e0 hipocrisia de transformar uma cat\u00e1strofe em objeto de literatura. Esse desconforto se projeta na figura de um rato, personagem-met\u00e1fora que devora as entranhas do doente at\u00e9 quase o final do livro. \u201cDe voc\u00ea, rato, s\u00f3 me livro quando enxergar, de longe, meu sangue invadindo os rins\u201d, diz Ricardo. Mais uma vez, o autor faz uso da metaliteratura para enfatizar o car\u00e1ter de artificialidade do texto liter\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade, o que fica claro quando o rato \u00e9 finalmente convidado a se retirar. \u201cN\u00e3o, rato pretensioso, aqui \u00e9 um livro. L\u00e1 fora \u00e9 que est\u00e3o os mortos. Chegou a hora de deixar bem claro: o pacto com o diabo \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o, portanto, a desfa\u00e7o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Curioso notar que a imagem do rato foi bastante utilizada durante a pandemia para fazer refer\u00eancia ao ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica, Jair Bolsonaro, mais especificamente \u00e0 sua omiss\u00e3o na gest\u00e3o da crise. Al\u00e9m de promover a desinforma\u00e7\u00e3o, incentivando o uso de medicamentos sem efic\u00e1cia comprovada e desestimulando o uso de m\u00e1scaras de preven\u00e7\u00e3o, o governo do ex-presidente foi acusado de atrasar deliberadamente a compra das vacinas e de se beneficiar financeiramente da aquisi\u00e7\u00e3o delas. Ricardo L\u00edsias analisou o per\u00edodo Bolsonaro nos romances-ensaio <em>Di\u00e1rio da cat\u00e1strofe brasileira \u2013 Ano 1<\/em> (Record, 2020) e <em>Ano 2<\/em> (Record, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitos autores e autoras escreveram sobre a pandemia de Covid-19, que causou a morte de pelo menos 5,5 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo, de acordo com n\u00fameros oficiais da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) \u2013 quase 700 mil no Brasil. Foi um per\u00edodo de isolamento, solid\u00e3o e incertezas quanto ao futuro, prop\u00edcio tamb\u00e9m ao surgimento de algumas distopias, como foi o caso de <em>O riso dos ratos<\/em>, de Joca Reiners Terron (Todavia, 2021), e <em>O \u00faltimo gozo do mundo<\/em>, de Bernardo Carvalho (Companhia das Letras, 2021). A seu modo, todas essas obras refletem a necessidade de seus autores e autoras de reagirem ao que de fato parecia ser o fim de um mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Uma dor perfeita<\/em> testemunha o horror e a desesperan\u00e7a daqueles dias com uma crueza impressionante. Ao tentar reelaborar, pela escrita, a experi\u00eancia da doen\u00e7a, L\u00edsias demonstra que, com todas as limita\u00e7\u00f5es da arte diante da trag\u00e9dia \u2013 e com todos os pactos com o diabo dispon\u00edveis aos ratos da vez \u2013, um livro segue sendo o que o escritor pode fazer de mais \u00e9tico: uma mem\u00f3ria imperfeita da dor perfeita. Um livro que envolve e cont\u00e9m essa dor, tal qual uma pel\u00edcula, para que ela possa ser partilhada, para que n\u00e3o seja esquecida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PERRONE-MOIS\u00c9S, Leyla (2007). Posf\u00e1cio. <em>In<\/em>: L\u00cdSIAS, Ricardo. <em>Ana O. e outras novelas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Globo. p. 195-205.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RUIVO, Julia Barbedo (2022). <em>Diante da fratura do real<\/em>: o realismo e o contempor\u00e2neo em Ricardo L\u00edsias<em>. <\/em>Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Estudos da Linguagem) \u2013 Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/repositorio.ufop.br\/server\/api\/core\/bitstreams\/f3827a73-d45b-4fae-abd8-b966a3fb7dae\/content\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/repositorio.ufop.br\/server\/api\/core\/bitstreams\/f3827a73-d45b-4fae-abd8-b966a3fb7dae\/content<\/a>. Acesso em: 26 maio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SCAMPARINI, J\u00falia (2013). Presen\u00e7a do autor: autofic\u00e7\u00f5es de Ricardo L\u00edsias e de L\u00facia Murat. <em>Itiner\u00e1rios \u2013 Revista de Literatura<\/em>. Araraquara, n. 36, p. 277-286. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.fclar.unesp.br\/itinerarios\/article\/view\/5694\/4723.\">https:\/\/periodicos.fclar.unesp.br\/itinerarios\/article\/view\/5694\/4723.<\/a> Acesso em: 26 maio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SUT, Felipe Garzon (2022). <em>Palavra que agride, palavra que convoca<\/em>: Ricardo L\u00edsias e o nome pr\u00f3prio entre desastre e acontecimento. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Estudos de Literatura) \u2013 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.bdtd.uerj.br:8443\/handle\/1\/18472\">https:\/\/www.bdtd.uerj.br:8443\/handle\/1\/18472<\/a>. Acesso em: 26 maio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3597.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3597\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Alfaguara-2022.webp\" data-caption-title=\"Alfaguara, 2022\" data-attachment-id=\"3598\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Alfaguara, 2022\" width=\"250\" height=\"389\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Alfaguara-2022\/270987384.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22389%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20389%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Alfaguara, 2022<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00cdSIAS, Ricardo. 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